Feed RSS/XML deste blog
Capítulo Anterior | Daniela Abade | Próximo Capítulo
Primeiro capítulo

66.

Clique no último capítulo que você leu ou que você se lembra que tenha lido:
2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15 - 16 - 17 - 18 - 19 - 20 - 21 - 22 - 23 - 24 - 25 - 26 - 27 - 28 - 29 - 30 - 31 - 32 - 33 - 34 - 35 - 36 - 37 - 38 - 39 - 40 - 41 - 42 - 43 - 44 - 45 - 46 - 47 - 48 - 49 - 50 - 51 - 52 - 53 - 54 - 55 - 56 - 57 - 58 - 59 - 60 - 61 - 62 - 63 - 64

Beatrice. É esse o nome da velha. Ela está aqui no apartamento de Nicolò agora. Não me pergunte como ela chegou, porque eu não participei dessa aventura. Só sei que Nicolò saiu com o machado que Lina usou para destruir o organeto, então imagino que a coisa não deva ter sido discreta.

Ela fala pouco ou quase nada e Nicolò está cercando a velha de atenção. Parece que ela estava um pouco desacostumada com o uso do espaço. Anda pouco, se mantém quase sempre no mesmo lugar, passa quase todo o dia assistindo TV e me ignora solenemente.

Lina veio visitá-la ontem e chorou quando a viu. Já Beatrice não chorou. Beatrice não chora. Não se emociona. Não muda de expressão. A única coisa que faz é comer, assistir TV e tocar a violinha. Seu repertório se restringe a quatro músicas, portanto isso anda me irritando um pouco.

Ela não parece reconhecer ou ligar para Nicolò. E o velho parece não se importar com isso. Hoje ele passa muito tempo conversando com a velha. Ele fala naquela língua friulano, furlano, furlanês, ainda não sei o termo certo. Mas porque fala só nessa língua é muito difícil que eu entenda. O que ela fala, mesmo que fosse em português eu não entenderia. Sofia sussurra monossílabos. Nem sei se Nicolò a entende de fato.

Com essa nova moradora no apartamento eu estou claramente negligenciada. Também não me importo. Agora tenho tempo para ler sem que Nicolò perceba. Abri o Paradiso de Dante. Não entendo muita coisa, mas são poemas bonitos. Se eu pudesse falar, sei que soariam bem. Aliás, as minhas visões me mostram um quadro com um desenho que tem aqui no livro, um quadro de uma moça chamada Beatrice, e até por isso sei que o nome da velha se escreve assim, não "Beatritche".

Essa Beatrice do quadro não é a mesma Beatrice de Nicolò. A primeira é loira, a segunda é morena. A primeira é nova, a segunda, muito velha. Mas parece que a Beatrice daqui faz tão bem para Nicolò como a Beatrice do livro fez a Dante. Também, cada um tem o paradiso que merece.

Endereço de trackback para este post:

http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/25324

Comentários, Trackbacks, Pingbacks:

Sem Comentários/Trackbacks/Pingbacks para esse post ainda...

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.