Primeiro capítulo
60.
Clique no último capítulo que você leu ou que você se lembra que tenha lido:
2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15 - 16 - 17 - 18 - 19 - 20 - 21 - 22 - 23 - 24 - 25 - 26 - 27 - 28 - 29 - 30 - 31 - 32 - 33 - 34 - 35 - 36 - 37 - 38 - 39 - 40 - 41 - 42 - 43 - 44 - 45 - 46 - 47 - 48 - 49 - 50 - 51 - 52 - 53 - 54 - 55 - 56 - 57 - 58
Vocês já devem estar ansiosos para saber do passeio de domingo passado. Eu prometi ação com tanta certeza que até estava com medo de que nada acontecesse e eu não tivesse qualquer novidade para contar neste espaço. Mas, felizmente para o meu relato, minhas premonições não falharam. Há novidades.
Eu, Giulia, Daniela, Lina e Nicolò fomos ao parque. Os quatro, caminhando quase como uma família feliz de propaganda de margarina, não fossem as propagandas de margarinas um tanto comedidas quanto ao uso de idosos e símios. Pois bem, o caminho era aquele de sempre, onde por algumas vezes eu ouvi a a violinha da velha tocando. O que aconteceu dessa vez foi que não só eu ouvi o som da viola. A música que era tocada também era diferente da que eu ouvi anteriormente. Da janela do pequeno prédio saía a mesma música do falecido organeto: Ma se m'è forza perderti, do Verdi. Nicolò percebeu na mesma hora. A partir daí perdeu completamente o rumo e o pouco de sanidade que ainda tinha. Deixou as mulheres sem ao menos dar uma palavra e foi andando em direção ao som. Eu, que estava no ombro dele, presa pela coleira, não tive muita escola senão ir junto.
O velho chegou na porta do prédio e, por um breve momento, só ficou parado escutando, como se quisesse fazer algum tipo de reconhecimento daquela música. Depois de ter o reconhecimento que precisava, ele tocou a campainha. A música parou. Ninguém atendeu. Nicolò insistiu e apertou a campainha de novo. O apartamento permaneceu em silêncio. Ele então gritou: "Tche nessuno in casa?". Ninguém. Nessa hora Lina, Giulia e Daniela já estavam ao nosso lado, todas preocupadas com o velho. Ele insistiu mais duas vezes, sem sucesso. Então se rendeu ao apelo das mulheres para voltar para o caminho do parque. Mas estava tão triste que nem percebeu que soltou minha coleira. Com a repentina liberdade, eu pulei para o ombro de Daniela. Todos se viraram para voltar ao passeio, menos eu, que continuei olhando para o alto. Foi daí que eu vi um objeto sendo jogado pela janela. Foi uma queda curta e o barulho do metal batendo na calçada não chamou nenhuma atenção dos outros. Só eu acompanhei a queda. Na condição de testemunha solitária pulei do ombro da menina para calçada com a intenção de ver mais de perto o que eu já sabia que veria. Reconheci de imediato o colar – era absolutamente igual ao que estava no quarto do velho.
Com o impacto o coração do colar abriu. Cheguei mais perto e vi que dentro do coração não havia qualquer foto. Dentro desse coração tinha um espelho. E eu vi meu rosto.
Endereço de trackback para este post:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/22577 Comentários, Trackbacks, Pingbacks:
Sem Comentários/Trackbacks/Pingbacks para esse post ainda...