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Primeiro capítulo

46.

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Foi ingenuidade minha acreditar que Nicolò tinha acabado com suas loucuras. Uma vez doido, sempre doido. O velho agora substituiu o mapa de Udine por um calendário. Algumas datas estão circuladas com caneta vermelha e a primeira data marcada é o dia 28 de maio – ele escreveu ao lado desse dia o seguinte: "Balâ daûr il sun dai vìolins". Maldita língua friulana – ainda me sinto analfabeta lendo isso e hoje não tenho a menor perspectiva de me alfabetizar: Nicolò não tem qualquer dicionário, ao contrário de Lina que tinha livros e dicionários em profusão. Tenho que esperar para ver. De qualquer forma, dia 28 já está aí.

A quem possa interessar: não, eu não perdi meus poderes de prever o futuro. O problema é que desde que eu cheguei nesse País, essas minhas previsões ficaram muito mais limitadas. Normalmente são imagens que eu não conheço – e não é de muita valia ser uma futurologista ignorante. Hoje, por exemplo, minha visão de futuro só me mostra uma coisa: o nome "Nicolo Amati" entalhado em um pedaço de madeira. Para mim isso não quer dizer absolutamente nada. Tenho realmente que esperar para ver.

Não sei se Amati é o sobrenome do meu Nicolò, porque ele não recebe qualquer correspondência por aqui. Mas sinceramente espero que sim, porque aturar um terceiro Nicolò não vai ser fácil. Para mim já basta o velho e o santo da estante.

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