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Primeiro capítulo

35.

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Ainda não sei de Nicolò e nem estou muito preocupada. A casa de Lina é tudo o que eu sempre sonhei para mim. Eu achava que a biblioteca do Brasil fosse o lugar com mais livros que eu pudesse visitar na minha vida, mas eu estava errada. A casa de Lina tem muito mais do que os 53 livros daquela biblioteca. Não sou muito boa em matemática, mas tentei contar todos livros depois que vi aquele monte de estantes espremida em uma sala. Impossível contar. Sem chegar nem perto da metade, minha conta já tinha passado dos 400. É livro que não acaba mais.

Acho que Lina é professora. Boa parte dos livros é de "Grammatica Italiana", "Lingua Italiana", "Dizionario Italiano", "Vocabolario Italiano". Então já descobri que a língua que eu chamava de quase-português se chama italiano. Acho que tinha um homem chamado Italiano na cidade onde eu morava no Brasil. Lembro de ouvir alguma coisa como: "Você não vai chamar o Italiano?". Engraçado.

Aquela outra língua que eu não entendo, também já descobri qual é. Está nas estantes de Lina (acho que tudo está nas estantes de Lina): "Gramatiche Furlane", "Alfabet Furlan", "Lenghe Furlane", "Grafie Furlane", e por aí vai. O que tem de "Furlan" e "Furlane" nessas estantes não é brincadeira. Então a língua deve se chamar "furlan" ou "furlane". Ainda não tive oportunidade de abrir esses livros, porque Lina não sai muito de casa. Mas assim que puder, vou dar uma fuçada.

De qualquer forma a coisa mais bacana que eu descobri, e que vai facilitar muito minha vida, foi um programa que passa na TV. Lina só deixa a televisão ligada num canal chamado "Rai Educational". Esse programa que eu gostei se chama "L'Italia e L'italiano per stranieri". Ainda não vi muita coisa, mas já entendi o básico. O programa parece aquelas novelas que apareciam no Brasil, só um pouco mais mal feita. Tem dois personagens que parecem brasileiros e duas mulheres que parecem ser daqui, mas que devem ser de outro lugar. Eles estão aprendendo italiano e coisas sobre a Itália. Eles são os "stranieri". Acho que eu também.

Ontem eles apareceram aqui em Udine. Foi bom ver esses prédios que eu vejo pela janela na TV. Também não entendi muita coisa de todo o programa. Só que Udine fica em Friuli alguma coisa. Mas no meio da história apareceu um escritor que me chamou a atenção. Ele se chamava Max Mauro. Não, eu não sei se ele escreve bem, até porque não vou nem conseguir ler o que ele escreve. Mas gostei de verdade dos cabelos dele. Acho que o caráter de um ser-humano pode ser julgado pelos cabelos. Pelo menos por mim.

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Comentário de: Lúcia
Oi, Daniela,

Acabei de ler seu livro Crônicos. Um pouco atrasada, confesso, mas ainda em tempo. Do livro passei pelo Mundo Perfeito (li vários ontem e perfeitos ainda para esse mundo nada perfeito) e agora cheguei por aqui.
Gostei muito de tudo. Realmente, a idéia do estranhamento é a idéia.
um abraço,
PermalinkPermalink 18.03.08 @ 12:31
Comentário de: Daniela Abade Email
Oi Lúcia,

Bom saber que arrumei uma nova leitora. Espero que você acompanhe e goste do que está acontecendo por aqui.

Grande abraço.
PermalinkPermalink 18.03.08 @ 12:43

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