Primeiro capítulo
34.
Para os perdidos. Clique no último capítulo que você leu ou que você se lembra que tenha lido:
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O instinto de sobrevivência falou mais alto de novo. Acho que eu dei um nó na cabeça do velho, mas agora pouco me importa. Tenho uma profusão de bananas, caquis e maçãs na minha frente. E ainda os cabelos de Lina como consolo.
Depois de quase dois dias naquele apartamento dos infernos sem qualquer tipo de comida e vivendo só de água, resolvi que não queria morrer assim. Nicolò já parecia mais para lá do que para cá, das poucas vezes que se dignou a sair do quarto. Lina não aparecia. Se eu quisesse agir, tinha que ser naquele momento. Não dava mais para esperar. Era hora de eu me mexer novamente. Afinal, eu já tenho alguma experiência com enredos de ação. Com a decisão tomada, liguei o lap top e escrevi um novo suposto recado de Pier Paolo para o velho.
QUER SE MATAR, SE MATA. MAS NÃO LEVA A PIERA JUNTO SEU EGOISTA FILHO DE UMA PUTA!
Ass: Seu ex-amigo Pier Paolo.
Depois de escrever parti para minha já tradicional cena de histerismo. Com o pouco de forças que eu ainda tinha, gritei, gritei, gritei, até Nicolò não poder ignorar mais minha presença. Acho que nem os vizinhos conguiram me ignorar. Nicolò apareceu na sala meio cambaleante, mas, já escolado com essas cenas, foi em direção ao lap-top. Acho que ele já sabia o que iria encontrar. Então ele leu o recado. Não sei exatamente o que ele entendeu. Mas acho que alguma coisa ele pegou, pelo menos o “filho da puta”. Dessa vez ele não imprimiu o que estava escrito. Só abriu a porta, tocou a campainha do vizinho e acho que desmaiou. Acho. Não sei. Só ouvi um baque seco no chão. Continuei no apartamento esperando. Mais alguns minutos e uma ambulância apareceu. Com medo de ser esquecida naquela confusão toda, resolvi voltar a gritar. O vizinho me encontrou quando eu já estava quase afônica. Então ele me levou para casa dele, ofereceu para mim uma espécie de mingau, (que, com a fome que eu estava, parecia a comida mais deliciosa do mundo), e, acho eu, conseguiu o telefone de Lina. Ou talvez ele tenha poderes telepáticos, sei lá. Sei que a velha apareceu.
Lina me levou para casa dela. E fez exatamente o que eu vi na minha última previsão: colocou na minha frente uma profusão de caquis, bananas e maçãs. Exatamente a cena que eu enxerguei. Pela primeira vez o destino que eu vi dependia da minha ação. Não era uma coisa que aconteceria de qualquer jeito, que eu não poderia evitar. Eu precisei agir para que minha visão acontecesse. Isso é muito estranho.
Ainda não sei do velho. Também não quero saber. Meu instinto hoje está mais forte que minha curiosidade. Licença que eu vou comer.
- 10.03.08
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Se tiver que acreditar na teoria evolucionista, quero ser a adaptação de uma mico-de-cheiro-fêmea e não de um chipanzé! Com perdão da heresia científica...
Abraços e no aguardo...
Obrigada. Eu sempre tenho a sensação de estar escrevendo pra ninguém. Fico feliz.
E se te deixar feliz, irá melhorar ainda mais a trama, esteja certa, postaremos mais vezes...