Primeiro capítulo
33.
Para os perdidos. Clique no último capítulo que você leu ou que você se lembra que tenha lido:
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O saco de bolachas terminou. Fico me perguntando porque não vi isso, mas não encontro resposta. Agora, com tanta fome, só consigo ver uma profusão de bananas, caquis e maçãs na minha frente. Não vejo mais nada. Nem Nicolò. O velho sai cada vez menos do quarto e me ignora completamente. Parece que eu deixei de existir. Ou quem sabe foi ele.
Lina também não voltou para o apartamento. Acho que ela não volta mais. Acho também que Nicolò vai morrer. Das últimas vezes que o vi, ele estava visivelmente mais magro, com uma barba no rosto e sem conseguir se movimentar direito.
Ainda não sei como reagir. Eu sei que sem comida não tenho como evitar a morte – e talvez isso seja uma coisa que eu não devesse evitar. Deve ser aquela história de destino – uma coisa maior do que qualquer um e que ninguém consegue evitar. Meu destino era vir para Udine, morar com esse velho louco e morrer de fome. Mas também tem outra coisa que é maior do que qualquer um e que ninguém consegue evitar, que é o instinto de sobrevivência. Eu não sei porque eu não quero morrer. Olhando por qualquer espectro, minha vida é uma merda. É inquestionável isso. Mas eu não quero morrer.
Eu não sei o que vou fazer, mas eu sei que vou fazer. É instinto. É maior do que qualquer um e ninguém consegue evitar.
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