Primeiro capítulo
31.
Para os perdidos. Clique no último capítulo que você leu ou que você se lembra que tenha lido:
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A velha também é louca. Parece que sanidade mental é a maior carência na família de Nicolò. Eu não sei mais o que eu vou fazer por aqui e também não sei como fugir. Se não fosse o frio eu poderia pensar em alguma coisa. Mas agora só sei que eu estou onde eu não deveria estar. Onde ninguém deveria estar. Não é lamentação barata, se alguém estivesse vivendo o que eu estou vivendo me entenderia na hora. A descrição dos fatos, no entanto, pode dar alguma idéia do que aconteceu por aqui.
Lina voltou algumas horas depois daquela visita tempestuosa e não estava nem um pouco mais calma. Ao contrário, além de nervosa, ela estava armada. Não era nenhuma arma convencional, mas o objeto era bastante assustador: Lina entrou no apartamento com um machado. Nicoló ficou tão chocado vendo a irmã entrar desse jeito que não conseguiu se mexer. Eu, por prudência, fiquei no sofá, atrás de uma almofada e pronta para pular para qualquer outro lugar se me sentisse ameaçada. Já Lina foi com determinação até o organeto. Sem qualquer lucidez ou piedade a velha começou a golpear o negócio: "E JE FINUDE!", "MAI PLU!". Antes que Nicolò ameaçasse se aproximar, o organeto já estava todo despedaçado no chão. O velho então deu um passo em direção à irmã. Lina levantou o machado o ameaçando. Nicolò, num raro momento de sabedoria, preferiu se manter distante. Ela, com liberdade para agir, pegou toda a madeira estraçalhada do organeto e jogou num buraco quadrado que sempre esteve na parede e que eu nunca entendi direito para que servia.
Depois de jogar toda a madeira no buraco, ela foi até a estante, pegou uma das velas acesas para o santo e jogou por lá. Com o susto não consegui nem gritar. Mas a medida que a madeira pegava fogo, percebi que aquele buraco controlava as chamas e não deixava que elas se espalhassem pelo apartamento. O fogo que eu vi apareceu então por lá. Nicolò ficou mudo. Lina repetiu mais uma vez num sussurro: "E je finude..." e daí foi embora.
O organeto não existe mais. Nicolò não tem mais como seguir com seus planos e, portanto, não precisa mais de mim. Eu não sei o que ele vai fazer, mas minhas visões mostram o velho arrumando uma mala.
Acho que eu não vou fazer parte da bagagem. Acho que eu não me importo. O que eu sei é que eu tenho saudades do Brasil.
- 25.02.08
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Aguardo continuação.