Primeiro capítulo
25.
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A história se repete: eu fiz novamente algo que não deveria. As intenções eram boas, o que não é uma justificativa, já que de boas intenções a comédia que o velho tem na estante está cheia. Mas essa coisa de interferir num enredo é meio viciante – uma vez que se começa não dá para parar. Pelo menos eu não consegui.
Bom, meu objetivo era impedir que Nicoló virasse o novo incendiário da cidade. Enquanto ele acreditasse que foi Breno quem entrou no apartamento e deixou um recado em seu computador, o velho não deixaria de fazer o seu show pirotécnico. Então eu precisava que ele acreditasse que outra pessoa escreveu o tal recado. Não preciso dizer que me entregar como autora estava fora de qualquer cogitação. Isso acabaria com toda minha liberdade de observar e, porque não, de agir. Nicoló só faz o que faz na minha frente porque acha que eu não tenho consciência. Perder meu showzinho diário é que eu não vou. Isso posto, eu precisava encontrar um novo autor que parecesse de alguma forma crível e que inclusive justificasse um texto escrito em português. Daí coloquei minha jabuticaba crescida para funcionar e a idéia apareceu.
Com o plano em mente, aproveitei para colocá-lo em prática ontem quando Nicoló foi ao banheiro com a parte de Necrologie do jornal. Liguei o lap top (isso até um burro consegue), cliquei no editor de texto e escrevi de novo:
Nicoló, não faz besteira. Eu mesmo quem fugi. Só deixei um recado para que você não fizesse isso de novo. Não era certo me deixar morto na sala. Era uma falta de respeito com seu amigo. Mas não faz uma besteira, por favor. Sou eu quem escrevo para você: Pier Paolo (seu amigo mico do Brasil)
Colocando assim, desse jeito, não parece uma idéia muito brilhante. Mas, convenhamos, para um cérebro um pouco maior do que uma jabuticaba, está de bom tamanho. E entre acreditar que a mico-de-cheiro-fêmea que mora no seu apartamento deixa recados no seu computador e o fantasma do seu antigo mico escreve esporadicamente para você, a segunda opção tem muito mais força. Até mais força dramática. É de se esperar que um fantasma, assim que desencarne, passe por algum tipo de evolução, ganhe poderes sobrenaturais. Portanto, apesar de absurdo, eu achei que seria mais fácil acreditar que um fantasma de mico escrevesse em um lap top do que um mico vivo o fizesse.
Agora que está feito, só me resta saber se Nicoló vai acreditar.
- 28.01.08
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Comentários, Pingbacks:
Não pare de jeito nenhum rsrs não quero ficar na imaginação como a conhecida Saga do Primeiro Beijo (Alê Felix).
Escrever um folhetim é isso: deixar "serás" em cada capítulo.
Jana,
Engraçada a comparação, vou falar com a Alê. Mas a saga não tem risco de parar. É um jogo. Começado, tem que chegar ao final.
Ju,
Saudades! Como anda Minas?
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