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Curso de Hipnose



Lição VIII

Exemplo característico ­ Para nos instruir, vamos, agora, apresentar o caso seguinte: Vem um amigo ao seu consultório e trás consigo um rapazinho.

Diz ele: "Ouvi falar que é um célebre hipnotizador e muito desejo que dê uma prova de seu poder sobre este rapaz.

Não se opõe que você o hipnotize e fará tudo que disser.

É um rapaz atrasadíssimo nos estudos e não quer se aplicar ao trabalho.

Foi a mãe dele que me enviou para eu corrigi-lo, mas tendo ouvido falar de seus bons resultados nestes casos, Faça com que sinta sobre ele o poder do hipnotismo e seja corrigido do vício da preguiça.

Veja o que pode fazer".

Eis aqui um exemplo característico que se apresenta na carreira de cada operador e o verdadeiro método a empregar pode ser dado aqui com minúcias, afim de que o estudante saiba como proceder em casos semelhantes.

Como começar a influenciar uma criança ­ Aprossime-se do rapaz, confiada e firmemente.

Pegue a mão esquerda dele em sua mão direita, colocando-o, ao mesmo tempo, a vossa mão esquerda sobre sua fronte e fazendo inclinar a cabeça para trás até levante os olhos para você.

Ele há de ficar um pouco amedontrado com este processo.

Diga que não tem a intenção de lhe fazer mal e que muito se divertirá durante as experiência que acontecerão.

Declare que não só não lhe fará mal, como também não deixará que ninguém o faça; e pode depositar toda confiança em você.

Fale em tom tranqüilizador, fazendo, ao mesmo tempo, fixar os olhos nos seus enquanto está em pé.

Diga que deve praticar tudo que ordenar e que vai adormecê-lo.

Declare que vai por ele sobre uma cadeira e que lhe dará para fixar os olhos uma moeda de prata; um objeto brilhante preencherá o mesmo fim.

Afirme, em seguida, que não acontecerá nada de extraordinário, senão que seu sono será absolutamente natural.

Depois, ponha-o confortavelmente em uma cadeira, pondo na sua mão o objeto brilhante e colocai-o a dez centímetros dos seus olhos, dizendo que, depois de o ter fixado por pouco tempo se entorpecerá cada vez mais e, finalmente, será obrigado a fechar os olhos e dormir.

O que se deve dizer ­ Repita positivamente e de maneira muito enfática as indicações: "Fixe os olhos sobre o objeto que tens em sua mão.

Não de atenção a qualquer um que venha ao aposento ou ao ruído que o faz.

As sua pálpebras vão tornar-se cada vez mais pesadas; entorpecerá de tal maneira que ficará incapaz de tê-las abertas".

Passe para trás de sua cabeça e ponha vossa mão direita sobre sua nuca, conservando a palma da mão fortemente apoiada aí, mas arranjaivos de maneira que não os causeis nenhum mal.

Como nada se ganha com a preça, deixe-o adormecer por alguns instantes.

Repita, então, a sugestão seguinte: "Os seus olhos vão tornando-se cada vez mais pesados, está entorp ecendo bastante; dentro de alguns instantes será impossível conservar os olhos abertos, mas não os feche antes que eu ordene.

O objet o quase que já não aparece agora, mas continue a fixa-lo e eu vou dizer quando deverá fechar os olhos".

O objeto deste método.

-Continuai a falar.

lhe desta maneira com segurança, porém com suavidade; fazei as vossas sugestões em tom de voz tal que se imprimam na sua consciência como fatos.

Penetrai.

o, agora, com a idéia do sono.

Continuai a falar.

lhe, mas não ouça ele senão o que lhe dizeis.

Em seguida às vossas sugestões reiterada.

Os seus olhos terão logo um aspecto dormente e pesado.

Falai.

lhe, então: "Os vos 108 olhos estão prestes a fechar-se, mal podeis manter-vos dêsperto".

Falai.

lhe, aqui, em tom menos imperativo e mais monótono, empregando a entoação mais lenta que podeis e fazei de sorte que pareçais cansado e disposto a dormir.

Continuai pelo modo seguinte: "Os vossos olhos devem fecharse agora, não podeis tê-los abertos; hão de cerrar-se já e estareis adormecido.

Fechai°s.

Conservai a vossa mão direita sobre a sua nuca como anteriormente e ponde a vossa mão esquerda sobre a sua fronte, dizendo: "Dormi".

Dai-lhe esta ordem com brandura, mas com firmeza.

As pálpebras tremerão, às vezes durante alguns segundos, outras vezes por mais tempo.

O paciente afrouxará logo os seus músculos e tornará a assentar-se sobre a sua cadeira com um suspiro de satisfação.

Deixai-o, assim, repousar durante alguns segundos, sem lhe dirigirdes a palavra.

Guardai silêncio no aposento.

-Pedi à pessoa que o acompanhou ao Vosso consultório que fique muito tranqüila durante toda a sessão, que não faça o menor barulho que possa atrair a atenção do paciente e não ofereça nenhuma sugestão nem a ele nem a vós.

Devese insistir sobre este ponto antes de começar o tratamento.

O efeito sobre a ação muscular do rapaz.

-Depois de haver permitido ao paciente que tome alguns segundos de descanso, dizei-lhe em tom muito baixo: "Estais dormindo profundamente e nada vos acordará.

Nada VOI fará mal; podeis abrir os olhos quando eu válo disser, mas Dão o podeis se para isso eu Dão voa der ordem.

Ficareis adormecido.

Vou, agora, levantar-voa o braço e esse movimento Dão voa perturbará, nada voa despertará".

Retirai suavemente a vossa mão da sua nuca e friccionai duas ou três vezes o braço mais perto de vós, depois levantai-o vivamente a uma posição horizontal e dizei: "O Vosso braço ficará Da posição em que eu o puser".

Friccionai-o ainda duas ou três vezes e dizei: "Vêde que o Vosso braço está rígido e Dão podeis abaixá-lo.

Ele ficará na posição em que eu o deixar; estais profundamente adormecido e fareis tudo o que eu vos ordenar que façais, mas não podereis acordar, senão quando eu vo-lo ordenar".

O braço ficará na posição em que o tiverdes colocado e então podereis dizer: "Ninguém poderá fazer-vos dobrar o braço, tem que eu o consinte".

A primeira fase da catalepsia ou rigidez muscular.

-Podeis, então, agir no outro braço e é bom meio tornar assim, os braços e as pernas rígidas, contanto que o paciente seja jovem ou rapas bem sadio, e a experiência muscular não tenha nele um efeito excitante.

Maneira de fazer desaparecer a rigidez.

-Quando todos os seus membros estiverem estendidos horizontalmente, podeis dizer.

lhe: "Vou agora fazer desaparecer, pouco a pouco, essa influência e afrouxar-voa o braço esquerdo, correndo nele alguns passes, desde o punho até o ombro".

Fazei-o e dizei, em seguida: "Está frouxo agora e podeis abaixá-lo".

Procedi da mesma forma com o outro braço e, nessa experiência, tende a precaução de apagar completamente no espírito do doente toda a impressão de rigidez muscular que pudestes fazer penetrar nele durante o correr da experiência.

Repeti.

-lhe: "Podeis dormir profundamente e fareis tudo o que vos ordenar que façais.

Só eu é que posso despertar.

voa".

O efeito das vossas sugestões.

-Tendes agora demonstrado, no exemplo deste paciente, o poder que exerceis sobre o seu sistema muscular.

Pela repetição das vossas sugestões, inculcastes-lhe no espírito que ele não podia realizar certas coisas que podia efetuar no estado normal, como, por exemplo, abaixar o braço.

Daí resulta que, pela repetição da sugestão, chegou a crer que o que dizeis é uma coisa real e se acha as assim, até certo ponto, em contradição consigo mesmo.

Parecerá fazer esforços desesperados para abaixar o braço, coisa que acontece freqüentemente aos pacientes; mas, pelo fato mesmo de julgar a coisa impossível, ele é incapaz de fazê-la.

Deveis começar, agora, a compreender o poder da sugestão positiva, quando se faz penetrar no espírito, no momento em que as faculdades intelectuais não estão ativas.

A razão está afetada.

-Quando a criança está dormindo, ela não raciocina como faria no estado de vigília.

Por isso é que ela aceita o fato real de que não pode abaixar os braços e abandona essa idéia.

O seu cérebro está, então, no estado de receber novas sugestões e, em todas as experiências que se apresentarem, podeis demonstrar sobejamente o poder muscular sobre o paciente.

Outras evidências do estado receptivo do seu espírito.

Por exemplo, e precisamente pela mesma forma que lhe provastes, a seu hei-prazer ou a contragosto, que ele não podia abaixar os braços senão quando lho ordenásseis, podereis provar-lhe bem como às pessoas presentes, que lhe é impossível abrir os olhos, se o vedais; que não pode fechar a boca, se lha abria e lhe ordenais que a deixe aberta; que ele não pode arredar-se de nenhum sitio, se lhe dissestes que ai fique e que é incapaz de fazer um movimento.

Método para adormecer, conservando-se de pé.

-Fazei.

o de novo manter-se de frente e dizei, passando-lhe rapidamente aa mãos da cabeça aos pés, tocando-lhe levemente as vestes e repetindo diversas vezes este duplo movimento: "Podeis dormir tão confortavelmente em pé, como se estivésseis assentado numa cadeira.

Abrireis os olhos quando eu vo-lo disser e vereis O que eu voa ordenar que vejais.

Sentireis também o que eu VOl disser que sintais; tudo será a realidade para vós".

Dizei, agora: "Ainda que eu vos mande abrir os olhos, não ficareis completamente acordado; estareis dormindo ainda, vereis coisas curiosíssimas, mas não vos meterão medo nem ficareis admirado do modo como elas se produzem; sabeis somente que as vedes e que para vós são a realidade".

Maneira de induzir sugestões rápidas e positivas.

-Nesta experiência, é necessário que faleis vivamente e sem hesitação.

A idéia de imprimir no espírito do paciente que o que estais dizendo é a realidade.

Se hesitais ou se falais com um tom in.

certo, correis o risco de que o paciente se desperte suficientemente para questionar convosco ou vos imprimir as suas dúvidas.

O Vosso dever é simplesmente impressiona-lo bem.

Uma experiência de ilusão do sentido do vista.

-Tomai, agora, urna bengala ordinária e dai.

a à criança, dizendo-lhe: "Não tendes medo das cobras.

Podeis até desejar possuir urna cobra como brinquedo.

Abri os olhos e vede a cobra que acabo de pôr nas vossas mãos.

Não vos picará, não vos atemorizará nem vos fará mal algum.

Segurai-a bem para que não se escape".

O rapaz abre os olhos e no lugar da bengala vê urna serpente, mas como lhe inculcastes a idéia de não se atemorizar, não sentirá repugnância alguma para com o réptil e o acariciará afetuosamente.

Se tal for o vosso desejo podeis transformar instantaneamente esse sentido de afeição em de medo, dizendo-lhe: "Tomai cuidado, ela pode picar-vos".

Todos os hipnotistas de profissão agem desta forma sobre os temores e as emoções dos seus pacientes.

Não provoqueis o medo no paciente.

-É demasiado fácil demonstrar a força do hipnotismo, não empregando senão agradáveis experiências, deixando de parte as que podem amedrontar o paciente.

Eu não recomendo de modo algum o uso deste último poder para fina menos justificáveis.

O sonambuli smo ativo.

-O rapaz acha.

se agora na condição denominada "sonambulismo ativo".

Fizestes-lhe passar pelo espírito uma ilusão, isto é, destes-lhe um objeto que, pela vossa sugestão, transformastes em outro e, desta maneira, produzistes a ilusão dos sentidos.

Dizei-lhe agora: "Ponhamos a serpente de parte", e retirai-lha.

Passai-lhe, então, vivamente, uma ou duas vezes, a mão pelo rosto e dizei: "DOrmi"'.

É a única coisa necessária para transformar a condição do sonambulismo ativo em sono profundo.

Ilusão do sentido do gosto.

-Deixai.

o de pé por uns instantes cambaleando ligeiramente, e dizei-lhe: "Gostais muito de frutas, maçãs e laranjas.

Eis aqui três" bonitas maçãs, de uma qualidade rara, e podeis comê-las.

Crede que nunca saboreastes tão boas e açucaradas.

Tomai-as e comei-as".

Podeis dar-lhe, então, uma batata e ele a comerá com avidez.

Até o presente não lhe pedistes que vos falasse, mas vos é lícito interrogá-lo e ele vos responderá.

Perguntai-lhe se a maçã lhe sabe bem e, caso não vos responda imediatamente, sugeri.

lhe que pode falar tão bem como se estiVesse acordado.

Dirvos-á, então, que a maçã estava excelente e desejava outra.

Induzistes, assim, a ilusão do sentido do gosto.

Método para reprimir o sentido do olfato.

-Podeis tomar o mesmo paciente e, em pouco tempo, aperfeiçoa-lo tanto, que vos é possível priva-lo do sentido do olfato; um vidro de amoníaco posto debaixo de suas narinas não produzirá nenhum efeito.

Podereis, pela sugestão, tomar uma garrafa de amoníaco por uma de água de Colônia, e ele respirará o perfume com muito prazer.

A variedade de experiências que se podem fazer pela ilusão dos sentidos é muito grande e para produzir tais ilusões é inútil que eu vos ministre mais indicações.

Jamais notei que o paciente ficasse sofrendo pela indução de ilusões inofensivas, mas não vos aconselho que as empregueis com muita freqüência.

Evidência do emprêgo das ilusões.

-Essas experiências não são úteis senão.

para demonstrar.

vos sem a menor dúvida, que exIste no espírito humano um poder superior ao sentido perceptivo da vida cotidiana.

Elas demonstram a verdade e o poder do hipnotismo e essa demonstração deve bastar-vos sem que procureis abusar delas.

A alucinação da vista.

-Depois de lhe haverdes permitido descansar por alguns segundos e de lhe haverdes dado ordem de dormir, como nas experiências precedentes, podeis dizer à criança: -"Quando abrirdes os olhos, vereis vossa mãe assentada no.

canto do aposento.

(Importa assegurar-vos, de antemão, muIto naturalmente, que a mãe do rapaz é viva).

Vossa mãe vem ver o que estais fazendo e ficareis muito contente de vê-la e falar-lhe Quando abrirdes os olhos, dirigir.

Vos-eis para O lugar do quarto onde ela está sentada e conversareis com ela; contar-me-eis o que ela diz.

Abri os olhos e ide para ela".

Nesse momento, o rapaz vê para sua mãe, depois de ter olhado atentamente para o lado do aposento em que ele julga vê-la; terá uma longa ou curta palestra com ela, seguindo a sua disposição natural do estado de vigília.

Se naturalmente tagarela, falará muito e lhe fará mil perguntas o se interessará muito pelas suas respostas.

Produzistes, assim, no menino uma alucinação, isto é, criastes-lhe no espírito uma imagem que não existia na realidade.

Podeis, agora, estabelecer uma distinção nítida entre a ilusão e a alucinação.

Método para converter o Sonambulismo em Sono -Aproximai-vos, agora, do rapaz, fareilhe um passe com as mãos sobre os olhos e deizei-lhe: -"Dormi.

Depois disso, não temereis de modo algum o hipnotismo e dormireis imediatamente, a qualquer momento do dia, quando eu vo-lo ordenar e vos manifestar o desejo.

Tomareis, em seguida, para a vossa cadeira e caireis num sono profundo; far-vos-ei, durante aquele tempo, as Sugestões necessárias para curarvos a preguiça - Voltai para a vossa cadeira e adormecei-vos profundamente"- De ixai-lhe cinco minutos de descanso e observai um silêncio absoluto no aposento.

Método para ministrar sugestões instrutivas.

-Ponde, em seguida, fortemente a Vossa mão sobre a sua cabeça e dizei: "Estais muito atrasado nos vossos estudos e sois um menino preguiçoso.

Não sois de índole preguiçosa e desobediente e, a partir de hoje, há-de esperar-se em vós uma transformação.

A vossa aspiração única é conseguirdes muito bons resultados nos vossos estudos; obedecereis a Vossos pais e sereis um excelente rapaz em estudo- Gozareis de boa saúde e,.

desde agora, sereis vigoroso, ativo e feliz.

O vosso caráter é naturalmente bom e tudo quanto possuirdes de bom há de manifestar-se no exterior.

Neste mesmo instante, enxotamos a preguiça o a desobediência.

Dormi durante uns dez minutos e, ao cabo desse tempo, acordareis bem disposto e a vossa memória ficará firme nas coisas que acabam de rea1izar-se- Não tereis nenhuma lembrança das sugestões que vos foram dadas e não haverá no vosso espírito nenhum traço das ilusões que nele foram provocadas.

Dormi profundamente e acordaivos dentro de dez minutos"- Guardando sempre o silêncio no aposento, assentai-vos a alguma distância do rapaz e, exatamente no fim de dez minutos ou talvez um pouco mais cedo, ele se despertará em boas condições -No caso de um Sono profundo- -É raríssimo que o paciente adormeça tio profundamente que não possa despertar-se no momento desejado- Não tendes, nesse caso, senão que dirigir-vos para a sua cadeira e colocar a VOSSa mão sobre a sua cabeça, dizendo: "Descansastes bem, e vos sentis muito à vontade Quando eu contar três, acordareis completamente.

Um, dois, três; despertai-vos" No mesmo instante, o paciente abrirá os olhos e ficará talves, admirado do comprimento do tempo que decorreu desde que se assentou.

Não há perigo que o paciente durma por mais tempo do que o que lhe sugeristes ou que o não possais despertar, a não ser que omitais certas prescrições importantes que vos serão dadas no capitulo seguinte.

Existe certo perigo e deveis bem compreender que, em certos casos, um paciente possa continuar a dormir e ã resistir ã todos os vossos esforços tendentes a acorda-lo.

Eu me proponho a explicar-vos, mais tarde, ã causa e também o porque; como operador sois responsável pela provocação de semelhante estado.

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