Jan 21
Bambalalão, Gigi Anhelli, Silvana Teixeira e os bons tempos da TV Cultura

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão."Olha o trenzinho que carrega a alegria
E me leva todo dia pro mundo da fantasia
Bambalalão é um lugar de encantamento
Com arte a todo o momento
Aprender é divertimento"

Durante mais de 10 anos os telespectadores infantis da TV Cultura de São Paulo ouviram este tema de abertura, composto pelo mesmo Archimedes Messina que criou também o jingle de Natal da Varig ("Estrela das Américas no céu azul/ Iluminando de Norte a Sul/ Mensagem de amor e paz/ Nasceu Jesus, chegou o Natal") e o tema do Silvio Santos ("Agora é hora de alegria/ Vamos sorrir e cantar/ Do mundo não se leva nada/ Vamos sorrir e cantar"). Você não lembra ou nunca assistou a abertura? Oras, não seja por isso.

O programa infantil, que era comandado por nomes como Agapito, o sapo-carteiro, Pam-Pam (palhaço interpretado por Mateus Esperança), João Acaiabe (contador de histórias), ficou marcado em minhas lembranças por muitos motivos. Um deles era o quadro "Bambaleão & Silvana", protagonizado pelo leão Bambaleão (com voz do inesquecível ator Chiquinho Brandão, era um dos vários bonecos-personagens do programa, que eram manipulados por Memélia de Carvalho e Fernando Gomes) e, ela mesma, Silvana Teixeira, uma das duas grandes musas de todos os garotos que assistiram ao Bambalalão até que o programa deixou de ser exibido, em 1990.

Silvana Teixeira saiu da Cultura para se tornar a moça do tempo do telejornal São Paulo Já (atual SP TV), da Rede Globo. Por causa de suas performances mais teatrais no quadro (houve um dia em que Silvana apresentou as previsões com roupa de praia, para anunciar tempo bom no estado), que foram consideradas destoantes do clima mais sério dos noticiários globais, Silvana não ficou muito tempo na Globo. Seu último trabalho na TV foi na Bandeirantes, no programa Reforma Fácil, em 1997. Desde então, Silvana Teixeira dedica-se exclusivamente a peças de teatro e mora em um sítio em Embu das Artes, na companhia de seus cachorros, conforme explica a própria em uma entrevista que concedeu em maio de 2000 ao excelente site do Fã-Clube Turma do Bamba.

Já Chiquinho Brandão, que no Bambalalão interpretava além de Bambaleão o professor Parapopó, morreu em junho de 1991 aos 39 anos de idade, em um acidente automobilístico. Uma pena: sua carreira estava em alta, sua interpretação no filme Beijo 2348/72 havia sido recém-premiada no Festival de Brasília e ele estava fazendo sucesso na Globo atuando em novelas como Bebê a Bordo e Top Model.

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão.Porém, devo confessar que para mim a grande atração do Bambalalão sempre foi a sua apresentadora principal, Regina Célia Anhelli, melhor conhecida como Gigi Anhelli. A bela morena, que até hoje mantém-se em excelente e impressionante forma física (vide seu álbum de fotos no Orkut), não revela a idade. Talvez porque deva tomar alguma poção mágica que faça com que permaneça a juventude, sabe-se lá. ;)

Formada em Rádio e TV pela USP, Gigi começou a trabalhar na Cultura no final dos anos 70, como estagiária. Mas logo passou à frente das câmeras, apresentando o primeiro programa em cores produzido pela emissora educativa, intitulado Som, Forma e Movimento. Pouco depois, seria chamada para comandar o infantil que apresentou até o último programa, exibido em 1990. Foram anos de sucesso, conciliados com o reconhecimento do público infantil e da crítica, que premiou Bambalalão com o prêmio de melhor programa infantil da TV em 1982, e consecutivamente de 1984 a 1987.

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão.Gigi viveu muitas histórias durante esse período. Viu, por exemplo, seu colega de programa Marilan Sales, que fazia o palhaço Tic-Tac, pedir demissão ao vivo explicando que havia sido contratado pela TV Gazeta para apresentar um infantil que seria concorrente do Bambalalão. Também foi nas gravações do programa que Gigi conheceu seu marido Xyss, ator e músico com quem vive desde 1985. Atualmente Gigi Anhelli percorre o Brasil na companhia do esposo, fazendo apresentações nas quais conta histórias para crianças e canta cantigas clássicas infantis. O Bambalalão, como diziam seus apresentadores nos encerramentos dos programas, foi uma "história que entrou por uma porta e saiu pela outra". Mas enfim, quem quiser que conte outra! ;D

Alexandre Inagaki EmailInfantil, Crianças, TelevisãoPermalink 15 comentários
Out 12
Cantigas de roda infantis, virunduns na ponta da língua!

Quem nunca se confundiu ao cantar uma cantiga de roda que atire o primeiro pau no gato! :D Hoje é Dia das Crianças, e data mais adequada não haveria para lembrar daquelas letras malucas que embalaram nossa infância... Confiram.

Helena:
"Marré, marré deci". Que diabo era isto? Deduzi, como já aprendia francês desde pequena, que deveria ter vindo daquela lingua: "je suis pauvre pauvre pauvre je m'arrête, m'arrête ici."

Ilustração de Bolila.Carol:
Atirei o pau do gato-to mas o gato-to
não mordeu-deu-deu
Dona Xícara dimirou-se-se
DUBERRÔ DUBERRÔ... (essa parte eu achava que era em francês!)

Raquel:
Minha filha de 3 anos cada dia vem com um virundum novo.
O melhor é:
-Dormiu cambalhotas, sou forte demais.
Mas ela tem a quem puxa, a mãe dela cantava:
-Atirei o pano gato-to.

Minha irmã virundiava no Parabéns Pra Você com apenas 2 anos:
"Parabéns pra você, sopra vela querida, come o bolo de vida"

Joice:
Eu simplesmente cantava no final
"Dona Chica ca- ca
DIMERRÔ se-se
DIMERRÔ DIMERRÔ que o gato deu"

Mariana Nunes:
Essa canções infantis que tentamos "decifrar" às vezes podem ser nada mais que palavras inventadas pelas crianças, ou aquelas palavras que nós dizemos no dia a dia, elas escutam e fazem a versão delas por não saberem pronunciar direito. A minha brincadeira era: An-do-le-ta, le petí, le tomá, le café com chocolá. An-do-le-ta, puxa o rabo do tatu...

Cantigas de Roda, álbum do grupo Palavra Cantada.Provavelmente devia se tratar de alguma melodia infantil francesa, a julgar pelo "le petí": "a criança" e o resto da letra num português incorreto imitando uma pronúncia afrancesada... Não sei o que seria "andoleta", o mais próximo que cheguei disso foi "andouillette" que se pronuncia "andolete", e significa "almôndega". A musiquinha deve falar de uma criança sapeca (pois puxa o rabo do pobre tatu) que não gostava de almôndegas, preferia tomar café com chocolate, o que eu entendo por "capuccino"... Bom, não sei se cheguei à conclusão certa, mas até que faz sentido!!!!

Carol:
Eu sempre cantei "cai cai, balão, cai cai, balão, aqui na minha mão,NÃO VOU LÁ, NÃO VOU LÁ, NÃO VOU LÁ, TENHO MEDO DE APANHAR!!!" Óóó meu Deeeeuuuusss... Sou só eu que canto assim?! Será que faço parte de uma experiência de lavagem cerebral?!

Priscila:
Em Ciranda Cirandinha eu cantava "o amor de Tumidinhas" era pouco e se acabou... Como se Tumidinhas fosse uma menininha...

* * *

P.S. 1: A ilustração do "pau no gato" deste post é do talentoso designer gráfico português Bolila. Conheça seu trabalho e também a sua loja virtual!

P.S. 2: Compare preços de CDs de cantigas de roda no Buscapé.

Alexandre Inagaki EmailMúsica, Infantil, CriançasPermalink 15 comentários
Set 21
Aquarela: a foto da flor, o comercial e a animação

Rosas multicoloridas

A foto acima mostra algumas rosas multicoloridas oriundas da Holanda, que ganharam diferentes tonalidades graças ao uso de corantes naturais colocados em um recipiente com água. Uma vez absorvidos pelas plantas (rosas cuja cor original é creme), as cores acabam sendo redistribuídas por cada pétala. Trazidas para o Brasil por ocasião da 26ª Expoflora de Holambra, cidade do interior de São Paulo, essa flores ganharam o nome de "aquarelas".

O nome que essas flores multicoloridas ganharam no Brasil (em um concurso promovido pela Expoflora que recebeu centenas de sugestões de nomes, dentre elas "arco-íris", "milcores", "magnífica", "maravilhosa", "esplendorosa", "Ivete Sangalo", "aurora boreal" e até mesmo "Bebel", em homenagem à prostituta da novela Paraíso Tropical) me remeteu à música composta por Vinícius de Moraes, Toquinho e os italianos Guido Morra e Maurizio Fabrizio: Aquarela. Qualquer um que viveu sua infância nos anos 80 certamente se lembra do comercial antológico da Faber-Castell, que marcou época.

A música, gravada em 1983, tem sabor de nostalgia. E fala, de maneira agidoce, sobre a passagem inexorável do tempo, através da metáfora de uma aquarela que aos poucos descolore tudo que existe. Aquarela foi um dos maiores sucessos daquele ano. Perdeu o Troféu Imprensa de 1983 para "Me Dê Motivo", de Tim Maia, mas esta é uma mera curiosidade que não ofusca o fato de que esta canção possui o raro dom de deixar qualquer ouvinte mesmerizado com o impecável casamento entre letra e melodia, registrado pela gravação de Toquinho.

Certamente sob a inspiração do comercial da Faber-Castell, em 2003 o diretor Andrés Lieban fez uma nova animação da música, tão encantadora quanto a propaganda que ficou registrada na memória de toda uma geração.

Apesar da beleza de sua letra, Aquarela não passa incólume aos virunduns da galera. Márcio, por exemplo, relata: "Em vez de 'giro um simples compasso E NUM CÍRCULO eu faço o mundo', eu cantava 'giro um simples compasso E NÃO SEI COMO EU FAÇO o mundo...". Já Marisa faz uma confissão quase inconfessável: "Eu achava que no final da música ele cantava... 'Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo, E ESTOU LOOOOOIRAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!'" :roll:

Alexandre Inagaki EmailPropaganda, CriançasPermalink 7 comentários
Ago 22
TIM Dia dos pais

tim dia dos pais

A TIM está com uma promoção bem interessante para o mês dos pais: Crie um vídeo com o tema - Por que meu pai é super? E envie para sua galera.

O mais criativo fatura um Nokia N70.

Algo que constatei é que tem muita gente participando, mas não é isso que vai te fazer deixar de tentar ganhar o prêmio. :D

Mar 19
Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão

batata

Não tinha mais opção. Empurrei a mulher-poetisa-tupperware de cima da mesa, fazendo-a cair no piso da cozinha (e isso me lembra um verso: "Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão").

Utilizando sem autorização esse trecho do Loser Pedro Ivo só para levantar a bola de um dos maiores VIRUNDUNS da História da Língua Portuguesa. Ou vocês nunca pararam pra analisar essa frase em negrito para perceber que ela não faz sentido algum?

s. f., Bot.,
planta solanácea com tubérculos subterrâneos e comestíveis;

Ou seja, batata é uma uma raiz, e assim, quando nasce, não tem como se esparramar para lugar algum. No máximo protubera um pouco, eu acho. :p. Mas esparramar, não esparrama, não. Então, como é a frase correta?

Respondam nos comentários.

Ian Black EmailCriançasPermalink 13 comentários




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