"Olha o trenzinho que carrega a alegria
E me leva todo dia pro mundo da fantasia
Bambalalão é um lugar de encantamento
Com arte a todo o momento
Aprender é divertimento"
Durante mais de 10 anos os telespectadores infantis da TV Cultura de São Paulo ouviram este tema de abertura, composto pelo mesmo Archimedes Messina que criou também o jingle de Natal da Varig ("Estrela das Américas no céu azul/ Iluminando de Norte a Sul/ Mensagem de amor e paz/ Nasceu Jesus, chegou o Natal") e o tema do Silvio Santos ("Agora é hora de alegria/ Vamos sorrir e cantar/ Do mundo não se leva nada/ Vamos sorrir e cantar"). Você não lembra ou nunca assistou a abertura? Oras, não seja por isso.
O programa infantil, que era comandado por nomes como Agapito, o sapo-carteiro, Pam-Pam (palhaço interpretado por Mateus Esperança), João Acaiabe (contador de histórias), ficou marcado em minhas lembranças por muitos motivos. Um deles era o quadro "Bambaleão & Silvana", protagonizado pelo leão Bambaleão (com voz do inesquecível ator Chiquinho Brandão, era um dos vários bonecos-personagens do programa, que eram manipulados por Memélia de Carvalho e Fernando Gomes) e, ela mesma, Silvana Teixeira, uma das duas grandes musas de todos os garotos que assistiram ao Bambalalão até que o programa deixou de ser exibido, em 1990.
Silvana Teixeira saiu da Cultura para se tornar a moça do tempo do telejornal São Paulo Já (atual SP TV), da Rede Globo. Por causa de suas performances mais teatrais no quadro (houve um dia em que Silvana apresentou as previsões com roupa de praia, para anunciar tempo bom no estado), que foram consideradas destoantes do clima mais sério dos noticiários globais, Silvana não ficou muito tempo na Globo. Seu último trabalho na TV foi na Bandeirantes, no programa Reforma Fácil, em 1997. Desde então, Silvana Teixeira dedica-se exclusivamente a peças de teatro e mora em um sítio em Embu das Artes, na companhia de seus cachorros, conforme explica a própria em uma entrevista que concedeu em maio de 2000 ao excelente site do Fã-Clube Turma do Bamba.
Já Chiquinho Brandão, que no Bambalalão interpretava além de Bambaleão o professor Parapopó, morreu em junho de 1991 aos 39 anos de idade, em um acidente automobilístico. Uma pena: sua carreira estava em alta, sua interpretação no filme Beijo 2348/72 havia sido recém-premiada no Festival de Brasília e ele estava fazendo sucesso na Globo atuando em novelas como Bebê a Bordo e Top Model.
Porém, devo confessar que para mim a grande atração do Bambalalão sempre foi a sua apresentadora principal, Regina Célia Anhelli, melhor conhecida como Gigi Anhelli. A bela morena, que até hoje mantém-se em excelente e impressionante forma física (vide seu álbum de fotos no Orkut), não revela a idade. Talvez porque deva tomar alguma poção mágica que faça com que permaneça a juventude, sabe-se lá. ![]()
Formada em Rádio e TV pela USP, Gigi começou a trabalhar na Cultura no final dos anos 70, como estagiária. Mas logo passou à frente das câmeras, apresentando o primeiro programa em cores produzido pela emissora educativa, intitulado Som, Forma e Movimento. Pouco depois, seria chamada para comandar o infantil que apresentou até o último programa, exibido em 1990. Foram anos de sucesso, conciliados com o reconhecimento do público infantil e da crítica, que premiou Bambalalão com o prêmio de melhor programa infantil da TV em 1982, e consecutivamente de 1984 a 1987.
Gigi viveu muitas histórias durante esse período. Viu, por exemplo, seu colega de programa Marilan Sales, que fazia o palhaço Tic-Tac, pedir demissão ao vivo explicando que havia sido contratado pela TV Gazeta para apresentar um infantil que seria concorrente do Bambalalão. Também foi nas gravações do programa que Gigi conheceu seu marido Xyss, ator e músico com quem vive desde 1985. Atualmente Gigi Anhelli percorre o Brasil na companhia do esposo, fazendo apresentações nas quais conta histórias para crianças e canta cantigas clássicas infantis. O Bambalalão, como diziam seus apresentadores nos encerramentos dos programas, foi uma "história que entrou por uma porta e saiu pela outra". Mas enfim, quem quiser que conte outra! 








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