Jan 18
A turma do Chaves tocando Legião Urbana e Nirvana

Foto da turma do Chaves.É preciso dar os parabéns a quem merece. No caso específico, ao pessoal do Site do Chaves, que fez um trabalho sensacional de edição ao fazer com que os personagens clássicos da turma concebida por Roberto Gómez Bolaños, o ator e roteirista que personificou o Chaves e o Chapolim Colorado, aparecesse cantando os principais sucessos da Legião Urbana. No vídeo a seguir, você verá o Professor Girafales fazendo o solo de guitarra de "Tempo Perdido", Quico (ou Kiko, lembrando que a letra "k" voltou a fazer parte do nosso alfabeto com essa polêmica reforma ortográfica) requebrando seu traseiro ao som de "Geração Coca-Cola" e Seu Madruga personificando as performances antológicas de Renato Russo em frente a um microfone.

Mas o repertório de Chespirito e sua turma não se limita às músicas da Legião Urbana. A partir dos vídeos de episódios de Chaves, o usuário do YouTube jimmylyndon criou esta pérola: "Chaves é roqueiro". Mais um vídeo estrelado por Chiquinha, Seu Barriga, Nhonho, Dona Florinda e outros personagens da turma, desta vez interpretando "Smells Like Teen Spirit", a música do Nirvana que mudou a história do rock dos anos 90.

Em tempo: as letras das músicas do Chaves e o guia de episódios estão disponíveis no site Chespirito Brasil.

Alexandre Inagaki EmailMúsica, Infantil, Legião UrbanaPermalink 1 comentário
Jan 21
Bambalalão, Gigi Anhelli, Silvana Teixeira e os bons tempos da TV Cultura

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão."Olha o trenzinho que carrega a alegria
E me leva todo dia pro mundo da fantasia
Bambalalão é um lugar de encantamento
Com arte a todo o momento
Aprender é divertimento"

Durante mais de 10 anos os telespectadores infantis da TV Cultura de São Paulo ouviram este tema de abertura, composto pelo mesmo Archimedes Messina que criou também o jingle de Natal da Varig ("Estrela das Américas no céu azul/ Iluminando de Norte a Sul/ Mensagem de amor e paz/ Nasceu Jesus, chegou o Natal") e o tema do Silvio Santos ("Agora é hora de alegria/ Vamos sorrir e cantar/ Do mundo não se leva nada/ Vamos sorrir e cantar"). Você não lembra ou nunca assistou a abertura? Oras, não seja por isso.

O programa infantil, que era comandado por nomes como Agapito, o sapo-carteiro, Pam-Pam (palhaço interpretado por Mateus Esperança), João Acaiabe (contador de histórias), ficou marcado em minhas lembranças por muitos motivos. Um deles era o quadro "Bambaleão & Silvana", protagonizado pelo leão Bambaleão (com voz do inesquecível ator Chiquinho Brandão, era um dos vários bonecos-personagens do programa, que eram manipulados por Memélia de Carvalho e Fernando Gomes) e, ela mesma, Silvana Teixeira, uma das duas grandes musas de todos os garotos que assistiram ao Bambalalão até que o programa deixou de ser exibido, em 1990.

Silvana Teixeira saiu da Cultura para se tornar a moça do tempo do telejornal São Paulo Já (atual SP TV), da Rede Globo. Por causa de suas performances mais teatrais no quadro (houve um dia em que Silvana apresentou as previsões com roupa de praia, para anunciar tempo bom no estado), que foram consideradas destoantes do clima mais sério dos noticiários globais, Silvana não ficou muito tempo na Globo. Seu último trabalho na TV foi na Bandeirantes, no programa Reforma Fácil, em 1997. Desde então, Silvana Teixeira dedica-se exclusivamente a peças de teatro e mora em um sítio em Embu das Artes, na companhia de seus cachorros, conforme explica a própria em uma entrevista que concedeu em maio de 2000 ao excelente site do Fã-Clube Turma do Bamba.

Já Chiquinho Brandão, que no Bambalalão interpretava além de Bambaleão o professor Parapopó, morreu em junho de 1991 aos 39 anos de idade, em um acidente automobilístico. Uma pena: sua carreira estava em alta, sua interpretação no filme Beijo 2348/72 havia sido recém-premiada no Festival de Brasília e ele estava fazendo sucesso na Globo atuando em novelas como Bebê a Bordo e Top Model.

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão.Porém, devo confessar que para mim a grande atração do Bambalalão sempre foi a sua apresentadora principal, Regina Célia Anhelli, melhor conhecida como Gigi Anhelli. A bela morena, que até hoje mantém-se em excelente e impressionante forma física (vide seu álbum de fotos no Orkut), não revela a idade. Talvez porque deva tomar alguma poção mágica que faça com que permaneça a juventude, sabe-se lá. ;)

Formada em Rádio e TV pela USP, Gigi começou a trabalhar na Cultura no final dos anos 70, como estagiária. Mas logo passou à frente das câmeras, apresentando o primeiro programa em cores produzido pela emissora educativa, intitulado Som, Forma e Movimento. Pouco depois, seria chamada para comandar o infantil que apresentou até o último programa, exibido em 1990. Foram anos de sucesso, conciliados com o reconhecimento do público infantil e da crítica, que premiou Bambalalão com o prêmio de melhor programa infantil da TV em 1982, e consecutivamente de 1984 a 1987.

A bela Gigi Anhelli, ex-Bambalalão.Gigi viveu muitas histórias durante esse período. Viu, por exemplo, seu colega de programa Marilan Sales, que fazia o palhaço Tic-Tac, pedir demissão ao vivo explicando que havia sido contratado pela TV Gazeta para apresentar um infantil que seria concorrente do Bambalalão. Também foi nas gravações do programa que Gigi conheceu seu marido Xyss, ator e músico com quem vive desde 1985. Atualmente Gigi Anhelli percorre o Brasil na companhia do esposo, fazendo apresentações nas quais conta histórias para crianças e canta cantigas clássicas infantis. O Bambalalão, como diziam seus apresentadores nos encerramentos dos programas, foi uma "história que entrou por uma porta e saiu pela outra". Mas enfim, quem quiser que conte outra! ;D

Alexandre Inagaki EmailInfantil, Crianças, TelevisãoPermalink 15 comentários
Out 12
Cantigas de roda infantis, virunduns na ponta da língua!

Quem nunca se confundiu ao cantar uma cantiga de roda que atire o primeiro pau no gato! :D Hoje é Dia das Crianças, e data mais adequada não haveria para lembrar daquelas letras malucas que embalaram nossa infância... Confiram.

Helena:
"Marré, marré deci". Que diabo era isto? Deduzi, como já aprendia francês desde pequena, que deveria ter vindo daquela lingua: "je suis pauvre pauvre pauvre je m'arrête, m'arrête ici."

Ilustração de Bolila.Carol:
Atirei o pau do gato-to mas o gato-to
não mordeu-deu-deu
Dona Xícara dimirou-se-se
DUBERRÔ DUBERRÔ... (essa parte eu achava que era em francês!)

Raquel:
Minha filha de 3 anos cada dia vem com um virundum novo.
O melhor é:
-Dormiu cambalhotas, sou forte demais.
Mas ela tem a quem puxa, a mãe dela cantava:
-Atirei o pano gato-to.

Minha irmã virundiava no Parabéns Pra Você com apenas 2 anos:
"Parabéns pra você, sopra vela querida, come o bolo de vida"

Joice:
Eu simplesmente cantava no final
"Dona Chica ca- ca
DIMERRÔ se-se
DIMERRÔ DIMERRÔ que o gato deu"

Mariana Nunes:
Essa canções infantis que tentamos "decifrar" às vezes podem ser nada mais que palavras inventadas pelas crianças, ou aquelas palavras que nós dizemos no dia a dia, elas escutam e fazem a versão delas por não saberem pronunciar direito. A minha brincadeira era: An-do-le-ta, le petí, le tomá, le café com chocolá. An-do-le-ta, puxa o rabo do tatu...

Cantigas de Roda, álbum do grupo Palavra Cantada.Provavelmente devia se tratar de alguma melodia infantil francesa, a julgar pelo "le petí": "a criança" e o resto da letra num português incorreto imitando uma pronúncia afrancesada... Não sei o que seria "andoleta", o mais próximo que cheguei disso foi "andouillette" que se pronuncia "andolete", e significa "almôndega". A musiquinha deve falar de uma criança sapeca (pois puxa o rabo do pobre tatu) que não gostava de almôndegas, preferia tomar café com chocolate, o que eu entendo por "capuccino"... Bom, não sei se cheguei à conclusão certa, mas até que faz sentido!!!!

Carol:
Eu sempre cantei "cai cai, balão, cai cai, balão, aqui na minha mão,NÃO VOU LÁ, NÃO VOU LÁ, NÃO VOU LÁ, TENHO MEDO DE APANHAR!!!" Óóó meu Deeeeuuuusss... Sou só eu que canto assim?! Será que faço parte de uma experiência de lavagem cerebral?!

Priscila:
Em Ciranda Cirandinha eu cantava "o amor de Tumidinhas" era pouco e se acabou... Como se Tumidinhas fosse uma menininha...

* * *

P.S. 1: A ilustração do "pau no gato" deste post é do talentoso designer gráfico português Bolila. Conheça seu trabalho e também a sua loja virtual!

P.S. 2: Compare preços de CDs de cantigas de roda no Buscapé.

Alexandre Inagaki EmailMúsica, Infantil, CriançasPermalink 15 comentários
Set 18
Massacration cantando Farofa-fá

Sensacional cover que encontrei no blog do Bruno Godoi: o grupo Massacration, criação da trupe Hermes & Renato, cantando "Farofa-Fá", sucesso de Mauro Celso (em uma versão rebatizada como "Pout Pourri Metal Farofation").

"Farofa-Fá" foi originalmente apresentada no festival de MPB Abertura, promovido pela Rede Globo em 1975. Além da música com nome de farinha condimentada, Mauro Celso emplacou outros sucessos como "Bilu Tetéia" (regravada posteriormente por Sérgio Mallandro) e "Coró Coró". Mais informações sobre a vida e carreira de Mauro estão disponíveis no blog Música Popular do Brasil.

Massacration

No documentário realizado sobre a maior banda de toda a história de heavy metal brasileiro que jamais existiu, descobrimos que o Massacration recebeu o Prêmio Nobel de Música, honra concedida apenas a Mozart, Beethoven e Frank Sinatra. Reconhecimentos justíssimos para o Spinal Tap brasileiro: um grupo que vendeu 12 bilhões de cópias, recebeu um disco plutônio-triplo-radioativo por esse feito e emplacou hits como "Metal Milk Shake", "Feel The Fire From Barbecue" e "Metal Bucetacion". Nas palavras do integrantes da própria banda: "Se Jesus Cristo não agradou a todos, o Massacration fará isso".

Confira músicas do Massacration em seu site na MTV Brasil, conheça a história da banda em seu verbete na Wikipedia, e compare preços de camisetas e ringtones no Buscapé.

Alexandre Inagaki EmailMúsica, InfantilPermalink 2 comentários
Mar 29
HISTÓRIA DE ÍNDIO

pessoas31

Helena, da cidade de São Sebastião Flechado, além de contar uma história interessantíssima sobre uma indiazinha, coloca na mesa uma teoria que pode ser tão bombástica quanto a da "batatinha quando nasce" (aquela que espalha a rama, e não esparrama, pelo chão).

Tenho paixão por descobrir de onde vieram certas expressões da música popular. Fazia coleção de algumas, mas achava que era a única maluca que se interessava por isto. Tudo começou quando era menina e tinha uma garota que meu avô trouxe do Amazonas para "fazer companhia às crianças". Ela ficou morando com a gente, meio como irmã, meio como babá. Era alguns anos mais velha, filha de índios, livre como o vento e me ensinou muita coisa boa e ruim, dependendo da perspectiva.

Algumas delas foram guarânias de letra arrevezada que eu, menina apaixonada pela música, procurava aprender e cantarolar. Mas tinha um pedaço que eu não engolia "Seu Petechala terno suspiro como o arrulha do jurití". Dizia pra ela: "Que Seu Petechala é este que se meteu no meio da música?" Ela ria e respondia: "sei lá, aprendi assim.". Como eu era tinhosa e apaixonada pelas palavras, logo percebi que devia ser "Seu peito exala terno suspiro como o arrulhar do juriti".

Nunca pude comprovar, mas tem toda a lógica do mundo, ainda mais que é comum o povão ler o "x" com som de "ch". Virou "seu peito echala". Daí para o velho e bom "Sr. Petechala" foi um pulo. Bingo!.. Pude descansar em paz sobre os louros, embora ela continuasse a cantar errado.. certo.. sei lá.

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