1985 foi um ano e tanto. Em janeiro, tivemos a primeira edição do Rock in Rio, colocando o Brasil em definitivo no circuito de shows internacionais. Após anos de ditadura, o Brasil finalmente viu um presidente civil ser eleito, embora Tancredo Neves tenha falecido antes de ser empossado. Aquele foi também o ano da volta das primeiras eleições diretas para prefeito: Jânio Quadros ganhou as eleições em São Paulo, e Saturnino Braga no Rio de Janeiro. 1985 viu ainda o surgimento das primeiras Delegacias da Mulher, a criação do vale-transporte e a inauguração do Aeroporto Internacional de Cumbica. Porém, uma longa tradição de anos manteve-se firme e forte: o álbum de dezembro de Roberto Carlos.
O carro-chefe do disco do Rei foi "Verde e Amarelo", canção ufanista para entrar no clima da Nova República e da Copa do Mundo de 1986 (aquela em que o Zico perdeu o pênalti contra a França). Foi qualificada como "rock" pela crítica da época. Polêmico; para mim, "rock" é o que Roberto Carlos fazia na época da Jovem Guarda.
A definitiva rendição do Rei ao ritmo representado no Rock in Rio pelos grupos Blitz, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho, foi o momento de seu especial de TV na Globo em que Roberto Carlos assumiu os vocais de "Ciúme", do Ultraje a Rigor.
Outro momento marcante do Roberto Carlos Especial de 1985, tão obrigatório nos finais de ano quanto panetones e árvores de Natal, foi o instante em que o cantor de "Detalhes" fez a sua versão da música mais executada nas AMs e FMs daquele ano: "We Are the World", o sucesso composto por Michael Jackson e Lionel Ritchie.
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