
Na Na Hey Hey Kiss Him Goodbye foi uma música escrita e gravada em 1969 por Gary DeCarlo, Dale Frashuer e Paul Leka, que formavam a banda The Chateaus. Na tentativa de criar um refrão maior para uma música, eles preenchiam espaço cantando “na na na”. Na pausa do refrão, alguém acrescentou o "hey, hey, hey" e o processo criativo estava indo muito bem até que, para resumir, alguém na gravadora decidiu lançar a música assim mesmo, sem uma letra. Essa situação criou um constrangimento para os músicos, que consideraram a música medíocre, principalmente num momento em que suas carreiras não estavam podendo se dar a excentricidades. Ninguém queria assumir a autoria e acabaram se escondendo por trás de uma banda chamada Steam, que não existia de fato.
Curiosamente, o "Na na na" foi um sucesso e chegou à parada da revista Billboard, foi regravada diversas vezes, inclusive pelo grupo Bananarama em 1983, e foi uma das 10 mais tocadas no Reino Unido. Para desgosto e surpresa dos criadores, a música bastarda acabou virando hino dos estádios da Liga Americana de Baseball Profissional e transformou-se numa tradição em diversos eventos esportivos. Os torcedores costumavam cantá-la como provocação sempre que o seu time estava prestes a conquistar a vitória.
Confirmando a vocação da música de não ter uma letra, muitos cantavam “Na na na na / na na na na / hey hey / Start the bus” (... ligue o ônibus), indicando que era hora de ir pra casa. No Brasil, não poderia ser diferente. Essa música era cantada nas boates dos anos 70 como “Araruta, araruta, hey, hey, hey, filha da puta!”.
Como sou chegada a uma teoria virundúnica, acabei de inventar uma, a dos Virunduns Conscientes, e já tenho alguns exemplos. Funciona assim: quando a gente sabe que a música não é nada daquilo e canta assim mesmo, taí um virundum consciente. Não vale falha de entendimento, surdez parcial e tudo o que a gente já sabe dos virunduns. O virundum consciente não nos envergonha porque a gente já sabe que tá de sacanagem. Ele nos liberta para brincar e criar uma outra letra.
Algumas músicas ficaram muito famosas há uns anos. Você provavelmente conhece a maior parte. Dependendo da sua idade, conhece todas.
Build - The Housemartins
Música real: B-B-B-Build
Virundum consciente: Pa-pa-papel
O Build virou Papel fácil fácil... Essa começou como virundum normal, porque muita gente não acreditava que era Build que os caras falavam.
Should have known better - Jim Diamond
Virundum consciente: Chama o bombeiro ou a melô do bombeiro
Hold back the water – BTO, Bachman Turner Overdrive
Música real: Hold back the water I gotta fine time to burn
Virundum consciente: Vou dar porrada... porrada agora vaaaaaaai comer.
Another Brick in the Wall – Pink Floyd
Música real: Hey teacher leave us kids alone
Virundum consciente: Hey Killers, leave our kids alone
Essa frase foi escrita no porco gigante que foi solto no show do Roger Waters, em março, na Praça da Apoteose, Rio de Janeiro. O protesto marca a onda de violência no Rio, especialmente em relação às crianças.
I need you - BVSMP
Música real: I need you... Shananananah... You're what I want
Virundum consciente: Anídio!
A turma subia atrasada do recreio e passava pelo inspetor dançando e cantando o nome dele: “Anídio.... Shananananah...”. Não há notícia de punidos pelo atraso e/ou bagunça.
Vamos agora explicar a imagem. Quando perguntei pra minha mãe o que era araruta, ela disse que era um tipo de maizena. Bom, simplificações à parte, esse post pode ser digerido por celíacos porque nem araruta nem maizena contém glúten. Ui, baixa o pano!
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Comentários:
"Atirei o pau no gato
mas o gato não morreu
dona chi-ca admirou-se
do berro que o gato deu
EI, CHICA, DEIXA O GATO EM PAZ!"
Até as gerações recentes conhecem o "dez pastéis, um kibe..."
..."o povo do gueto mandou avisar..."
E o meu filho ouviu:
"... o porco pulguento mandou avisar..."
And she'll tease you,
She'll unease you
E a garotada da época cantava:
"Chupa anísio,
Chico Anísio".



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