Fico me policiando para não escrever textos "umbigais" ou "ególotras" neste blog. Nada contra esse tipo de approach adotado por certas pessoas em seus escritos. Eu mesma mantinha um blog nessa linha. Era depressivo, escuro, cansado. Pois vivi uma época assim, não faz muito tempo.
Aos poucos, uma realidade mais amigável e novos projetos antes impensáveis começaram a acenar para mim. Passei por mudanças. Nada radical. Tampouco inconsistentes, espero. Tudo foi se ajeitando em seu devido tempo. Demorou mais do que eu queria, doeu, magoou certas pessoas, espantou outras. Mas o saldo foi positivo: reconheci os amigos verdadeiros, reencontrei minha fé perdida, passei a acreditar mais na bondade, compreensão e tolerância humanas, busquei ajuda e engoli o orgulho, aprendi que mesmo nas relações familiares tudo tem seu preço, muito caro no meu caso. E assim flagro-me pensando no que parece uma prévia do meu "balanço de fim de ano".
Respiro devagar e esqueço um pouco das pilhas de documentos que repousam impacientes em minha mesa do escritório. A Avenida Paulista nunca me pareceu tão frenética, razão pela qual abaixo as persianas. Incomoda-me eu não ter dado conta de que o Natal está próximo. Parece-me uma data distante, mais exatamente, uma data que se perdeu no decorrer dos anos e não conseguiu se desvincular de minhas lembranças. Acredito que vou comemorar verdadeiramente o Natal, com direito à ceia, presentes, enfeites e trilha sonora do John Lennon, somente quando o significado da data sobrepor-se à saudade que ainda sinto dos melhores Natais que passei junto com minha família. Enquanto isso, contento-me em ver uma guirlanda enorme piscando suas luzes junto à sacada de minha sala no escritório.
Dezembro. Mês para resolver as pendências do ano que acaba. Neste espírito fui a um dos escritórios da Prefeitura comprovar a isenção de IPTU do pequenino apartamento onde moro. No fim, a "visita" à Prefeitura localizada no centro da cidade foi proveitosa. Primeiro porque revivi minhas andanças de metrô da época em que não tinha idade suficiente para dirigir. Também por ter recordado as horas que passava na Praça da Sé e na Praça da República com minha melhor amiga Yun, morta em 1996, olhando bugigangas de toda sorte vendidas por hippies paraguaios, chilenos, brasileiros, argentinos e colombianos, além de espiar o show de horrores de um maluco que alegava ter visto a "luz", o que lhe dava poderes para mover um toco de braço zumbi com o poder da mente.
Era um tempo em que eu e a Yun queríamos ser "diferentes" do pessoal da escola. Para tanto, achávamos que usar jeans surrados e enormes, camisetas e batas brancas, botinhas de camurça, adornos artesanais feitos de palha, couro, conchas, pedras e linhas coloridas, garantiria um quê de outsiders a nós. Ah, a adolescência...
Revi "Simplesmente Amor". É o típico filme que assistido sem grandes pretensões filosóficas-existenciais agrada e nos dá, de quebra, um sorriso terno no rosto. É um bom filme para lembrar do significado particular que atribuímos ao Natal e que, em todos estes significados personalíssimos, há certas coisas e valores em comum.
Acredito que o Natal, apesar de não poder mais reunir toda a família, é para mim uma data em que velhas rusgas de relacionamentos podem ser desconsideradas com um longo e sincero abraço.
É difícil, eu sei, querer bem a todos os que conhecemos. É um saco ter de enfrentar lojas lotadas, festas enfadonhas de confraternização da empresa, e quebrar a cabeça na escolha de presentes que agradem. Ainda assim, não perdi minhas esperanças de comemorar bem a data, mesmo tendo que vir ao escritório para trabalhar na semana do Natal, sem folga para o ano novo. Assim como o filme "Simplesmente Amor", eu quero que minhas inúmeras histórias não necessitem de verossimilhança ou de bom senso para acontecerem - quero apena que a maioria delas tenha um desfecho feliz e um caminhar sem grandes planejamentos, pretensões embutidas e interesses não declarados, como se eu tivesse numa trilha sem saber onde ela termina, ou melhor, sem saber se termina.
Como parte da minha fase "rever é recordar", assisti novamente a "As Horas", filme baseado no livro homônimo escrito por Michael Cunningham. Minhas impressões sobre o filme serão temas do próximo post.
Mas enquanto o próximo post não vem, pergunto-lhes, caros leitores, "como anda seu balanço de fim de ano"? No vermelho? Ânimo, meus caros, já que o Senado aliviou (ainda que muuuuito pouco) o peso dos malditos impostos e contribuições: no dia 31 de dezembro, a CPMF dará seu suspiro final. Espero que descanse em paz para sempre.
Estou horrorizada com a data do meu post mais "recente" - 02 de outubro!!! Logo vi que uma poeira fina começava a cobrir as letras deste blog. Tudo bem que sofrer de "aversão temporária a computadores" é um fator atenuante da minha ausência. Mas a causa mor do não escrever posts foi a jornada maluca de trabalho combinada com a falta de insights dignos de nota.
Finalmente tomei vergonha na cara e fui assistir a "Tropa de Elite". Não esmiuçarei o filme por duas razões: (i) não tenho o menor talento para crítica de cinema, e (ii) já existem ótimos posts sobre o filme.
Saindo do cinema, eu me deparei com uma cena inesperada: operários trabalhando na decoração de Natal de um banco aqui na Av. Paulista, enquanto os termômetros marcavam 29 graus. Foi inevitável repetir aquela velha frase, minha comadre de longa data, "puxa, esse ano passou rápido demais". E tem sido assim há alguns anos, desde que virei sócia do "Clube das pessoas que não revelam mais a idade".
Voltando para casa, com as luzes das árvores natalinas piscando em minha memória, comecei a pensar sobre o que estou realmente fazendo neste mundo, vasto mundo, em que fecho os vidros do carro e me escondo atrás do insulfime, em que recebo e-mails quase diários sobre "como se proteger do falso telefonema de sequestro", o "golpe do flanelinha que some com o rádio do seu carro", os "meninos dos faróis que esguicham ácido na sua cara", e por aí vai. As ruas e avenidas que atravesso em São Paulo não lembram exatamente o morro tomado pelo BOPE e seu Capitão Nascimento... mas não pude evitar o pensamento de que tiros ecoam na periferia paulista, no centro da cidade, em arrastões nos condomínios do Morumbi, tão rápido como as primeiras luzes de Natal.
Não sou dada a acreditar em "destino" ou "nossa missão na Terra", apesar da minha leitura diária do horóscopo no jornal. Não acredito que um "golpe do destino" possa mudar certas escolhas que fiz, entre elas a minha profissão (ingrata) de advogada. Mesmo trabalhando 12 horas por dia, o que consome boa parte da minha disposição para escrever neste blog, não me arrependo da minha escolha profissional em assessorar empresas e não pessoas de carne e osso. Ainda não houve um "fogueteiro morto" em minha vida que me levasse a deixar a advocacia.
Assistir a "Tropa de Elite" reforçou minha convicção de que eu seria uma péssima advogada da área criminal e uma péssima militante da área de direitos humanos. Não sei lidar com causas que envolvem a vida alheia e valores que seguro profissional algum consegue cobrir, como liberdade e outros direitos fundamentais que constam em nossa mal tratada Constituição Federal.
Por falar em destino e nossa missão terrena (!), existe aquela coisa toda sobre "plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro" para ser uma pessoa completamente realizada.
Nunca plantei uma árvore. O mais próximo que cheguei a isso foi plantar um grão de feijão em algodão molhado para a aula de ciências do primário. Também "plantei" semente de abacate em um copo de requeijão cheio d'água. Se meu projeto de morar numa casa com um imenso jardim tornar-se realidade, certamente plantaria um bonsai. Ou um pé de ponkan.
Pois bem, eis minha primeira meta para o ano de 2008: plantar uma árvore. Ainda que seja um pinheirinho de Natal.
Ficariam faltando os filhos e o livro...
Espero viver muitos anos além do ano de 2008.
Segue uma relação das listas que não podem faltar em sua agenda, entre a geladeira e seu imã do disk-pizza, na sua memória afetiva, no seu diário, no post-it preso ao seu computador.
Lista dos TOP 5 Melhores Filmes.
É interessante incluir nessa lista filmes que mudaram seu modo de enxergar certas coisa, filmes indescritivelmente belos, filmes com os quais você se identificou irremediavelmente, filmes com um certo valor sentimental. Eis a minha lista:
1. Noites de Cabíria, de Fellini. Essa escolha não requer muita explicação. A direção do filme e a atuação de Giuletta Masina são impecáveis.
2. Gritos e Sussuros, de Ingmar Bergman. Um complexo e belo filme sobre mulheres, sempre elas e inclusive eu.
3. Peixe Grande, de Tim Burton. Explico: meu pai mora na Coréia, tive lá as minhas rusgas com ele e gastei muitos lenços de papel assistindo às cenas finais.
4. As Horas, de Stephan Daldry. Li o romance que deu origem ao filme, escrito por Michael Cunningham (vencedor do prêmio Pulitzer) e acho que o filme dirigido por Stephan Daldry (também diretor de Billy Eliot) acertou na adaptação do romance para as telonas. As três diferente estórias narradas no filme retratam com delicadeza o que eu chamo "dor de viver e fazer certas escolhas". Penso que eu e muitos mortais já passaram por isso.
5. Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. A sequência final do filme e a belíssima trilha sonora assinada por Ennio Morricone e Andrea Morricone justificam minha escolha.
Lista das TOP 5 Músicas de seu playlist sentimental.
Antes que me perguntem, essa lista é, sim, inspirada no livro "Alta Fidelidade", de Nick Hornby. Ao selecionar as músicas, dê preferência àquelas que passarão incólumes ao "repeat" de seu discman, Winamp, IPod, etc. Nem sempre a música nº 1 da lista é aquela relacionada à pessoa que foi a mais importante - às vezes, é necessário dissociar o valor artístico da música eleita à importância que uma pessoa tem no seu histórico sentimental. Vale a pena incluir, ainda, uma música que marcou uma ocasião especial: aquela festa de confraternização da empresa em que você tomou todas e teve coragem de demitir seu chefe, o primeiro beijo, a primeirá música que você cantarolou aos 2 anos de idade. Minha lista:
1. Crash into me, do Dave Matthews Band. A letra e os arranjos são dignos de nota. Além disso, é a "nossa música", digo a minha e do meu namorado, Victor. Tá. Soou piegas, mas é verdade. Atire a primeira pedra o casal que não tem a "sua música".
2. Porto Solidão, do Jessé. Isso mesmo. A razão: foi a primeira música que eu ouvi na vitrola que meu pai me deu como presente de aniversário. Detalhe: eu tinha uns 6 ou 7 anos.
3. Pais e filhos, da Legião Urbana. Trata-se da música que embalou a maior de minhas crises existencias da minha adolescência (eita fase aborrecida!). O verso "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã" gruda no ouvido de qualquer um.
4. Everybody hurts, do R.E.M. Ouvi essa música durante a apresentação da banda no Rock in Rio, um show memorável que tive o prazer de testemunhar ao lado de Ian Black e Alexandre Inagaki, meus vizinhos. Além disso, houve uma fase em que eu me identificava terrivelmente com a sua letra.
5. Quase um segundo, dos Paralamas do Sucesso. Essa música embalou uma das piores "fossas", após o término de um namoro.
Bonus track: We are the champions, do Queen. Tomei um dos maiores porres da minha vida. Quando: na festa de formatura da faculdade.
Listas de Supermercado.
Ordene a lista por ordem de necessidade, mas sobretude de acordo com seu saldo bancário. Para não esquecer nada, visualize o interior da sua geladeira, o quartinho da empregada onde você guarda os produtos de limpeza, a sua despensa. Itens obrigatórios de todas as minhas compras de supermercado: papel higiênico, pó de café, coca light, leite desnatado, carne e activia. É, eu tenho o que eles chamam de "intestino preguiçoso".
Lista de resoluções de começo de ano.
Bah. Eu incluo aquelas resoluções e promessas difíceis mesmo de serem cumpridas. Afinal, o ano novo é a oportunidade única concedida a nós, meros mortais, para acreditar que realmente vamos frequentar a academia e perder uns quilos, ecomizar e economizar para costurar o pé de meia, escrever posts diários, comer mais salada, parar de fumar, aprender mandarim, beber menos... tsc.