Não sei se é fruto de um enorme estresse resultante das minhas atuais condições de trabalho, não sei se é a dificuldade que sinto ultimamente em verbalizar sentimentos... Pode até ser o ceticismo em relação à humanidade em geral, mas o fato é que ando abraçando a Nara e a Pina com uma frequência preocupante para elas (sim, cachorros ficam preocupados com seus donos). Apesar do termômetro indicar uma média de 30ºC nessas tardes de verão, fico bons minutos abraçadas às "meninas", sem ligar para o monte de pêlos que faz aumentar o calorão que tem feito nos últimos dias.
É uma espécie de terapia ainda, quando levo as duas para dar um passeio na pracinha perto de casa. Primeiro, por ver a expressão feliz (sim, cachorros dão risadas, entende?) e o rabo abanando freneticamente quando pego as coleiras e segundo, porque eu me divirto quando elas brincam de se esconder atrás de uma moitinha qualquer para sairem correndo, com a língua de fora. Abraçá-las porque deixaram uma criancinha pentelha puxar as orelhas, sem soltar um pio, abraçá-las porque latiram ao avistar dois "manos" grandes e com cara de mau, isso faz bem. Faz bem poder perguntar com o olhar "Nara, você me entende, né?". É bom acordar com as lambidas da Pina na cara e perceber que ela evitou um senhor atraso desta pessoa para chegar no escritório.
Essas são as razões que consigo enumerar para abraçar minhas "meninas". É diferente abraçar a Nara, porque ela tem a calma de quem já foi mãe de nove filhotes.
Abraçar a Pina, a primeira dos nove a nascer, é pedir para ser lambuzado com, pelo menos, duas lambidas. Isso sem falar na cara que ela faz, típica de uma chantagem emocional (sim, cachorros fazem chantagem emocional), quando desfaço o abraço e vou atender o telefone.
Abraçar seu pet faz bem. Seu pet estará sempre te esperando em casa e ficará louco de felicidade quando você chegar. De casas vazias, acredito eu, bastam os nossos dias em que nos deparamos com uma incômoda desesperança sem saber o motivo.
Abraçar seu pet faz bem. Ele depende de você para tanta coisa e não sente vergonha disso, em tempos que termos do tipo "independência financeira" ou "independência emocional" são dogmas para uma geração inteira quando falamos de felicidade. Tempos estranhos, estes.
Abraçar seu pet faz bem. Especialmente quando nenhum amigo, nem seus filhos, namorado e analista parecem te entender (nem você mesmo entende). Seu pet sabe do essencial: que você não está bem ou que palavras, às vezes, não valem tanto como um longo abraço de um dos poucos seres que sentem um amor incondicional por você.
O Marley, a Lassie, o Scooby-Doo, a Laika e o Snoppy que me perdoem. Mas as minhas "meninas" são muito mais legais.
E você? Já abraçou seu pet hoje? Serve gato, cachorro, tartaruga, porquinho da índia, bicho de pelúcia, boneca inflável, travesseiro...
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