Digam o que quiserem os santistas, os sãopaulinos (é assim blergh que se blergh escreve?) e os corinthianos (idem blergh)... ![]()
Mas com o Luxemburgo (o mau filho à casa volta, também) e o investimento prometido pela direção do Verdão, tudo vai ser diferente. E tenho dito!
Fico me policiando para não escrever textos "umbigais" ou "ególotras" neste blog. Nada contra esse tipo de approach adotado por certas pessoas em seus escritos. Eu mesma mantinha um blog nessa linha. Era depressivo, escuro, cansado. Pois vivi uma época assim, não faz muito tempo.
Aos poucos, uma realidade mais amigável e novos projetos antes impensáveis começaram a acenar para mim. Passei por mudanças. Nada radical. Tampouco inconsistentes, espero. Tudo foi se ajeitando em seu devido tempo. Demorou mais do que eu queria, doeu, magoou certas pessoas, espantou outras. Mas o saldo foi positivo: reconheci os amigos verdadeiros, reencontrei minha fé perdida, passei a acreditar mais na bondade, compreensão e tolerância humanas, busquei ajuda e engoli o orgulho, aprendi que mesmo nas relações familiares tudo tem seu preço, muito caro no meu caso. E assim flagro-me pensando no que parece uma prévia do meu "balanço de fim de ano".
Respiro devagar e esqueço um pouco das pilhas de documentos que repousam impacientes em minha mesa do escritório. A Avenida Paulista nunca me pareceu tão frenética, razão pela qual abaixo as persianas. Incomoda-me eu não ter dado conta de que o Natal está próximo. Parece-me uma data distante, mais exatamente, uma data que se perdeu no decorrer dos anos e não conseguiu se desvincular de minhas lembranças. Acredito que vou comemorar verdadeiramente o Natal, com direito à ceia, presentes, enfeites e trilha sonora do John Lennon, somente quando o significado da data sobrepor-se à saudade que ainda sinto dos melhores Natais que passei junto com minha família. Enquanto isso, contento-me em ver uma guirlanda enorme piscando suas luzes junto à sacada de minha sala no escritório.
Dezembro. Mês para resolver as pendências do ano que acaba. Neste espírito fui a um dos escritórios da Prefeitura comprovar a isenção de IPTU do pequenino apartamento onde moro. No fim, a "visita" à Prefeitura localizada no centro da cidade foi proveitosa. Primeiro porque revivi minhas andanças de metrô da época em que não tinha idade suficiente para dirigir. Também por ter recordado as horas que passava na Praça da Sé e na Praça da República com minha melhor amiga Yun, morta em 1996, olhando bugigangas de toda sorte vendidas por hippies paraguaios, chilenos, brasileiros, argentinos e colombianos, além de espiar o show de horrores de um maluco que alegava ter visto a "luz", o que lhe dava poderes para mover um toco de braço zumbi com o poder da mente.
Era um tempo em que eu e a Yun queríamos ser "diferentes" do pessoal da escola. Para tanto, achávamos que usar jeans surrados e enormes, camisetas e batas brancas, botinhas de camurça, adornos artesanais feitos de palha, couro, conchas, pedras e linhas coloridas, garantiria um quê de outsiders a nós. Ah, a adolescência...
Revi "Simplesmente Amor". É o típico filme que assistido sem grandes pretensões filosóficas-existenciais agrada e nos dá, de quebra, um sorriso terno no rosto. É um bom filme para lembrar do significado particular que atribuímos ao Natal e que, em todos estes significados personalíssimos, há certas coisas e valores em comum.
Acredito que o Natal, apesar de não poder mais reunir toda a família, é para mim uma data em que velhas rusgas de relacionamentos podem ser desconsideradas com um longo e sincero abraço.
É difícil, eu sei, querer bem a todos os que conhecemos. É um saco ter de enfrentar lojas lotadas, festas enfadonhas de confraternização da empresa, e quebrar a cabeça na escolha de presentes que agradem. Ainda assim, não perdi minhas esperanças de comemorar bem a data, mesmo tendo que vir ao escritório para trabalhar na semana do Natal, sem folga para o ano novo. Assim como o filme "Simplesmente Amor", eu quero que minhas inúmeras histórias não necessitem de verossimilhança ou de bom senso para acontecerem - quero apena que a maioria delas tenha um desfecho feliz e um caminhar sem grandes planejamentos, pretensões embutidas e interesses não declarados, como se eu tivesse numa trilha sem saber onde ela termina, ou melhor, sem saber se termina.
Como parte da minha fase "rever é recordar", assisti novamente a "As Horas", filme baseado no livro homônimo escrito por Michael Cunningham. Minhas impressões sobre o filme serão temas do próximo post.
Mas enquanto o próximo post não vem, pergunto-lhes, caros leitores, "como anda seu balanço de fim de ano"? No vermelho? Ânimo, meus caros, já que o Senado aliviou (ainda que muuuuito pouco) o peso dos malditos impostos e contribuições: no dia 31 de dezembro, a CPMF dará seu suspiro final. Espero que descanse em paz para sempre.
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