Estou horrorizada com a data do meu post mais "recente" - 02 de outubro!!! Logo vi que uma poeira fina começava a cobrir as letras deste blog. Tudo bem que sofrer de "aversão temporária a computadores" é um fator atenuante da minha ausência. Mas a causa mor do não escrever posts foi a jornada maluca de trabalho combinada com a falta de insights dignos de nota.
Finalmente tomei vergonha na cara e fui assistir a "Tropa de Elite". Não esmiuçarei o filme por duas razões: (i) não tenho o menor talento para crítica de cinema, e (ii) já existem ótimos posts sobre o filme.
Saindo do cinema, eu me deparei com uma cena inesperada: operários trabalhando na decoração de Natal de um banco aqui na Av. Paulista, enquanto os termômetros marcavam 29 graus. Foi inevitável repetir aquela velha frase, minha comadre de longa data, "puxa, esse ano passou rápido demais". E tem sido assim há alguns anos, desde que virei sócia do "Clube das pessoas que não revelam mais a idade".
Voltando para casa, com as luzes das árvores natalinas piscando em minha memória, comecei a pensar sobre o que estou realmente fazendo neste mundo, vasto mundo, em que fecho os vidros do carro e me escondo atrás do insulfime, em que recebo e-mails quase diários sobre "como se proteger do falso telefonema de sequestro", o "golpe do flanelinha que some com o rádio do seu carro", os "meninos dos faróis que esguicham ácido na sua cara", e por aí vai. As ruas e avenidas que atravesso em São Paulo não lembram exatamente o morro tomado pelo BOPE e seu Capitão Nascimento... mas não pude evitar o pensamento de que tiros ecoam na periferia paulista, no centro da cidade, em arrastões nos condomínios do Morumbi, tão rápido como as primeiras luzes de Natal.
Não sou dada a acreditar em "destino" ou "nossa missão na Terra", apesar da minha leitura diária do horóscopo no jornal. Não acredito que um "golpe do destino" possa mudar certas escolhas que fiz, entre elas a minha profissão (ingrata) de advogada. Mesmo trabalhando 12 horas por dia, o que consome boa parte da minha disposição para escrever neste blog, não me arrependo da minha escolha profissional em assessorar empresas e não pessoas de carne e osso. Ainda não houve um "fogueteiro morto" em minha vida que me levasse a deixar a advocacia.
Assistir a "Tropa de Elite" reforçou minha convicção de que eu seria uma péssima advogada da área criminal e uma péssima militante da área de direitos humanos. Não sei lidar com causas que envolvem a vida alheia e valores que seguro profissional algum consegue cobrir, como liberdade e outros direitos fundamentais que constam em nossa mal tratada Constituição Federal.
Por falar em destino e nossa missão terrena (!), existe aquela coisa toda sobre "plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro" para ser uma pessoa completamente realizada.
Nunca plantei uma árvore. O mais próximo que cheguei a isso foi plantar um grão de feijão em algodão molhado para a aula de ciências do primário. Também "plantei" semente de abacate em um copo de requeijão cheio d'água. Se meu projeto de morar numa casa com um imenso jardim tornar-se realidade, certamente plantaria um bonsai. Ou um pé de ponkan.
Pois bem, eis minha primeira meta para o ano de 2008: plantar uma árvore. Ainda que seja um pinheirinho de Natal.
Ficariam faltando os filhos e o livro...
Espero viver muitos anos além do ano de 2008.
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