Lá pelos idos de 2001, quando tive o meu primeiro blog, adotei o nome “Em Alto Mar”, porque gostava da idéia de escrever meus posts como bilhetinhos em garrafas lançadas ao mar. Uma grande parte desses bilhetinhos resumia-se a pedidos velados de socorro. Explico: eu estava passando por uma das piores fases do meu então não diagnosticado transtorno afetivo bipolar. Sentir-se sozinha numa ilha, sem uma viva alma por perto para me ajudar, traduzia perfeitamente a solidão de alguém que passa por uma crise severa de depressão: a descida de um bipolar na montanha russa. Vários posts retratavam o desânimo, a desesperança e todos os demais efeitos colaterais do transtorno. Outros, mais raros, refletiam meus momentos de euforia: a subida da montanha russa.
Esperava, que de alguma forma, os posts pudessem me trazer algum acalanto, alguma salvação. Assim, eu os lançava ao mar da minha particular ilha deserta, na esperança que algum navegante qualquer viesse ao meu socorro. Posso dizer que recebi, sim, a ajuda de vários leitores-navegantes, por e-mail, por cartas deixadas na portaria do meu prédio, por telefonemas e comentários deixados no blog.
Após uma longa internação, e tendo sido corretamente diagnosticada pelo quinto (!) psiquiatra que me examinou, fui submetida a um tratamento sério e eficaz. Decidi, então, enterrar meu antigo blog (e seus fantasmas agregados) e dar início a outro, sob o nome “Tudo vai ser diferente”. “Diferente” porque, a partir do novo tratamento, eu poderia voltar ao trabalho como alguém saudável, amar sem os solavancos da montanha russa do meu humor, contornar as crises de depressão cada vez mais raras e “light”, controlar os picos de euforia e, claro, saber quem realmente sou sem as grossas camadas de tinta do transtorno bipolar: uma das piores conseqüências do transtorno, se não a pior, é a perda da identidade.
Por conta da minha irregularidade em publicar posts, da minha veia workaholic, problemas com meu servidor (gratuito, por sinal), tirei uma licença por período indeterminado das minhas atividades como blogueira. Pior: percebi que nem tudo seria tão diferente assim pelos mais variados motivos.
Surgiu, então, o convite para participar do portal “InterNey Blogs” e passei a queimar vários neurônios para batizar meu novo blog. Coincidentemente, aceitei o convite quando estava prestes a completar mais um ano da minha fase balzaquiana e virar a mais nova sócia vitalícia do “clube das pessoas que não revelam a idade nem sob tortura”.
Confesso que não comemorei o meu aniversário, pelo contrário, tive uma crise de choro, cuja causa estava nos meus hormônios (excesso de progesterona, acho), na saudade que tenho de minha infância e da família toda reunida ao redor de um bolo de chocolate com morango. Segundo o ISP – Instituto Suzihonguiano de Pesquisas, a crise de choro foi causada por um banzo generalizado.
Porém, o dia seguinte ao meu aniversário foi o que podemos chamar de “Perfect Day”, parafraseando um trecho da música de mesmo nome, interpretada por Lou Reed. Os motivos? Digamos que voltei a acreditar que “Tudo vai ser diferente”. De novo, de novo e de novo.
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