Melhor é ser criança

Janeiro 5th, 2010 por Patrícia Köhler

Qual a maneira mais fácil de uma criança, no primeiro andar de um shopping, chegar ao segundo?

Se você respondeu ‘pelo elevador’, ‘pela escada’ ou ‘pela escada rolante’ apenas, errou. Ou não teve infância.

A maneira mais fácil de uma criança subir um andar em um shopping, é fazendo isso pela escada rolante que desce!

Tá, tudo bem, pode não ser a maneira realmente mais fácil, mas é a adotada por onze em cada dez meninos e meninas entre quatro e nove anos. Pode reparar.

Eu confesso que fazia muito isso, e muitas vezes competia com meu irmão pra ver quem chegava mais rápido: eu subindo pela escada rolante que desce (ou descendo pela que sobe, tanto faz) e ele ‘dentro da lei’, ou então, o contrário: ele subvertendo a ordem e eu sem contrariar as normas dos shoppings.

Ontem passei uns minutos observando duas meninas que se divertiam fazendo isso, e minha vontade de juntar-me a elas naquele Trabalho de Sísifo foi quase incontrolável.

Nossa vida é tão cheia de regras, depois de uma certa idade, não é? Parece que tudo vai ficando ‘certinho’ demais, e o espaço para as loucuras vai diminuindo até quase sumir, e então passamos a impressão de seres ‘normais’.

Eu sou ainda muito infantil, e acho que algumas pessoas podem ter um pouco de vergonha ao meu lado.

Em alguns momentos, quando encontro uma pedra no chão, na rua, vou chutando, chutando, durante vários metros. Só paro se a pedra for parar realmente muito longe do meu caminho.

Eu adoro tomar chuva, estas de verão. Se vier acompanhada de granizos então, me regozijo! (Claro, granizos pequenos, se forem pedras de gelo do tamanho de um cubo mágico, tô fora).

Adoro balanços. Sonho com o dia em que possa ter uma árvore no quintal em que dê para fazer um balanço. Pode ser estes feitos com corda e um pneu de caminhão mesmo, acharia o máximo.

Fico frustrada quando por acaso estou em algum lugar com balanços e sinto que serei persona non grata caso dispute o balanço com crianças de cinco, seis anos.

A vida de adulto não nos dá muitas brincadeiras.

Queria poder, um dia que fosse, fazer uma grande amarelinha em frente à minha casa, como fazia 22 anos atrás, e brincar, mesmo sozinha. Mas a nossa auto censura não permite.

Na verdade ando muito estressada na correria deste mundo adulto.

Tem dias em que o que eu mais queria era perder algumas calorias – e a noção da idade – subindo uma escada rolante que desce.

(Mais um texto antigo, que felizmente achei. Me dei férias do blog por várias semanas, muitas coisas a resolver em casa e fora dela. E um ótimo 2010 a todos).







Posts similares:
A escalada*
Velha Infância
No Reino da Bicharada

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: André

Por incrível que pareça, nunca fiz essa brincadeira de subir pela escada que desce e, nas vezes em que tentei fazer, logo um segurança atento falava para eu parar de fazer isso. E isso porque sequer havia dado o primeiro passo no sentido oposto.
Aliás, sobre subir escadas que descem, isso costuma acontecer muito no exterior, naquelas megaliquidações que as lojas fazem. O pessoal vai com tanta sede ao pote que, de fato, consegue subir a escada que desce, tamanha a massa envolvida.

Em relação a ser um pouco infantil, mesmo que sem crianças por perto, é algo que aprovo e que nem de longe significa tornar-se um desses putanheiros de meia (ou mesmo um quarto de) idade e que ainda se acham garotões que vemos por aí. Aliás, ser isso é até meio que uma confissão de que assumiu as tais regras.
Ainda mais que passei dos 30, é uma época em que peso e repeso muitas coisas. Já vi amigo meu se casar e assumir um jeito senhorial, a ponto de mais gente estranhar tamanha guinada. Quem estranha diz que essa pessoa acabou meio que por querer fugir daquilo que foi e que as raras brincadeiras que faz, em um cunho meio sarcástico, seriam demonstrativo disso.

Continuando na história dos 30 passados, também me surpreendo comigo mesmo, pois 15 anos atrás imaginava-me chegando a essa idade com um ar senhorial. Cheguei aos 30 e acabou ficando aquela sensação de que a conta não fechava, talvez por conta daquilo que eu me imaginava fazendo. Faço coisas que não concebia outrora, como dança de salão, visto-me mais ou menos do jeito que eu me vestia (talvez até mais ousado). É estranho pensar que de alguma forma estou mais moleque que outrora, até porque era um rapaz um tanto sério naqueles tempos.
O que posso imaginar como um pouco menos de regra na vida adulta? De minha parte, esse lazer de que tanto gosto e conhecido por dança de salão. Tudo bem que tem de se enquadrar em algumas regras, mas são regras de certa forma em contexto assemelhado àquelas que crianças estabelecem para suas próprias brincadeiras. E, claro, sempre há risos nessas ocasiões, tal qual crianças ririam nas suas brincadeiras. E, claro, ninguém sai batendo cabeça por aí.



"Aliás, sobre subir escadas que descem, isso costuma acontecer muito no exterior, naquelas megaliquidações que as lojas fazem. O pessoal vai com tanta sede ao pote que, de fato, consegue subir a escada que desce, tamanha a massa envolvida."

PA-VOR!

"Faço coisas que não concebia outrora, como dança de salão, visto-me mais ou menos do jeito que eu me vestia (talvez até mais ousado). É estranho pensar que de alguma forma estou mais moleque que outrora, até porque era um rapaz um tanto sério naqueles tempos."

Fico feliz por tudo isso, bastante. ;)

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 00:45



Este post tem 4 comentários aguardando aprovação...

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Mulher Pitanguy


Warning: readfile(http://www.interney.net/vitrine.php?siteref=%2Fblogs%2Fstriptease%2F2010%2F01%2F05%2Ftitle_1422%2F&edy_nome=melhor+ser+crian%E7a): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.0 403 Forbidden in /opt/storage/blogs/end.php on line 32