Mulher Pitanguy

Novembro 18th, 2009 por Patrícia Köhler

Aqui vai um poeminha beeem antigo que achei fazendo uma compilação de textos. Acho que vou colocar outros ainda este mês. Vai ficar uma coisa Tipo Chaves, que não acaba nunca.

Mulher Pitanguy

"Ela tem um bronzeado
Que é a pura tentação
Conseguido a muito custo
Cem reais cada sessão

Tem pernas torneadas
E músculos definidos
E cabelos tão sedosos...
Pena serem tingidos.

Tem seios volumosos
Que conseguiu com cirurgia
Faz yoga e hidroginástica
E até medita, quem diria!?

Suas unhas de tigresa
São "made in Taiwan"
E seus olhos ficam azuis
Depois das onze da manhã

Tudo nela é natural
Como uma tulipa de tecido
Seu único pertence
É o sangue O positivo."

(dezembro/2000)



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Comentários:


Comentário de: André

Tudo bem que o texto que comento é mais velho que maracujá de gaveta, mas tem uma atualidade surpreendente se pensarmos em uma certa fulana que recentemente foi motivo de alvoroço no ensino superior. Aqui não entrarei no mérito da coisa e nem é essa minha intenção.
O que quero dizer é que subitamente uma turba talvez maior que a que contra ela se posicionou diz unissonamente "aleluia, que gata, Ave Maria" (509E), sendo que nunca ela será considerada minimamente áurea. E aqui eu uso termo universal, pois, por mais incrível que pareça, todos os padrões de beleza feminina do mundo possuem a mesma relação entre tamanho de cintura e de quadril. Sim, aquelas bonequinhas gordas sumérias e aquelas cheinhas retratadas pelos renascentistas têm a mesma relação cintura-quadril que teria alguma bonita magrinha que se conhece por aí. Isso para não esquecer que rostos considerados bonitos em todo mundo, independente de formato ou etnia, têm dimensões que seguem aqueles 1,618 que os gregos descobriram repetir-se em tudo aquilo que consideramos belo tanto na humanidade quanto na natureza. E o mais louco de tudo é ver que isso é entranhado não só no ser humano, mas em animais. Em experimentos com galinhas (a ave), elas preferiram lidar com pessoas consideradas mais bonitas.

Está um lance meio goebbeliano o pessoal querer que você ache quem cito bonita, simplesmente porque nem se ela fizer plástica ficará (por acaso a Carla Perez ficou ao deixar seu nariz michael-jacksoniano y otras cositas?). Para alguns, se disser que não curte mina com cabelo pintado de amarelo, esticado por implante, obra e graça de um cabeleireiro que quer seus minutos de fama e sabe que não há almoço de graça, fazendo contraste com as pretíssimas sobrancelhas, irão perguntar se você, diríamos assim, compartilha ideologia com Clodovil e outros. Nem meus colegas mais curva de rio e frequentadores de baladas, por assim dizer, populares acharam a referida bonita.
De fato, é impressionante ver como muitas vezes forma-se um coletivo de pessoas tão grande a dizer alguma coisa que você fica acanhado em dizer o que realmente pensa, até porque você não quer entrar em treta por picuinha. Não é a primeira vez que vejo o pessoal superfaturar uma mina, algo já presenciado tanto no macro como no microcosmo. Nos casos microcósmicos, noto também o quanto outros que discordam ficam acanhados em dizer o que realmente pensam, por conta de também não quererem salseiros irrisórios.

Porém, quando você fala mais de perto com esses, vê-se que eles se sentem confortáveis em dizer que uma determinada fulana não é isso tudo que a turba diz. E se estou com amigo de fé, irmão camarada, daqueles que me sinto confortável e não preciso ficar rebaixando o papo a um nível muito "so like... Beavis", a coisa fica mais interessante ainda. Uma vez, um chegado me falou que uma das minas mais superfaturadas de um microcosmo que compartilhamos só tem essa horda de nego falando "Caramuru, Caramuru" porque haveria uma certa babação de ovo derivada do fato de ela estar em uma posição hierárquica elevada. Encaixando as pecinhas, olha que muito bate do que ele me disse.
Em outras situações, guardei para mim mesmo a opinião que tinha, pois era minoria das minorias, como quando, egresso de um colégio com muitas minas bonitas, ingressei em faculdade pública que, devido à escassez, qualquer normalzinha é chamada de pantera (eita, é pedir para denunciar a idade) ou Supermodel of The World e ai de você se contrariar. Poderiam até interpretar como machismo quando dizia algumas ironias, como de fato interpretaram. Dentro do pacotinho de petardos prontos, poderiam dizer que você tem critérios racistas quando acha determinada senhorita feia. Claro que desprezarão o fato de ficar de queixo no chão quando passa algo nível Taís Araújo, Adriana Bombom, Isabel Fillardis e por aí vai exatamente da mesma maneira que fica quando passa algo nível Gisele Bündchen. No afã de quererem te enquadrar como preconceituoso, irão dizer que você curte beleza afrodescendente midiática. E isso porque você já viu ao vivo não só uma das famosas acima citadas como também outras belas de ébano que nunca apareceriam na máquina de fazer doido. Porém, se alguém quer te enquadrar como preconceituoso, irá tirar leite de pedra para tal e não sossegará enquanto não conseguir seu objetivo.

Não duvidarei que muitos que leram estas linhas também concordarão com o que digo, e talvez se sintam mais à vontade para falar a respeito. É isso que espero, pois ficar com a voz constrita para não ter uma horda contra você por causa de besteira é algo normal, mas extremamente chato pelo fato de você se sentir em alguns momentos o único a achar aquilo, mesmo sabendo que outros acham o mesmo.



"Tudo bem que o texto que comento é mais velho que maracujá de gaveta, mas tem uma atualidade surpreendente se pensarmos em uma certa fulana que recentemente foi motivo de alvoroço no ensino superior. Aqui não entrarei no mérito da coisa e nem é essa minha intenção."

Eba, adorei saber que o poema acaba sendo atemporal (e daqui por diante é só ladeira abaixo. Viu o método de bronzeamento artificial com spray, porque as câmaras estão sendo proibidas no País - mas certamente haverá muitas casas com elas, como existem os cassinos em casarões do Morumbi e outros bairros chiques e com gente abastada).
Aquilo é nojento, parece que a mulher tá numa oficina mecânica e acabou de sair do martelinho de ouro. Enfim, cada um cada um.
Beijo beijo.

PermalinkPermalink 19.11.09 @ 01:40



Comentário de: War · http://blog.brasilacademico.com

É bom que se coloque textos antigos, pois há os novos leitores que não leram. Gostei muito do poeminha, cada vez mais atual.



Obrigada, War. E volte mais vezes. :-)

PermalinkPermalink 14.12.09 @ 19:19



Comentário de: Eduardo · http://cimitan.blogspot.com

Patrícia,

Muito legal seu texto e blog! Gosto do seu humor!
Voltarei!


Oi, Eduardo, volte sim e obrigada. Um beijo.

PermalinkPermalink 04.01.10 @ 16:45



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