Brinquedos pra toda a vida

Outubro 12th, 2009 por Patrícia Köhler

Estava lendo um texto policial quando deparo com a seguinte frase, do escritor Laurence Sterne: "Um homem que não tem um brinquedo ignora todo o partido que se pode tirar da vida. Um brinquedo é o meio exato entre a paixão e a loucura."
Esta frase me deteve e fez eu me abstrair quase que por completo, a ponto de esquecer do texto em si. Fixei-me à frase.
Que verdade estas palavras contêm! Um brinquedo é o meio exato entre a paixão e a loucura! Quem em sã consciência há de discordar?
Olhemos pro nosso passado, e pensaremos em brinquedos propriamente ditos: bonecas que passávamos horas a embalar, pôr chupeta, dar comida, colocá-las sentadas a papearem umas com as outras. Panelinhas onde cismávamos de colocar grãos de arroz e feijão. Quem diz que não há uma dose obscena de paixão e loucura nisso?
Não me esqueci dos meninos e suas brincadeiras preferidas, até porque cresci com um irmão apenas dois anos mais velho: carrinhos, pistas de autorama, carros de corrida que colidiam entre mãozinhas que mal comportavam tais brinquedos. Loucura? Sim, e muita paixão também.
Agora olhemos pra nós, adultos que não passamos
de crianças crescidas, e digamos que "brinquedos" não nos fazem falta! Imagina, impossível!
O lúdico e o abstrato precisarão sempre de um lugar dentro de nós, dentro da nossa acachapante rotina.
Meus brinquedos favoritos: palavras cruzadas, falar sozinha, cantar, ler gibis, andar descalça, tomar banhos de chuva, brincar muito com meus gatos e cachorros, escrever.
Tudo isso são brinquedos e brincadeiras. São, guardadas as proporções, minhas subversões na minha versão "adulta". Porque brincar é subverter, é criar e recriar mundos, inventar personagens, desfazer-se deles em fração de segundos.
Espero que possamos tirar muito partido da vida, e que passemos boa parte de nossa existência neste meio exato entre a paixão e a loucura.
Boas brincadeiras a todos nós!


Trackback:

http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/38371

Posts similares:
HA3... brinquedos entregam o Venom!!!
VW Golf MK3 VR6
ANTIGOS FABRICANTES DE BRINQUEDOS

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Rafael Reinehr · http://armazemdeideias.org

Patrícia, sua frase me lembrou outra: "O caos é um lugar entre a fumaça e o cristal. É preciso maleabilidade para mudar, mas dureza para permanecer." Nem sei porque fiz esta associação, mas o fato é que ela veio à cabeça lendo seu texto.

Sobre brincar, estudo, entre outras coisas, relações mais saudáveis no trabalho. Em um livro recente que li, Abaixo ao Trabalho (http://reinehr.org/anarquia-e-escritos-libertarios/apontamentos-anarquistas/abaixo-ao-trabalho) há um texto de Bob Black (que ainda não publiquei) que trata justamente do ludismo. Recomendo.

Um abração e parabéns pelo blog, que conheci hoje em função de um breve comentário teu lá no Milton.



Olá, Rafael, prazer tê-lo aqui, já li alguns posts seus, mas sempre silenciosamente. Gostei das suas palavras ao meu post e também da indicação de leitura. Procurarei sobre isso, pois o assunto me interessa. Obrigada e um abraço!








PermalinkPermalink 14.10.09 @ 16:28



Comentário de: André

De certa forma, somos aquilo que éramos quando crianças. Quando pequeno, não errava um carro na rua, fora aos 9 anos ter iniciado minha gigantesca coleção de revistas automobilísticas. Também era capaz de lembrar de um carro em detalhes. Até hoje meu pai cai de costas com o tanto de características que lembro da Brasília que ele tinha, até mesmo que o estofamento do banco traseiro tinha um rombo de cigarro. Dito e feito, sou fanático por automóveis até hoje.
Se bem que algumas coisas não eram de criança. Paixão por dança de salão só fui ter mesmo a partir dos 21 anos de idade, após ter ficado constrangido em Belém do Pará por não saber dançar o brega. Não que um paulistano em plena capital paraense fosse saber, mas...



André, eu sei da sua paixão por automóveis há mais de cinco (ou seis) anos, e te admiro por isso, por todas as reportagens excelentes que você fez para a Quatro Rodas. Meu irmão começou a fazer a coleção dele de revistas automobilísticas por volta dessa idade também. Ele se parece muito com você nesse sentido, além da coincidência do nome.
Sobre dança de salão, antes tarde do que mais tarde. Um beijo. ;)

PermalinkPermalink 14.10.09 @ 22:09



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: O homem da flautaPróximo post: João Bidu


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]