Uns anos atrás, eu estava em uma praia límpida e a alguns metros de mim, havia um homem com um bebê. Ele olhou pro chão e viu uma flauta. A água era tão clara, a flauta era clara, da cor da areia, e mesmo assim ele achou. Pra minha surpresa ele sabia tocar algumas músicas, o que fez a alegria do bebê.
Horas depois eu estava no mesmo trecho da praia e pisei na flauta. Peguei-a nas mãos e fiquei bastante triste. Certamente o homem a havia perdido. Procurei-o por boa parte da praia, e nada.
A sorte é que eu também sei tocar, pelo menos o desperdício foi menor. Vim pra São Paulo chateada pela perda do bebê, mas feliz por ter uma flauta de marca boa e que não desafinava, como a minha anterior. Toco essa flauta ainda até hoje, mas sempre lembrando do homem, da praia e do bebê.
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