Mulher Pitanguy

Novembro 18th, 2009 por Patrícia Köhler

Aqui vai um poeminha beeem antigo que achei fazendo uma compilação de textos. Acho que vou colocar outros ainda este mês. Vai ficar uma coisa Tipo Chaves, que não acaba nunca.

Mulher Pitanguy

"Ela tem um bronzeado
Que é a pura tentação
Conseguido a muito custo
Cem reais cada sessão

Tem pernas torneadas
E músculos definidos
E cabelos tão sedosos...
Pena serem tingidos.

Tem seios volumosos
Que conseguiu com cirurgia
Faz yoga e hidroginástica
E até medita, quem diria!?

Suas unhas de tigresa
São "made in Taiwan"
E seus olhos ficam azuis
Depois das onze da manhã

Tudo nela é natural
Como uma tulipa de tecido
Seu único pertence
É o sangue O positivo."

(dezembro/2000)

João Bidu

Novembro 10th, 2009 por Patrícia Köhler

Quando eu era adolescente, eu e minhas amigas ajudamos a enriquecer um pouco o famoso astrólogo das revistinhas de bancas de jornal. Fazíamos testes ridículos pra ver com qual signo deveríamos namorar ou de qual tínhamos que fugir em disparada.

E é engraçado ver a importância que algumas antigas amigas minhas ainda dão à astrologia (aliás, dão cada vez mais, mesmo com mais de 30 anos).

É engraçado numas, né? Na verdade diante de certos dálogos eu tenho mesmo é vontade de chorar de desgosto. Como este abaixo:

- Ah, fulano é assim? Que coisa, leoninos não costumam ser assim.
- Bom, mas pode ser que o ascendente dele seja em câncer (touro/virgem/whatever).
- Ah é, tem o ascendente também. E outra, ele pode ter muitos planetas em água.
- É, ele pode ter vênus na casa tal, sei lá o quê na casa 10, tal planeta na casa 12 (e eu só pensando: e júpiter na casa do caraleo).

Alguém aí já ouviu falar em GENÉTICA?? HEREDITARIEDADE?? Não, né, pra quê?? Tão mais fácil atribuir TODAS as características de alguém à posição dos astros quando fulano nasceu. E, juro, eu sou pisciana e leio sobre meu signo e sobre mais um monte, ou seja, não sou completamente cética em relação à astrologia, não. Agora, achar que ela tem mais importância que os nossos genes e muitas das características que herdamos dos nossos pais... isso já é meio toupeirice. Que me perdoem os arianos, escorpianos e sagitarianos que curtem demais astrologia e que, segundo o João Bidu dizia, eram os signos mais "nervosinhos" do zodíaco. :>>

Brinquedos pra toda a vida

Outubro 12th, 2009 por Patrícia Köhler

Estava lendo um texto policial quando deparo com a seguinte frase, do escritor Laurence Sterne: "Um homem que não tem um brinquedo ignora todo o partido que se pode tirar da vida. Um brinquedo é o meio exato entre a paixão e a loucura."
Esta frase me deteve e fez eu me abstrair quase que por completo, a ponto de esquecer do texto em si. Fixei-me à frase.
Que verdade estas palavras contêm! Um brinquedo é o meio exato entre a paixão e a loucura! Quem em sã consciência há de discordar?
Olhemos pro nosso passado, e pensaremos em brinquedos propriamente ditos: bonecas que passávamos horas a embalar, pôr chupeta, dar comida, colocá-las sentadas a papearem umas com as outras. Panelinhas onde cismávamos de colocar grãos de arroz e feijão. Quem diz que não há uma dose obscena de paixão e loucura nisso?
Não me esqueci dos meninos e suas brincadeiras preferidas, até porque cresci com um irmão apenas dois anos mais velho: carrinhos, pistas de autorama, carros de corrida que colidiam entre mãozinhas que mal comportavam tais brinquedos. Loucura? Sim, e muita paixão também.
Agora olhemos pra nós, adultos que não passamos
de crianças crescidas, e digamos que "brinquedos" não nos fazem falta! Imagina, impossível!
O lúdico e o abstrato precisarão sempre de um lugar dentro de nós, dentro da nossa acachapante rotina.
Meus brinquedos favoritos: palavras cruzadas, falar sozinha, cantar, ler gibis, andar descalça, tomar banhos de chuva, brincar muito com meus gatos e cachorros, escrever.
Tudo isso são brinquedos e brincadeiras. São, guardadas as proporções, minhas subversões na minha versão "adulta". Porque brincar é subverter, é criar e recriar mundos, inventar personagens, desfazer-se deles em fração de segundos.
Espero que possamos tirar muito partido da vida, e que passemos boa parte de nossa existência neste meio exato entre a paixão e a loucura.
Boas brincadeiras a todos nós!

O homem da flauta

Agosto 18th, 2009 por Patrícia Köhler

Uns anos atrás, eu estava em uma praia límpida e a alguns metros de mim, havia um homem com um bebê. Ele olhou pro chão e viu uma flauta. A água era tão clara, a flauta era clara, da cor da areia, e mesmo assim ele achou. Pra minha surpresa ele sabia tocar algumas músicas, o que fez a alegria do bebê.
Horas depois eu estava no mesmo trecho da praia e pisei na flauta. Peguei-a nas mãos e fiquei bastante triste. Certamente o homem a havia perdido. Procurei-o por boa parte da praia, e nada.
A sorte é que eu também sei tocar, pelo menos o desperdício foi menor. Vim pra São Paulo chateada pela perda do bebê, mas feliz por ter uma flauta de marca boa e que não desafinava, como a minha anterior. Toco essa flauta ainda até hoje, mas sempre lembrando do homem, da praia e do bebê.

My Way

Agosto 9th, 2009 por Patrícia Köhler

Não sei se já contei aqui que meu documentarista nacional preferido é o Eduardo Coutinho. Eu já vi tudo dele e alguns filmes já vi três ou mais vezes, como é o caso do Edifício Master.
Pra mim, esse documetário deveria ser obrigatório nas escolas de ensino médio ou até mesmo pra população em geral (aí eu já estou viajando, eu sei, mas tudo bem). Ele mostra pessoas tão díspares, com idiossincrasias tão distantes, histórias de vida absurdamente heterogênias, que sentimos vontade de conversar com elas, de estar lá nas filmagens.
Eu tenho um apreço maior por dois personagens, e vou deixar o link prum videozinho com eles aqui: a Daniela e o Henrique.
Daniela sofre de fobia social a ponto de não conseguir olhar pras pessoas enquanto fala com elas. Ela é absurdamente inteligente e escreve poemas em inglês. O porém é a aflição que dá conversar com alguém que não olha nunca pra você, mas enfim. Isso certamente é algo que incomoda muito mais a ela do que a quem a assiste. Algo que me entristeceu mais que isso foi a forma como se referiram a ela no youtube: ela está lá como "A louca do Edifício Master". Achei isso de um mau gosto extremo. Por mais que ela apresente problemas, reduzi-la à "louca do Edifício Master" é algo muito maldoso e desprovido de bom senso. Mas isso é opinião pessoal.

Tem também o Henrique, cuja história de vida é tão interessante que beira o sui generis. E a interpretação de My Way dele no final é de escorrer ao menos uma lagriminha pelo rosto.

São vários minutos somando as entrevistas, mas, se você não viu, eu recomendo enormemente. Ambas as entrevistas nos deixam mais humanos e com mais condescendência com as pessoas e com as diferenças. ;)

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