Categoria: Pedro Garrafa
Segunda, Out 19, 2009
A CONSTRUÇÃO DE UM SONHO

Relato aqui de uma forma bem suscinta, a construção de um sonho.
Por Pedro Garrafa
Quando falamos em sonho , pelo menos em termos de corrida de automovel, o que primeiramente nos vem a mente, é estarmos pilotando um formula, um avançadissimo prototipo, ou até mesmo um futurista turismo GT, porem poucos se veem num cockpit de um Fusca, quero dizer, num super Fusca tipo Divisão 3 ou até mesmo num modernizado com outro tipo de motorização, em vez do motor a ar, substitui-se pelo motor refrigerado a agua.
Para alguns amantes do desafio ou até um pouco mais radicais, não existe desafio maior, ou prazer maior que pilotar um Fusca, pois o mesmo não foi concebido para ser um carro de corridas, neste caso ele foi transformado para correr. Dai então o que muitos consideram que pilotar um fusca de corridas é quase a mesma coisa que montar um ¨touro bravo¨, pois voce tem que dominar o bicho, quero dizer tem que trabalhar o volante, as vezes até dar nó nos braços, para segurar a barata, freiar e segurar a deitada do mesmo nas curvas, enfim segurar o balanço, para que ele não derrape demais, ou melhor não escape a dianteira, pois a força motriz e a distribuição de peso se concentram mais na parte trazeira do carro.
É sem duvida nenhuma um desafio, pois o mesmo não alia modernidade com desempenho, e sim com valentia, dai começa o desafio daqueles que querem construir um sonho, pois sabem que não encontrarão tecnologia avançada para auxiliar na pilotagem, porem o que vale é o espirito esportivo de competir com um equipamento as vezes inferior em termos de tecnologia, porem muito bravo em desempenho.
Tudo tem que começar com o desejo de pilotar algo bravo e arisco, dificil de controlar, complexo para se acertar a suspensão, porem não impossivel, e para isso o primeiro passo é conseguir um chassis em condições de uso e preparação, pois o mesmo tem que estar em perfeito estado de conservação e alinhamento, sem entorces, sem partes fragilizadas por tempo de uso , sem corrosão, enfim completamente perfeito e apto para receber modificações e reforços. Chassis e supensão tem que ser um conjunto homogeneo, pois só assim se consegue o perfeito alinhamento do conjunto.

Após essa etapa passamos para a seguinte, que é a escolha da carroceria e a confecção das barras anti capotagem (santantonio), que é um dos itens mais importantes na construção de um carro da categoria turismo, pois o santantonio é o que vai definir toda a estrutura do carro, bem como pontos de amarração do chassis, pontos de torção e enrigecimento do mesmo. Costuma-se comparar que a estrutura das barras anticapotagem de um carro de turismo é o mesmo que o nosso esqueleto num corpo humano, tudo tem que funcionar em perfeita harmonia, já pensaram o que seria de um maratonista com problemas em um dos braços ou em uma das pernas, o que faria?


Definida mais essa etapa, passamos então para adequação do conjunto chassis e carroceria, que deverá sofrer inumeras modificações, não só esteticas mas funcionais como aerodinamica, praticidade de acesso ao conjunto mecanico, e outras de estética e por que não dizer de beleza, pois um carro precisa tambem de um aspecto além de funcional, pratico e belo, pois não se pode mudar totalmente nessa categoria a aparencia externa e o visual caracterisico da marca e do modelo do carro. Um carro nessa categoria, ele deve ser despojado de todos os itens superfluos e obsoletos possiveis, porem não se pode alterar ou economizar nos itens de segurança, pois lembrem-se que tal equipamento será exigido ao maximo, e todos os itens de segurança tem que estar em conformidade e obedecer a um regulamento especifico par a categoria.

A carroceria deve sofrer modificações e adequações dentro de um certo principio, o de estabilidade e segurança. Não adianta pensar em ter um carrão com tremendo motorzão,se não se tem um chassis e uma carroceria em condições de aguentar essa tremenda motorização. É bom lembrar que as modificações e adequações da carroceria, deverão sempre sofrer constantes ¨pequenas modificações¨, para uma melhor performance,estabilidade e aerodinamica do mesmo.Tais adequações só poderão ser incorporadas ou modificadas quando o carro já estiver em condições de treino e uso, isto é os acertos que normalmente tem que ocorrer a cada prova ou treino.
Passamos agora para escolha da motorização, que obviamente é um capitulo a parte e fundamental para o sucesso de qualquer projeto.Temos que pensar no tipo do carro e qual o motor que mais se enquadra ao mesmo, não adianta querermos colocar um motor que não se adequa ao conjunto ou ao regulamento.O sucesso do projeto depende da escolha certa do motor,lembrem-se que não é só motor super bravo que ganha corridas, e sim o mais adequado e melhor preparado,enfim um carro de corridas, é um conjunto de equipamentos perfeitamente elaborados e harmoniosos entre si.
O vídeo foi recuperado, mas a parte que iríamos falar da barata aí de baixo se perdeu. Sorry galera, coisinhas tecnológicas! E a galera da Super Classic também foi conferir o galpão do Pedro em Londrina...

A fase seguinte, pode ser considerada tambem como uma das mais importantes,que é a fase do acabamento e do capricho, pois a mesma é a que vai determinar a imagem do carro, e como sabemos a ¨primeira imagem¨, é a que fica, e a que vai determinar o aspecto e a identidade do carro. Não se coloca em um carro de corridas, acessorios estéticos, e sim funcionais.

Feitos todos esses passos, aliamos ainda uma boa dose de coragem, outra de dedicação e a mais importante de determinação, só assim teremos um verdadeiro carro de corridas, depois é só ir para a pista e acelerar, realizando assim a conclusão de um sonho de muitos porem privilegios de poucos...
PEDRO GARRAFA - TRUCK RACING
Londrina-Paraná
Quinta, Out 01, 2009
AS HISTÓRIAS DE PEDRO GARRAFA
Falar em Divisão 3 e Hot Fusca é a mesma coisa, dá o mesmo prazer, pois após o término da categoria D3 em São Paulo, criou-se no Paraná a categoria Hot Fusca, composta por muitos carros remanescentes da extinta categoria em São Paulo, e vários outros concebidos no próprio Estado do Paraná.
No início dos anos 90, eu ainda morava em Sampa, mas o amor pela categoria me fazia viajar de São Paulo até Cascavel, só para participar das provas.

Largada da Hot Fusca, em Cascavel, com Garrafa na pole...
Era o único piloto fora da região, pois as provas eram realizadas apenas no circuito de Cascavel, mas para quem tinha automobilismo nas veias e respirava competição, isso não era sacrificio nenhum, pelo contrario era satisfação, pois o que para alguns era hobby, para mim era profissão, pois fiz do hobby meu modo de vida...

Pedro nos boxes...
...criando e usufruindo de tudo o que podia fazer, pois naquela época além de competir eu criava, ou melhor, concebia os carros baseados nos antigos Divisão 3, e os vendia para outros pilotos.

Pedro, já com uma nova versão da barata...
Enfim criar um D3 ou Hot Fusca, é a mesma coisa que compor uma música, tem que haver inspiração, tempo, carinho e o momento certo, pois os D3 são verdadeiras máquinas de corridas, são obras de arte, e não simples carros pré-fabricados e confeccionados em grande escala ou número.


Algumas pessoas consideravam os D3 ou Hot Fusca, verdadeiras ¨CADEIRAS ELÉTRICAS¨, pois a potência dos motores e arranque dos mesmos era tão grande e tão forte que proporcionava ao piloto um grande impacto nas costas devido a aceleração e deslocação tão rápida, que se tinha a sensação do carro dar até um pulo para sair, e a pilotagem dos mesmos era bastante agressiva, pois os mesmos eram tão ariscos e tão raápidos, que não dava margem nenhuma a distração e erro, isto quer dizer, não dava nem para olhar dos lados, pois qualquer deslize, não dava para segurar e corrigir os foguetes. Agora voces imaginem descer a reta de Cascavel para entrar no BAÇIÃO a mais de 8.000 RPMs, num motor a ar, era coisa para macho ou xarope, pois não era nada fácil contornar o BAÇIÃO e dominar as baratas (essa é do Saloma).
Portanto creio que toda essa essência de heroismo no automobilismo nacional ainda possa ser resgatada, pois só quem viveu e correu num D3 ou Hot Fusca, sabe a sensação exata do que é pilotar um autêntico carro de corridas, e quando vejo nos dias de hoje esses herois que andam de fusca e ainda dão pau em outros tipos de carros, sinto-me renovado e esperançoso, de que um dia poderemos retornar a época de ouro do nosso automobilismo.
Aqui vai um pouquinho de história dessa época, através de algumas fotos dessas incriveis máquinas.






PEDRO GARRAFA, paulistano, que atualmente reside em Londrina, no Paraná, e continua em atividades automobilísticas, construindo suas obras de arte, com qualidade e carinho!
(reprodução)


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