Categoria: Papos de Box
Terça, Nov 03, 2009
PAPOS DE BOX - Brasília 71...
12ª. Corrida.
9ª. etapa Classic Cup
Interlagos – 31 de outubro de 2009
A primeira prova da Super Classic após o GP Brasil de F1, com a reabertura da pista de Interlagos para nós, costuma sempre apresentar bons grids. A turma toda está doida para andar novamente. Não foi diferente desta vez. 34 carros treinaram, e 32 alinharam para a largada. Um ótimo grid. Ainda assim, que me lembre, faltaram o Natali e seu Passat, dois Chevetteiros do Brandini, e o Abrami.
Cheguei em São Paulo na quarta á noite. Pretendia treinar calmamente na quinta para tentar ganhar um pouco de braço, e me readaptar ao carro que estava com motor novo e com o câmbio escalonado devidamente acertado. Infelizmente a garôa não nos deixou em paz, e a pista ficou quase o dia todo entre o molhado e o muito úmido. No terceiro e último treino livre de quinta havia secado, mas achei que pagar R$ 350,00 para dar só umas voltinhas não valia a pena. O Nenê, como chefe de equipe, deu umas 3 voltas com a Brasa, e achou o carrinho bom. Para mim, seu veredito estava de bom tamanho.
Na parte da tarde chegaram meus caros amigos do Rio. O Antonio Seabra e o Pedro “Baleiro”, ambos tarados por corridas, e que não vinham a Interlagos desde que este possuia ainda o traçado antigo. Apesar de lamentarem a mutilação da pista, ficaram maravilhados com o que viram, e principalmente, pela recepção calorosa dos blogueiros aqui do pedaço.

Concurso de barriga. Pedro “Baleiro”, Luizinho Pereira Bueno, e eu
Na sexta, fui um dos primeiros a ir para a pista. O câmbio estava macio e parecia definitivamente acertado. O motor roncava redondo, mas me pareceu um tanto mais fraquinho que o original, o primeiro que haviamos usado até a primeira quebra. De pneus novos lixados e com o chão certinho, nada a reclamar quanto à estabilidade que estava um dôce.
Mas por mais que me esforçasse, não baixava de 2:11. Tanto pela manhã quanto a tarde, eram 2:11 por volta, uma em cima da outra. Quatro segundos acima do melhor tempo que já havia feito me parecia demasiado, mesmo estando um tanto enferrujado.

O Nenê havia levado o carro para o dinamômetro, e pela primeira vez tinhamos as curvas de torque e de potência reais, as quais estávamos agora obedecendo. 170 cv. @ 6.000 rpm. Nas primeiras oito ou nove corridas com o motor original, havia por total ignorância, esticado sempre até 7.200 rpm! O tempo vinha, e não quebrou. Conseguiamos fazer a volta em 2:7 com o câmbio original, e o chão ainda não totalmente acertado. Vai entender...
No treino classificatório de sábado, após sete voltas, ao reduzir na freiada do Lago, fiquei sem marcha alguma. Barulhos estranhíssimos e não engatava nada. Será possivel que lá se foi o câmbio novamente? Caramba! Fui prá grama por dentro da reta que leva ao Laranjinha, e encostei aguardando o término do treino para ser rebocado de volta aos boxes.
Tiraram o motor e, graças a Deus, constataram que eram somente os parafusos do volante do motor que haviam se quebrado, e em 30 minutos estava tudo montado novamente. Melhor tempo conseguido nas sete voltas? 2:11! Largaria na 22ª. posição, bem no final do “pelotão da merda”, onde tudo pode acontecer. Paciência.

Tempo sêco, sol bonito e lá vamos nós para o alhinhamento. Dei duas passadas por dentro dos boxes e fui procurar minha posição.
Estava ao lado do simpático João Peixoto e seu Puma amarelo # 66. À minha frente, a posição estava vaga. Algum dos dois que treinaram mas não largariam. Fiquei cá pensando que isso poderia ser uma vantagem na hora da largada, se bem aproveitado.
Todos alinhados subindo o Café, acelero para ocupar a vaga vazia, e... largada abortada! Dou um freiadão esfumacento para não passar por cima do Fusca que ia à minha frente. Parece que o Furrier do Puma # 10 foi-se embora calmamente reta abaixo antes da bandeirada. Acontece. Demos mais uma volta, e agora sim! Partimos! Me joguei pela direita, rente ao muro, dei sorte de encontrar uma avenida limpa, e ultrapassei 4 carros antes da primeira curva. Aquela embolação de sempre no S do Senna, e na saída do Sol passei por mais um. Estava atrás do Tranjan e de um outro Passat vermelhão.

Alguém estourou o motor, e deixou uma trilha de óleo, desde o Laranjinha, até a Junção. Por conta disso tomei um baita susto quando o carro atravessou no Mergulho, mas deu prá trazer de volta todo esterçado para o lado contrário, “a la Bird”! Fechei a primeira volta em 16º. Sem poder chegar nos ponteiros o negócio foi ficar por alí mesmo, e ver no que ia dar com as possíveis e inevitáveis quebras lá na frente. Dois Fuscas encapetados estavam me atazanando desde a largada.
Bons de chão prá chú-chú eram um terror no miolo. Nas retas como tinha um pouquinho mais de motor, conseguia abrir, mas não muito. Foi uma disputa divertidíssima. Um passa e repassa danado. O tempo todo a centímetros uns dos outros.

Num certo momento, me passaram entre o Bico de Pato e a Junção. Consegui fazer esta última direitinho, e partí reta/curva acima atrás deles. No final da Reta dos Boxes um estava ao lado do outro mas havia um espacinho entre eles. Atrasei ao máximo freiada e botei pelo meio. Dei sorte e, consegui fazer o S do Senna na frente deles.



Fomos Reta Oposta abaixo engatados, e assim fizemos o miolo.
Tudo muito limpo e civilizado. Quando estava contornando o Bico de Pato porém, levei um toque do # 41, imagino que involuntário, que acertou minha lateral direita traseira, e amassou a roda daquele lado. Pronto! Rodei 360º pela grama, mas voltei logo. Lá iam eles já pela Junção afora. Uma certa vibração, e barulhinhos esquisitos, se apresentaram. Parei no box para ver se tinha furado o pneu.
O Fusca # 41 também parou na minha frente. Acho que abandonou, não sei.

Os mecas deram uma olhada rápida no carro, e me mandaram de volta para a pista. Mas só para terminar a prova, pois faltavam só umas 5 voltas e não dava para fazer mais nada de útil.
Finalmente recebo uma bandeirada depois de tanto tempo! Aceno para os bandeirinhas em agradecimento, e me recolho ao parque fechado.
Posição? 22º, a mesma da largada. De qualquer maneira, me diverti à beça e participai do maior pega até então! Com a desclassificação dos 5 ponteiros por falta de alternador (!?) devo ter subido oficialmente para 17º., o que na realidade, não muda nada...
Como terminei desta vez sem quebrar nada na corrida, e para não perder o hábito, o motor do meu carro de rua bateu comando na volta para o Rio, e lá ficou paradinho no posto Arco-Íris de Roseira.
Com um mecânico local imediatamente nomeado gerente de operações, uma plataforma contratada para resgatar o carro na terça após o feriado, e uma retífica engatilhada em Guará, segui viagem de carona com o Antonio e o Pedro, que felizmente, vinham me comboiando. Um final de semana bem emocionante!
Abs a todos...
Hugo Borghi Filho

Terça, Set 29, 2009
PAPOS DE BOX - ANDRÉ MELLO
Pelo segundo ano consecutivo a equipe Brandini esteve presente em Londrina, é sempre um prazer estar nesta cidade que acolhe nossa categoria da melhor maneira possível.
No ano passado eu ainda corria na categoria 1, com motor original do chevette 1.4, este ano voltei com motor AP 1.9 na divisão 3.
Cheguei na quinta-feira a noite e na sexta-feira fui para o autodromo treinar, apesar de já conhecer a pista com o novo motor tive que reaprender praticamente tudo, principalmente os pontos de freada no final das duas retas principais.
No primeiro treino foi praticamente um passeio na pista, sem forçar nada porque eu estava com freios novos, diferencial novo e pneus novos, por isso nem liguei o Hotlap pra marcar o tempo das minhas voltas.
No segundo treino tentei forçar um pouco mais pra já ter uma referencia de tempo, só que com as seguidas bandeiras vermelhas na pista não deu pra abrir praticamente nenhuma volta rapida.
Veio o terceiro treino e finalmente consegui fazer um teste pra valer e fiz 2:42:06 pelo que conversei com os outros pilotos acho que foi o terceiro melhor tempo do dia, já deu pra animar e ficar confiante para o treino de classificação e corrida no dia seguinte.
A noite saimos pra comer pizza(isso merece um capitulo a parte), nós da Brandini e o pessoal da Equipe LF, por indicação de uma funcionaria do hotel, indicação esta aceita pelo Flavio Gomes, fomos em um lugar que ela se referiu como "Uma das melhores pizzarias da cidade", chegando lá pedimos a mesa(para 15 pessoas) e sentamos, o ambiente confesso assustou um pouco, umas 30 crianças correndo e gritando pelo salão e "coisas estranhas" passando pelas mesas nas bandejas dos garçons(mais tarde entenderiamos o porque).
Sentamos e nos explicaram que a casa trabalhava com o sistema de rodizio, até ai tudo bem, no começo em nossa mesa de 15 pessoas e a maioria com bastante fome, começavam sempre a servir a pizza por uma das pontas e sempre com a bandeja contendo no máximo uns 4 pedaços, ou seja, 80% da mesa ficava chupando o dedo olhando os felizardos da ponta comendo.
Depois que os "gênios" perceberam que a mesa era grande começaram a trazer as pizzas inteiras(isso depois de uns 15 minutos), pois bem a primeira pizza que resolveram servir foi uma de brocolis...
Depois começou o festival de sabores bizarros, vieram pizzas de salmão, bacalhau, strogonoff(de carne e de frango), kani, arabe(sem absolutamente nenhum ingrediente que identificasse a mesma com origens arabes), enfim, as pizzas "normais" de mussarela, atum, portuguesa, calabresa passavam de vez em nunca e o que se via na nossa mesa era um festival de risos e intermináveis piadas sobre as pizzas exóticas e os garçons não entendendo o porque de estarmos estranhando tanto o farto cardápio que não incluia só pizzas, entre uma pizza de bacalhau e outra de strogonoff passavam também pratos como lazanha 4 queijos, spaghetti a bolognesa, salpicão de camarão e outros, o lugar era definitivamente um tipo de "Grupo Sérgio" de Londrina.
Depois do banquete de pizzas fomos no restaurante ao lado pra tomar um café e encontramos um ambiente muito agradavel onde terminamos a noite tomando mojitos e mais algumas cervejas.
Sabado 9:00 hs. todos de pé, tomamos café no hotel e fomos pra pista, previsão de chuva, pra alegria de uns e preocupação de outros.
Treino de classificação as 11:45, ainda com pista seca, meu carro estava excelente, ainda melhor do que na sexta-feira pois coloquei o jogo de pneus lixados, já devidamente amaciados na corrida anterior em Interlagos, sai logo entre os primeiros para a tomada de tempos, logo na primeira volta que abri fiz 2:42:8, na volta seguinte 2:42:557 e depois voltamos ao festival de bandeiras vermelhas onde muitos pilotos ficaram sem abrir voltas boas, como o Hylton e o meu irmão com seus chevettes.
Com o meu tempo acabei ficando em quarto lugar no grid, 2 décimos atrás do Adriano que ficou em segundo e 2 milésimos atrás do Carlão que ficou em terceiro(o pole não conta porque não tem carro na nossa categoria pra competir com o Corcel do Nenê Finotti).
Fim do treino e fomos para o briefing, decidimos largar parado(o que deve acontecer também aqui em Interlagos no ano que vem por decisão esmagadora da maioria dos pilotos da categoria), depois do briefing intervalo de mais de 4 horas para a corrida que seria somente no final da tarde, resolvemos sair para almoçar fora do autódromo, quando chegamos no restaurante a previsão do tempo se confirmou desabando uma baita chuva, só que no autódromo neste mesmo tempo nada de chuva ainda por isso o Adriano, mais conhecido na categoria como Chupisco foi taxado de louco no twitter pois no box dele estava chovendo e nos outros não(o pessoal não sabia que agente não estava no autodromo), enfim, foi anunciado um warm-up de ultima hora para andarmos um pouco na chuva mas como estavamos almoçando fora dançamos.
A chuva não parava de cair, todos já se preparavam pra correr de baixo de agua, nos treinos das outras categorias todo mundo espiando para ver o traçado que estavam fazendo, os pontos de freada, de retomada de aceleração, enfim, seria praticamente um voo cego pois praticamente todos os pilotos só conheciam a pista andando no seco.
Mais ou menos uma hora antes da corrida parou de chover e quando alinhamos pra largar a pista já estava em condições bem melhores e foi secando mais ainda durante a prova.
Corrida de sábado em Londrina, interrompida na sétima volta, batida no muro na reta dos boxes, pisei na agua e perdi o controle da charanga. rsrsrs
Fizemos a volta de apresentação e paramos para a largada, minha saida não foi das melhores, errei no ponto da embreagem e os ponteiros abriram enquanto alguns que estavam atrás chegaram em mim, primeira volta, aquele tradicional enrosco e depois da terceira volta as coisas começaram a se definir, estava em quarto lugar(mesma posição em que larguei) quando meu companheiro de equipe o Hylton começou a encostar, 2, 3 voltas e ele na minha cola, de repente ele sumiu do meu retrovisor, mais umas 2 voltas e ele reaparece, eu olho bem no retrovisor e penso comigo mesmo "Caramba, esse maluco esta correndo sem o capô!!" e na volta seguinte eu quase atropelo o capô dele que estava no meio da reta, mais uma olhada no retrovisor e reparo que ele esta mexendo em alguma coisa na frente do carro e quando olho mais uma vez no retrovisor percebo que o doido esta sem o vidro da frente, ele estava então na verdade tirando os restos de vidro que ainda restavam na frente do carro.
Mais umas duas voltas e ele andando em um ritmo mais rapido que o meu acaba me ultrapassando e abrindo, fiquei em uma situação que não conseguiria mais chegar nos da frente e os que estavam atrás também não chegariam em mim, no ritmo que eu estava andando ficaria seguramente entre os 5 primeiros e ainda contando com a alguma quebra ou acidente poderia chegar em uma posição ainda melhor, pois bem, lá pela oitava volta, no final da reta dos boxes avistei meu companheiro de equipe, o Alexandre Chaud com o chevette 36, ele em uma atitude muito bacana praticamente encostou o carro dele do lado direito e sinalizou para eu ultrapassa-lo, abri para a esquerda, peguei um ponto molhado da pista e perdi a frente do carro que virou para a direita e apontou de frente para o muro, eu tirei o pé do freio e tentei de todas as formas virar o carro para não bater de frente, quando entrei na grama consegui finalmente trazer o carro de volta em linha reta mas infelizmente não o suficiente para evitar a batida, o carro bateu a lateral dianteira e traseira, fim de prova.
Desci para ver o estrago, olhei tudo e vi que pelo menos de lataria não foi muita coisa, dei uma espiada por debaixo do capô e vi que aparentemente nada de mais grave aconteceu, sentei no muro e esperei a corrida terminar, quando acabou puxei uma parte da lataria que estava pegando no pneu, liguei novamente o carro e o levei lentamente até os boxes, chegando lá vi o carro do meu irmão também batido na lateral e sem o vidro da frente e o carro do Hylton sem o capô e o vidro da frente, o Marcio Brandini correndo de um lado para o outro sem entender lhufas do que estava acontecendo, no final das contas deu pra concertar todos os carros para a corrida de domingo, no meu foram algumas marteladas e pronto, no dia seguinte a unica mudança foi voltar o jogo de pneus para pista seca.
Saimos do autodromo as 19:30 e marcamos de nos encontrarmos no saguão do hotel as 21:00 pois tinhamos compromisso no "Escritório", já devidamente agendado, resumo da noite, voltamos do "trampo" as 5:30 da manhã e acordei meio-dia sem entender nada mas pronto pra largada já as 13:30.
Chegamos no autodromo aos frangalhos porém animados como sempre, tomando gatorade, agua, refrigerante e tudo mais que encontramos pela frente, entrei no carro e ao contrario do dia anterior não dei nenhuma volta com o box aberto, logo de cara já alinhei no grid. Muito sol e pista seca(graças a deus!), larguei em penultimo lugar(décimo sétimo) somente a frente do chevette do meu irmão, a formação do grid era baseada na classificação final da bateria de sabado, na minha frente o chevette do Chaud e eu parado no grid já traçando a estrategia que faria, teria que ser agressivo na largada tentando passar o maior numero possivel de carros pra tentar recuperar o prejuizo do dia anterior.
Largada da corrida de domingo. O resto da corrida não gravou porque acabou a bateria da camera. Consegui ir de décimo sétimo pra quinto lugar na geral, terminei a corrida em sexto.
Volta de apresentação e novamente largada parada, ao contrario da corrida de sabado desta vez larguei muito bem conseguindo já antes da primeira curva ultrapassar pelo menos uns 8 carros, vi no retrovisor que ao contrario do que eu imaginava meu irmão não conseguiu fazer uma largada boa, olhei para a frente de novo e já no final da primeira volta consegui já chegar um carro atrás dos meus companheiros de equipe Adriano e Hylton, na segunda volta eu estava portanto em quinto lugar.
A partir da terceira volta senti que o carro não estava nada bom nos trechos mais lentos da pista, desempenho muito inferior ao de sabado, o carro saia muito de frente e logo imaginei que obviamente isso era consequencia da batida de sabado, logo fui ultrapassado pelo Paulo Sousa do Fusca e pelo Carlão com o seu Passatt, sétimo lugar neste momento e a partir da quarta volta começou a batalha em familia pois meu irmão colou no meu retrovisor para não sair mais até o final da corrida.
Nas duas retas eu conseguia abrir um pouco porém nas curvas mais lentas ele chegava pra valer, eu tinha que fazer quase sempre tudo fora do traçado, sempre por dentro, deixando a parte de fora para ele, na reta dos boxes ele sempre entrava grudado e eu abria pois meu carro tem um motor um pouco mais forte, nas curvas era aquela pressão novamente, ele tentando de tudo e esperando qualquer deslize meu pra ultrapassar, foi essa pressão até a ultima curva, consegui segurar e acabei terminando a prova em sétimo.
Na soma das duas baterias acabei ficando em sexto lugar, com certeza não fosse o acidente de sabado daria pra brigar junto com o Adriano e o Hylton pelos primeiros lugares no pódium. Para a nossa equipe o saldo foi mais do que positivo, Hylton e Adriano segundo e terceiro lugares e o Chaudão em terceiro na categoria dele, mas no final das contas o resultado em si acaba ficando em segundo plano, o que valeu mesmo foi a diversão, as risadas, as brincadeiras e os jantares com a galera da LF que são verdadeiros parceiros...
...o Rogerio, o Flavio, o Marcelo com sua paciencia e organização mais uma vez impecável, o Nenê e o Seu Luiz Finotti que deu uma força quando precisamos de dois parabrisas novos as 19:00 da noite em pleno sabado, não posso deixar de falar sobre o pessoal da minha equipe, o Marcio Brandini, o Val e o Alex que foram perfeitos mais uma vez, o Ricardo Brandini que mesmo ficando em São Paulo sempre esta por trás de tudo dando sua assistencia e organizando tudo, enfim, agradeço de coração a todos que participaram desta etapa de Londrina, espero ver todos lá no ano que vem e também os que não puderam ir(Hugo, Rafinha, Bráz, Marcelo Chamma, etc).
Valeu por tudo galera, essa vai ficar por muito tempo na memória.
Obrigado e até dia 31 de outubro em Interlagos pra penultima etapa do Paulista.
Abraços a todos!
André Mello
Quinta, Ago 20, 2009
PAPOS DE PADDOCK
8ª. etapa Classic Cup
Interlagos – 15 de agosto de 2009
Blog: Este é um papo de Box diferente. A rigor deve mesmo se chamar Papo de Paddock. Não participei da corrida por falta de motor(es).
Como sabem, estraguei o meu, assim como o gentilmente emprestado pelo Tranjan, na preliminar do último 500 km de SP. Mas, como estava na cidade a trabalho, não pude deixar de dar uma fugidinha, e ir visitar os amigos e colegas em Interlagos. Confesso que dá um sentimento meio estranho ficar de fora, só olhando. Dá uma vontade dananda de pular num daqueles carros e sair para a pista! Paciência...
Cheguei bem no início dos treinos classificatórios da Classic Cup, e fiquei assistindo às peripécias dos colegas no miolo, de dentro do carro, no estacionamento.
Minha primeira impressão foi: “Puxa, como a turma está rápida hoje, e como tem gente na pista!”
Acertei, o Antonio Chambel fez a pole com 2:00.569. Os cinco primeiros colocados dentro de 3 segundos.
Terminado o treino fui para o box # 20 da LF. Fiquei sabendo que 36 carros largariam. Um grid sensacional! Somente da nossa equipe ainda ficariam de fora, além de mim, o Flávio, o Marcelo Chamma, o Paulo Souza, o Natali, e o Gildo. Teriamos sido, pelo menos, 42 concorrentes. Espetacular! Sinto que as coisas, aos poucos, estão voltando a ser como nos bons tempos. Tomara! Até as chopadas entre as corridas estão sendo marcadas novamente. Que legal.
Chegando ao box, com os pilotos todos participando do briefing, fui recebido carinhosamente pelos mecanicos Marconi, Magrão, e Roger. Sensação boa. Abracei o Nenê, e a turma foi chegando. Pelo menos desta vez, ia ter mais tempo de papear com os amigos. Mestre Joaquim, Regi Nat Rock, Dú Cardim, o conjun..., quer dizer, grupo, “Os Cheveteiros do Brandini” impecavelmente uniformizados com as cores da equipe, Milton Rubinho que, apesar do sobrenome está mais para Lance Armstrong, pois veio pedalando desde Sto. André, primo Marcelo Giordano, Marcelo Chamma, Rogério Tranjan, Henry Shimura, Saloma, o caro Edson Furrier, cuja família vem de Lucca, pertinho da “minha” Bologna, e tantos outros. Finalmente tive o prazer de conhecer pessoalmemnte o Roberto Zullino, elegantíssimo em sua jaqueta desbotada, como devem mesmo ser as de bom couro, por cima de um vibrante colete vermelho...
O tempo passou rápido, e já era hora da função começar!
Sabendo como é gostoso receber aquela munhecada de boa sorte ao sair para uma prova, cumprimentei a todos que pude, e fui me encaminhando para a laje sob o heliponto. De lá se tem uma excelente visão do miolo, desde o final da Reta Oposta, até, lá longe, o início da subida depois da Junção, além de uma nesga da reta na saída da Curva do Café. Sentei no paralamas dum “buggy” amarelo (resistente esse paralamas!), e junto com o Marcelo Chamma, o Milton, e o Nenê, me preparei para as emoções que viriam. Nunca imaginei que seriam tantas!
O carro madrinha se afasta ao final da volta de apresentação, e os motores rugem reta abaixo! Quem será que vai surgir na frente? Lá vem eles entrando no nosso campo visual. Cinco carros embolados disputando a primeira colocação! Malanga na frente, Gulla, João Caldeira, Fábio e Chambel. Caldeira vem voando, trava tudo, se enfia por dentro, passa, e parte para cima do Malanga. Todo mundo junto.

Mais atrás, com tantos carros, não há “buraco”, tem disputa para todos os gostos, em todas as categorias. Nem sei para onde olhar.
As “usinas” colossais do Malanga e do Gulla, fazem enorme diferença na retas. No miolo os Passat do Chambel e do Fábio grudam nos ponteiros. O Caldeira tem algum problema com o seu lindo Porsche Speedster # 46 e se retira.
O Fábio começa a fazer a corrida mais espetacular que já ví. Nítidamente inferiorizado aos Pumas (!) em potência, o Passat “marron avelã” # 75 se agiganta pela tocada magistral do Fábio.

Na retinha que antecede ao Laranja, o Fábio vem sempre a uns cinco ou seis carros de distância do ponteiro da vez. No Bico de Pato já está colado. Desce o Mergulho infernizando a vida do carro da frente, para travar tudo, enfiar por dentro, e sair na frente na Junção! Na reta, por mais que se esforce, é atropelado pelos “haras” dos concorrentes. Digo para mim mesmo: “Se numa dessas ele consegue resistir, não vai ter para ninguém.”

Numa dessas o Gulla derrapa num óleo derramado no Laranjinha, samba, atravessa, e sai da pista, não antes de colidir de leve com o Fábio que rodou com o toque. Com isso o Passatão se atrasa. Mas por pouco tempo! Lá vem ele de novo! Mesma sequência. Gruda no miolo, e dá show! Puro braço e garra do piloto. Não erra uma. O homem está impossível, guiando muito mesmo!

Algumas atravessadas, sambadas, e saídas de pista (Luque BMW # 53, Du Lauand Fusca #72, Tranjan Passat # 44, Jr. Puma #27) e um espetacular 360º de um Chevette rosa no tal óleo derramado, e a coisa segue. Nem dá para respirar!
Na penúltima volta, emoção máxima! Malanga vem subindo para a reta a pleno motor, disposto a recuperar a ponta. De repente, bem na nesguinha de visão que temos do Café, ele enche o muro! Voam peças, poeira e fumaça. Nota-se que o carro roda junto ao muro e bate novamente nele. Bandeira vermelha. Corre, corre dos fiscais. Nossas gargantas ficam sêcas, e o coração perde uma batida. A cena está um pouco longe demais para que se distingam os detalhes. O Natali, bom amigo do Ricardo Malanga, chora emocionado, a Jackie Della Barba o consola. A coisa foi feia...

O José Augusto lembra que a ambulância não foi acionada. O clima melhora. Primeiras notícias: O Malanga, impressionantemente, está bem! Ufa! Respiramos todos aliviados...
Vamos todos até o parque fechado e os destroços chegam de caminhão plataforma. O carro acabou! Acho que desta vez definitivamente. Foi a segunda panca violenta seguida em duas corridas. Sobrou também para o Fusca #87 do Tadeu Destro que foi atingido pelo Puma verde, e ainda levou uma roda voadora que lhe afundou a frente.

Valendo a volta anterior, o vencedor foi o Gulla, nosso campeão de 2009 da Super Classic por antecipação, Fábio em 2º., Malanga em 3º, e o Chambel em 4º.
Corridaço! A melhor até hoje.
Lembro ao André Mello que é falta de respeito ele se classificar e chegar à frente do irmão mais velho!
Vou me indo do autódromo, cheio de pressa para voltar ao trabalho, e vislumbro o Malanga saindo do banheiro. Parece bem. Me encaminho para ele, e vou pensando: “ O que dizer? O quanto tememos por ele? Sobre seu medo na hora da porrada? Como está passando? Abobrinhas do tipo: “Que susto você nos deu?” Ninguém merece! Cheguei junto dele, olhei-o bem nos olhos, apertei firmemente sua mão em silêncio, e segui meu caminho...
Hugo Borghi - Brasuca #71
Quarta, Ago 19, 2009
PAPO DE BOX - PASSAT #75

Meu caro amigo Saloma estou sempre te devendo e você sempre me cobrando os relatórios para o nosso “Papo de Box”.
Desde aquela última corrida na chuva, a penúltima etapa que você me cobrou, tive um probleminha de saúde, nada muito sério, e acabou passando em branco. Mas nunca é tarde.
Depois daquela última etapa aquática, que foi muito legal, guardamos o carro e não fizemos absolutamente nada até a última quarta-feira (12/08/09), véspera de corrida, só limpamos o carburador, trocamos filtros e óleo e já estamos prontos! Porém sem muita expectativa. Por quê? Tem gente crescendo muito como o Chambel, os Brandinis e seus Chevette, os Super Pumas, BMW e também a Porsche do Paulo Souza, e como não fizemos nada de melhorias, achamos que íamos apenas participar, certo?! Nãooo! Andamos bem na sexta, virando na casa dos 2,01baixos, criando-se assim uma boa expectativa.
Na sexta à tarde, o carro apresentou uma vibração estranha, fomos ver pneu dexapando... Fodeu! Orçamento apertado. Mas para minha surpresa, um grande amigo (Renato) que me acompanhou por toda à sexta, insistiu em me dar os pneus novos. Aceitei, compramos e fiz um rolo com o Marcelo Monte, do Passat #37, que me deu os seus novos, lixados e ficamos aguardando o sábado.
Na classificação nem chegamos perto do tempo que tínhamos virado, acho que pelo fato do pneu ser novo e nem ter rodado direito, tinha que acentar mais. Ficamos na expectativa de uma corrida morna, mas não foi nem perto de ser morna, e como você mesmo disse junto com o Hugo Borghi, o texto da corrida é de vocês. Fiquem a vontade!!!
Um abraço
Fabio Coelho - Marrom Avelã #75

Fabio, depois de sair em quarto, foi galgando posições e no braço. Os Passats, inferiorizados na cavalaria de reta, recuperavam no miolo e se empenhavam em segurar na reta. Aí, lado a lado com Malanga na subida dos boxes...


Lado a lado com Malanga...

...e segurou o cabra na reta oposta, e alinhava o Gulla na mira!

Coloca ao lado na primeira perna do "Laranja", e já com mais de meio carro...

...leva uma panca do Gulla que perde o carro, derrapa no óleo, mas segura demais a barata e não a solta para a área de escape e com a traseira solta, tentando contornar a curva, o caminho natural é para dentro. E não deu outra, colidiu com o Passat de Fábio, tirando-o do lugar mais alto no pódio. E digo, Fabio passando o Gulla, tomaria uma distância até o "Café", mesmo porque Gulla com Chambel e Malanga na cola, teria muito mais preocupação em manter a posição, do que atacar o Passat #75. E posso dizer que a muito não via uma disputa pelas primeiras posições tão emocionantes e com um final inesperado. Para nossa alegria, logo descobrimos que Malanga, só teve arranhões no braço e fica o registro para os pilotos, que participam da Classic Cup, que o perfil da categoria não é fazer carreira e sim diversão, com a gravidade do acidente, um mínimo de decência ao respeito se faz necessário! E não foi o que presenciamos...é isso!!
Saloma
Sábado, Ago 08, 2009
PAPOS DE BOX - BRASILÍA #71
11ª. Corrida – Interlagos 02-08-2009
Preliminar da 500 Quilômetros de São Paulo(extra-campeonato)
Meu Deus que saudades!
Por motivos de trabalho não pude participar das tres últimas etapas do nosso campeonato. Uma vez que não o estava mais disputando, preferi correr essa preliminar dos 500 km pela bela festa que sempre costuma ser.
O Nenê havia levado o carro para a pista com antecedencia para poder testar tudo direitinho, e evitar que eu perdesse mais uma viagem para São Paulo sem poder terminar uma prova por algum problema mecânico. Infelizmente a semana foi toda de chuva e o carro ficou alí paradinho no box. Foi porém ajustado e revisado com todo o carinho. O motor fora remontado pelo Fábio, e de pistôes e bielas novas, aguardava por sua estréia. Quem iria estrear também seria a tal barra estabilizadora dianteira sugerida pelo Bob Sharp e que fora finalmente produzida e instalada pelo Jorge.
Chovia em Sampa e no Rio. Na sexta de manhã ás 6:00 hs. ligo para o Nenê. Ele me avisa que a chuva está forte e que não há sinais de melhora. Combinamos matar o treino de sexta a tarde, e fazer só o de sábado pela manhã. Volto para a cama, mas cadê sono! Me visto e parto pela via Dutra debaixo d’água. Depois da neblina da Serra das Araras a coisa melhora um pouquinho. Chego em São Paulo e vou direto para a pista. A chuva havia parado mas só uma meia dúzia treinou. Todo mundo com tempo alto. Não perdi grande coisa. A LF estava presente “au grand complet”, com todos os seus carros no box # 20. Aproveitei meu tempo para visitar os bólidos que iriam correr os 500 km. O amigo Roberto Aranha, team manager do Ford GT número 12, gentilmemnte me levou para conhecer o carro. Que espetáculo! 580 cv que, segundo ele, gastam menos combustível do que os Porsche. O consumo é monitorado diretamente nos bicos de injeção individualmente. Este é o chassis # 2 da Matech, fabricante suiça do carro. Quando perguntei se o carro era mais traseiro ou mais dianteiro, ele me respondeu: “ Como você quiser que fique. Tem regulagem para tudo”. Infelizmente se retiraram da prova na 46ª. volta por problemas mecânicos.

Fui para o hotel, jantei e me meti na cama feliz da vida de estar novamente em Interlagos às vesperas de mais uma prova.
Sábado, quando toca o despertador às 6:30, pulo da cama e vou até a janela para checar o tempo. Ôba, sêco!
Chegando na pista, a melhor parte! Ir reencontrando e abraçando os amigos e colegas que vão chegando.
Quero ser um dos primeiros a ir para a pista assim que esta for liberada. Afinal, tenho muito o que fazer. Aprender como o carro está de chão com a nova barra, o novo câmbio, e o novo motor!
Regulamos o “shift light” para só 5.800 RPM e lá vou eu. Primeira volta lenta e a segunda um pouquinho mais rápida. Dá para sentir que de chão o bichinho está uma delícia! Completamente neutro, é só apontar na curva e dar gás que ele obedece docilmente. Perfeito!

Na quarta volta, logo na saída da Curva do Sol, a pleno motor, a cabine se enche de fumaça! Não enxergo mais nada, parece que tá pegando fogo! Olho pelo espelho mas não há chama alguma. Devagarzinho sigo reto na descida do lago, encosto na cabine do bandeirinha lá longe, e desligo o motor. A fumaça se dissipa e peço que o bandeirinha dê uma olhada na traseira do carro. Ele volta e diz que está tudo sêco, sem vazamentos e tudo aparentemente normal. Dou a partida e um barulhinho de latinha moendo se faz presente. Vou bem devagarzinho até o box e paro. Parece ser a bomba de óleo, e é mesmo. Pronto! Mais uma vez sem motor...
Mais desanimado do que eu ficou o Nenê. Mas só por uns instantes. Com a garra de sempre dos mecas, e a providencial gentileza, também de sempre, do Rogério Tranjam, ia ter motor para correr no domingo. Ficaria porém de fora do treino classificatório de sábado á tarde, e por isso, largaria em último. Ora, só largar já ia ser uma vitória! Nenê com seu Corcel II fez a pole virando em 2:01.709. Em oitavo um lindo e surpreendente Fusca laranja 1.4 a ar com 2:07.125. Bem, não tão surpreendente assim se levarmos em conta que o carro foi preparado pelo Della Barba, e pilotado pelo José Augusto, 7 vezes campeão da Speed...

Logo após o treino de classificação, como de hábito, vamos para o briefing. Foi uma farra. Estavam todos de bom humor e foi muito divertido. Alguém propôs que houvesse a entrada do safety car na sexta volta, como se fazia antes de 2008. Como era uma prova extra-campeonato todos concordaram. Inclusive eu, que nunca havia tido essa experiência e queria experimentar. O Ernesto, nosso diretor de prova, foi enfático em explicar que na re-largada, depois da saída do safety car, e mesmo após a luz verde acesa, os carros deveriam manter suas posições até cruzarem a faixa branca logo depois da cronometragem, caso contrário, seriam sumáriamente desclassificados.
Às 4 hs. da tarde o motor “novo” já está instalado. Obrigado ao Magrão, Marconi, Rafa, Fábio, Nenê, e a todos os demais que meteram a mão na graxa para aprontar tudo a tempo. Agora é só esperar, ansiosamente, pela prova de amanhã. Bons papos com os colegas, e com Mestre Jóca e Saloma. Onde anda o Ceregatti? Tempo sêco mas céu pesado.
Domingo amanhece bom. Pinta até um solzinho. Muita movimentação na chegada ao autódromo, que está todo embandeirado e enfeitado. Bastante gente indo de lá pra cá no pit lane. As arquibancadas, infelizmente, vazias...
Chega o Rodrigo da Motorez Velozes, e instala a camera on board. Largando em último deve dar para filmar umas ultrapassagens. Surpresa! Não sou mais o último.
Aparecem para correr o caro amigo Marcelo Chamma do rapidíssimo Puma número 3 também da LF, e um tal de Harmel com um Passat laranjão cor de fogo, com o número 30, de outra equipe. Explico para o Marcelo que haverá safety car, e transmito as recomendações do diretor da prova quanto á re-largada.

O Fábio zelosamente me recomenda sériamente: “Vai de olho na pressão do óleo. Se baixar de 2 kg. encosta e para imediatamente.” OK. Ainda mais que o motor é emprestado.
Todos prontos, formamos aquela fila meio desorganizada no pit lane com todos os carros saindo dos boxes ao mesmo tempo enquanto a pista ainda não foi liberada.

Mãos amigas vem desejar boa sorte enquanto aguardamos a bandeira verde. Checam as luzes de freio e um fiscal abre a porta do passageiro e retira o pino trava do extintor. Boa medida. De repente a fila anda. Saio para a pista e dou uma nova passada pelos boxes antes de alinhar avisando com o polegar para cima aos mecânicos que tudo está funcionando direitinho.
Na hora de alinhar o Marcelo Chamma pára o seu carro na minha posição, junto ao muro dos boxes. O fiscal empurra seu carro para uma posição atrás, na linha de fora, junto às arquibancadas. Atrás de mim agora, se posiciona o Passat vermelhão número 30. Antes tivesse ficado como estava. O meca Milton vem me fazer companhia no grid. Placas de cinco e de tres minutos. Os motores voltam a roncar. O safety car finalmente se movimenta e nós o seguimos. Lá pelo mergulho vamos nos ajeitando para a largada lançada. Subimos o Café já todos juntinhos, e vou dozando com o pedal da direita, com a segunda marcha enchendo aos poucos, aguardando o melhor momento de acelerar fundo. No hotel, na véspera, traçara minha “estratégia” de largada: Acelerar fundo e ultrapassar o Lada do Flávio que estava posicionado á minha frente, e mais uns dois ou tres pelo menos. As outras “vítimas” seriam o Jr. no Puma branco, o primo no Fiat 147, e quem sabe, o Rogério no Passat Trovão azul 44. Na pratica, deu tudo errado! No momento em que pensei em pisar fundo para colar no Lada e, instantes antes da bandeirada, um vulto vermelhão me passa pela esquerda rente ao muro, queimando escandalosamente a largada, e se colocando bem na minha frente, “empurrando” o Flávio que havia feito uma partida espetacular.

Com isso o Flávio se foi, assim como quase todas as outras “vítimas” programadas. Deixo para trás um Fusca de número 177 e o Puma do Jr, e descemos o S do Senna emboladíssimos. Com toda a sua experiencia de heptacampeão, o José Augusto fica calmamente para trás esperando a coisa clarear. O Marcelo Chamma já me ultrapassara, e seguia como um raio. Fiquei preso atrás do Passat do 147 do primo e assim descemos a Reta Oposta. Na freada do Lago passei pelo primo. O José Augusto nos levou a todos com seu Fusca antes do Laranjinha! Fui chegando no Trovão Azul, mas cadê espaço? Na saída do S do miolo e do Bico de Pato o motor rateava e perdia força para logo em seguida embalar de novo. Mesmo assim consegui me livrar do Trovão, e fui para cima do Flávio. Fizemos a Junção colados e daí os cavalinhos a mais da Brasa deixaram o Lada para trás na subida do Café. Largara em 14º., e fechei a primeira volta em 11º. Em algum lugar o Marcelo Chamma rodou, pois de repente estava grudado na minha cola novamente! Fecho a porta daqui, alargo dalí, mas nada feito. Na freada da Junção ele vem por dentro travando tudo, no meio da maior fumaceira, e bota por dentro. Derrapa, alarga a trajetória, quase que vai pro espaço, mas ainda assim sobe a ladeira na minha frente. Não me recordo em que ponto da pista foi, mas também passei o Passat vermelhão.

Vou á caça do Magnussen no Puma número 99 preto. Pouco a pouco vou chegando nele, e na sexta volta quando saio para a direita para ultrapassá-lo na altura da entrada dos boxes.... bandeira amarela! Hora do safety car. Tenho que frear forte para não passar por ele, e formamos uma fila indiana. O vermelhão novamente atrás de mim, hmmm... A turma vai se juntando, e já vamos subindo o Café para a re-largada. Se a primeira queima de largada do Passat vermelhão número 30 do Harmel foi escandalosa, desta vez, foi indecente! Ainda nem bem haviamos entrado na reta e ele já passava todo mundo desembestado.
Agora eu me pergunto: Porque será que o Ernesto que havia sido tão enfático no briefing quanto às punições para uma eventual queimada, nada fez? Seria por que era uma prova “festa”? Ah, sim! O Harmel não participou do briefing, portanto pode-se imaginar que não fez por mal. Ué? E pode correr sem ter feito o briefing? Não sei. Mas foi uma bela zona de fiscalização, isso sim. Botei o braço para fora e gesticulei frenéticamente bem em frente da cronometragem. Fiquei tão desconcertado com isso que cheguei a errar o engate da 2ª. marcha na redução para o S do Senna. O Puma preto abriu e o vermelhão se foi... Teria sido melhor para mim que não tivesse havido safety car nenhum. Num certo momento o Marcelo Chamma me ultrapassa novamente! Deve ter rodado. Daí para a frente a pressão do óleo começou a cair e comecei a meneirar de olho no relojinho. De 4 kg. Foi para três, de três para dois e meio, e continuava a baixar lentamente, volta após volta. Na penúltima, lá pelo miolo, encostou nos 2 Kg. e tirei o pé de vez. O Marcelo Chamma “pião laranja” me passa pela terceira vez! Entrei na Curva da Junção pensando em ir para o box. Nem foi preciso. O motor apagou e só deu para sair para a graminha pelo lado de fora mesmo, num ponto super perigoso. Veio logo um Jeep do resgate e me rebocou para o lado oposto, em segurança. Nem desenganchou, pois foi só esperar mais uma volta, e a brincadeira acabou. Cheguei rebocado e com a correia solta.
Mais uma, ou seria menos uma...?
Apesar da frustração, teve pódio, troféu, e aquela coisa gasosa engarrafada para todos da Divisão 3.
Recebi minha taça das mão do Chiquinho Lameirão, uma honra!

Apesar de tudo, me diverti e valeu a pena. Afinal, foram 3 etapas sem competir. Por falar nisso, que falta que faz treinar e estar afiado. Estava pelo menos uns 2 segundos mais lento que meus tempos “normais”, apesar do carro estar formidável em matéria de estabilidade. Com o “chão” definitivamente resolvido, agora só falta mesmo consertar o motor e “afinar” o braço!
Hugo Borghi
Brasília#71
Quinta, Ago 06, 2009
PAPOS DE BOX - OPALA #43
Caros, nossos "Papos de Box" são bastante democráticos. E pinga na Cx. Postal do boteco o texto de um cabra que voltou a esquentar a pneuzada em Interlagos, mas na categoria Clássicos de Competição, com um belo Opala de numeral #43 (será o Richard Petty, brasuca). Bom vamos ao depoimento do Alcindo "Petty" Moreira.
Estou de volta!!!
Foi essa a frase que me veio a cabeça quando sai do Box em direção a minha primeira volta no “novo” traçado de interlagos, domingo durante o warmap da clássicos de competição.
Na mocidade,já tinha minhas baratas Chevrolet Fletmaster,Simcas,DKWs e outras maquinas para participar das competições,Campinas,Piracicaba,Araraquara,São Paulo, mas fui muito tempo fiel aos Dauphines e Gordinis...

...na qual mantinha uma mecânica preparada, que era rapidamente substituída no carro num fim de semana de corrida. Dai comecei a me envolver mais e mais e como os automóveis estão no meu oficio, e as corridas sempre caminharam junto, nos anos 70 e meados dos 80 estive tão envolvido que fui preparador, instrutor de pilotagem e competindor.
Participei da batalha dos preparadores e pilotos por uma alternativa de combustível para se poder correr no Brasil, em plena crise mundial do petróleo, e o automobilismo contribuiu muito no desenvolvimento do álcool como solução viável.
No inicio me referi ao traçado “novo”, porque pra mim era novo, já que não acelerava nada naquele asfalto desde o final da temporada de 1988, quando pendurei o capacete a bordo de um Fusca Speed #43 no auge da categoria...

...onde chegavam a alinhar praticamente 40 carros...Depois disso, por vários motivos, abandonei as corridas e raramente ia a Interlagos. Meus filhos que sempre me acompanharam, inclusive na profissão, vieram certo dia com uma conversa fiada de preparar um carro de corrida antigo para participar de alguns rallys de regularidade, subida de montanha,etc, não dei importância, mas um tempo depois, olhei para um canto da oficina e vi uma Carretera Ford V8 e uma Carretera DKW voltando a vida, balancei, e comecei a me envolver..., tanto que quando surgiu o convite pra fazer parte do grid da clássicos de competição, não exitei... “Estamos dentro!“

E em tempo recorde, ganhei esse Opalão pra voltar aos bons tempos, tanto que durante as primeiras voltas eram tantas as sensações (nostalgia,adrenalina,tensão,etc) que saí até meio “embriagado” do treino.

Depois, recomposto, fui para a prova e ai foi só alegria, revivendo meu passado e aproveitando o presente. Acredito muito que a categoria se fortalecerá cada vez mais, pois tem um ingrediente único...a proposta de proporcionar prazer em se estar lá , coisa que naturalmente não existe em categorias mais “profissionais”.

Mas, acima de tudo, faz pensar, estou na casa dos 60 anos, tenho um carro que me lembra uma ótima fase de minha vida, faço parte da Copa Clássicos de Competição e ainda posso correr ao lado dos meus filhos...claramente, esse ano tenho um dia dos pais muito especial!
Alcindo Moreira
Opala #43
Terça, Ago 04, 2009
PAPO DE BOX - BRASÍLIA #71
8ª. Corrida – Interlagos 25-01-2009
Preliminar da Mil Quilômetros da Cidade de São Paulo (extra-campeonato)
Em dezembro de 2008 os pilotos receberam um e-mail do Toninho de Souza que, além de proprietário da Escola de Pilotagem Interlagos, era quem organizava as provas de endurance no Brasil. Ele nos convidava a participar da preliminar do GP Cidade de São Paulo de 2009, uma tradicional prova de 1.000 quilômetros, e um dos eventos que fazem parte das comemorações oficiais do aniversário de 455 anos da cidade.
A prova foi marcada para o dia 25 de janeiro, quase um mês antes do início do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, no qual está inserida a nossa categoria, a antiga Superclassic, depois Históricos de Competição, e hoje, por fim, Classic Cup.
Geralmente quando fazemos uma preliminar, corremos no sábado, um dia antes do evento principal. O bacana dessas corridas preliminares é que acontecem no domingo, pouco antes da largada dos eventos principais. Com isso, as arquibancadas estavam cheias, e o autódromo repleto de cores, ruídos, e de vida.
Em comparação com nossos grids habituais de 30, e de até mais de 40 carros, este com só 18 carros foi meio magrinho, o menor até então. Muitos dos pilotos que disputam o campeonato, visando o título, não correm em provas extras como esta. Outros, não tinham ainda seus carros prontos, pois final de ano, é tempo de se mexer neles, revisar, abrir motor, pintar, etc...
Cheguei em São Paulo na sexta lá pela hora do almoço, e fui direto para Interlagos. A estrada estava boa, apesar de alguns trechos com chuva, e um peguinha com um Toyota Camry, desde o topo da Serra das Araras até a entrada da Ayrton Senna, ajudou a passar o tempo.
Bem disposto e animado, sentei no Brasília para o primeiro treino de sexta feira, as 16:30 horas. Estava com saudades.

O Nenê pouco a pouco, a cada corrida, vai tirando a cambagem negativa da traseira para poupar a caixa de câmbio enquanto não fazemos uma mudança mais drástica no conjunto. O carrinho estava por isso meio difícil de guiar desta vez. Muito arisco nas curvas. Não apertei demais, e marquei 2:08.644, tempo bastante razoável dadas as circunstâncias, mas nada de especial. No treino livre de sábado pela manhã virei novamente 2:08, e achei que tinha um barulhinho esquisito vindo lá de trás. Não dava para identificar direito. Parecia algo raspando, metálico. Apertaram a tampa que cobre o motor, mas não melhorou muito. Pedi ao Nenê que aproveitasse os minutos finais do treino, e desse umas voltas com a Brasinha para sentir melhor a coisa. Ele é de longe, o melhor piloto da categoria, guia muito mesmo. Como já disse antes, foi campeão em 2004, duas vezes vice, e treina regularmente com todos os carros da equipe. Marcou 2:06.434. Fiquei muito satisfeito de ter ficado só 2 segundos atrás dele. Também achou o carro nervoso demais, e difícil, e mandou alinhar as rodas traseiras. Apesar de não estar nas condições ideais, além desse alinhamento que corrigiu uma ligeira instabilidade nas retas, não fizemos qualquer outra modificação para a classificação e a corrida.
No treino de classificação às 14:30 marquei 2:08.479, e fiquei com a 5ª. posição para a largada. Caso tivesse virado no mesmo tempo obtido pelo Nenê, ficaria em 4º.
Fui para o hotel, comi um sanduíche e me meti na cama cedo, pois a essa altura do campeonato, estava todo moído e bastante cansado. Choveu à noite, mas o tempo amanheceu bonito.
Descansado, fui tomar café da manhã no salão do hotel, sentando numa mesa ao lado dos simpáticos irmãos Sermann, da equipe Poliservice, campeões lá do sul. Não os conhecia pessoalmente, mas como entreouvi que o assunto era gasolina, começamos logo a papear. Um iria participar da prova de endurance com um protótipo Spyder, e o outro, o Algacir, disputaria conosco de Fusca. Gente boa, e que se prontificou a arranjar uma prova da Classic Cup em Curitiba, em setembro ou outubro, quando Interlagos fechar para as obras anuais de preparação para a F1. Vamos ver.
No caminho para a pista parei na Sparco para comprar uma balaclava nova, pois a velha, apesar de bem lavadinha, estava um horror de encardida. As luvas, coitadas, já estão também pela bola sete, mas ainda vão ter que aguentar um pouquinho mais...
No portão 7, coisa raríssima, estava o maior trânsito para entrar! Com as provas de regularidade que iam acontecer, tinha carro pra chuchu. Bem na entrada do portão, fiquei atrás de uma pick-up Ford 350, daquelas levantadas, e com uns rodões enormes tipo “big-foot”. Na frente dela, um fusquinha anos 60, lindinho. No anda e para da fila indiana, o camarada da pick-up monstruosa não viu o Fusquinha parar, e subiu nele até o vidro traseiro! A parte de trás do carrinho ficou parecendo com uma barata pisada. Completamente achatada. A cara do dono dava dó...
Chegando no box 21, reparei que o pessoal da Motores Velozes já havia prendido a câmera de vídeo nas ferragens do Sto. Antônio, nome carinhoso da gaiola de proteção.
O querido amigo-comparsa Luiz Salomão, me presenteou com o recém lançado livro do mestre Bird Clemente, “Entre Ases e Reis”, contendo uma carinhosa dedicatória desse ícone dos anos dourados do automobilismo brasileiro. O Saloma já havia anteriormente, quando colheu a preciosa assinatura do autor no livro, me ligado de São Paulo, e colocado o Bird ao telefone. Me emocionei ao poder trocar algumas palavras com o meu ídolo de infância. Nunca poderia imaginar que isso um dia isso ocorreria!
Fui um dos primeiros a ir para a pista quando abriram os boxes, e dei duas voltas antes de alinhar. O barulho esquisito, e intermitente, continuava a incomodar. Fazia um calor infernal.
Demorou um bocado para levantarem a placa dos 5 minutos, e fiquei bem quietinho, pois o calor dentro do carro parado no sol estava quase insuportável. O Rodrigo da empresa de filmagens apareceu, e ligou a câmera “on board”. O público lotava as arquibancadas e fazia a maior algazarra. Bacana.
Finalmente começam os procedimentos de largada. Fizemos nossa volta de apresentação, e bem alinhadinhos como havíamos prometido ao diretor da prova no briefing, largamos.
Largada normal onde cheguei na última curva fechada do traçado, a da Junção, sem ultrapassar ninguém, e sem ser ultrapassado.
Aí começou o drama!
Na saída da Junção, não sei por que, o motor deu uma afogada! Demorei uma fração de segundo para entender que aquela falta de potência não era a “normal de sempre”. Coloquei uma segunda marcha, e segui pela subida afora, enquanto três carros passaram por mim voando. O primeiro foi o Ricardo Magnussen com seu Puma preto de bico laranja. Logo em seguida, o Tranjan no seu Passat “Trovão Azul”, e em seguida, na Curva do Café, o Du Lauand no seu Fusca azul e amarelo também passaram. Sempre ouvira falar da importância de se fazer a Junção bem feita, para poder sair com potência reta acima. Mas sinceramente nunca imaginei que fosse assim “tão” importante! O que se perde ali vai refletir por toda a reta, até chegar na freada do S do Senna. Impressionante! Tanto é que, pela altura da entrada dos boxes o piloto-maluquinho do Passat branco número 50 também me ultrapassou por fora, e logo a seguir, o Passat # 21 do Bráz, fez o mesmo por dentro. A Brasinha parecia um táxi procurando freguês!
Confesso que subi a reta murcho, na maior desanimação. Cheguei a colocar as duas mãos na alma do volante, como se estivesse passeando...
Contornei xôxo o S do Senna, mas no Sol, tive a impressão de que o carrinho começara a andar mais rápido novamente. Será? Vamos então tentar seguir o Bráz. Desci a Reta Oposta uns cinco carros de distância atrás dele. Na Curva do Lago cheguei um pouquinho mais perto. No Laranjinha ele abriu demais a curva, e cheguei de vez. Contornei o Pinheirinho colado, e ele se distanciou um pouquinho no Mergulho. O Passat estava melhor de motor do que o Brasília, mas pior de chão. Muito ruim mesmo. Na Junção cheguei a botar por dentro, mas ele abriu subindo o morro. Na Curva do Café ele esparramou tanto que chegou até a sair com as rodas da direita na terra, bem juntinho ao muro da arquibancada, levantando poeira e assustando tanto a platéia, quanto a mim. Por muito pouco não dá de lado no muro a plena velocidade. Sem dúvida estava com sérios problemas de estabilidade. Por conta disso colei nele na Reta dos Boxes, e na freada do Senna emparelhei por dentro, saindo do S na frente.

Tenho certeza de que o Bráz, sabendo das suas dificuldades, não tentou com muito ênfase dificultar a ultrapassagem. Um perfeito “gentleman”. Mais animado desci embalado pela Reta Oposta, e já avistava, na distância, o Passat # 50, e o Fusca do Lauand embolados. Na volta seguinte colei neles na Curva do Lago, e na freada do S do miolo, botei por dentro e ganhei a posição do Fusca.
Mais uma vez, contei com a correção do piloto que ia á frente. Afinal somos de categorias diferentes, e ele não tinha como saber que meu carro estava tão “capenga” de saída de curva. No Bico de Pato encostei no piloto-maluquinho. Não tive muito problema para ultrapassá-lo, pois na saída da Junção ele se perdeu sozinho, e saiu da pista. Oba! As coisas estavam melhorando. Mais uma volta, a quarta, e feita no capricho, reduzo mais uma vez para fazer a Curva do Lago e dou gás na saída. Nesse exato instante, o tal barulhinho que vinha incomodando desde a véspera, virou um barulhão. Lá se foi a caixa de câmbio mais uma vez...! Podia sentir as engrenagens triturando. Dava pena. Aos trancos e barrancos, bem devagarzinho, fui tentando levar até o box. No laranjinha o Lauand me passou novamente por fora. No Bico de Pato, não sei o que o piloto-maluquinho arrumou, mas cruzou bem na minha frente, subiu na zebra de fora, e saiu da pista dançando pela grama! Enquanto contornava lentamente o Mergulho, pude ver que ele seguia pela grama, paralelo a mim, até que parou. Comecei a subir a reta de olho no retrovisor e procurando fazer um traçado que não atrapalhasse ninguém, mas só consegui chegar até um recuo a esquerda, e encostei atrás de uma pilha de pneus, bem abrigado. Fim de prova. Uma pena, pois já avistava o Passat azul do Rogério, e dali a pouco, provavelmente, também o ultrapassaria.
Como só tinham sete carros inscritos na Divisão 3, e um deles havia quebrado na primeira volta, mesmo não tendo chegado, me deram um troféu, uma garrafa de suco de frutas gaseificado, e o direito de subir no pódio.

O locutor do evento se esguelava, incentivando o povo que, aplaudia e gritava. Mesmo quando passei rebocado, após o término da prova em direção aos boxes, a galera aplaudia de pé. Acenei de volta em agradecimento. Uma beleza de festa, apesar do desânimo que sentia.
No final das contas, para efeito de colocação, não faria muita diferença se não tivesse quebrado, pois chegaria no máximo em quinto, à frente do Braz, que com o carro ruim a beça, assim mesmo acabou terminando.
As imagens das ultrapassagens feitas pela câmera on board ficaram bem legais.
Conversei longamente com o Nenê, e com o Jorge Jr., a respeito das quebras constantes do câmbio. O Jorge foi o responsável pela construção do chassis do Óbvio, o carro urbano desenhado pelo Anísio Campos que tanto sucesso fez nos EUA há alguns anos, e conhece tudo sobre o assunto. Chegaram a conclusão que deverá ser feito um novo berço para o conjunto motor e caixa, mais alto. Isso permitirá abaixar mais ainda o carro como um todo, sem forçar a caixa. O Jorge está também finalizando a feitura da barra estabilizadora dianteira, aquela sugerida pelo Bob Sharp, e que será instalada em breve. Um disco de cerâmica será providenciado para a embreagem, assim como um par adicional de amortecedores traseiros. Vamos aproveitar que não poderei correr na próxima prova por motivos de trabalho, para fazer essas modificações.
Hugo Borghi
Sexta, Jul 31, 2009
PAPOS DE BAR - CHEVETTE #8
Esse é um papo diferenciado, mesmo porque quando uma turma de loucos por velocidade se reune no bar, vem histórias. Portanto esse post será "Um papo de Bar", dos mais divertidos e prazerosos. Tanto que vamos nos render e marcar muitos outros! Vai o vídeo, e a identidade dos loucos virá com os comentários, e depois entramos no papo de box, já conhecido da galera...
PAPO DE BOX - CHEVETTE #8
Em primeiro lugar gostaria de me apresentar: Meu nome é Adriano Lubisco, tenho 35 anos e desde pequeno sou apaixonado por corridas, mas somente no final de 2007 iniciei minha “carreira automobilística” correndo as 2 últimas etapas da Classic com o Chevette #8, ano 1976 com motor 1.4.

Incentivado pelo meu amigo de infância Fernando Mello, que tinha acabado de montar um Chevette 1.4 e pelos depoimentos do Flávio Gomes em seu blog sobre suas corridas com DKW #96, resolvi procurar um carro para entrar nessa turma.
Encontrei o carro no início de 2007, totalmente desmontado e levei a oficina dos irmãos Brandini, onde durante 6 meses o Márcio Brandini transformou uma carroceria e um monte de peças em um verdadeiro carro de corrida. Era o ponto de partida para realização de um sonho, correr em Interlagos!
Fiz essas duas etapas em 2007 e todo campeonato de 2008 com o motor 1.4, mas pelo número cada vez menor de competidores nessa divisão, optamos por colocar um motor AP 1.9 para andar na D3, com mais carros e “pegas”.
Acho importante falar um pouco de nossa equipe, hoje chamada SCUDERIA BRANDINI. Os irmãos Brandini são os donos da oficina; o Márcio cuidando da parte técnica e o Ricardo da parte administrativa; contando também com o Val, Junior e Alex mecânicos que tratam nossos carros com a maior competência e carinho.
A equipe começou em 2007 com apenas um carro e com menos de dois anos de atividade na pista já estamos com 7 carros, todos Chevettes, sendo 3 com motor 1.4 e 4 com motor AP.

Após um início de ano de adaptação ao novo motor e de constante aperfeiçoamento do carro, foi nesta 7.º etapa que consegui meu melhor resultado até agora na categoria, vamos aos detalhes.
Sexta feira, 24/07/09, treinos livres
Cheguei a Interlagos às 7:30 da manhã com frio e muita chuva, e a primeira dúvida apareceu, estávamos com pneus novos e lixados e não tínhamos jogos reservas em bom estado, conversamos um pouco e decidimos: vamos com os lixados mesmos.

No primeiro treino com muita chuva dei umas 10 voltas e me senti muito confortável com o carro e a pista, fazendo o melhor tempo em 2:27 alto, mas como na sexta não temos cronometragem oficial, fiquei sem parâmetro em relação aos outros carros. Conversando com meus companheiros de equipe o tempo parecia estar razoável.
No treino da tarde a forte chuva virou garoa, mas a pista ficou muito pior, um verdadeiro sabão e meu melhor tempo foi 2:30.
Sábado, 25/07/09, treino oficial
Como de costume cheguei ao autódromo cedo, por volta das 7:00 h., debaixo de muita chuva. Comentei com meu amigo e companheiro de equipe Alexandre Chaud (Chevette #36), “acho que hoje vai ser bom”. Há algum tempo estava esperando uma corrida na chuva, pois só assim podemos equilibrar a disputa com os carros mais rápidos, que além de motores com até 60 CV a mais, muitos possuem cambio escalonado, amortecedores e molas especiais entre outras melhorias, que ainda não temos.
Fui pra pista assim que a liberaram, fiz a primeira volta de aquecimento e abri a segunda volta confiante e me divertindo com a dança da traseira do Chevette, tempo 2:26.997. Na terceira volta percebi que dava para arriscar um pouco mais, tempo 2:26.357. Quarta volta, procurei acelerar mais cedo na saída do Sol e entrar na oposta mais rápido, Laranjinha por fora, miolo sem erros e na junção forcei um pouco mais para entrar na reta forte, então a traseira deu sinais de alerta, mas ainda assim consegui 2:25.446.
Como não tinha a menor idéia da posição de largada que esse tempo me daria, pensei em forçar um pouco mais. Vindo de motor cheio em 3.º na troca para 4.º, na curva do café, a traseira abanou pra fora e me deu um enorme susto, pois bater neste local pode ter conseqüências muito sérias, principalmente se ficar atravessado na pista. Percebi que era meu limite.
Fui o primeiro a chegar ao pátio fechado e enquanto o treino continuava fui até meu Box, chegando lá os mecânicos vieram correndo e mostrando na mão o número 1, não entendi direito e o Ricardo Brandini falou “você está na pole, vamos ver os tempos na televisão no Box vizinho”. Fiquei mais alguns minutos tentando ver alguma coisa no meio dos “chuviscos” da tela até o final do treino. Ainda meio incrédulo fui em direção a torre para o briefing. Este momento foi muito especial para mim, pois quando cheguei fui recebido com muita alegria, abraços e cumprimentos pelos pilotos e preparadores. Agora estava confirmado, era minha primeira pole position!
Sábado, 25/07/09, Corrida
Nesta etapa ficamos quase 4 horas esperando entre o treino e a corrida, mas a SCUDERIA BRANDINI aproveitou para fazer algumas ações para dar mais visibilidade a nossa categoria. Levamos modelos para distribuir Cards, com fotos e informações de nossos carros e pilotos; um Banner gigante para enfeitar o Box e um espaço com comida e bebida para os convidados. Essas ações são simples e mesmo com o clima não ajudando tivemos uma ótima resposta.
Durante essas 4 horas estava muito ansioso, tanto pela responsabilidade de largar pela primeira vez na pole quanto pelo acidente do Felipe Massa, do qual não tínhamos muitas informações.
Box aberto! Entro no carro, capacete, cinto, luva tudo pronto...putz, esqueci de ligar a câmera on board. Solta tudo de novo, coloca a câmera, capacete, luva, cinto....
Vamos para pista! Fui em direção ao grid, sentindo que a pista estava mais seca que no treino, o que não necessariamente significa que esteja melhor. Vou entrando pelo meio dos carros e me posiciono na primeira posição pelo lado do muro do Box. Desligo o motor, procuro me concentrar, mas olhando pelo retrovisor quase 30 carros atrás de mim, não foi uma tarefa muito fácil. Nessa hora minha cabeça ficou a mil por hora e o nervosismo aumentou ainda mais.
Então o Val, nosso mecânico, se aproximou e me falou “Faz o melhor que você conseguir, mas não queira ser um herói.” Essas palavras podem parecer simples, mas para mim, naquele momento, foram como um calmante e consegui me tranqüilizar.
Placa de 5 minutos! Motor ainda desligado e confiro se estou bem “amarrado” dentro do carro.
Placa de 3 minutos! Ligo o motor, a temperatura vai subindo.
Placa de 1 minuto! O coração bate rápido e acelero mais forte o carro em marcha lenta, agora é concentração total.

Abaixo a viseira, engato a 1.º marcha e vamos para a volta de apresentação. Já no S do Senna, percebo que não da para ficar com a viseira fechada, estava embaçando demais, então vamos com ela aberta mesmo. Chegando à junção o safety car reduz a velocidade, a minha direita o Passat #57 do Antônio Chambel, na fila de trás outro Passat, o #75 do Fábio Coelho e a Puma #51 do Gulla. Na entrada dos Box o safety car sai da pista, fico de olho no sinal, luzes apagadas, bandeira verde, agora é pra valer!

O Passat #57 começa a me passar ainda na reta usando a força de seu motor, o outro Passat #75 tenta colocar por dentro, mas fecho a porta e contorno o S por dentro em segundo lugar. Pelo retrovisor percebo que algum enrosco no S, segurou o pelotão, me dando tranqüilidade para ir atrás do Passat #57...

...mas após 2 voltas percebo que não conseguiria chegar sem arriscar muito, a pista estava mais escorregadia e meus tempos estavam na casa dos 2:30.
Na 5.º volta vejo que o Passat #75, brilhantemente pilotado pelo Fábio Coelho, chega e não tenho como segurar e sou ultrapassado no Laranjinha. Vamos juntos até a reta e chegando no S do Senna vejo que o Passat #57, que liderava com tranqüilidade, sai da pista e na volta é ultrapassado pelo Fábio, mas recupera a posição já na reta oposta.
Percebendo que não tinha como chegar nos 2 primeiros e que não era ameaçado pelo pelotão de trás procurei “não ser herói” e fazer uma corrida mais conservadora, mas sem deixar de passar por vários sustos com a traseira dançando mais que a “popozuda do funk”.

Bandeira quadriculada! Vejo no muro do Box a vibração de nossa equipe. Agora é levar o carro ao Box 1 para vistoria. Nesta volta de comemoração não esqueço nunca de acenar para agradecer cada fiscal, com suas bandeiras agitadas, pois são nossos anjos da guarda na pista.

Adriano Lubisco - Chevette#8
Terça, Jun 02, 2009
PAPOS DE BOX - PASSAT #75
Fala Saloma, blz?! Estou devendo um alô pra você faz um tempo. Não sou muito bom com a escrita, mas vou tentar fazer o melhor possível. O que vale é a intenção.
Muitos já me conhecem, mas vou me apresentar. Sou o Fabio Coelho, Fabião ou Coelho, como me chamam. Vamos à história desse bólido conhecido como “Marrom Avelã”#75,como eu mesmo o apelidei ou “Amêndoa Encantada” como diz Flávio Gomes. Com qualquer um dos nomes ele me atende e manda ver.

Se for contar a história real vamos precisar de uma semana de texto. Mas vamos ao que interessa.
A bagaça está andando muito. Para essa corrida do dia 30/05, criamos uma expectativa muito grande, pois na última etapa andamos o tempo todo atrás do Sebastian Button Gulla e do Evaldo Luque, da BMW, ambos os motores by Guerra.
Então resolvemos fazer algumas mudanças para incomodar um pouco mais. Nesta semana de corrida trabalhamos todos os dias à noite até de madrugada, para conseguir terminar o carro na 5º feira, e levá-lo para o treino de 6º feira.
Treino (sexta-feira): Pista molhada, nunca havia pilotado no molhado. No primeiro treino não me achei, quatro voltas guardei, está bom... Vamos esperar o segundo.
Segundo treino molhado, falei, tem que andar para ver aonde vou. Melhorou mas não abusei. Vamos guardar e esperar o sábado.
Ainda tive o prazer de dar mais duas voltas a bordo do Trovão Azul #44 do Rogério, que pediu para ver o que eu achava, pois acabamos de fazer uma revisão do motor e câmbio. Mesmo assim, achei que no molhado não era minha praia.
Sábado: Cheguei cedo, às 6hs da matina, com o Nenê Finotti, que me deu uma carona. Fui até o Avelã Encantado, conversei com ele, “em off”, que não dependia só de mim. Peguei o ótico, alinhei o bólido, fomos para a vistoria e depois aguardamos a hora da classificação. Falei para o Leandro e o Bruno, dois parceiros de equipe, calibrar e não mexer em nada que hoje é “poli”.
Algum tempo depois e com apenas uma volta rápida foi o suficiente para entrar no hall dos que já largaram sem ninguém na frente, que sensação, demorou pra cair à ficha, mas eu estava lá. Daí veio um filme daquela corrida que fui desclassificado por causa de um pneu “veio”, ressecado, só que Espanhol (Pirelli Dragon), que muita gente já usou ou usa. Mas beleza, nesta não aconteceu nada e “Poli” confirmada, 2min03seg502 (tempo alto + no molhado).
Largada:Para mim tudo é novo. Com 30 carros nas costas, já imaginaram, qualquer erro e lá vamos “ala a Abrami” (daquele Puma azul) como na última corrida, ficar de frente pra todo mundo.

Largou, consegui segurar o Button Gulla por duas voltas, mas na hora que chega às retas é impossível, segurar não dá.

Ai forcei demais e quebrou tudo dentro do câmbio. Mas valeu! Fiquei muito contente e conseguimos mandar o recado. Na próxima tem mais.
Abçs e até a próxima!
Fabião e Marrom Avelã
(reprodução)
Segunda, Jun 01, 2009
PAPOS DE BOX - CHEVETTE #58
Antes de qualquer coisa, permitam-me uma breve apresentação do “piloto” e seu histórico: Sou o Fernando Mello, 34 anos, piloto o Chevette 58 da categoria D3B e comecei na Classic ano passado, sempre pilotando o mesmo carro. Tenho portanto a graaande experiência de umas 15 largadas. The Shark tem um motor AP 1.8 e não fiz mudanças significativas nele desde que o comprei. Adequei a pedaleira, personalizei adesivos e coisas do tipo. O carro pertencia ao Eduardão, que andava na equipe LF.
Conheci a categoria através do blog do Flavio Gomes e também vi matéria em uma revista (Racing alguma coisa. Acho que é a única que faz (ia) matérias sobre o campeonato paulista). Na verdade quem teve a idéia de construir um carro foi o meu sócio, Hylton, e confesso que de início não me empolguei muito, pois o mundo de corridas em Interlagos me parecia um sonho distante. Mas o meu sócio homônimo da rede de hotéis e marca de cigarro não é um cara que aceita facilmente um “não” como resposta e depois de 1 mês procurando um carro pelas ruas de São Paulo, encontramos um Chevette.
Ao chegarmos com o bólido na oficina, foi uma cena bem parecida com aquele programa “Pimp my Ride”, quando os mecânicos encaram o desafio pela primeira vez (aaaargh, nãããããão, que é isso, coisa feia, sai prá lá, sai de retro, isso não vai ficar bom nunca, tem mais massa do que padaria e etc). Deixo aqui os agradecimentos aos irmãos Brandini, nossos mecânicos e donos da oficina que nos dá suporte, que aceitaram encarar esse desafio com a gente.
A idéia era fazer um carro para nós dois e correríamos alternadamente em cada etapa. Bom, para resumir ele andou a primeira etapa e antes da segunda já havíamos comprado outro carro, não por acaso o meu atual Chevette 58, The Shark para os mais íntimos. Descobri então que, assim como cueca e escova de dente, carro de corrida também não se divide com ninguém.
Só mais um parágrafo, a título de informação (prometo que é o último!), antes de irmos para a pista: Meu irmão (Chevette 56) e o Adriano (Chevette 8) imediatamente após assistirem pela primeira vez a nossa corrida providenciaram a construção dos seus respectivos carros. O Adriano inclusive já conhecia a categoria através do blog do Flavio Gomes. Tenho certeza de que se mais gente soubesse da existência da Classic Cup, teríamos que fazer umas 5 baterias diferentes pois não haveria espaço na pista para tantos carros.
Vamos à corrida!
Sexta-feira: Saí de casa por volta das 7:00 da manhã e os pingos no pára-brisa do carro indicavam que as condições de treino não seriam as melhores. Chegando perto do templo, a situação permanecia a mesma: Céu carregado, chuva e nenhuma perspectiva de melhora. Nada que me desanimasse, pois o tesão de correr é tanto que eu não deixo de entrar na pista nem se estiver nevando.
Ainda estou desvendando os mistérios das curvas de Interlagos e na chuva você perde um pouco o parâmetro tanto de traçado quanto de acerto do carro, mas vou te falar uma coisa: É muito divertido! A tração traseira do Chevette embalada pelo motor 1.8 deixa a coisa como o diabo gosta. A previsão para o dia da corrida era de tempo seco, portanto utilizei essa sexta-feira como aprendizado. Andei, rodei, patinei, destracionei. Foi uma festa, e das mais divertidas. Eu dava risada sozinho dentro do capacete.
Sábado: A previsão de tempo seco se confirmou, embora a pista ainda apresentasse vários trechos molhados durante a sessão de treinos. Pela primeira vez resolvi traçar algo parecido com o que costumam chamar de estratégia: Coloquei 15 litros de combustível, daria duas voltas para avaliar as condições, retornaria ao box para ajustar a calibragem dos pneus e partiria para a volta lançada. É claro que detalhes como tráfego e bandeiras de sinalização foram esquecidos. A primeira parte do plano deu certo, pois consegui chegar até o box e ajustar a calibragem. Parti então, a lá Ayrton Senna, para a minha flying lap. Entrei na pista, dei o primeiro giro, calculei o a distância para os carros que estavam à frente, fiz a junção no capricho e...bandeira vermelha. Lá fui eu de volta ao box, direto para a fila que aguardava a liberação da pista.
Alguns minutos depois, pista liberada e segui à risca o plano interrompido anteriormente. Junção no capricho, pé no talo e ...pó-pó-pó-pó-pó. Olhei para o relógio e a pressão de combustível estava no zero. Acabou o álcool. Juro que no próximo treino voltarei à rotina de piloto amador: Tanque cheio, trocentas voltas e a melhor delas vai determinar em qual posição vou largar.
Fui para o briefing e um pessoal novo (pelo menos para mim) passou as recomendações. Haveria uma sutil mudança na largada lançada (Que eu não gosto. Campanha pela volta da largada parada!! E pela volta do Pace Car na metade da corrida!!). Olhamos lá embaixo e avistamos 2 cones nas laterais da pista, sinalizando o ponto onde seria o começo da corrida. Além disso os carros deveriam obedecer as marcas de grid, formando duas fileiras “mais distantes do que normalmente fazíamos”, de acordo com a nova comissão. Vi com bons olhos essa preocupação, pois o que não falta é gente queimando largada e nada de punição.

Com o fraco tempo de 2:11 saio na desconfortável 15ª posição, logo atrás do Tranjan e do Rafael (ambos de Passat). Alinhamos, partimos para a volta de apresentação e foi a primeira vez que fiquei meio “p” da vida nessa hora, pois o Fusca prata (número 00) teimava em zigue-zaguear na minha frente, apesar de largar uma posição atrás.


E colava na traseira do Tranjan, e passava na minha frente, e voltava, e colava na traseira de novo, e me fechava e etc. Sou um novato no automobilismo e de repente isso é até normal, mas nem por isso sou obrigado a gostar. Coisa mais chata. Apertar lá pelo mergulho ou junção até que vai, mas encher o saco já a partir da reta do box é um pouco demais.
Apertando o ritmo, subi rumo à reta principal e avistei a bandeira amarela sendo agitada na torre. Largada abortada. Seguimos para uma nova volta de apresentação e quando eu achava que a largada seria abortada novamente (o grid estava muito mais bagunçado do que a volta anterior) meio que por osmose resolvi acelerar. E a largada valeu. Uma largada meio mucha, pois nem aquele barulho dos motores acelerando deu para perceber. Foi meio que uma largada na surdina, disfarçada. (Alô nova comissão, vamos tentar melhorar isso na próxima corrida!).
Com essa indefinição, cheguei na freada do “S” ainda atrás dos Passat e isso complicou a minha estratégia de corrida. A idéia era aproveitar a reta para já chegar entre os 10 na primeira freada. A primeira volta é algo como a 23 de maio na hora do rush: Você procura espaços vagos, muda de faixa, acelera, é obrigado a frear, tira uma fina de outros carros e etc. É bem divertido. Consegui ultrapassar alguns carros e mesmo perdendo algum tempo lá pela terceira volta eu estava atrás da Puma laranja do Chamma, que com algum problema rodava devagar. Tentei ultrapassá-lo antes da parte mais lenta do circuito e depois da freada da reta oposta, colei para tentar executar a manobra antes da ferradura. Na dura vida de piloto aprendiz, lá veio mais uma lição: Na pista o que você “acha” que vai acontecer, normalmente não acontece. Eu achei que faria a ultrapassagem dentro do traçado, por estar bem mais rápido, colei por dentro e espalhei por fora. Mas a Puma veio com tudo na direção da zebra onde eu planejava me apoiar e lá fui eu com as quatro patas para fora da pista. Disputa de posição, tudo normal. Poderia ter esperado para ultrapassá-lo mais adiante, mas na tentativa de chegar logo na traseira dos meus companheiros chevetteiros que estavam logo à frente da Puma, tomei a decisão errada. E lá se foi todo o trabalho de recuperação por água abaixo. Parti de novo atrás dos Passat e na volta seguinte o Tranjan rodou logo após a freada da reta oposta. Foi a última vez que o vi na pista e segui atrás do Passat do Rafael. Consegui ultrapassá-lo, não sei exatamente em qual volta, e de novo passei a perseguir os colegas de equipe. Quando eu apontava na reta do box, eu via o Adriano (8) e o meu irmão André (56) contornando o “S” do Senna. Com uma distância dessas, era contar com algum vacilo para conseguir chegar. Fazia uma corrida solitária tentando tirar a diferença, quando alguém deixou uma trilha de óleo justamente na freada do Laranjinha. Passei uma ou duas vezes tentando encontrar o melhor traçado e acho que na terceira vez consegui encontrar o PIOR traçado: Rodei feio e lá fui eu para a grama. Que alegria ver todos os carros te ultrapassando novamente. E dessa vez, além do Rafael, veio a esquadra inteira dos Fuscas, pois demorei para conseguir retornar a pista. Saí atrás do Du Lauand e andamos juntos por alguns instantes. E rodamos juntos no mesmo lugar, na volta seguinte. Eu saí primeiro e quando olhei para o lado ele estava vindo em minha direção. Como habilidoso piloto que é, conseguiu evitar a batida.
Voltei novamente para a pista e “P” da vida com a minha performance lamentável. Tentei ultrapassar o máximo de carros que pude. Já nas últimas voltas cheguei novamente no Rafael, que já estava tranqüilo na primeira posição de sua categoria. Gentilmente ele me deu passagem. Deve ter pensado “de novo esse cara aqui???”...rs.
Ainda consegui chegar em 5° lugar na minha categoria (8ª posição na geral), logo atrás do Adriano e do meu irmão, 3° e 4° lugares, respectivamente. Não foi exatamente a corrida que eu esperava fazer, mas valeram as lições e a diversão. E pelas minhas projeções devo aparecer em 3° lugar no campeonato, o que tá bom demais.
No pódio aquela confraternização legal. Muito bom ver o Adriano em terceiro e o meu irmão em quarto. Dá-lhe chevetteiros!!!!
Hoje, domingo, estou com as pernas e os braços doendo graças aos dois dias de pista escorregadia. Normalmente saio bem fisicamente, mas essas condições exigiram muito mais.
É isso aí galera. Espero que tenham se divertido. Abraços e até a próxima corrida!
Fernando Mello
Sexta, Mai 22, 2009
PAPOS DE BOX - PUMA #3

Caro Saloma,
Incentivado pelo Rogério "Trovão Azul" Tranjan, me vejo descrevendo minha terceira corrida, do Puminha laranja 3
Sim, porque as duas do ano passado, com o Puminha alugado do Finotti foram somente para descarregar toda a tremedeira de estreiar em Interlagos, após sonhar com isso mais de cinquenta anos!!
Muito bem, carro arrumadinho, largando em quinto, eu nem acreditei nisso, "meus amigos disseram um temporal" , nestas horas a gente vê quem é amigo mesmo, tão lá pra levantar a moral e nem disfarçam
Larguei bem, passei em quarto no S do Senna mas já vem o Passat 53 prá quebrar minha moral
Vamos lá, final da primeira volta continuo encostado na turma, o Puminha amarelo do Fourier já me empurrando, dei-lhe uma trancada na subida do Bico de Pato que fiquei pensando que ia ser chamado pela comissão.
Desculpe Puminha amarelo, mas queria tanto aquele quinto lugar.
Não teve jeito, levei o troco e perdi na Junção
Gloria divina, grudei na reta dos boxes, (tenho um motor special 1,9 by Guerra) o Puminha amarelo encostou no muro e juntei, consegui fazer na frente o S mas braço é braço e do Fourier tá calibrado, perdi lá na frente e virou um TEDIO, ninguém na frente, ninguém atrás, os pensamentos voam...
Interromperam a corrida e não vi a bandeira vermelha?
Será que alguém foi prô muro?
cacete, cadê a turma, que corrida chata, tomei um binoculo do Puminha amarelo e agora, que coisa chata
Fumaça no cookpit, cacete meu Puma tá pegando fogo, vou parar !
Se este troço pega fogo tô frito (lembrem que apesar de Chamma, não tô imune)
Pressão ok, temperatura ok?
Ué, agora o motor não sobe de tres e quinhentas?
O ronco virou chiado, vejo na reta do box meu cano de escape, olho no espelho e acho todo mundo, vem um, dois, vem todo mundo
que pena que não terminou antes
Rogério, vi o video
desculpe amigo, tava morimbundo na pista, rezando pela bandeira,
Final feliz, em ultimo!
Prá quem esperou mais de 50, terminar é um sonho feliz
Me falaram que na frente a briga foi boa
Um dia quero vê-la de perto, quem sabe
afinal, o que é o tempo para quem esperou mais de 50?
abraços
Marcelo Chamma
Categorias: Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Papos de Box
Quinta, Mai 21, 2009
PAPOS DE BOX - CHEVETTE#56

Primeiramente gostaria de me apresentar, já que é a primeira vez que escrevo para o blog, meu nome é André Mello, sou o piloto do Chevette vermelho numero 56.
Depois de correr um ano na divisão 1 com o motor original 1.4 resolvi este ano ingressar na divisão 3(
por isso agora corro com um motor AP 1.9.
Depois de ter vários problemas de ordem mecânica(freios, carburadores, quebra de motor, etc...) nas três primeiras etapas na quarta etapa finalmente consegui treinar e disputar a prova sem problema algum, vou tentar descrever um pouco dos acontecimentos da divertidíssima quarta etapa do dia 2 de maio.
Treinos de sexta-feira:
Feriadão em São Paulo, acordo as 7:00hs e já naquela ansiedade gostosa pego minhas coisas e vou para o autódromo, aquela rotina de sempre, chego no Box, dou um alô para o pessoal da equipe e vou pra torre fazer a inscrição. No treino da manhã sempre ando mais maneiro pra sentir o carro, ver se esta tudo em ordem e no final uma ou duas voltas rápidas pra sentir como esta o carro, fiz 2:08:4, o que me deixou bastante animado.
No treino da tarde porém um susto, o meu diferencial foi para o saco na primeira volta, porém já era esperado, a peça já estava bastante “cansada”, desde o ano passado. Sabendo do desgaste meu preparador, Marcio Brandini, trouxe uma peça de reserva que na verdade era do Carlos Braz, resultado, a peça não serviu e foi uma correria daquelas pra achar outra(em pleno feriadão), por sorte conseguimos com um contato do Brandini e as 19:00 hs. o Marcio conseguiu terminar o serviço e o carro estava pronto pra corrida no dia seguinte.
A corrida:
No sábado cheguei no autódromo e fiquei sabendo da “epopéia” em busca do diferencial no dia anterior, tudo certo e fomos pra classificação, ai esta uma coisa que preciso fazer melhor, acabo sempre me dando mal, na maioria das vezes acabo encontrando “trafego” nas minhas voltas rápidas porém em muitas outras o que complica são carros que não estão em voltas rápidas mas que insistem em ficar “passeando” pelo traçado, sem sequer se darem ao trabalho de saírem da tangencia.
Resumo: Fiz um tempo muito ruim, 2:11:7 e larguei em 20º .
Sair na parte de trás do grid já não era nenhuma novidade, pois no ano passado na divisão 1 cansei de fazer isso, porém agora com o motor AP que é infinitamente mais rápido muda muita coisa pois mesmo largando lá atrás meu carro é muito mais rápido do que muitos que estão largando na minha frente por isso logo na largada(a que valeu) passei pelo menos uns 5 carros, a tropa dos fusquinhas principalmente, no S teve a rodada do Puma onde mais uma vez, milagrosamente, ninguém bateu, acabei ficando um pouco pra trás por causa dessa confusão e nas primeiras voltas fiquei brigando com os fuscas, a partir da quinta volta consegui abrir deles e comecei a avistar a Brasília do Hugo e o trovão azul do Rogério, seriam com estes dois que eu iria disputar ultrapassagens e trocar de posição algumas vezes durante a corrida. Acabei chegando nos dois e iniciei uma disputa muito legal com o Hugo, depois algumas voltas consegui ultrapassar ele se não me engano na curva do lago, consegui abrir um pouco e colei no Passat do Rogério, depois de duas voltas consegui a ultrapassagem no final da reta oposta, abri um pouco dele e do Hugo e na volta seguinte rodei, retardei a freada no laranjinha, pisei na sujeira e vi o mundo rodar em um 360 º, nesse tempo vi o Hugo e o Rogério me ultrapassarem novamente, como consegui voltar rápido para a pista acabei os alcançando e conseguindo ultrapassar novamente os dois, nas duas ultimas voltas consegui meus melhores tempos, sendo que na penúltima fiz 2:08:04, acabei chegando em dois carros que estavam com problemas, a puma laranja do Marcelo Chamma e o Passat do Rafael, com isso consegui terminar em oitavo lugar na geral e quinto na categoria o que me deixou bastante satisfeito, sabendo que dá pra melhorar na próxima se eu fizer uma classificação melhor.
Com o motor afinado estamos agora tentando melhorar o chão do carro, problema crônico do Chevette, nos próximos meses deveremos finalmente estrear o novo diferencial com os sonhados blocantes, teste esse que deverá ser feito primeiro no Chevette do meu irmão, o Fernando Mello.
Um abraço a todos e agora que conheço o espaço com certeza voltarei mais vezes pra compartilhar com os amigos as nossas experiências na pista.
Nota do blog: Esta disponível o vídeo da ultima etapa com volta na câmera on-board da barata do André(que ficou torta)AQUI
Até a próxima!
ANDRÉ MELLO
Categorias: Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Papos de Box
Segunda, Mai 18, 2009
PAPOS DE BOX - PASSAT #44
Início
Uma corrida bacana é aquela que passa rápido. Quando você menos espera aquele placarzinho na reta já está aceso indicando três voltas para o final. Tem umas em que você fica sozinho, não passa ninguém, não é ultrapassado, não briga. É um puta tédio.
Essa – a quarta etapa de 2009 - talvez tenha sido a segunda melhor corrida que participei. A primeira foi a anterior – a terceira etapa de 2009 - quando briguei todas as 14 voltas para passar o Speed do Arthur Pilan e só consegui no último giro, no S do Senna. Foi um tesão.
Piloto e carro
Para quem não sabe, é bom que eu me apresente, sou o Rogério Tranjan, piloto do Passat #44, vulgo Trovão Azul.

Disputo a categoria D1B, carros originais com motores até 1.600 cm3. O câmbio e o carburador são originais e não são permitidas peças de fibra para aliviar o peso. Aliás, peso é o que não me falta, já me disseram que preciso de umas peças de fibra.
Trovão Azul ou Herbie?
Voltando a nossa quarta etapa, desde os treinos de sexta-feira percebi que era mais lento que o Passat #13 do Rafael Gimenez.

Ele já havia disputado outras corridas, mas essa era a sua estréia na categoria que participo. Dei umas poucas voltas na sexta, pois o Trovão cismava em apagar onde quer que estivesse. Apagou na Laranjinha, apagou no Lago, apagou no Sol. E o danado voltava a funcionar quando o pessoal ia rebocar. Algo tipo Herbie. Muito esquisito.
O Nenê Finotti, grande chefe da nossa LF, trocou tudo o que podia da parte elétrica para o sábado: módulo, ignição, bobina, chave-geral e outras peças que eu nem sei o nome.
A classificação
Fui para o treino classificatório com a orientação de sempre: uma ou duas para aquecer os pneus, uma ou duas lançadas e parque fechado.
Deu tudo errado no começo, uma catástrofe. O piso estava úmido, com aquele sereno chato, e nas primeiras voltas não aqueci nada e não virei nada minimamente razoável. O carro saía muito de frente no Mergulho e no Lago, tinha que aliviar o pé. Meio desesperado fui ficando na pista e volta após volta, a pista e os tempos foram melhorando. Faltando uns 5 minutos para acabar o treino virei uma volta em 2:10 e pensei em parar. Mas é sempre a mesma coisa - para desespero do Nenê - se você contorna bem o S do Senna já abre uma nova volta. Foi o que fiz até o final do treino e deu resultado. Consegui o meu melhor tempo de volta com o Trovão Azul, 2:09:01, décimo segundo lugar no grid de largada. E olha que esse excelente motor, preparado pelo Fabio Coelho, já estava bem cansado pois acho que sou o piloto que mais voltas fez nos últimos seis meses. Umas Cinco Mil Milhas, sem revisão, só com troca de óleo. Como disse o Hugo numa de suas colunas, só me tiram da pista com bandeira vermelha, tiros de bazuca ou aquele sarrafo com pregos. Ah, ia me esquecendo, só para registrar o melhor tempo de volta do Trovão Azul até hoje foi 2:07 com o Nenê, nos treinos da primeira etapa.
Em tempo, o meu adversário, o Rafael Gimenez, virou uns décimos pior e ficou uma posição atrás. Promessa de uma boa corrida.
Box aberto
Sempre faço duas voltas antes de alinhar no grid, acho que é para não ter que ficar um tempão lá parado. É bem chato, sempre embaixo de um puta sol.
Fiz todo um planejamento para a largada, vou por dentro, fecho esse, colo no muro, faço a segunda perna por fora................. Quá, quá, quá. Na teoria é tudo bem fácil.
Placa de 5 minutos, 3 minutos, 1 minuto, 30 segundos e tudo que você planejou vai pelo ralo.
Campanha pela volta da largada parada e do safety-car no meio da prova
Na prática, a que realmente vale, larguei muito mal, aliás antes de continuar a narrativa, quero iniciar uma campanha pela volta das largadas paradas, muito mais excitantes, e pela volta da neutralização com o Safety Car no meio da prova, o que sempre deu um brilho especial em nossas corridas, tanto para os pilotos quanto para o público.
Essas mudanças, dizem as más línguas, foram solicitadas pelos ponteiros que tem câmbios escalonados e muito longos (me falaram que alguns atingem até 140 por hora em primeira marcha!) e que seriam ultrapassados pelo grid inteiro até colocar segunda marcha numa largada parada. Bando de chatos, acho uma bosta largada em movimento, coisa de americano. E ainda por cima, ficam justificando a mudança pela segurança. Fiz umas 15 largadas paradas desde quando comecei na categoria e nunca vi nenhum acidente.
Voltando ao que interessa
Bom, voltando a vaca fria, larguei mal como disse acima. Tentei ficar no lado interno para contornar o S rente ao muro mas dei uma brecha e o Rafael Preto, de Puma, me passou.

Quando olhei estava com o meu adversário, o Passat #13, no meu outro lado, tomando o S por fora. Fiquei encaixotado e todo o trabalho do treino para ficar na frente dele foi para o vinagre. Além disso, quase dei uma panca na Puma do Abrami que ficou virada na segunda perna do S, joguei duas rodas para cima da grama, me realinhei e fiz o Sol. Vi os vídeos e não sei como ninguém acertou o Abrami. Puta sorte dele e nossa.
Fiz uma primeira volta burocrática e fui vendo pouco a pouco o meu adversário com muito mais ação, disputando freadas, travando rodas. Fiquei meio desesperando, devo confessar.
No segundo giro, atrasei a freada no Lago, espalhei e tomei do Chevette do Adriano Lubisco (que também espalhou mas conseguiu voltar) e da Brasinha do Hugo. Falta total de concentração, percebi que estava mais preocupado com a corrida do meu adversário do que com a minha própria.
Na terceira volta percebi que Inês era morta. O Rafael Gimenez já tinha aberto um caminhão e eu saquei que não chegaria mais nele. Comecei a pensar no segundo lugar e a partir daí fiquei de olho, pelo retrovisor, no Carlos Braz#21...

...e seu Passat verde, outro que participa da nossa categoria junto com o Flávio Gomes.
Daí pra frente comecei a me divertir, briguei com os Chevettes do Adriano e do endiabrado André Mello, briguei com o Hugo e sua Brasinha maravilhosa, briguei com o Arthur Pilan, e seu lindo besouro.

Volta após volta sempre um traçado defensivo daqui, uma freada atrasada dali, uma fritadinha dacolá, até um passão no elegante Hugo no Bico de Pato. Mais uma corrida tesuda.
A cereja do bolo ..... ou o grand-finale.
Faltando umas duas voltas comecei a ver novamente o Passat do Gimenez. Achei que ele estava cozinhando o galo, tal a vantagem conseguida. Mas, por via das dúvidas, resolvi pisar um pouquinho mais. Fui chegando, chegando e na última volta cheguei de vez na traseira dele no S do Senna. Ele tinha algum problema mas na hora me lembrei do chato do Galvão que sempre fala: chegar é uma coisa, passar é outra. (que merda lembrar do Galvão nessa hora). Bem mas vamos lá, voltemos a disputa. Fiz o Sol muito perto mas ele abriu na Oposta, quando chegamos no Lago me atrapalhei com o companheiro de equipe Marcelo Chamma. Ele estava lento e eu tentei fazer a tomada por dentro mas quase dei uma porrada na traseira dele. Começamos a subir o Laranjinha e eu encostei de novo. Pensei rapidamente, vou tentar no S antigo e se não der, colo nele e vou dar o bote na freada do Bico de Pato. Me preparei, fiz o Pinheirinho colado, mas quando chegamos na freada ele foi esperto, fez defensivamente o traçado, por dentro, e iniciou o Mergulho. Estava grudado na luz de freio dele quando por instinto resolvi dar um espaço entre nós para tentar levar na Junção. Se ficasse muito junto teria que fazer a freada dele e sairia muito mal para a subida. Deu certo. Ele freou, eu consegui retardar um pouco e comecei a subida já quase do lado dele. Eu já estava bem mais rápido e ele, novo e bom adversário que é, com a maior lisura, não fechou a porta no Café. Ganhei, à la Hamilton, na subida da Junção a minha quarta prova esse ano. Puta festa, ninguém acreditava. Nem o Nenê no parque fechado sabia. Foi um super final de semana para a LF, primeiro na geral com o Gulla, primeiro na D2B com o Marcelo Giordano e primeiro na D1B comigo.
Ainda no parque fechado fui conversar com o Rafael Gimenez e ele me falou que estava com problema de falta de combustível e teve que ir “pescando” nas últimas voltas. Uma pena para ele e uma maravilha para mim. É isso aí, sei que é clichê total mas “carreras son carreras.”
Agradecimentos ao Trovão
Já nos boxes dei um beijo carinhoso no teto do Trovão Azul.

O beijo merecido no Trovão Azul
Ué, pensei eu, se o Trulli pode beijar a sua Toyota, o Vettel pode chamar a sua Red Bull de “Irmã safada da Kate” por que eu não posso beijar o meu Trovão Azul?. Achei que a Cris, a esposa e torcedora número um, ficou com certo ciúme, mas ela entendeu e até tirou uma foto. O Trovão merece. Anda, anda, anda, não reclama, não enche o saco, não grita, não ferve, não quebra. Sempre disposto e pronto para mais um desafio. Acho que todos nós desenvolvemos uma relação de amor e paixão com o nosso carro de corrida. É com ele que conversamos, trocamos confidências, reclamamos. Parece meio patológico, mas é legal pacas.

Pódio com Rogério Tranjan(1o.), Rafael Gimenez(2o.)e Carlos Braz. (3o.)

Champagne no preparador de motor do Trovão Azul, Fábio Coelho
Um grande abraço a todos e espero ter aumentado um pouco a pequena torcida do Trovão Azul. Todos convidados para a próxima etapa, no dia 30 de maio.
Rogério Tranjan
Passat #44, Trovão Azul
OS.: em tempo, nesse momento o motor e o câmbio do Trovão Azul estão abertos, sendo revisados pelo Fábio Coelho para uma nova série de Mil Milhas que virão.
Domingo, Mai 10, 2009
PAPOS DE BOX - PUMA #51

CLASSIC CUP - 4a. Etapa
FANTASTICA!É o que sinto a respeito desta sensacional corrida pela 4ª etapa do Campeonato Paulista, pelo acirradissimo “pega” que eu (Puma #51) e o Luque (BMW #53) travamos desde a primeira até a ultima volta.Mas vamos contar a estória pelo começo.
O inicio da corrida vai se aproximando, a agitação tomando conta de mim, adrenalina a milhões, parece um leão enjaulado, andando de um lado para o outro do Box, alguma coisa que você não sabe bem o que querendo libertar-se, saltar de dentro do peito.O pico da adrenalina acontece no momento em que realizo o ritual de apertar cintos, colocar a balaclava, o capacete, calçar as luvas, girar a chave de contato, ligar o carro.Mas no momento em que entro na pista, como que por pura mágica, tudo se acalma.O leão está solto!
Agora, concentração total no que está prestes a acontecer, a largada, que em nossa categoria é lançada, ou seja, com os carros em movimento.
Na primeira fila, o Luque na pole e eu em segundo.A primeira largada foi anulada, pois o safety car que costumeiramente deixa a pista na entrada dos boxes, desta vez saiu na Junção e o pole position acelerou mais que o Diretor de Prova recomendava.
Mais uma volta e agora sim, a bandeira verde agitada sinalizava que era chegada a hora de baixar a bota pra valer.Piso fundo no acelerador e chego na ponta na entrada do S do Senna, com o Luque encostado, babando na minha cola.Quase posso sentir o bafo do radiador da BMW dentro de meu carro.Digo quase, porque naqueles instantes de duração da corrida, todos os sentidos como frio, calor, cansaço, tempo, ficam adormecidos e aqueles momentos são únicos, de total concentração na pista e no comportamento do carro.
Faço a tomada da primeira perna do S por dentro, na defensiva.Tive como estratégia de corrida evitar cometer erros, sabedor da “fera” que iria encontrar pela frente.Qualquer erro ou escapada da pista seria fatal para minhas pretensões de alcançar a tão concorrida vitória.
Na reta oposta consegui certo refresco, mas no miolo, nas curvas de baixa, ele e sua intrépida BMW encostaram.Saímos do S interno lado a lado, tinha a preferência para a tomada do Pinheirinho, que fiz por dentro, sai na frente até o Bico de Pato, e novamente lado a lado entramos no Mergulho, podia sentir os dois carros no limite do limite, querendo escapar, mas a suspensão e o braço segurando o tranco.
Na curva da Junção, entro por dentro na preferência da tomada, saio na frente.Baixo a bota novamente na subida do Café e Reta dos Boxes, conseguindo algum refresco.Cruzo a linha de chegada da 1ª volta na ponta.
Na segunda volta, assim com nas demais, o ritmo forte se mantinha, eu abrindo espaço nas retas e a BMW encostando-se ao miolo.Disputamos muitas e muitas curvas emparelhados, sendo que ele me ultrapassou neste trecho por duas vezes.Consegui dar o troco nestas duas ocasiões na subida do Café, cruzando a linha de chegada na frente em todas as 14 voltas de duração da prova.
Foi uma corrida bastante emocionante e acima de tudo muito divertida, pela memorável batalha para cruzar a linha de chegada e receber a bandeira quadriculada em primeiro lugar.
Aproveito a oportunidade para agradecer ao Luque pela lisura de comportamento que teve durante toda a prova, crendo que agi da mesma forma, lembrando que apesar da aguerrida disputa, o calor da luta fazendo com que disputássemos roda a roda a próxima curva, lado a lado em quase todas elas, não houve um único toque entre nossos carros.Ganhou o nosso esporte.
Valorizo muito esta vitória tendo um oponente com a qualidade dele, ganhador de corridas e campeonatos.
Para o público presente, creio que conseguimos proporcionar momentos emocionantes e demonstrar a competitividade de nossa categoria, não por acaso o maior grid do Campeonato Paulista, que tenho certeza crescerá ainda mais.
Agradeço de coração à minha equipe, a LF, em especial ao Nenê Finotti, pela sua dedicação em deixar o carro pronto para as corridas, assim como ao Guerra, meu preparador de motor, buscando sempre o melhor acerto.
Com o sentimento de que algo especial acontece nas corridas, a superação do medo, a ampliação dos limites, a vitória em respostas aos desafios, posso dizer:
Lutei o bom combate!
Sebastião Gulla
Categorias: Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Papos de Box
Terça, Mai 05, 2009
PAPOS DE BOX - BRASÍLIA #71
Galera, o boteco dá o larga para os "PAPOS DE BOX" dos pilotos "on board" nas baratas. Não é suspresa que o primeirão seja o Hugo, mesmo porque o cabra trocou sua coluna para presentear a gente com seu "PAPO DE BOX".
CLASSIC CUP - 4a. Etapa
Foi um final de semana tenso. Na sexta feira durante o primeiro treino livre consegui "desbielar" o motor!
Talvez pelo conta-giros estar meio maluco, e o shift light apagado, devo ter ultrapassado demais as RPM permitidas... Ainda bem que não travou. Esta seria a nona corrida (fora o monte de treinos) desse motor, e se não fosse por mim, acho que duraria mais algumas sem maiores problemas.
Paciência... Corre corre no box, e mais uma vez o Rogério Tranjan, com sua gentileza de sempre, me salvou emprestando o motor do KG. Agora só falta ele me emprestar um carro inteiro! Obrigado meu amigo, são essas coisas que fazem a diferença entre os integrantes da LF...

Motor trocado, perdi o 2o. treino. Havia sido penalizado (eu, o Luque, e mais dois), com 10 minutos do treino por não ter visto (novamente!) as bandeiras vermelhas, e dado mais uma volta. Perdido o treino pelo carro não estar pronto, caducou a penalização.
Sábado, tomando todo o cuidado com o motor, de câmbio com relações novas e desconhecidas, e ainda sem o shift light, fiz só o 21o. tempo com 2:11. Bem ruinzinho...

Primeira largada abortada por culpa do safety car, demos mais uma. Finalmente largamos, e ultrapassei um Fusca branco. Na saída do Senna, o Abrami rodou com seu Puma azul #23, e ficou de frente para nós que vinhamos todos embolados. Deu para ver os olhos dele arregalados! Passamos todos incólumes, e ganhei mais uma posição na confusão. No Sol passei mais um Fusca por fora. Grudei no Chevette vermelho do André Mello que agora, está um canhão! No Pinheirinho consegui ultrapassa-lo por fora. Que sensação! No Lago o Rogério espalhou um pouquinho o Trovão Azul # 44, e lá fui eu. Tava boa a coisa... Já ia chegando no Puma # 43. No último terço da prova, a segunda marcha cismou de não querer entrar mais no S antigo, e algumas vezes, no Bico de Pato e na Junção... Perdi um montão de tempo nessas curvas, e a turma que havia ultrapassado chegou e foi me passando de volta. Sem saber se a segunda ia entrar ou não, dei duas belíssimas atravessadas no miolo, mas agora com a traseira retrabalhada, o carrinho tá bom demias da conta de chão, e deu pra consertar...

Pegas lindos com o Chevette do André, e com o Passat do Rogério! Na última volta segui reto na Junção, em ponto morto (não entrou!), subi pela zebra, mas me recuperei no sufôco. Apesar de tudo, fiquei muito feliz em ter terminado em 12o. na geral, e 6o. na categoria. Foi minha prova mais disputada, emocionante, e gostosa, até hoje!
Valeu ter colocado uma camera "on board".

Hugo Borghi

Categorias: Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Papos de Box


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