Categoria: Rui Amaral #8
Terça, Jun 23, 2009
EFEITO CANGURU

No VW, D3 e TEP, que corria com pneus slics toda configuração de suspensão é muito diferente dos carros que correm com pneus radiais. Os Pneubrás tinham 10 pol. de largura, e para aproveitar toda área de contacto destes pneus e toda potencia dos motores suas suspensões eram bastante trabalhadas.

Na dianteira alguns carros usavam catracas, outros um novo local de fixação da suspensão, que subisse e descesse todo conjunto, braços, barra de torção etc., na TEP corríamos com amortecedores nacionais, no meu caso Barchi, eles eram regulados com muita pressão tanto de bump quanto rebunp, barra estabilizadora grossa e com regulagem, o que deixava os carros bem duros, com pouco movimento de suspensão.

Na traseira o X da questão, como a suspensão com barra de torção e facões muda toda geometria quando se move e para evitar o efeito canguru às modificações eram radicais.
Na D3 o Jr Lara Campos mudou sua suspensão traseira por uma de Variant 2, nós na TEP não podíamos. Para evitar esta mudança de geometria usávamos o conjunto motor e cambio mais altos uns 10 cm, fazendo novos coxins de alumínio e mudando a fixação do cambio. O conjunto trabalhava mais alto, o varão do cambio passava por cima do túnel central (como se vê no carro do Ricardo e o meu era igual) assim podia-se usar o trambulador do Passat o que tornava a cambiada super precisa, ainda mais no meu caso que usava 1ª no "Bico de pato” e "S". “Vocês vão me dizer ,” tudo ao contrario, levantar um carro de corrida!”“.

Os semi eixos trabalhavam com grau positivo, amortecedores duríssimos tanto de bunp quanto rebunp e barra estabilizadora grossa com regulagem . Tudo para evitar o que se vê na foto acontecendo com o carro à frente do Luiz (colocar aquela foto sua e do outro fusca no "S do Senna) o que alem de descontrolar o carro provocava a perda de tração .

Usávamos freios a disco nas quatro rodas , pastilhas importadas , as melhores que podíamos achar , na época era tudo mais difícil .
Apesar de tudo isso, o segredo era pilotar bem redondo, não atravessar nas curvas para evitar o tal do Canguru, em algumas era difícil, mais eram curvas de baixa, que fora o "Sargento" no meu caso feita em 2ª marcha onde se precisava de tração para chegar forte ao "Laranja" não fazia tanta diferença . Agora nas de alta era o "capeta" no meu caso chegava a "Um" em 4ª marcha a 7.000 RPM, isto com um pneu de 20 de altura aro 13 pol., diferencial 8/31 e quarta marcha 0.96 era algo próximo dos 200 km/h.
Eu fazia cravado na "Tres" uma pendurada forte nos "alicates" depois da placa dos 50 m enfiava uma terceira e pé embaixo até a entrada da "Ferradura”, linda curva, a primeira perna à esquerda em 4ª cravado, na tangencia dela, já com o carro reto uma freada bem forte e redução para segunda, na "Subida do lago" chegava em 4ª bem forte, uma aliviada no acelerador, 4ª até quase o ponto de tangencia e ai enfiava uma 3ª, o que com meus 1.90 m era complicado, parecia que a perna ia sair do carro! "Reta oposta” e ai o "Sol" que junto com a "Um" são curvas Rainhas, onde os garotos e os homens se separam aquele raio longo os dois pontos de tangencia etc. etc. etc., feita no meu caso em 4ª, junto com a "Um" e "Três" eu amava esta curva!

Rui Amaral
Sexta, Mai 08, 2009
HISTÓRIAS QUE VIVEMOS...
Por Rui Amaral

A credencial se refere ao Torneio Sulamericano que disputei em 1971, tinha começado a correr em D 1, logo em seguida aluguei um VW D 3 do Pedro Victor Delamare. Com ele antes havia disputado o Torneio União e Disciplina em Julho de 1971 me classificando em sexto lugar, logo atrás do Guaraná em corrida vencida pelo amigo dentista/piloto José Martins Jr., tendo o japonês Hiroshi Yoshimoto bom piloto da Kinko em segundo o Condractki em terceiro e o José Maldonado em quarto, o Martins corria com um Puma 2 l ex MM e nós não tínhamos o que fazer contra ele em segundo o Hiroshi que já vinha disputando corridas de EN e tinha muita experiência. Restou a nós a luta pelas outras posições, eu largando com uma caixa de cambio 3 em que a primeira super longa, obra do Grande Crispin, me obrigou a fazer uma corrida de recuperação, após passar os retardatários encostei no Guaraná - tranquilamente um dos maiores pilotos que já vi pilotar, foi uma pena ele não ter chegado a F 1 - terminando em sexto.

Rui Amaral e Elcio Pelegrini...
O interessante deste carro é que eu corria com o nº. 84 do P V e antes de mim era pilotado pelo Marcio Brandão filho do grande Oswaldo Brandão tecnico símbolo de um time de futebol Paulista e primo do saudoso João Lindau amigo querido. O Marcio e eu não tivemos muita convivência, vindo ele a falecer de problemas de saúde tempos depois. Parece que "seu" Oswaldo nunca se recuperou desta perda.
No Torneio Sulamericano, corri com o mesmo #84 do Pedro Victor, o gozado é que ele pintava o carro, e uma vez ao vê-lo verde abacate quase tive vontade de correr para longe dele. Era um carro bem acertado de chassi, tinha um motor relativamente bom, mais era alugado e tinha uma famigerada caixa 3 que me obrigava a largar sempre de trás e fazer corridas de recuperação. O câmbio era ótimo, como tudo que o Crispin fez só que com aquela 1º super longa, que usávamos na entrada do "S" e no "BICO DE PATO", a largado era bastante complicada, e constantemente caia para ultimo, isto me ajudou muito em matéria de ultrapassagem (fazia umas vinte por largada) mais me deixava sempre longe dos lideres.
Não me lembro de minha classificação neste torneio, perdi todos os resultados, no Ranking Autoesporte não consta minha classificação, me lembro que na época escrevi a revista e enviei o resultado de uma das provas, mais o Ranking já estava circulando. Lembro também do grande jornalista Luiz Carlos Secco, que num comentário ao JT escrevia que alem do Guaraná, que ganhou as duas provas eu tinha sido um dos nomes da corrida. Como pode-se ver no Ranking esta foi a arrancada do Guaraná , piloto rapidíssimo grande talento. De uma destas provas lembro claramente de uma rodada que dei na curva do "SOL", eu na recuperação babando igual ao Manssel, dei uma baita rodada na segunda perna desta incrível curva, rodando quase até chegar ao "SARGENTO", numa das "voltas" vi o bandeirinha acenando sua bandeira amarela e vermelha e me olhando com os olhos esbugalhados, até hoje não sei se ele percebeu o óleo com minha rodada ou eu é que não vi sua bandeira agitada!

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