500 MILHAS DE DAYTONA #1959

Segunda, Jan 02, 2012



500 MILHAS DE DAYTONA #1959


Daytona International Speedway
A primeira edição das 500 Milhas de Daytona, a segunda corrida da NASCAR Grand National da temporada de 1959 e a primeira no novo circuito de 2.5 milhas (4.0 km) no Daytona International Speedway, entrou para a história como um evento ímpar, diante de um público de 41.921 pessoas. Até então as corridas de Stock Cars em Daytona eram disputadas na praia (Daytona Beach).

Muitas feras estavam lá, como Bob Welborn, Johnny Beauchamp, "Tiger" Tom Pistone...

Lee Petty Olds #42 #1959
Lee Petty

Cotton Owens Pontiac #6 1959
Cotton Owens

Tom Pistone T-bird #59  #1959
"Tiger" Tom Pistone

Fireball Roberts Pontiac #3 #1959
Glenn "Fireball" Roberts

...Lee Petty, Cotton Owens, Fireball Roberts, dentre outros. Entre os novatos...

Richard Petty Olds #43 1957

...a promessa Richard Petty com um Oldsmobile 1957 na categoria "conversíveis".
A corrida teve classificações separadas para carros conversíveis e fechados. Naquele tempo a NASCAR tinha campeonatos distintos para estes tipos de carros, mas na Daytona 500 de 1959 eles correram juntos. Nunca antes os conversíveis competiram contra os carros fechados na Grand National.

Daytona Qualifying Tickets #1959
Daytona 500 Ticket #1959

Cotton Owens fez a melhor volta nos treinos a 143,198 mph (230,45 km/h) pilotando um Pontiac 1959, mas Bob Welborn, vencedor da prova de qualificação para os "hardtops" um dia antes, largou na pole position com um Chevrolet Impala 1959.

Shorty Rollins Ford Skyliner #99 #1958

Voltando no tempo, dois dias antes das 500 Milhas, Shorty Rollins venceu a prova de qualificação de conversíveis pilotando um Ford Skyliner 1958. Interessante ressaltar que Collins, sabendo que seria mais fácil a classificação para as 500 Milhas entre os conversíveis, retirou a capota de seu carro pouco antes da prova, alterou sua inscrição e re-inscreveu seu carro, agora na categoria dos "sem capota". E obteve sucesso, superando os habituais papões da categoria "topless", como Marvin Panch, também com Ford Skyliner 1958, e...

Richard Petty

...o jovem Richard Petty, no seu Oldsmobile 1957, ostentando o número 43 (1 a mais que o número 42 de seu pai, Lee Petty) que ficaria famoso na história do automobilismo americano. Shorty Collins largou na segunda posição ao lado de Bob Welborn na primeira fila. Interessante é que dos 50 carros que largaram, 20 eram conversíveis. Durante a prova viu-se que os conversíveis, devido ao maior arrasto aerodinâmico e eventualmente um acréscimo de peso compensar a rigidez perdida pela inexistência da capota rígida, não se mostraram competitivos frente aos carros fechados.

Largada Daytona 500 #1959

Dada a largada, Welborn com seu Chevrolet Impala liderou a prova por 9 voltas...

Bob Welborn #49
O Chevrolet Impala de Bob Welborn já disparando na frente do Ford conversível de Shorty Rollins.

...até abandonar na volta 75 (total de 200) com problemas no motor de seu Impala. Mas antes disso, entre os conversíveis, numa corrida praticamente à parte, Shorty Rollins liderou no início...

Shorty Rollins #99 Marvin Panch #98 Richard Petty #43
Shorty Rollins com Ford Skyliner #99, Marvin Panch com Ford Skyliner #98 e Richard Petty com Oldsmobile #43

...seguido de Marvin Panch e Richard Petty. Porém, na oitava volta...

Richard Petty Boxes #1
Richard Petty Boxes #2

...o jovem Petty abandonava a competição devido a problemas no motor de seu Oldsmobile conversível, e passa a trabalhar nos boxes de seu pai.

Voltando à disputa pelas primeiras posições, obviamente entre os "hardtops", mantendo a tradiçao das provas da Nascar da alternância na ponta, a corrida teve diversos líderes, como...

Tom Pistone First
Tom Pistone #59-John Weatherly #48

..."Tiger" Tom Pistone no seu Ford Thunderbird 1959 #59, John Weatherly com Chevrolet Impala 1959 #48, Fireball Roberts com seu Pontiac 1959 #3, Johnny Beauchamp de Ford Thunderbird 1959 #73 e Jack Smith de Chevrolet Impala 1959 #47, todos brigando pela ponta com afaca entre os dentes.

Lee Petty # 42 Johnny Beauchamp #73
Lee Petty Olds #42 e Johnny Beauchamp T-bird #73.

Nas 30 voltas finais, o espetáculo foi proporcionado por Johnny Beauchamp e Lee Petty, Ford Thunderbird contra Oldsmobile, ou seja, Ford contra General Motors, que jogavam suas fichas na mesa de jogo da propaganda de seus carros e motores, respectivamente o novo Ford Interceptor e o venerável Oldsmobile Rocket.

Ford Interceptor Engine
Oldsmobile Rocket Engine

Uma renhida batalha nas pistas e outra a se desenvolver após a vitória com os frutos advindos pela vitória. Fãs da Ford e da General Motors torcendo pelas suas marcas prediletas.

Num final emocionante Beauchamp e Petty cruzam a linha de chegada praticamente emparelhados, uma volta à frente do Chevrolet Impala #48 de John Weatherly, quinto colocado.

Daytona 500 Finish #1959

Apesar dos protestos de Lee Petty que afirmava categoricamente que cruzara a linha de chegada em primeiro, Beauchamp é declarado extra-oficialmente vencedor...

Johnny Beauchamp

...leva seu Thunderbird para a "victory lane", recebe o troféu, tira fotos com a Miss, etc e tal.
Entretanto o protesto de Lee Petty, aliado ao depoimento de Fireball Roberts que já havia abandonado a corrida e estava na linha de chegada no momento da bandeirada que afirmava "There's no doubt about it, Petty won", além da foto que não deixa dúvidas, levaram Bill France, Sr., co-fundador e dirigente da NASCAR a declarar, três dias depois...

Lee Petty Winner Day_After
Lee Petty e seu Olds #42, o grande vencedor das 500 Milhas de Daytona de 1959.

...Lee Petty como o legítimo vencedor da primeira edição das 500 Milhas de Daytona.

E agora que a história da prova foi contada, curtam o video.

Após esta retumbante vitória, Lee Petty entrou para a história como o vencedor da primeira edição das 500 Milhas de Daytona.

Agora cabe uma reflexão: a história do automobilismo norte-americano não venera Shorty Rollins que, com seu Ford Skyliner 1958, foi o vencedor da primeira corrida no Daytona International Speedway, dois dias antes das 500 Milhas.
Luiz Vicente Miranda
(reprodução)



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Comentários:


Comentário de: Sidney Cardoso · http://www.nobresdogrid.com.br

Vicente
É chover no molhado dizer que suas matérias são espetaculares.

Rapaz, seu texto me proporcionou uma volta muito legal ao passado.

Adorei rever esses belos carros rabo de peixe. Como eram bonitos esses carros!!!!

Pra mim, sem dúvida alguma, os rabos de peixe proporcionaram a época dos carros mais bonitos de toda história automobilística.

Grato por me trazer de volta tão belas recordações.

Abração e meus votos que continue a nos brindar com mais matérias que toquem acordes melodiosos em nossos nervos cardíacos.

PermalinkPermalink 02.01.12 @ 23:38



Comentário de: Luiz "Okrasa" Salomão Email

Sidney, sabe o que me levou ao passado...foi que lembrei do programa do Fernando Calmon, acho que na TV Tupi, dobre automobilismo em preto e branco e mostrava as corridas de Daytona. Lembro de um tal de Fred Lorenzo se não me engano que chegou a competir com um Dodge de 900 cv, é mole. Acho que tenho algo sobre isso, mas vou ter que procurar muito...abs

PermalinkPermalink 03.01.12 @ 09:25



Comentário de: Vicente Miranda

Sidney,

Obrigado por suas palavras. Um comentário como o seu encabeçando a lista é uma honra.

Li sua matéria no Nobres do Grid (Primeira Fila) e aquele lance da estopa é aquilo que já lhe falei: estopa na mão de mecânico é um perigo.. Melhor usar pano e proibir a estopa.

Usando este espaço e continuando o comentário sobre sua matéria, quanto ao piloto paulista ter-lhe dado dicas erradas, lembro-me que uma vez entrei no circuito de Interlagos para buscar um amigo meu que competia na Divisão 3, quebrara durante a prova e ficara pelo meio do caminho. Apos a prova a organização permitia que entrassem carros comuns, de serviço, para ajudar na busca de pilotos que ficaram a pé ou mesmo rebocar os carros que pararam no circuito. Nisso eu aproveitei para andar forte, sem antes perguntar a um outro piloto carioca que estava assistindo a corrida, como se fazia a Junção. Ele me disse: "pé embaixo". E eu, entrei na pista, desci o retão, fiz a 3 (uma delícia) a 4, a Ferradura redondinho, parei no miolo, peguei meu amigo e fui "brincando" até voltar aos boxes. Fiz o S, Pinheirinho, Bico de Pato, acelerei o que podia no Mergulho e cheguei bem forte na Junção, fui lá fora para fazer a tomada, não freei, apenas aliviei um pouquinho, reduzi uma marcha, e entrei com galhardia e destemor. Nisso meu amigo que estava ao meu lado gritou:

_ P Q P ! 'Cê tá louco ????....

E fiz a Junção de lado, com o guard-rail chegando perto ...

De volta aos boxes, ainda assustado, perguntei ao meu amigo carioca que raios de Junção com pé embaixo era essa maneira de tomar aquela curva. Ele simplesmente não sabia qual curva era a Junção e apontou para o Mergulho.

Lendo o que Junior Lara (Luiz Lara Campos Jr.), um dos maiores "feras" da Divisão 3 e profundo conhecedor de Interlagos relata em seu blog sobre a Junção, ele lembra da dica que Chico Landi lhe deu no início de sua carreira: "matar" o caro na entrada da Junção, entrar redondo para sair forte, embalado para subir a reta dos boxes. Eu fiz tudo ao contrário, e perigosamente. Mas foi uma sensação inesquecível !

Saloma,

Carro da NASCAR com 900 cavalos é difícil ... A NASCAR até hoje usa carburadores. Quem fez fama com carros da linha Dorge (Plymouth) foi a Richard "Dick" Petty. Vou pesquisar esse Dodge que teria essa Cavalleria Rusticana sob o capô. Vou pesquisar também esse Fred Lorenzo. Nome pomposo, parece ator de cinema italiano.

PermalinkPermalink 03.01.12 @ 10:47



Comentário de: Luiz "Okrasa" Salomão Email

Vicente...essa imagem já estou me lembrando. Ele está na parabólica e a barata é branca...vou atrás!

PermalinkPermalink 03.01.12 @ 10:49



Comentário de: Sidney Cardoso · http://www.nobresdogrid.com.br

Saloma
O programa do Fernando Calmon sobre automobilismo era mesmo na TV Tupi.
Era gravado no antigo Cassino da Urca. Fui convidado por ele algumas vezes e participei.
Numa das vezes saí para testar o Dodge Charger. Era comum naquela época os fabricantes deixarem um carro por uma semana com os jornalistas para testarem.

Lembro-me que a aceleração desse Dodge me impressionou muito positivamente.

Quanto ao piloto que você falou, sinceramente não me lembro.

Vicente Miranda

Que isso rapaz, meu comentário é apenas mais um comentário.

Quanto ao e-mail que você me enviou falando sobre a proibição de estopa na Cipan, achei bem interessante.

Rapaz, o mecânico Luiz Carlos Ferrari de Sá, de Petróplis, mais conhecido como Ferrari, era excelente. Creio que o Saloma deva ter o conhecido, pois era da mesma terra dele.

Ele teve um azar enorme. Depois que a estopa caiu dentro do carburador ele fez de tudo para tirá-la de lá. Usou alicate de bico fino, etc,etc. Enfim, são coisas de corrida.

Trago comigo ótimas lembranças dele. Ele era muito bem prevenido, sabia com antecedência quais peças seriam importantes tê-las em duplicata para corridas longas.

Se existe andar de cima, com certeza estará lá dando assistência a turma boa que lá se encontra.

Abraços.

PermalinkPermalink 04.01.12 @ 00:50



Comentário de: Sergio Primo Falque

Grande matéria, excelentes fotos...boa rapazes !!!
Fernando Calmom, eu era "quase" bebê mas me lembro do programa, e hoje ele escreve no site AutomiveBusiness do meu amigo Paulo Braga.

PermalinkPermalink 07.01.12 @ 23:23



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