CHEETAH, A SAGA CONTINUA...
Segunda, Set 12, 2011
CHEETAH, A SAGA CONTINUA...
Voltando ao ponto onde paramos no capítulo anterior, o piloto Jerry Entin, após alugar seu carro para as filmagens de Spinout, vendeu seu Cheetah a Denny Doherty do conjunto The Mama's and The Papa's, que prontamente pintou o carro de azul e converteu o "racer" num carro de rua.
Após Denny Doherty (o segundo da esquerda para a direita no video acima), perdeu-se a pista do carro, sendo que recentemente apareceu um na Europa que supõe-se tenha sido o de Denny. Escolhi a canção California Dreamin' para dar um toque musical no sonho de Bill Thomas.

Voltando ao sonho de Bill Thomas, apesar dos problemas, os Cheetahs obtiveram onze vitórias em provas de menor porte, superando alguns protótipos mais avançados tecnicamente providos de motores entre-eixos na verdadeira acepção da palavra, a ponto de Bill Thomas adotar um bordão ufanista no seu emblema: "Cheetahs Always Win".

Desde as suas primeiras aparições as linhas do Cheetah atraíam os aficcionados de carros esporte e de competição, a ponto da Cox, tradicional fabricante de carros de autorama lançar no mercado nas escalas 1/32 e 1/24.
A emoção de ter um Cheetah da Cox era indescritível.
Voltando das lembranças de adolescência, as informações sobre a quantidade de carros produzidos varia conforme as fontes. Os números vão de 16 a 23 unidades.
Bill Thomas fabricou um terceiro carro, vendido a Ralph Salyer...

...que com seu mecânico-chefe Gene Crowe, decepou a capota do belo Cheetah Coupé e o transformou...


...no único Cheetah "roadster" , o Cro-Sal Special (Cro de Crowe, Sal de Salyer).
Bud Clusserath comprou o quarto carro para participar das 12 Horas de Daytona de 1964.

Clusserath participou de diversas provas com seu Cheetah mas não obteve o mesmo sucesso de Titus e Salyer. O quinto Cheetah foi comprado pela Alan Green Chevrolet em associação com a Bardahl. Jerry Grant acidentou-se com o carro nos treinos para as 24 Horas de Daytona de 1964 e não participou da prova.


O sexto Cheetah foi comprado isoladamente pela Alan Green Chevrolet, participou de diversas competições nos anos 60, e até hoje participa de provas históricas e exposições de elegância automobilística, como pode ser visto nas fotos acima.
O sétimo Cheetah também foi adquirido pela Alan Green Chevrolet para revenda e ser usado nas ruas. A esposa de Alan Green participou de algumas provas de dragsters com o carro.

O oitavo Cheetah não participou de corridas em sua época, sendo exposto, como na foto em Pebble Beach 2008.

O nono Cheetah recebeu um motor Cadillac para ser usado nas ruas mas acabou participando de algumas competições.

O décimo Cheetah foi destinado apenas a provas de dragsters. Era carro oficial de fábrica.

O primeiro Cheetah após a Divisão Chevrolet tê-lo devolvido a Bill Thomas, foi totalmente reformado, pintado de branco, ganhou o número "58" e teve uma breve carreira nas pistas.

AS informações são por vezes conflitantes mas este carro é tido como o décimo sexto carro construído por Bill Thomas, comprado por Mike e Sherry Musia e nunca participou de corridas nos anos 60. Passou por diversas mãos até que em 1984 foi adquirido por Skip Gunnell, já falecido, o qual preparou o belo Cheetah #110 para provas históricas.
Entre os instantes (minutos) 02:04 e 02:14, a referência à inexistência de eixo cardã ("no room for drive shaft..."
No video Skip Gunnell descreve o carro e nos leva a um passeio. Passo-a-passo o sonho de Bill Thomas virou pesadelo. Em 1965 a SCCA anunciou que a produção mínima para homologação de carros na categoria GT passaria de 100 para 1000 unidades. E para piorar a situação...


...um incêndio no galpão destruiu a pequena fabrica de Thomas, a carroceria "master" de madeira que servira para fazer as primeiras carrocerias de alumínio e os moldes para as de fibra de vidro, o dragster oficial de fábrica, além de diversas peças no almoxarifado, o que contribuiu para dar o atestado de óbito ao Cheetah. Do incêndio salvaram-se quatro chassis inacabados e algumas peças.
Alie-se a isso o fato da General Motors não mais se interessar em apoiar "por baixo dos panos" projetos como o Cheetah, e muito menos suprir as peças necessárias. E ainda por cima, naquele período nos anos 60, os projetos de carros esportivos e de competição estavam se voltando maciçamente aos carros com motores realmente entre-eixos, leia-se atrás do piloto, e equipados com "transaxle". Um bom exemplo disso foi o Shelby Daytona que se tornou obsoleto com o desenvolvimento do Ford GT40.
Daí em diante Bil Thomas puxou o fio da tomada e não quis mais saber de carros de corrida. Diversos fabricantes de "kit-cars" apareceram, como é o caso das réplicas do Cobra que uma infinidade de empresas produz. Restam nos dias de hoje entre 8 e 10 carros originais, números estes bastante controversos, algo semelhante às Lolas T-70 que renascem das cinzas.
Felizmente, para quem está disposto a desembolsar uns US$ 100.000,00, a BTM (Bill Thomas Motorsport - nome dado em homenagem a Thomas) fabrica réplicas impecáveis que são aceitas em provas históricas, visto que as mesmas possuem...

...certificado de autenticidade assinado pelo próprio Bill Thomas.


Em visita à BTM em 2007 á adoentado, mas feliz por ver seus carros recriados.
Assistam a um video de um Cheetah BTM "lightweight" Race Car. Professor Bob Bondurant não se conteve a acelerou a barata.
Bill Thomas faleceu aos 88 anos em 10 de Outubro de 2009.
Por Luiz Vicente Miranda, engenheiro mecânico, antigomobilista, possui um MGB Roadster 1967 e um Porsche 914 1974, entusiasta de esportes a motor, ex-kartista e motociclista apaixonado por máquinas inglesas, como Triumph, HRD-Vincent, Norton e BSA...
(reprodução)
Categorias: Esportes, Vídeos automobilísticos, Classic Cars, Vicente Miranda
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Comentários:
Impressionante o seu trabalho de pesquisa sobre o Cheetah.
Interessantíssima a matéria sobre este clássico do automobilismo americano apesar da sua curta vida.
Ver um Cheetah ao vivo agora pelo visto só lá em Peeble Beach.
A não ser que se encontre um daqueles fabricados pela Cox, de preferência na escala 1/24, se bem que outro dia descobri um na escala 1/32 num site americano de slot car (autorama) e estavam pedindo por ele 500 US DOLLARS !
É muito dinheiro para um carro de autorama, mesmo ele sendo um Cheetah.
Abraço,
Carlos
Você deveria ser arqueólogo ao invés de engenheiro.
Mestre em pesquisas dessa ordem.
Quanto aos Cheetah's de auto-rama,já imaginou se eu ainda tivesse o meu da Strombecker?
Iria valer os...do marajá.
Já achei um Ford GT 1/32 (azul, lembra-se) da Cox, daqueles primeiros que tinham o cabeçote de nylon preto junto ao pinhão, 0 km, na caixa, por uns US$600.00. Cheetah 1/32 (Cox) achei bem mais barato.
Pedro,
Dando continuidade ao nosso papo por e-mail, só o Hemi 300 já, seria o maior barato. Um motor que chegou a equipar muitos chassis de Cucaracha na 1/24. Já vi à venda nos EUA alguns carros da Strobecker 1/24 com aquele baita Hemi 400. O Carlos, que escreveu o primeiro comentário, teve um motor Green Hornet naquela época que os 1/24 andavam com aqueles enormes motores 36D sidewinder. Eu tive um Chaparral 2D 1/24 (36D) da Cox lindo. Nos primórdios da 1/24 com carros de kit era usual escolher as pistas dos cantos para escorar a traseira na mureta e fazer a curva acelerando e gastando a traseira da carroceria de plástico. Nos EUA existem corridas de "vintage slot cars". Aqui no Brasil acho que não. Pergunte ao Evandro "Beirinha" porque é diferente da 1/32 atual com carros históricos.
Saloma,
Pedro foi mecânico de kart de Jorge Freitas e Toninho da Matta, tendo inclusive ido ao Mundial de kart no Estoril em 1975. Também foi mecânico do Newton Alves, campeão carioca de Formula Vê em 1968, um dos poucos pilotos que venceram provas de kart, moto e automóvel.
E o Carlos Heilborn, em 1975, foi meu patrocinador no kart.
Parabens,muito bom.
O João Roberto Marinho correu na antiga pista do Novo Rio Country Club, desativada em 1974. Ele nunca correu no Maquimundi que foi inaugurado em 1975. João havia parado de correr de kart no final dos anos 60/início dos anos 70.
Mais amigos aparecendo por aqui. Fico feliz. Obrigado pelas palavras.
Esta figura enigmática que atende por João Najan Fontes, hoje dono de oficina em Los Angeles, foi um grande ás do autorama, tanto quanto Pedro Ernesto, seu companheiro de Equipe Marte (team manager Maeda). Toda essa turma da Marte era oriunda das matas tijucanas. João na fase adulta foi chefe de oficinas de motocicletas e de automóveis aqui no Rio. Depois que foi para os EUA, não mais se alimenta com os deliciosos kibes do saudoso Sheik, nas cercanias da Praça Saenz Pena, mas sim de gordurosos sanduíches dos Burger Kings da terra de Tio Sam. Mas morre de saudades de um caldo de cana com pastel de vento no Largo da Segunda Feira.
Jacob, outro ás do autorama, mas este da minha tribo de Botafogo. Grande piloto e preparador de carros, motores e reostatos, a quem devo algumas vitórias que obtive devido a um super reostato que ele preparou para mim. Certa vez foi retirado da pista na marra por "Babai" para voltar para casa. Foi meu colega de faculdade e trabalhamos na mesma empresa durante décadas.
Só falta o Evandro "Beirinha", hoje residente em Santa Catarina, aparecer por aqui. Diziam que Beirinha dormia embaixo da pista do Autorama Center de Botafogo, cujas instalações pertenciam ao Ricardo Achcar.
Em 1960 o primeiro Chaparral de Jim Hall tinha motor dianteiro chevy small block de alumínio em posição bem central, atrás da suspensão dianteira e certamente inspirou o criador da Cheetah. pois é bem anterior. Na modernidade o melhor exemplo de sucesso em GTs com motor dianteiro foi o Panoz Esperante Americano, que chegou a ganhar corrida do mundial FIA GT, em 1998 batendo mercedes-benz e porsche de fábrica, na época apelidaram o Panoz de Batmóvel por seu estilo de carroceria
Um forte abraço!
Que eu me lembre o Ford GT 1/32 com motor antigo (cabeçote de nylon preto na parte trasentra do motor) foi lançado pela Cox antes do Cheetah:
1) Observe esse kit da Cox de Ford GT da Cox à venda no E-Bay e veja foto por foto:
http://www.ebay.com/itm/VINTAGE-COX-FORD-GT-1-32-SLOT-CAR-KIT-MAGNESIUM-CHSS-/110724947764
1.1) E ample a terceira foto abaixo para ver o motor antigo com cabeçote de nylon preto junto ao pinhão:
http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?VISuperSize&item=110724947764
2) Posteriormente a Cox (e as outras fábricas de slot cars, como a Monogram, AMT, etc) lançaram seus carros com o novo motor Mabuchi equipado com o cabeçote de nylon na frente. Nessa época a Cox relançou Ford GT e lançou o Cheetah com esses novos motores, mais resistentes.
Veja o Cheetah abaixo à venda no E-Bay e observe o motor mais moderno com cabeçote de nylon preto na frente:
http://www.ebay.com/itm/COX-CHEETAH-BILL-THOMAS-1-32-CUSTOM-RACER-/230671943641?pt=Slot_Cars&hash=item35b51e87d9
2.1) E ample a quinta foto abaixo para ver o cabeçote de nylon preto no lado oposto ao pinhão, ou seja, na frente:
http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?VISuperSize&item=230671943641
3) O Ford GT da Cox que está à venda no EBay na faixa dos US$ 600,00 e o Cheetah (0 km, na caixa) que já ultrapassou os US$ 200,00. Certamente vai passar fácil dos US$ 500,00 pelo fato de ser um kit 0 km, como se diz, "sealed". Eu mesmo andei dando uns lances entre US$ 150,00 e US$ 200,00 mas fui imediatamente superado.
Nota: O Cheetah da Strombecker tinha um chassi muito ruim, mas seu motor Hemi 300 superava os Mabuchi utilizados pela Cox, Monogram, AMT. etc.
Parabéns pela pista.
Obrigado pelas palavras.
Se o IPI para carros novos não tivesse subido 30% quem sabe você poderia aumentar sua coleção com uma réplica BTM ? Ou então você arremata um original em Pebble Beach, aproveitando que o aumento do IPI é apenas para carros 0 km e, que eu saiba, não atinge os antigos com mais de 30 anos.
Complementando meu comentário acima, apesar do Cheetah (de verdade escala 1:1) ter sido lançado por Bill Thomas antes da Ford lançar o Ford GT nas pistas, ao que me consta, nos slot cars a Cox lançou o Ford GT com motor de cabeçote de nylon preto na parte traseira do motor, junto ao pinhão, anos antes de lançar o Cheetah, este com motor de cabeçote de nylon preto na frente, ou seja, no lado oposto ao pinhão.
Daqui a pouco devo dar uns lances no Cheetah lá no EBay. A cada lance que eu dou aparece um US$ 2,50 mais alto.
Tenho pensado seriamente em voltar a curtir autorama com esses carros clássicos, os 1/32 da Cox e da Monogram de meados dos anos 60. Mas os preços nos EUA para os carrinhos em ótimo estado estão subildo, e os kits fechados (sealed) nunca montados estão uma fortuna, como você deve ter visto no EBay. Talvez seja mais apropriado enveredar pelos 1/32 históricos construídos atualmente, se não me engano pela SCX. E tem até campeonato regular, pelo que andei sabendo. Vou me aprofundar no assunto. Aceito ajuda.
Quanto ao site do Pace Autorama, soube da existência da magnífica coleção há poucos dias pelo amigo antigomobilista José Rodrigo Octavio, que ainda guarda consigo alguns carros daquela época inclusive um Chaparral 2D 1/24 da Cox.
Se São Paulo fosse pertinho eu já estaria na pista com vocês.
Um abraço,
VM
Quase comprei o tal Cheetah da Cox (1/32) que estava à venda no E-Bay. Dei um lance de US$212,50 faltando sete horas para o término do leilão. Chegquei a receber e-mail do E-Bay informando que meu lance era o mais alto, que eu era "almost the winner" e o carro já era quase meu. Enviei mensagem para o proprietário do Cheetah, pasme, de Portugal, para acertar detalhes do envio, etc e tal, ele me respondeu pouco antes do meio dia.
Foi só passar a tarde em reunião de trabalho e, ao final da tarde, quando acessei meu e-mail, li uma mensagem do EBay informando que eu fora "outbid". Entrei no EBay e vi que apareceram diversos lances e o Cheetah da Cox, zero km, na caixa, foi arrematado por um valor superior a US$300.00 . Valor baixo, se pensarmos que existe um Ford GT da Cox (motor antigo) por quase US$600.00 .
Deu para perceber que existe um mercado forte desses carros de autorama dos anos 60.
Espetacular artigo este do amigo Saloma
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