CHEETAH, CAÇADOR IMPLACÁVEL DOS COBRAS...
Segunda, Set 05, 2011
CHEETAH, CAÇADOR IMPLACÁVEL DOS COBRAS...
Em 1962 Carroll Shelby barbarizou nas corridas de carros esporte nos Estados Unidos com seus Cobras. Até então a categoria de carros de produção da Sports Car Club Association (SCCA) era dominada por Corvettes particulares. Vale ressaltar que no final da década de 50 os frês maiores fabricantes de automóveis norte-americanos (Ford, General Motors e Chrysler) concordaram em não participar de corridas. Por conseguinte não haveria nenhum equipe oficial para dar suporte aos carros dessas marcas.
Isso é o que estava no acordo de cavalheiros, mas Shelby recebia apoio da Ford "por baixo dos panos" de uma forma tal que não feria os termos do trato firmado. Aí então Bill Thomas, um dos preparadores de Corvette, procurou a General Motors com a solicitação de suporte técnico-logístico para construir um carro que competisse com o Cobra, carro este que utilizaria componentes originais Corvette.
A proposta de Thomas foi bem recebida, e logo deu início ao projeto do Cheetah. Havia um único obstáculo a ser vencido: a necessidade de produzir um mínimo de 100 carros para que o Cheetah pudesse ser inscrito na categoria agora dominada pelos Cobras na SCCA.
Thomas utilizou o motor Chevrolet 327 destinado aos Corvetes, estes com mancais de 4 estojos, elevou a cilindrada para 383 polegadas cúbicas (6,3 litros), equipou-o com uma injeção Rochester, que por sinal já era disponibilizada como opcional pela GM desde 1957, devidamente preparada para um motor mais brabo. Bem feitinho o motor despejaria algo ao redor de 500 HP. Além da injeção Rochester, alguns carros correram com carburação dupla Holley Quadrijet outros com as quádruplas Weber. Só motores General Motors, Chevrolets na quase totalidade e um único com motor Cadillac. Seguindo a moda dos fabricantes de carros esporte italianos, Thomas optou por um chassi tubular do tipo space-frame...

Imagem típica de uma caixa de câmbio acoplada a um diferencial Halibrand Quick Change, semelhante à concepção adotada no Cheetah
... com o grupo motor-transmissão montado o mais para trás possível visando uma melhor distribuição de peso. Um detalhe "sui generis", era a ausência de eixo cardã, sendo a caixa de câmbio acoplada ao diferencial por uma cruzeta. Consequentemente este lay-out fez com que a distribuição de peso fosse quase semelhante a um carro de motor entre-eixos, porém sem o alto custo de um "transaxle". Infelizmente esta solução causava um aquecimento absurdo no cockpit ...
... que teve que ser posicionado bem atrás, fazendo com que o piloto ficasse praticamente sentado sobre o eixo traseiro de suspensão independente, originário do Corvette geração C2 iniciada em1963. Como foi definido nas "bases de projeto" que o Cheetah utilizaria componentes Corvette "de linha", Thomas teve que utilizar freios a tambor nas quatro rodas, que à primeira vista poderiam representar um prejuízo, mas como eram projetados para muito mais pesados, mostraram-se bem eficientes. Uma bela carroceria de alumínio provida de portas em gaivota completava a obra.
Após alguns atrasos em meados de 1963 o primeiro Cheetah ficou pronto e estava claro que a meta de 100 carros produzidos não seria atingida atingida para o início da temporada de 1964.
O primeiro Cheetah nunca participou de provas na forma como saiu da fábrica. Foi comprado pela Divisão Chevrolet. Embora tenha sido exaustivamente testado, tendo se saído razoavelmente bem, foi verificado que a falta de rigidez torsional era responsável pelo "mau comportamento" nas curvas..... Mais tarde o carro voltou à Bill Thomas Race Cars e foi totalmente reformado.
O segundo Cheetah que viria a ser o carro "oficial de fábrica", teve uma extensa carreira até acabar seus dias andando pelas ruas da California. Diversos pilotos o testaram, ...
Bob Bondurant dando quatro voltas com uma réplica de Cheetah fabricada pela BTM na Bondurant School of High Performance Driving em Chandler AZ...
... como Bob Bondurant (vide fotos e video acima), Billy Cantrell e Jerry Titus. Jerry Titus foi o escolhido para ser o "piloto oficial de fábrica".
A estréia estava prevista para acontecer no Los Angeles Times Grand Prix de 1963, em Riverside. No entanto, duas semanas antes da prova, Billy Cantrell testando o carro sofreu um sério acidente, impedindo a participação do Cheetah no evento.
A estréia finalmente aconteceu em Janeiro de 1964 em Riverside. Jerry Titus pulou na frente e logo ao completar a primeira volta, um problema mecânico fez com que o carro seguisse reto colidindo contra o guard-rail. Titus sobreviveu mas o carro, mais uma vez, ficou bastante danificado. O carro foi reparado, teve a carroceria de alumínio substituída por outra de fibra de vidro e participou de mais algumas provas até o final de 1964, sempre pilotado por Titus.
O Cheetah logo angariou uma ótima reputação pela sua performance, uma tremenda aceleração promovida pelo motor Corvette com cilindrada aumentada que empurava um carro de menos de 800 kg, portanto uma relação peso-potência maravilhosa, freiava bem, fazendo-o um foguete nas retas, e nas curvas ... bom, havia a ótima "mão-de-obra" de Jerry Titus que compensava o comportamento temperamental do carro.
Com peso bem inferior aos Cobras, uns 200 kg, o Cheetah "comeria os Cobras de garfo e faca", mas como sua produção não atingira as 100 unidades, teve que competir na categoria de carros abertos com motores entre-eixos, como o Chaparral 2A, dentre outros. Diversos problemas causaram sofrimento aos pilotos de Cheetah, tais como a supracitada alta temperatura interna do do cockpit, uma verdadeira sauna, e as portas que se soltavam em altas velocidades. Houve um Cheetah que teve a capota cortada.
No final de 1964 o Cheetah "oficial de fábrica" foi vendido à Friendly Chevrolets que o revendeu ao piloto Jerry Entin em 1965.
A primeira corrida de Entin com o Cheetah foi no Old Stardust Raceway, em Las Vegas. Entin venceu. Participou de mais algumas provas na California, alugou depois o carro para o filme Spinout, de Elvis Presley (Mike McCoy), lançado em 1966.
No início do vídeo, entre os instantes (minutos) 01:49 e 03:10, Cobra 427 e Ferrari 250 GT Cabriolet na estrada num pega interessante...
...uma micro edição do filme.

Observem que o Cobra que cai no rio é substituído por um "fake"...
Cobra 427 e McLaren-Elva nos primeiros 5 min do video...
A largada da corrida acontece aos 08:24 min. O Cheetah pode ser visto aos 08:50 min, 08:59 min e 09:01 min a 09:03 min...

No video acima, entre os instantes (minutos) 04:29 e 04:35, a Ferrari 250 GT Cabriolet é substituída por um Triumph TR4 ou TR5 com um parabrisa e quebra-ventos adaptados para iludir o espectador...
Segue no próximo capítulo a história dos, "Cheetah, caçadores implacáveis dos Cobras!!
Por Luiz Vicente Miranda, engenheiro mecânico, antigomobilista, possui um MGB Roadster 1967 e um Porsche 914 1974, entusiasta de esportes a motor, ex-kartista e motociclista apaixonado por máquinas inglesas, como Triumph, HRD-Vincent, Norton e BSA...
(reprodução)
Categorias: Esportes, Classic Cars, Vicente Miranda
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Comentários:
Coitado do Bondurant, um senhor piloto, parecia que estava usando um sapato uns cinco números menor e veja que mesmo andando macio o bicho tinha um torque de arrepiar!
Abraços
Após ver a história do Cheetah me lembrei dos nossos pegas de autorama.
Você com o Cheetah e eu com o Ford Gt40, ambos fabricados pela Cox.
O Cheetah era ou ainda é um carro lindo, não importando muito se ele era arisco nas curvas, se o piloto sentava quase em cima do eixo traseiro ou se era assado dentro do cockpit, enfim o carro era muito bonito e nas mãos de ótimos pilotos dava uma canseira nos outros carros.
Excelente o artigo como de hábito. Estou agauardando a continuação do mesmo.
Belo post, "tio" Vicente, parabens, manda mais...
Daqueles longínquos anos 60, fica a doce lembrança das corridas na HobbyCenter de Copacabana e na maravilhosa pista de tape com contador eletrônico de voltas que meu amigo Carlos Heilborn tinha em sua casa no Jardim Botânico.
No segundo capítulo tem mais.
O Cheetah para mim teve um significado muito especial pois ganhei muitas corridas de auto-rama com ele em escala 1/32.Valeu !
Abs,
J.E.Ávila
Foi muito bom conhecer mais a respeito deste Carro, que teve participação tão importante na infancia de tantos entusiastas, via Autorama.
Como te disse, era o meu favorito.
Abraço!
Bom que você tenha gostado.
No segundo capítulo tem mais Cheetah. Acabamos o primeiro capítulo com a vida cinematográfica do segundo Cheetah e iniciaremos o segundo com sua relação com a música pop nos anos 60. Daí em diante discorreremos sobre todos os Cheetahs fabricados, aparecerão fotos e videos, será mostrado aquele vermelho que você viu em Pebble Beach, etc.
Na verdade o autorama é o elo que une os amantes do Cheetah, eu inclusive. Pena que uma réplica custe muito caro para importar. Aguarde o segundo capítulo.
Abraço.
Eu lembro do meu tio americano ter um desse quando eu era adolescente!
Naturalmente, era um de autorama! É complicado ter um de verdade, e hoje em dia deve ser bem raro um bem conservado né.
Uma réplica da BTM custa uns US$ 100.000,00. Veja a mais recente matéria sobre Cheetah divulgada aqui no Saloma do Blog.
Leia o link abaixo, de um carro dito como original mas, na verdade, trata-se de uma excelente réplica construída pela BTM (Continuation Series #019 montado em 2007), o mesmo carro pilotado por Bob Bondurant no video que aparece na matéria a que me referi acima (Cheetah, a Saga Continua).
http://www.azcarsandtrucks.com/1965cheetahba.html
Um Cheetah de autorama, seja Cox ou Strombecker escala 1/32 pode variar de US$ 60,00 (usado) a US$ 500,00 (ou mais) na condiçao de 0 km, na caixa original, nunca montado. Se for 1/24 custa um pouco mais.
Um dos poucos Cheetahs originais podem chegar a uns "trocentos" mil dólares e até bater na porta da casa do milhão, a depender da vontade de comprar e do saldo bancário do interessado. Carros de corrida clássicos, com história comprovada, estão subumdo de preço vertiginosamente nos Estados Unidos e na Europa.
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