MISS BARDAHL, A PODEROSA...
Quinta, Ago 11, 2011
MISS BARDAHL, A PODEROSA...
Fala Vicente, agora é por cima d'água ou quase...pirou de vez!
Miss Bardahl, um hidroplano 3 pontos da classe "Unlimited" que fez história na motonáutica nos Estados Unidos e sua fama correu o mundo.
Com 30 pés de comprimento, pesando aproximadamente 3.500 kg e impulsionada por um motor Rolls-Royce Merlin V12 de 3.000 HP (também construído nos Estados Unidos pela Packard, sob licença) utilizado em aviões militares da Segunda Guerra Mundial, superava 180 MPH (333 km/h) praticamente voando sobre a água.
E com toda essa cavalaria empurrando a Miss, em plena velocidade ela deixava um "rabo-de-galo" (spray) que atingia mais de 10 metros de altura.
A designação "3 pontos" , comum no meio da motonáutica, advém do fato que o barco, em alta velocidade, toca na água apenas nos dois flutuadores (sponsons) no meio do casco e na hélice. O colchão de ar formado sob o casco faz com que o mesmo plane, diminuindo assim o arrasto hidrodinâmico.....
... por vezes lembrando ao motor Merlin a fama que obteve em combates aéreos.
Competindo regularmente na primeira metade dos anos 60, a equipe fez a poderosa Miss levantar entre 1962 e 1965 3 Gold Cups da American Power Boat Association, 3 Campeonatos Nacionais, 1 Campeonato Mundial (Classe Unlimited correndo nos EUA) e inúmeros recordes. E tudo isso sem uma única quebra de motor !
Após 1965 o barco foi aposentado e passou a ser exposto em pontos de venda da Bardahl. A partir de 1983 já no acervo do Unlimited Hydroplane Museum & Hall of Fame, passou por uma restauração cosmética, até que o museu entrou em dificuldades financeiras.
Da esquerda para a direita -> EM PÉ: Jarry Zuvich, Roger Kruse e Dixon Smith.
Agachados: David Smith, Skip Schott e Ron Musson (piloto, de boné)...
Da esquerda para a direita -> Skip Schott, Ryan Smith, Dixon Smith e David Smith...
Em 2000 Dixon Smith, um dos membros da equipe original, adquiriu o barco e o restaurou à perfeição.
Hoje a Miss Bardahl pode ser vista em provas históricas da classe Unlimited, junto a outros ícones da motonáutica.E esses vídeos o que me dizem:
http://www.youtube.com/watch?v=6Z-oNCbiVpg&feature=related
Por Luiz Vicente Miranda, engenheiro mecânico, antigomobilista, possui um MGB Roadster 1967 e um Porsche 914 1974, entusiasta de esportes a motor, ex-kartista e motociclista apaixonado por máquinas inglesas, como Triumph, HRD-Vincent, Norton e BSA...
(reprodução)
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Comentários:
Na água 300 Kms não é mole não. Pois ali não tem amortecedores, nem molas, enfim, não tem suspensão e quem já guiou lancha sabe o quanto esse feito representa.
Uma vez um amigo de meu pai, o Hugo Ramos, me emprestou um tamanquinho de corridas e dei umas guiadas nele lá na Ilha do Governador, na Praia da Bandeira e achei o máximo. Nem sei a que velocidade aqueles tamanquinhos andavam, mas creio que era menos que 100 Kms, embora a velocidade no mar pareça muito mais. Agora imagine andar numa lancha a 300 Kms. Nooosaaaa!
Parabéns por mais essa bela matéria.
Que bom que os frequentadores do boteco gostaram da matéria.
Max,
Meu contato com a motonáutica se fez nos anos 60 através de meu tio Clovis Habeyche, diversas vezes campeão paulista e brasileiro na categoria ON (catamarã - 1 motor de popa até 2000 cm3). Eu o ajudava nas corridas, aprendia muito com os mecânicos, carregava bombonas com gasolina de aviação, um pouco de tudo enfim. Coisa de garoto apaixonado por aquelas máquinas maravilhosas. Certa vez, numa prova na Lagoa Rodrigo de Freitas, tive que pegar emprestado a bateria de uma Kombi de uns jornalistas porque, ao parar no box no Piraquê para reabastecer, a bateria do catamarã bi-motor (de popa) estava moribunda e os motores não pegavam. Como barco não pega no tranco como automóvel, a bateria da Kombi era o que havia mais rápido (ali pertinho) para solucionar o problema. A bateria foi instalada e meu tio venceu a prova de duas horas de duração. A bateria foi devolvida após a vitória.
Continuando, nos anos 60 até meados dos 70 nossa festa na Lagoa Rodrigo de Freitas era proporcionada pela grande maioria de paulistas que vinham competir no Rio, o gaúcho Lalo Corbetta (divesas vezes campeão gaúcho e brasileiro na categoria ON), e poucos cariocas como Miguel Stabile e o Almirante Dantas Torres, este último uma figura ímpar, competindo pelo prazer de estar com barco na raia, independente de chegar quase sempre nas últimas colocações. Até que no final de sua vida como esportista, o Almirante adquiriu um avançadíssimo catamarã (Classe ON) do grande piloto, campeão paulista e brasileiro, Wallace Franz, que anos mais tarde foi campeão mundial de competições offshore, muito antes de Eike Batista.
Mas o show era dado pelos pilotos paulistas com seus maravilhosos hidroplanos "3 pontos" e seus possantes motores V8. O ronco daqueles V8 era apocalíptico. A turma dos "3 pontos", como disse acima, era essencialmente paulista, como o empresário Abilio Diniz (tricampeão brasileiro na categoria), Fernando Nabuco, Rodolfo Freitas Filho, Ricardo Magnani, Carlos Keidel (que passou a correr com o barco de Abilio quando este passou correr de Alfa-Romeo pela Equipe Jolly-Gancia), Walter Taurizano (o único a correr com motor Chrysler 318 nacional), Lucio Sallowicz, Nicholas ("O Grego", hoje operando escunas em Parati) e Ademar Cardozo, que tinha barcos de diversas categorias, tendo inclusive competido com um "3 pontos" importado dos EUA equipado com motor Chevy 302 (5 litros) com injeção Hilborn a METANOL, que beirava uns 600 HP e berrava a 8000 rpm, barco este que eu vi atingir umas 130 milhas numa raia na Represa de Guarapiranga. Em São Paulo Lara Campos Jr., um dos grandes expoentes do automobilismo na Divisão 3, obteve ótimos resultados com um levíssimo "3 Pontos" equipado com motor Opala 6 cilindros, mas acho que ele não chegou a correr com este equipamento aqui no Rio, apenas com o barco a metanol de Ademar Cardozo.
Se você se lembra do show dos "3 pontos" na Lagoa com seus motores da ordem de 5 litros de cilindrada, imagine vários "3 Pontos" equipados com motores ROLLS-ROYCE (Packard) MERLIN de 3.000 HP e 27 LITROS de cilindrada. Em tempo, alguns Unlimited usavam motores Allison V12 de 28 litros de cilindrada (com compressor) e 4.000 HP.
No final da década de 60 a classe Unlimited passou a a utilizar turbinas. Leia o final da reportagem acima (Bardahl Captures Governor´s Cup).
Excelente a matéria sobre a motonáutica. Eu já conhecia a fama do motor
Merlin por seu desempenho nos aviões caça da II guerra Mundial. Se me permites, vou postar(colar) um trecho da matéria que li, faz algum tempinho, em teu blog.
Avião Caça P-51 Mustang
"Os P-51, estavam equipados com motores Allison de 1550 HP refrigerados a ar, mas que não possuíam supercharger e por isso perdia rendimento acima de 11 800 ft. Assim, os primeiros P-51 estavam limitados a operações a baixa altitude e mesmo com essa limitação, a performance era tamanha, que a Royal Air Force adquiriu-os em grande quantidade. A primeira missão de um P-51, sob o comando da RAF, ocorreu em 10 de maio de 1942, em um ataque contra Berck-sur-Mer, na costa francesa.
A instalação do motor Merlin
Pelos próximos 18 meses, os P-51-A continuaram a voar nos esquadrões da RAF, realizando um excelente trabalho, mas logo surgiram idéias de equipá-lo com motores mais potentes. A RAF dizia que ele era um excelente avião, mas faltava um empurrãozinho!
Certo dia, um piloto de teste da RAF teve a idéia de instalar no Mustang um motor Rolls-Royce Merlin, que tinha cerca de 300 HP a mais, além de supercharger. Sugestão transmitida ao Engenheiro Chefe da Rolls-Royce, que rapidamente vislumbrou o potencial da combinação daquele famoso motor com uma aeronave de aerodinâmica fantástica. Em novembro de 1943, começavam a operar os primeiros P-51-B.
Características, vantagens e benefícios do P-51
Esse projeto final do Mustang, era superior a tudo mais que voava naquela época. Possuía uma capacidade interna de combustível de 426 galões, e o motor era muito econômico, significando que seu alcance de 1 080 milhas, poderia ser estendido a 2 600 milhas com a utilização de tanque subalares, fazendo com que ele fosse o caça com maior raio de ação."
Parabéns pelo blog,
Abç
Martim
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