O PORSCHE - KEIL
Segunda, Ago 01, 2011
O PORSCHE - KEIL
No final da década de 60 vivíamos uma época de experiências aerodinâmicas, em alguns casos com peças móveis como os aerofólios utilizados pelos Chaparral e vários carros da Formula 1. Foi quando Ike Eichelberg, um piloto cansado do pouca competitividade de seu velho Elva-Mk VII, mesmo equipado com um potentíssimo motor Porsche Fuhrmann 2000 cm3, com o qual participava de corridas na Carolina do Norte desde 1963, decidiu inventar.
E para isso juntou-se a seu amigo Bob Buck, recém formado pela North Carolina State School of Design, e partiram para o tudo-ou-nada e o resultado foi o Porsche-Keil (em alemão "keil" significa cunha). Naquela época muitos projetistas recorriam à forma de cunha para aumentar a "downforce".
O Porsche-Keil tinha sua carroceria articulada logo após o bico do carro, um sistema que funcionava à semelhança de dobradiças, que permitia levantar a traseira enquanto a frente permanecia solidária ao chassi. Nas retas a traseira abaixava, aumentando a penetração aerodinâmica.
Assim, conseguia uma melhor abordagem das curvas, à custa da traseira que se levantava causando um aumento da pressão na parte de cima da carroceria e "efeito-solo" pelas "mini-saias", anos mais tarde lançadas na Formula 1, que proporcionavam uma baixa pressão embaixo do carro. Tanta inovação sempre chamava atenção do público.
Na parte traseira, o elemento aerodinâmico preto tinha uma finalidade diferente de um spoiler convencional, pois redirecionava o fluxo de ar para baixo, reduzindo o arrasto aerodinâmico.
Pouco que se sabe sobre o Porsche-Keil, além do fato de ter participado de algumas corridas regionais com tempos de volta melhores que os obtidos com a carroceria do Elva MkVII.
Algum tempo depois o Porsche-Keil foi desmontado, o chassi voltou ao que era antes, se bem que levemente modernizado com um santo-antônio que lhe aufere maior rigidez estrutural, a carroceria original Elva reinstalada e assim o Elva MkVII-Porsche foi preservado, como pode ser visto nas fotos abaixo...




Ficaram do Porsche-Keil a história singular e os registros fotográficos...
Por Luiz Vicente Miranda, engenheiro mecânico, antigomobilista, possui um MGB Roadster 1967 e um Porsche 914 1974, entusiasta de esportes a motor, ex-kartista e motociclista apaixonado por máquinas inglesas, como Triumph, HRD-Vincent, Norton e BSA...
(reprodução)
Categorias: Carros, Esportes, Colunas, Vicente Miranda
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Comentários:
Belo post.
Nunca vi registros ou informações se a maluquice deu certo ou não.
Sem duvida era uma ideia original para a epoca, e tinha lá seus fundamentos, mas...também tinha sua falhas: devia aumentar o peso por conta de toda a trapizonga mecanica, e também subia o centro de gravidade, justo nas curvas. Mas, como disse o Mauricio, e epoca era mesmo de testar no "laboratorio em escala 1:1". Ou seja, ao vivo e a cores.
Antonio
Ótimo poder de síntese: a dupla Eichelberg & Buck foi fundo.
No entanto, se o regulamento fosse, se é que não foi, alterado, impedindo elementos móveis na carroceria, duvido que essa trapizonga "fixa" seria mais rápida que o Elva MkVII standard.
Belair,
O Elva MkVII realmente é bem "bunitim", em contrapartida o Keil é mais feio que a fome. Posso citá-lo como um do carros de corrida mais feios que já vi.
Seabra,
Claro que o peso deve ter aumentado, no entanto a trapizonga melhorou a performance do veterano Elva MkVII.
Saloma,
Sugiro uma enquete para escolhermos os 10 carros de corrida mais feios de todos os tempos, nacionais e estrangeiros.
Mas uma coisa me chamou atenção, me parece que o chassi é diferente do Elva, a parte interior de aluminio parece toda quadradona e volumosa, será que o chassi é o mesmo?
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