O LEGADO DE TUCKER...
Terça, Mar 23, 2010
O LEGADO DE TUCKER...
Sábado em Interlagos, com os comparsas papeando sobre as imagens do "Teste de Robutez" do ex-Belo Antonio Simca, e das peripécias do brother Walter Hahn nos circuitos de rua, principalmente Piracicaba, veio a tona o assunto do Tucker da coleção do Roberto Lee.
No almoço continuamos com o assunto, e as imagens que possuo do Tucker na terrinha, foram para o boteco. São originais em P&B e mais precisamente tiradas em agosto de 1988. Dá para se ter uma idéia do estado da barata já naquele ano, sem os pneus originais, acessórios faltando, instrumentos idem e por aí vai...mas a estrutura estava lá, intacta!

Só para iniciar os comentários, uma breve linha do tempo do Sr. Preston Thomas Tucker (acima), que nasceu em em Capac, no estado de Michigan, nos EUA em 21 de setembro de 1903 e teve o seu primeiro emprego como office-boy na sede da Cadillac Motor Company.
Como vendedor, foi o cara, trabalhou numa concessionária de Memphis, no Tenessee, chamada Mitchell Dulian. Vinte anos mais tarde, o dono dessa concessionária passaria a ser o diretor comercial da Tucker Corporation.

Em 1933, Preston Tucker já era diretor comercial da Pierce-Arrow (acima). Pouco tempo depois, já era proprietário de uma concessionária Packard em Indianápolis.
Em 1940, inaugurou em Ypsilanti, Michigan, a Tucker Aviation Corporation, indústria que fabricava aviões, tanques e canhões para a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, em 1945, rumou para o seu sonho, de construir um automóvel que fosse seguro, rápido, baixo, comprido e com boa aerodinâmica.

Um panachê de imagens de 1947, com a 1- No Debut do Tucker 48,em Chicago, na data de 19 de junho de 1947. 2- O motor do Tucker. 3- E a sua engenharia apresentada no lançamento. 4- Acomodação das bagagens...
Nascia o projeto Tucker Torpedo ou 48 (como também era chamado, o ano de seu lançamento), um carro que estava anos à frente da concorrência em matéria de engenharia, velocidade, com estilo futurista, além de ser extremamente seguro.
Em quinze anos de projeto, o carro recebeu diversas inovações como o design aerodinâmico desenvolvido pela indústria da aviação, além de apresentar uma segurança muito avançada para a época com cintos de segurança e compartimento deformável dos passageiros.

O pára-brisas (acima) do Tucker Torpedo também recebeu uma atenção especial: ficava encaixado sobre uma espuma de borracha, fazendo com que ele saltasse para fora do carro em caso de colisão. Detalhe: possuia um farol central que vira acompanhando a direção do volante para iluminar nas curvas.
Para se ter idéia de como Tucker se preocupava com a segurança dos passageiros, as maçanetas internas do veículo ficavam para dentro das portas para evitar que seus ocupantes se machucassem em caso de acidente. O interior do carro era todo acolchoado, inclusive o painel e, o retrovisor interno, era de plástico flexível.
Tucker Torpedo também tinha um sistema de suspensão independente, freios a disco nas quatro rodas. Um motor de boxer 6 cilindros de 5,8 litro, o mesmo usado no helicóptero Bell, dotado de uma potência de 166 cv que permitia ao carro chegar aos 190 km/h de máxima e ir de 0 a 100 km/h em 10seg. Os cilindros do Torpedo, em 1948, já eram alimentados por injeção. Outro detalhe: apenas US$ 2.450,00 por unidade. Após a divulgação do seu projeto, Tucker conseguiu encomendas de 300 mil unidades de pessoas que queriam possuir o "carro dos sonhos".

Com isto (acima, Tucker Paper), conseguiu atrair 28 milhões de dólares através do mercado de ações americano para iniciar o seu projeto, que foi colocado em prática numa antiga fábrica de aviões alugada em Chicago, onde chegaram a ser construídas algumas unidades do carro.
Mas, o seu inferno astral estava por começar. Por ter um projeto totalmente inovador e que poderia abalar o alicerce da indústria automobilística norte-americanas, segunda pesquisas, as grandes montadoras da época, juntamente com o próprio governo norte-americano, fizeram uma grande conspiração contra Tucker com um marketing negativo agressivo e expansivo de ataque ao industrial com calúnias, processos e fraudes em seus projetos e balanços que colocaram Tucker como um dos maiores fraudadores do país, como se tivesse enganado acionistas e concessionários, sendo comparado até mesmo a Al Capone.
Foi processado para anos de prisão, mas Tucker conseguiu ser absolvido. Mesmo assim, sua fábrica já havia sido fechada pelo poder norte-americano e o carro já havia conquistado fama de fraude, o que culminou no fim do seu sonho nos EUA, em 1949.
Apenas 51 unidades do Tucker Torpedo chegaram a ser construídas. Falam-se que desse total ainda restam 47 em poder de colecionadores, e uma delas seria essa que estava na época no Museu do Roberto Lee, que segue abaixo...





Esse foi o legado, do Tucker Torpedo, mas tem mais histórias, que virão em seguida, desse gringo genial, mas com sabor "Carioca"...
(reprodução/wikipedia/flikrFizzix/flikrBradford.allan/xwww.afraudedoseculo.com.br)
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Comentários:
Abs
Rui
Tinha motor de quatro cilindros, faróis móveis (desta vez, eles viravam com os pára-lamas),etc... Infelizmente, nunca o carro tornou-se uma realidade, e Tucker morreu de câncer de pulmão em 1956.
O painel (Lee) é bem diferente do das fotos oficiais repararam?
Abraços
Era uma colcha de retalhos, mas dá para fazer os 53 carros com peças arrumadas. O duro é fazer 10 mil, 100 mil.
Os motores foram comprados de sobras de guerra, eram motores de avião. Só aí já se vê que a coisa era doida. A escala de produção de motores de avião é muito inferior à da indústria automobilística, simplesmente ele não conseguiria fazer os carros como prometeu, pois não teria motores.
Além disso, que obrigação teriam os fabricantes de autopeças como caixas de cambio, diferenciais e outras de fornecer para um outsider?
Ele que não levou em conta isso e ficou espalhando que as grandes estavam boicotando. Quem o boicotou, se é que o fêz, foi a indústria de autopeças, ninguém é doido de desviar a produçao da GM, que comprava há 30 anos pagando, para um novato só por uma boa idéia.
O projeto do carro é interessante, mas só isso não basta, é preciso que o projeto de manufatura fique de pé. Uma simples série de protótipos e uma fábrica são muito pouco nesse negócio, onde estava a cadeia de suprimentos, onde estava a rede de assistência, o pós venda?
A grandes não fizeram nada, deixaram ele quebrar sozinho.
Como a humanidade adora histórias de fracassos fizeram um romance em cima do fato, até um filme de hollywood foi feito, bom por sinal, mas como tudo de hollywood bem longe da verdade.
Esse carro, que dá pra ver bem lindão no filme homonimo cheio de detalhes extravagantes para a época, dá uma pena de ver no estado em que está o único por aqui dos 47 sobreviventes.
Creio até ser bem difícil sua restauração, até por conta do imbróglio que envolve sua herança.
fazer o que?
Mal comparando a trajetória do Tucker tem similaridades com a do Gurgel.
Eu mesmo comprei uma das 10.000 cotas iniciais e a vendi quando percebi que o trem estava descarrilhando.
Perdi dinheiro? Sim, mas eu acreditei no sonho possível e , outro dia, quase comprei um BR800 inteirão pra usar aqui em Sampa. Em Santos tem vários deles mas a maioria com um motor a ar do gol. O irmão do meu meca também tem um assim. Vez em quando me empresta. Tá louco preu comprar....
Parabéns!! Abraçao
Eu vi este carro no museu do Robert Lee em 1982, e ele não estava tão ruim assim. Acho que tenho fotos da epoca, vou procurar e te mandar.
Não sei como este carro não foi vendido para o filme, uma vez que as melhores peças da coleção, como o Hispano Suiza 1912 e o Alfa Romeo 1750 P2 já "desapareceram" a muito tempo.
Antonio
Eu vi este carro no museu do Robert Lee em 1982, e ele não estava tão ruim assim. Acho que tenho fotos da epoca, vou procurar e te mandar.
Não sei como este carro não foi vendido para o filme, uma vez que as melhores peças da coleção, como o Hispano Suiza 1912 e o Alfa Romeo 1750 P2 já "desapareceram" a muito tempo.
Como o gordini e o Simca, o Tucker também passou por um teste de longa duração, e como eles também foi capotado no teste. Mas consta que ele terminou o teste rodando normalmente.
Antonio
O alfa romeo nunca foi uma P2, aliás nunca foi nada, é uma colcha de retalhos. o carro ainda deve estar lá e nunca pertenceu ao museu.
o carro foi emprestado pelo diretor do Detran de São Paulo, Dr. Paulo Pestana, já falecido, ao museu. Portanto, pertence ao Estado de São Paulo que nem deve saber disso.
Requer um exame para se ver que carro na realidade se trata, pelo que tem lá é uma mistura. A parte mecânica pode nem ser Alfa.
Quanto ao Tucker que lá está, me parece que ele teve um motor adaptado na dianteira (removido pelo Roberto Lee), o original está no Museu Eduardo Matarazzo em Bebedouro - SP. Com certeza também foi feita uma adaptação deste painel aí das fotos, pois o painel original do Tucker era totalmente diferente, bem pequeno e situava-se "apenas" na frente do motorista (questão de segurança) o restante era acolchoado (vejam fotos pela Internet).
Infelizmente, hoje acredito que este Tucker, assim como o que sobrou do museu irá virar pó, apodrecer (o que ficar por lá, pois os roubos são absurdos...). Uma pena, já que foi a sexta coleção do mundo.
É sempre bom falarmos de carros. Mas para fazermos um comentário
e passarmos aquilo que lemos ou ficamos sabendo temos que ter certeza
para não mudarmos o rumo da história.
Vocês sabiam que PRESTON THOMAS TUCKER ao inves de comprar os motores FRANLIN que equipou seus carros ele comprou a fábrica de motores. Desistiu de vender 65% da produção sómente para garantir que os motores
equipassem seu carro.
Vocês sabiam que para ele construir seu tim goose as empresas dobravam o preço da matéria prima para dificultar a execução do projeto.
Vocês sabiam que o Senador Homer foi o que comandou toda a conspiração.
Sómente o protótipo foram feitos a mão. Quando a fábrica fechou as portas
existiam 58 carros dentro dos quais as carroceria de nº 51 a 58 estavam de terminar.
Deixo meu abraços a todos e assim que possivel conto mais. Logo em breve
vôces poderão ver outro TUCKER 48 rodando nas ruas de São Paulo, mas não é o de CAÇAPAVA. Aguadem amigos.
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