SIMCA - "OPERAÇÃO ROBUSTEZ"...
Quinta, Mar 04, 2010
SIMCA - "OPERAÇÃO ROBUSTEZ"...
Esse era o nome nos bastidores do Teste de Resistência da barata, que veremos mais adiante no mapa feito pelo depto de engenharia que relata os resultados técnicos desde os primeiro dias até o final do teste.

Durante 44 dias e 44 noites, um Simca Tufão rodou 120.048 km a 113,1 km/h sem parar.
O local escolhido foram os 224 km da BR-7, no trecho entre Paracatu e Brasília. Era necessário realizar a prova em uma estrada com trânsito normal para que o resultado refletisse efetivamente no uso de um carro em condições normais, mas dentro das normas de segurança que não poderiam ser mantidas em rodovias de trânsito demasiadamente denso.


Equipe do Depto. de Competição da Simca...
Depois de terem sido considerados diversos trechos de estrada, o circuito ficou definido e, a zero hora do dia 1 de outubro foi iniciada a prova com início em Paracatu.

Walter Hahn na Simca, pronto...
Depois de iniciada a prova, o Simca rodou ininterruptamente, seguinte o seguinte cronograma:
Pilotos reservando-se após cada percurso de 448 km. Quer dizer, que cada piloto tocava a barata por 3h e 50 minutos consecutivos, mais ou menos igual a distância de Paracatu a Brasília ida e volta.
Eram pilotos de teste da fábrica que faziam na estrada velha de Santos diariamente testando os lançamentos, peças pneus e por aí vai, para a engenharia da fábrica , outros foram contratados só para o teste .
O numero exato eram 12 , sendo os contratados a saber :
Gunter Heilig, Luciano Onken, Manoel de Oliveira, Jose Gorga Neto (cunhado do Tõco), Edson Biston , Alberto Savioli , Carlos Calza (fazia parte do dpto de corridas, frequentava Interlagos)
Os pilotos da equipe oficial do depto de corridas:
Ubaldo Cesar Lolli, Jaime Silva, J . F Lopes Martins (Tõco ), Walter Hahn Junior e o próprio Geoges Perrot que também fazia revezamentos para sentir o carro. O Ciro Caires esteve por lá não me lembro se chegou a pilotar, creio que sim .
As escalas eram feitas pelo Perrot, e as vezes dependendo da disposição de cada um as escalas eram mudadas , mas sempre com periodos de descanço etc .

Walter e Perrot, na escala de troca na prova...
A velocidade era livre porem com critério para se fazer os 224 Km , a ordem era baixar a bota mas sem quebrar!
Existia sempre uma ida e volta super rápida onde era quase tudo de pé em baixo , se não estou enganado era uma ficha a ser carimbada em Brasilia pelo ACB com o horario exato da chegada ,(relógio ponto) lá era só controle super rápido. Dai se aumentava ou não a velocidade para manter a média sempre alta no final.
Cada piloto só voltava ao volante, 20 horas depois.

Posto de gasolina e o Simca chegando a direita...

Pilotos e mecânicos nos ajustes das paradas...
Dois postos de controle da ACB, um em Paracatu e outro em Brasília. Em Paracatu, era a troca de pilotos; abastecimento; lubrificações se necessário e revisões simples, sempre sob o controle dos técnicos da ACB, em registro num livro oficial.
¬As passagens nos postos de controle, foram duplamente registradas na ficha do próprio posto e numa cópia que seguia com o carro.
No transcorrer da prova, surgiram fatores que contribuíram para valorizar o teste. O clima na região caracterizava-se pelas oscilações, que durante o dia era um calor insuportável e na calada da noite, vinha o frio. E completando com os fortes temporais, que formavam verdadeiros lagos na estrada, o que dificultava demais o andamento da prova.
Na região, os pilotos enfrentaram nuvens de insetos, que batiam de encontro ao para brisa, emperrando os limpadores, fora os animais que atravessavam a pista, exigindo extrema cautela e provocando verdadeiras manobras dos pilotos para manter a estabilidade da barata.

Os mecânicos, só alegria...
Mas com toda a perícia, o Simca Tufão sofreu um acidente durante um temporal, depois de 44 dias e 44 noites. As partes mecânicas não foram atigidas, proporcinando a condução até o final da prova. No entanto dada a quilometragem já atingida, 120,048 km, foi encerrado o teste de resistência. E o que queriam mostrar sobre o carro já estava demonstrado. E o slogan estava montado - O Simca Tufão é o Carro Nacional Mais Resistente...
E depois do acidente, rodou por mais de cinco dias, mostrando a eficiência do modelo. Parabéns aos pilotos, mecânicos, engenheiros e toda a tropa envolvida no teste de resistência da Simca Tufão...
O mapa do Teste de Robustez:

Nota do blog: Agradecemos o empenho em nos enviar para o deleite da galera esse material maravilhoso que marca uma fase heróica da indústria automobilística brasileira, bem como o envolvimento com o esporte a motor na terrinha. Ao Walter Hahn todo o nosso carinho e admiração e esperamos mais...
Saloma/Walter Hahn
(reprodução/imagens arq. pessoal)
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Comentários:
Mas e daí? deve ter sido fenomenal participar rachando a lenha no "iribiri"
Asfalto novinho, pé no porão, que delicia aqueles retões intermináveis...
Meio beberrão, mas considerando o motor, até que razoável no consumo.
Não entendo até hoje a pífia utilização do resultado para alavancar a marca. Perderam o timing creio, ou não se deram conta do potencial; vai saber...
De qualquer forma foi um rali histórico até pela ousadia. Quem é que iria acreditar que o Tufão aguentaria essa quilometragem sem abrir o bico?
Já posso tirar da memória essa história mal resolvida , ficando com o relato, fotos e resultado, 45 anos depois .
Valeu muito Walter. Obrigadaço pelas notícias.
É isso aí síndico; muitas histórias malucas né não?
E o café GP? tenho que me programar pô!!!
O sogro do meu amigo e co-piloro Stanley Ostrower,,tinha um Simca Tufao,, e nos fomos para interlafos dar umas voltas,, em 1965 .com o carro totalmente original..sem preparaçao... demos uma gorjeta ao porteiro do autodromo de interlagos ( o nome dele era Pernanbuco,,( alguem se lembra dele ? ) e conseguimos cronometrar algumas voltas...* 4.57.. 4.58 ..acho que era um tempo muito bom para um carro standard. so com pneus maia cheios...( nao existia cinto de seguran~ca..!!!!! ) ,, abs ao amigo Piracicabano Walter Hann Jr. Luiz Evandro ]aguia
Me lembro de ver os anuncios da Simca com fotos do carro todo sujo da estrada.
Ficou muito bom mesmo , acho que dá pro pessoal ter uma idéia de como foi a coisa , embora rústica , mas o objetivo era andar forte sem quebrar o que foi atingido . As avarias de carroceria eram inevitáveis pois apesar do trajeto ser bom ( piso ) a natureza judiava de todos , chuvas e ventos fortes , neblina toda noite e os famosos bichos no parabrisa .
O Simca Chambord na França tinha o motor do Ford Vedete com aprox 65 hp inicialmente , e no final da produçao (o Rally GTX tinha 140 hp ) imaginem o qto evoluimos o motor e o carro por aqui e isso graças as corridas desde o inicio dos anos 60 , sem falar nos motores de corrida da fabrica feitos no dinamometro ( carreteras , a Perereca , os protótipos e mesmo o meu carro no final passavam dos 155 HP
Convem lembrar que de fabrica os carros pesavam 1.300 KG !! , e com muito aliviamento etc chegavam a 1.000 , contra as berlinetas , os 1093 , Binos , Alfa Giulias , DKW etc que eram MUITO mais leves .
O Teste de Resistencia terminou com a história do " Bello Antonio " , os motores eram fortes e carro idem.
Abraços a todos e meu muito obrigado
Walter Hahn Junior
Walter, faltou contar na mão de quem aconteceu o acidente, e como foi que aconteceu. Fiquei (ficamos..) curioso (s).
Antonio
Bela reportagem, belas fotos. Muito profissional!
Saloma e Walter Hahn Parabéns!
Abraços.
Com eu tinha dito , o primeiro acidente foi comigo num dia de chuva muito forte , á noite na chegada do aeroporto de Brasilia o carro tinha completado 60 mil KM
Era uma reta enorme , em seguida uma curva forte á esquerda muito aberta e larga , porem dificil e com de pé em baixo como todos fazíamos nesse lugar , o carro saiu de traseira muito rápido e rodou 2 ou 3 vezes , e mesmo corrigindo bateu a traseira num barrando e ficou parado na valeta que existia .
Consegui tirar o carro e continuar , tendo só amassado o paralama traseiro e um pedaço da porta , mas fiz o controle foi tudo anotado e na volta tirei a diferença .
No final do teste , não posso precisar quem foi , pois ficaram alguns pilotos ,+ o Lolli , o Tõco e o Jaime , e quando o carro voltou á fábrica estava torto inteiro com o teto amassado e ninguem comentou claramente quem tinha sido , não me lembro sinceramente , mas tinha capotado após os 120 mil já feitos .
De fato o teste foi pouquissimo divulgado pois o motor Tufão foi testado lá , era o inicio da produção dos carros , porem nunca entendi , pois a fábrica mandou uma carta de agradecimento aos pilotos e nada mais .
Após minha participação no teste , tive atravez do meu tio que era revendedor Simca um carro a preço de custo por ordem da fábrica ( o Rally azul com o qual venci em Piracicaba ) porem com componentes do depto de corridas , motor , cambio e diferencial que ficou como brinde pela vitória e os agradecimentos por escrito , do depto de marketing pela atuação e o resultados obtidos com o Simca .
A Simca pouco ajudou os independentes , eu fui um dos unicos , eram restritos ao depto de corridas e quando fui convidado a participar da equipe já com querido CHICO LANDI no comando do depto , que foi quem meu convidou oficialmente , a Simca foi vendida e a coisa parou .
Em seguida fiz varias corridas com o "paitrocinio" de quem tive sempre o maior apoio e foi tambem um grande entusiasta da marca tendo comprado para uso dele um dos primeiros Chambord de Piracicaba , verde 2 tons ( saia e blusa ), 1 Andorinha !!! lindo carro
Deixo a todos o meu agradecimento pelo interesse na história do teste e da marca Simca , a qual tive o orgulho de prestigiar e poder hoje ter essas gratas lembranças
Abraços a todos
Walter Hahn Junior
Obrigado ao Wagner por nos proporcionar isso, e ao Saloma por colocar no ar! Que história fantástica!
nós estamos fazendo contas para achar média horária e ninguém resgatou o fato de ser estrada aberta. e estrada aberta a apenas quatro anos antes, rasgando os pastos do cerrado, suas ondulações, subidas e descidas. ou que as médias horárias dos carros, caminhões e ônibus desta época eram absolutamente ridículas. e mesmo que para os animais a estrada era apenas uma faixa preta de pasto, pois os fazendeiros goianos e mineiros cujas terras tinham tido uma faixa desapropriada para passar a estrada, não davam muita bola para este negócio de cercas.
pelo que me lembro, e pelo que vi em brasília, - matando aula - era uma piração. o rallye apontava quilometros antes e começava uma descida de alguns quilômetros, leve subidinha e entrada num posto 'a direita, freada seca. o pessoal da manutenção ficava a postos, mas usualmente a parada era só para assinar o controle e colocar gasolina, ver a água. o piloto voltava ao carro e pau-na-máquina, levando todas as marchas 'a faixa de potencia. o ronco do v8 reverberava e o simca sumia acelerando na descida para subir com o motor cheio.
passava-se por onde dava. esquerda, meio, acostamento, e gás pleno o tempo todo, ou seja, na faixa dos 150 km/h.
a capotagem, disse-me o toco, ocorreu numa das famosas mudanças de temperamento do cerrado. caiu a chuva ao final da tarde, chegou a noite sem incomodar o famoso nevoeiro nas baixadas. e o calor do asfalto era atrativo para o gado, que se refestelava naquele conforto preto. aí o simca saiu da curva, deu de faróis com aquela misturada de cores colorindo o preto, desviou, e no acostamento um pedaço de madeira trespassou um pneu, provocando a batida e virada lateral.
foi uma pena que a simca não tenha capitalizado melhor o negócio, exceto pela comparação entre o carro mais resistente e o de maior luxo, o simca rallye tufão. fez anuncios de página dupla, levou o carro torcido para o salão.
acho que a willys colheu melhores resultados, incluindo de divulgação, fazendo o mesmo teste de resistencia, ao mesmo tempo, no autódromo de interlagos.
walter, corrija as impropriedades. abraço do nasser
Tivesse sido em Interlagos o carro teria feito o dobro da kilometragem com certeza, pois o motor terminou sem nenhum problema , não consumia óleo, não esquentava, e a suspençao dianteira embora com alguns barulhos em função das subidas em acostamentos + valetas, desvios etc, estava inteira.
Em Interlagos todos conheciam o trajeto, era só rodar, o pessoal da Willys teve menos trabalho e se me lembro bem, tambem sofreu acidentes , mas era mais fácil qualquer um sabe disso, sem absolutamente desmerecer o teste, alem de ter sido um carro de pequena cilindrada, fez bonito, creio ter sido um pouco cansativo andar daquela forma.
O Rally era totalmente de série, e como voce descreveu com muita arte, era bota o tempo todo, sem nunca saber o que vinha pela frente a cada " Viagem ". Os turnos da noite eram tenebrosos pois eramos acordados, o tempo de colocar a roupa, esperar o carro chegar que dava para ouvir de longe, parar enquanto abastecido, limpar parabrisa, e sumir na noite escura ,com um lanche improvisado´pela cozinha do posto (fraquísssimo) e uma garrafa de agua, na maioria das vezes debaixo de neblina forte.
Em Brasilia (SEM SAIR DO CARRO) um suco de laranja, outro lanche e bota de novo.
No final dá pra perceber foi uma aventura como poucas e unica na época, mas depois daquilo, andar numa via Anhanguera que era a melhor por aqui, era um tapete, muito se aprendeu , sobretudo guiar em qualquer terreno e condições dificílimas, não exitia celular, carona tampouco, médico se fosse precoso só em Paracatu (uma vilazinha)sem falar no resto ....todos jovens, aguados ..rsssssss!
Roberto, estou ansioso para ler o livro, de noticias.
Abraços a voce e ao pessoal todo que ainda curte o Simca .
Walter Hahn Junior
O comparecimento de "notáveis" por aqui, é um privilégio a nós, entusiastas.
Sabado, conversando com o Síndico lá no Templo, comentei deste post sobre o teste de resistencia e que o assunto rendeu maravilhosos posts e muitos comentários da tchurma. A gentileza do Walter em abrir seus arquivos, contando coisas ocorridas só merece elogios. Pensei que só eu (que pretensão!) tinha esse assunto mal resolvido na memória. Com as lembranças de todos, sentamos a bota juntos, depois de quarenta e tantos anos. O trecho escolhido eu conheço bem e realmente foi muito louco e de uma temeridade insana realizar o impensável sem suporte nenhum em estrada nova e aberta a circulação pública.
Muito legal tudo isso.
Esses dias eu vi uma foto do seu 88 ao lado de um Simca Abarth invocado... me esbaldei. Postei em meu Facebook.
Fiquei aqui imaginando: se alguém tem fotos daquelas, imagino vc, que aparecia cada dia com um Simca mais "brabo" na garagem. Sabíamos que vc estava lá pq o ronco que saía daquelas verdadeiras "calhas" feito escapamento nos acordava de madrugada qdo chegava de Sampaulo.
Na garagem uma Simcona, com nome (às vezes Expedito Marazzi, às vezes um outro...) e tipo sanguíneo na porta esquerda, banco tipo sofá com apenas um "gomo" costurado para segurar o piloto... era sempre um "equipamento" e tanto.
Falta desenterrar mais algum, pq "nós" estamos com muuuita saudade.
Abraço para vc.
apessar do tamanho vinha com um motor v8 , não sei a capacidade
Foi feito um video de demonstração onde a simca girava em torno de um duble ,
com precisão milimetrica ,um verdadeiro show de pilotagem e destreza onde a SIMCA era o ponto alto do show .
A muitos anos tive a oportunidade de de ver um carro desses pessoalmente .
Sei que não é a praia de vocês , mais caso tenha essa informação agradeceria
a ajuda e atenção .
Meus agradecimentos e parabens pelo deu trabalho.
Aqui é a esposa do Edson Bston - ROSILEY FREITAS - ele está viajando e ficará muito feliz com este blog. Temos as revistas da época...
Assim que ele voltar, (+/- 11/06/2010), mostrarei à ele.
Estou hiper feliz por mim e por ele... Ficará emocionado sei disto!
Acho que ele gostaria de revê-los.
Abçs
rosiley@freitasebiston.com.br.
11-3714-6344 // 11-9277-3373
Sou um verdeiro amante do SIMCA. Sinto que, à época dele, meu pai não tinha condições de comprar um. Hoje(GAD), que eu poderia comprar, ele, o SIMCA, já não fabrica mais. As raridades estão a preço de ouro. "Paixão" de criança/adolescente. Mas vou comprar um, ainda. Vou guardá-lo em minha garagem para, limpá-lo e admirá-lo. Estou, quase todos os dias, visitanto tudo e todos que tem algo sobre o SIMCA. Me dá imensa alegria, como a narração e fotos iniciais, neste. Parabéns a todos. Dentre outros, pescadores, jogadores de truco e amantes de SIMCA, sem dúvidas, são "gente boa" . abçs a todos.
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