PAPOS COM SEABRA...
Terça, Nov 10, 2009
PAPOS COM SEABRA...
GILLES VILLENEUVE – A ARTE DE PILOTAR ACIMA DO LIMITE

Gilles “domesticando” uma Ferrari 126C recalcitrante, em Buenos Aires.
Nas ultimas semanas vi muita gente comentando sobre as mentiras, que citadas à exaustão, transmutam-se em verdades eternas. Maluf e Goebbels foram os “autores” mais lembrados, embora existam diversos “atores” que utilizam-se desta técnica, no cenário político nacional e mundial. Eu mesmo, a 3 semanas atrás, estive relembrando a “lenda” de que o titulo do Rindt foi obtido ‘post mortem’ graças a uma “providencial” vitoria do Emerson. E agora, adiciono outra dessas lendas, a de que o Grande Premio de Mônaco de 1983 teria sido vencido pelo Senna, se não houvesse sido (aliás, corretamente) interrompido pelo Ickx após a chegada de um dilúvio. Sabe-se hoje que o Stefan Bellof estava muito mais rápido que Prost e Senna, e os alcançaria em 1 ou 2 voltas. Naquelas condições impróprias para corridas de carro, ninguém pode afirmar com segurança quem teria vencido, mas que o Bellof era o mais rápido sob a chuva, não há como negar. E no entanto, esta prova só é lembrada como a corrida que foi “roubada” do Senna. Lenda.
Gilles Villeneuve foi um dos pilotos mais espetaculares que a F1 já conheceu, e até hoje, 17 anos após sua trágica morte nos treinos para o Grande Premio da Bélgica de 1982, é mundialmente reverenciado. Em alguns países, especialmente na Itália, é idolatrado: a cada ano, por ocasião da corrida de Monza, é comum encontrarmos seu nome pintado no asfalto e vermos surgir no meio da torcida faixas com dizeres do tipo “Gilles, sei il piu grandi”, ou “Gilles, sei vivo”.
Mas, a cada ano em que a TV repete as suas proezas mais espetaculares, destaca-se apenas o piloto louco e destemido, fixando cada vez mais a imagem de um “showman” irresponsável, e não do incrível piloto que tinha o dom de levar um carro de corridas aos seus limites mais extremos. Fecha-se o ciclo, aperta-se o cerco, e a lenda Gilles vai sendo descontruida, direcionada cada vez mais para a linha da mentira consagrada, com a qual eu abri esses comentários.
Fosse eu aqui emitir apenas a minha opinião pessoal sobre Gilles Villeneuve, poderia incorrer no erro de, traído pela idolatria, exagerar nas tintas, e me sujeitar as criticas mais pesadas daqueles que guardaram somente as imagens fortes dos seus piores acidentes. Resolvi então me “assessorar” da opinião abalizada daqueles que o conheceram de perto, conviveram com ele nas pistas, e que sucumbiram diante de sua maior capacidade de duelar de igual pra igual com as leis da física !

Derrapando nas 4 com carro asa: só Gilles era capaz de andar assim e ser rápido.
Através de alguns destes depoimentos, é possível descobrir que, além de ser um piloto dotado de um talento natural e de uma coragem inigualável, era também uma pessoa boa, integra, honesta, de princípios, incapaz de recorrer a ardis e a conluios, a atitudes antiéticas, para atingir seu objetivo. E seu objetivo era um só: vencer, em qualquer situação. Nem que fosse vencer a batalha pelo décimo lugar, com o carro que ia imediatamente a sua frente.
Para ter certeza disso, basta ver o vídeo do Grande Premio da Espanha de 1981, quando ele correu a prova inteira com 4 ou mais carros tentando ultrapassá-lo, e manteve a liderança até a bandeirada. Sem nunca fechar a porta, mas sempre freando pra lá do “Deus me livre”. Nunca faltou espaço para quem quisesse arriscar uma tentativa desuperá-lo. E foram muitas tentativas, sem sucesso.

A disputa durou a corrida toda, com seus perseguidores alternando-se na caçada a um Villeneuve, que segurou a ponta até a bandeirada final.
Um de seus perseguidores nesta prova, Jaques Lafitte, falou: “Eu sei que seres humanos não são capazes de promover milagres, que ninguém tem poderes mágicos. Mas Gilles faz a gente duvidar disto. Ele é muito rápido !” Não dá pra imaginar nenhum piloto, em qualquer época, falando assim sobre seus outros concorrentes diretos, a não ser que fosse sobre Gilles Villeneuve ou Jim Clark.

Grande Premio da Espanha 1981.
Depois da corrida, Gordon Murray, projetista da Brabham, acrescentou: “Aquela Ferrari era péssima, lenta, mas Gilles jamais cometeu um erro durante a prova.”
Harvey Postlethwaite, tempos depois, comentou as vitorias de Gilles em Mônaco e na Espanha, em 1981: “Aquele carro , a Ferrari 126C turbo original (nota: antes de ser modificada por Postlethwaite), tinha literalmente ¼ do ‘downforce’ das Williams ou das Brabhams. Tinha uma vantagem de potencia sobre os Cosworths, certamente, mas também tinha um enorme tempo de resposta do turbo (throttle lag). Em termos de habilidade pura eu penso que Gilles estava num plano superior, em relação aos outros pilotos. Para aquelas corridas, em circuitos travados, a Ferrari 126C estava fora de seu ambiente. Eu sei bem o quanto aquele carro era ruim”.
Keke Rosberg, que foi seu rival na Formula Atlantic na America, resumiu suas disputas com Villeneuve: “Para Gilles, corridas eram verdadeiramente um esporte, por isto ele nunca era desleal com os outros. Você não precisa ser o melhor piloto para ser assim, qualquer um pode agir desta forma. Gilles era o “FDP” mais duro contra quem eu competi, mas era absolutamente ético. Se você conseguisse batê-lo na entrada de uma curva, ele te dava espaço. Mas logo depois ele já vinha colado você, já na próxima curva ! É certo que ele assumia riscos inacreditáveis – mas apenas para ele mesmo – e é por isto que eu fico ‘puto da vida’ atualmente, quando comparam Senna com ele. Gilles era um gigante como piloto, sim, mas era também uma grande pessoa.”

F. Atlantic: Villeneuve a frente de Rosberg em Edmonton - 1977.

Villeneuve e Arnoux.
Todos conhecem o filmete das ultimas voltas do GP da França de 1979, em Dijon. Villeneuve parte em 3°, atrás das 2 Renault, mas pula na frente e lidera até mais da metade da prova, quando seus pneus já estão deteriorados. Jabouille passa a frente na corrida, que vai ser a 1° vitoria de um carro Frances e a 1° vitoria de um carro turbo na F1. E logo na França ! Só que esta corrida nunca será lembrada por isto !!!! Na ultimas 4 voltas Arnoux se aproxima de Gilles com a outra Renault, e o povo exulta com a possibilidade de uma dobradinha de pilotos e carros franceses. O resto da estória todo mundo sabe, foram as 4 voltas mais eletrizantes da F1 em todos os tempos. Jeremy Clarkson, o Mr.Top Gear, narrando a corrida para a TV elogia Gilles a sua maneira: "o melhor piloto que alguma vez sentou o rabo num cockpit de Formula 1". Típico do Jeremy...
Mas, o mais importante é o comentário de René Arnoux sobre a disputa: “O duelo com Gilles é algo que eu nunca vou esquecer, o meu maior ‘souvenir’ das corridas. Você só pode disputar assim com alguém em quem você confia de olhos fechados, e você não vai encontrar muitas pessoas como ele. Ele me bateu, sim, e na França, mas isto não me incomoda: eu sei que fui vencido pelo melhor piloto do mundo!”

No GP do Canadá de 1979, Jones marca a pole, com Villeneuve em segundo. Na corrida Villenueve sai na frente e mantém a liderança por mais da metade da corrida, quando Jones consegue ultrapassá-lo. Villenenuve ainda tenta retornar a liderança, até o final, mas sem sucesso. Alan Jones comentou : “Eu o ultrapassei, e quando eu estava na liderança, abri um pouco de vantagem. Mas tão logo eu diminui um minimamente o ritmo, lá estava aquela ‘caixa de bosta’ vermelha (red bloody shit-box, no original) nos meus espelhos ! Villeneuve é inacreditável assim, isto é, ele nunca desiste. Ele é o melhor piloto contra quem eu jamais competi, e eu apreciei as minhas disputas com ele, mais do que contra qualquer outro, porque, com ele eu sempre sei exatamente o que esperar. Ele nunca vem em cima de você, nunca aperta você contra o muro, ou usa de qualquer outro truque.” E o seu team manager, Frank Williams completou: “Eu estava orgulhoso de Jones neste dia, nós tínhamos o melhor carro, e o único piloto na pista que nós temíamos era aquele pequeno Franco-Canadense...” .
No mesmo ano, durante os treinos para o GP dos Estados Unidos, Jody Scheckter, já campeão do mundo, faz o 2° melhor tempo, sob chuva intensa. Ao parar nos boxes, descobre que foi batido por Villeneuve. Jody comenta: “Eu assustei a mim mesmo, da maneira como guiei na minha volta rápida. Achei que eu tinha feito a melhor volta. Depois então eu vi o tempo do Gilles - eu ainda não entendo direito como foi possível – e ele tinha sido 11 segundos mais rápido !!!! E aqui eu me permito acrescentar: onze segundos por volta sobre o segundo colocado do treino, numa pista de pouco mais de 5 km de extensão, é coisa para extra-terrestres ou para magos.

Gilles na chuva, no Canadá, em 1978.
Assim era Villeneuve, capaz de fazer coisas fora da nossa capacidade de compreensão. No meio da temporada de 1979 Jackie Stewart falou sobre ele: “Eu acho que ele é soberbo ! E acredito que ele vai ficar melhor e melhor. No momento ainda comete alguns erros, como perder a tangencia ou ir por cima das zebras na saída, mas estou sendo hiper-critico. Seu talento natural é fenomenal – existe uma real genialidade no seu controle sobre o carro.” Em outra ocasião, adicionou: “Seu controle do carro é extraordinário, mesmo se comparado aos muitos pilotos talentosos contra quem eu tive a oportunidade de correr, ao longo dos anos. Ele guia um carro de GP no mais absoluto limite de capacidade do mesmo.”
Niki Lauda, até então, sempre comedido em suas afirmações sobre outros pilotos,declara: "Gilles era o piloto de corridas mais perfeito, e com o maior talento dentre todos nós. Ele era o melhor e o mais rápido piloto do mundo”. E em outra ocasião:”Atras do volante de um carro de corrida ele era assustadoramente rápido, nunca desistia de tentar mais um pouco, e podia safar-se das mais precárias situações com uma habilidade brilhante. Era o demônio mais rápido que eu já conheci”
O brasileiro José Maria Ferreira, o Giu, comentando uma corrida para a TV Bandeirantes disse: ”Gilles não passa onde pode, ele passa onde dá. E onde não dá, ele gosta ainda mais.”

Vinelleneuve X Alan Jones.
No GP da Holanda de 1979 Gilles fez aquela que é considerada por muitos a mais linda ultrapassagem jamais feita na F1 (mais bonita ainda do que a de Piquet sobre Senna, na Hungria), mas que não foi gravada em vídeo com um ângulo favorável, que permita admira-la em todo o seu arrojo e precisão. Colocou a Ferrari por fora da Williams de Alan Jones, na curva Tarzan, ao final do retão, e saiu na frente, na pequena reta seguinte, numa manobra considerada incrível. Na foto acima pode-se ter uma idéia desta ultrapassagem e do local da pista onde aconteceu. Infelizmente, muitas voltas adiante o pneu da Ferrari começa a esvaziar, o que faz Gilles rodar na curva Panorama. Retorna a pista com o pneu furado e tenta chegar aos boxes, mas a Ferrari vai se desintegrado pelo caminho. Gilles foi muito criticado por isto, porém os 2 titãs do jornalismo automobilistico vieram em sua defesa: seu amigo Nigel Roebuck e o eterno Dennis Jenkinson. O Jenkinson falou sobre Gilles: “A sua atitude e seu julgamento em alta velocidade, os seus reflexos, a sua tenacidade e a alegre excitação do seu estilo de pilotagem faz com que todos tenhamos vontade de ir a um circuito apenas para vê-lo em ação.”

A fortíssima pancada em Imola, 1980, na curva que hoje leva o seu nome.
Ao mesmo tempo, seus fãs (eu entre eles) já começavam a acreditar que Gilles era indestrutível. Pancadas fortíssimas como a de Imola, em 1980 e do Japão em 1977, não lhe trouxeram nenhuma conseqüência física. E só ele podia fazer coisas como andar rápido no Canadá, debaixo de chuva, com um aerofólio quebrado e obstruindo-lhe a visão, durante muitas voltas. O aerofólio finalmente desprendeu-se e Gilles passou a ser mais rápido, mesmo sem o ‘downforce’ na frente do carro, agindo sobre as rodas direcionais. Era quase inacreditável que alguém pudesse ser veloz sob aquele aguaceiro, sem o aerofólio dianteiro, mas Gilles era. Para ele não havia desafio impossível.
Poderia continuar falando sobre muitas corridas fantásticas de Gilles Villeneuve, como nas vitorias de Long Beach em 1979, liderando do inicio ao fim, e de Mônaco em 1981, em que perseguiu e ultrapassou Alan Jones a 4 voltas do fim. Talvez ele tenha sido um dos últimos pilotos a vencer em Mônaco com uma ultrapassagem, questão de pesquisar. Mas vamos continuar com as opiniões sobre ele, emitidas por gente do mais alto respeito.
Harvey Postlethwaite (projetista da Ferrari 126C2): ”Ele nunca guiou nada a uma velocidade que fosse qualquer coisa menos do que “flat out” (pé no fundo), quer fosse na pista ou na estrada”. E adicionou: “Ele era totalmente descomplicado e apolítico, sem qualquer detalhe que possa ser considerado. Era totalmente e completamente honesto. Se ele estivesse testando um carro e o carro fosse ruim, ele viria a você e diria: ‘Olhe, está uma bosta. Mas não me entenda mal, eu não me importo, posso continuar guiando ele o dia inteiro e vou me divertir a cada minuto, mas, sou obrigado a te dizer que o carro está um lixo’. O “Old Man” (Ferrari) adorava ele por isto! “
Enzo Ferrari: “Ele nos deixou de uma forma incompreensível. Esta fatalidade privou o mundo de um grande campeão, alguém de quem eu gostava muito, muito mesmo. As pessoas diziam que um dia ele deixaria a Ferrari, mas eu nunca acreditei nisto, porque Gilles e eu adquirimos tal afeição, um pelo outro, que éramos quase como pai e filho. Meu passado é pleno de luto...pai, mãe, irmão, filho, esposa...minha vida é cheia de memórias tristes. Eu olho para trás e vejo os meus entes queridos...e entre aqueles que eu amei, eu vejo a face desse grande homem; Gilles Villeneuve”. Gente, isto vindo de alguém como o velho Commendatore, é muito mais do que um elogio, é uma condecoração !!!
Juan Manuel Fangio: ”Ele irá permanecer como membro da família dos verdadeiramente grandes pilotos da historia do automobilismo de competição. O Sr. Enzo Ferrari, que é uma autoridade nessa matéria, compara Villeneuve a Tazio Nuvolari. Nuvolari, nos dias da minha juventude, era um grande ídolo. Todos os pilotos queriam se igualar ao grande Nuvolari. Eles tentaram o maximo, mas tudo que conseguiram foi imitá-lo. Ser comparado a Nuvolari por Enzo Ferrari é receber a mais alta avaliação. Villeneuve não corria para terminar a corrida, ele não corria pelos pontos. Ele corria para vencer. Embora fosse pequeno em estatura, ele era um gigante!” Receber um elogio destes de ninguém menos que o grande Fangio, dá a verdadeira dimensão do pequeno canadense.
Jean Sage (Chefe de Equipe da Renault, falecido recentemente): “Gilles era extraordinário. Todos nós, de todas as Equipes gostaríamos de ter tido Gilles Villeneuve como piloto. Pela maestria que ele tinha, pela habilidade que ele demonstrava. Ele podia fazer absolutamente qualquer coisa que quisesse fazer com seu carro. A maioria o considerava o melhor competidor com os carros de F1 da nossa era.”
Antes da vinda de Gilles Villeneuve para a Europa, Chris Amon, um piloto altamente considerado por todos, inclusive por Jim Clark, e tido como o maior azarado de toda a historia da F1, e James Hunt, foram vê-lo correr na America e voltaram impressionadíssimos. Mais tarde Amon comentaria sobre ele: “Eu só conheci um piloto no mundo que tinha o controle do carro que Gilles tinha, um piloto que sempre sabia onde estava, não importa o que tivesse acontecido ou o que estivesse acontecendo. E esse piloto era Jim Clark”
Em 1982 a Ferrari tinha um bom carro, que foi progredindo de corrida em corrida. E Gilles era um serio canditdato ao titulo mundial, que finalmente foi vencido por seu antigo rival (e fregues de caderno), Keke Rosberg. Seu companheiro de equipe desde 1981 era o fortissimo Didier Pironi, que fora muito bem recebido na equipe por Villeneuve. Ficaram amigos e Gilles confiava muito em Pironi. Durante 1981 e toda a primeira parte da temporada de 1982, Pironi, apesar de muito rapido, foi largamente batido por Villeneuve. Quando chegou o GP de San Marino, em Imola, havia uma crise politica na F1 e as equipes inglesas não compareceram a prova. Os unicos adversários das Ferrari seriam as Renault. Gilles lutou bravamente com elas, até que ambas as Renault tiveram problemas, e a vitoria em frente de seu publico estava garantida. A Ferrari sinalizou para que seus pilotos diminuissem e mantivessem as posições, Gilles em 1° e Pironi em 2°. Gilles reduziu e Pironi o comboiava, até que, a poucas voltas do fim, Pironi o ultrapassou. Pensando que o companheiro estava simplesmente dando um show para torcida, Gilles o ultrapassou novamente, e voltou a reduzir a velocidade. Até que Pironi, desobedecendo a instrução da equipe, o ultrapassou mais uma vez, a poucas curvas da bandeirada, não dando mais chances ao canadense para retomar a liderança. Gilles se sentiu traido pelo amigo, e nem queria ir ao podio. Acabou indo. Mas, ele que jamais esperaria uma atitude deste tipo, vinda de alguém em quem confiava, nunca mais falou com o companheiro de equipe. Mas, foram apenas 2 semanas...

Gilles e a Ferrari 126C2 em Imola.
Na corrida seguinte, em Zolder, Pironi tinha um tempo nos treinos que era 1 decimo de segundo mellhor que o seu, e Gilles já tinha usado os 2 jogos que estavam a sua disposição. Querendo baixar o tempo do companheiro de qualquer forma, Gilles monta no carro os 4 melhores pneus usados, e sai para uma ultima tentativa. Vinha em uma volta muito rapida, quando encontra lento a sua frente o carro de Jochen Mass. Num momento de hesitação entre ambos, Mass desvia para o mesmo lado que Gilles escolheu para ultrapassagem, e o choque entre os carros faz a Ferrari decolar a cerca de 220 km/h, atingindo o solo com o bico, num impacto violento. Gilles foi cuspido de seu cockpit e arremessado ao ar, preso ao banco e já sem o capacete. Seu corpo atinge o alambrado de proteção do circuito, e cai no chão. O atendimento médico chega rapido, mas logo é constatada sua morte clinica.
Inacreditável...por questão de respeito ao meu grande idolo Gilles, não coloco aqui as fotos do estupido acidente.
Sobre o fato, Eddie Cheever comentou: “Numa situação como esta eu sei que eu teria ficado apavorado. Mas estou certo de que, quando Gilles sentiu sua Ferrari decolar, seu ultimo pensamento foi de raiva, pura e simples, porque ele realizou que tinha desperdiçado uma volta perfeita”
Nigel Roebuck, cronista e reporter da Autosport e da Motor & Sport, uma das maiores autoridades em corridas de automovel no meio jornalistico e um dos melhores amigos e dos maiores fãs de Gilles, escreveu um sentido obituário para o canadense. Mas, uma de suas frases sobre Gilles foi quase profetica: “Muitos pilotos de corrida correm riscos (como os trapezistas, por exemplo), mas Gilles era o unico que não usava ‘rede de segurança’...”
O edição de 1982 do anuário Autocourse tornou-se historica e valiosa porque a sua habitual lista dos 10 melhores pilotos do ano ficou com o 1° lugar vago, em função da morte de Gilles.
Em seu funeral, Jody Schekter, seu companheiro de equipe e campeão mundial em 1979, fez um simples e sentido elogio: “Eu vou sentir falta de Gilles por 2 motivos. Primeiro porque ele era o mais rapido piloto da historia das competiçoes automobilisticas. Segundo, porque ele era o homem mais genuino que eu jamais conheci.”
Com sua morte, Didier Pironi passou a ser o primeiro piloto da Ferrari e o principal candidato ao titulo mundial de 82. Venceu a corrida da Holanda e obteve mais um 2° e um 3° lugares, passando a liderar o campeonato. Entretanto, nos treinos livres para o GP da Alemanha sofre um grave acidente que deixou sequelas em suas pernas e o incapacitou para o automobilismo. Pironi voltou a competir em 1986, em corridas de lanchas offshore. Em 1987 sofre um grave acidente com sua lancha, numa corrida na Inglaterra, e tem morte instantanea. Poucas semanas depois de sua morte, sua esposa deu a luz a filhos gemeos, que curiosamente receberam os nomes de Didier e ...Gilles !!!
Aqui vale a pena um parágrafo. Em 1981, as vesperas do GP da Italia, o fabricante de lanchas italiano Brunno Abatte promoveu uma corrida com lanchas de sua produção, entre alguns pilotos de F1. Pilotaram as lanchas Gilles, Pironi, Giacomelli, Patrese e Marc Surer. Giacomelli venceu a primeira bateria. Mas não foi surpresa pra ninguém que Villeneuve tenha vencido a segunda bateria e na geral, usando de algumas manobras, digamos, radicais, para ultrapassar Pironi e Patrese.
Os que tiveram a chance de viajar com Gilles em seu helicoptero Agusta comentavam que ele pilotova o aparelho com a mesma destreza (e a mesma ousadia) com que pilotava seus carros de corrida e de rua. Quando se aproximava de Maranello, costumava voar baixo, “pulando” cervas vivas e passando entre arvores em alta velcodiade. Nigel Roebuck conta que quando vinha de sua casa em Monaco para Maranello, “pilotando” sua Ferrari 308 “preparada” na fabrica, Gilles guiava como se estivesse num carro de corridas. Tentava, viajando de carro, igualar o tempo de viagem com o helicoptero...Jody Scheckter acrescenta que, quando Gilles se aproximava de Maranello guiando sua Ferrari, começava a guiar como um alucinado, aparentemente para se fazer notar, tornando a chegada da viagem muito “emocionante” !

Gilles e a 126C2, de Harvey Postlethwaite: o carro que era pra tê-lo feito campeão, mas...
Em 1982 o brasileiro Nelson Piquet, então Campeão do Mundo, assinava uma coluna que era publicada após cada GP, na renomada revista semanal iltaliana Autosprint. Os comentários de Piquet em sua coluna publicada apos a morte de Gilles reproduziam a conclusão do laudo necropsial do piloto canadense: “morte causada por ruptura da coluna cervical devida a tração”. E Nelson concluia então que Gilles havia morrido enforcado pelo cinto de segurança. De fato, afirmava que diversos pontos de fixação dos cintos no monocoque haviam se rompido com o choque, permitindo que o banco e o corpo do piloto fossem lançados para fora do carro, como um projetil. Entretanto, um dos pontos de fixação do cinto tinha ficado no lugar, retendo o pescoço de Gilles e provocando seu enforcamento. Dai o fato de o piloto ter sido encontrado sem o seu capacete. Nelson criticava a Ferrari pela fragilidade do monocoque, culpando-a pela morte do colega. Segundo Nelson, a Ferrari visava apenas fazer um carro o mais leve possivel, sem se preocupar com a preservação da integridade do habitáculo, em caso de choques.
Tal fato rendeu um enorme discussão entre a Ferrari e Nelson Piquet, com a devida interveniência incendiária da imprensa italiana. Quando aconteceu o acidente com Pironi, na Alemanha, a foto da capa da revista Autosprint destacava, por sobre o ombro e ao lado do rosto que estampava a expresssão de dor do piloto frances, sangrando pelo nariz e ouvido, o montante do cinto de segurança desprendido do monocoque !!! Piquet contra-atacou a Ferrari em sua coluna, mostrando claramente quem tinha razão. Porem, este fato rendeu ao brasileiro o eterno rótulo de “personna non grata” a equipe do Cavallino Rampante.
Afinal não importa por culpa de quem – se das regras idiotas dos treinos da F1,da Ferrari, do circuito, ou de simples fatalidade – o mundo perdeu em Zolder 1982 o maior talento já visto na condução de um carro de corridas. Mas, no meu coração e na minha memoria ainda resta uma certeza indiscutivel:
“GILLES, SEI VIVO!”

"I will drive flat out all the time. I love racing."
Gilles Villeneuve
(Fontes: pesquisas feitas em diversos sites da Internet, desde os de revistas automotivas a resenhas de livros sobre a Formula 1/reprodução)
Antonio Seabra
Categorias: Esportes, Colunas, Fórmula 1, Toni Seabra
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F1 REVIVAL #1
O maior piloto de todos os tempos?
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Comentários:
-Está nascendo a era Piquet Villeneuve, se ele continuar vivo...
Só uma resalva:
O GP de Mônaco de 83 é o que o Keke ganhou e o Piquet ficou em 2º.
O que o texto se refere é o de 84.
Abraço e parabéns pelo boteco!
E ao Valmir, também pela correção: o GP de Monaco referido no inicio do texto é o de 1984.
Antonio
Um abraço.
Fantástica descrição de quem era Gilles. Me lembro de duas passagens que vi dele aqui no Rio, a primeira nos treinos de 6ª feira do GP de 78, chovia fino e na curva do final da reta dos boxes ele vinha cheio girou 360° e continuou como se nada tivesse acontecido.
A outra foi em 81 ou 82 nós testes de pneus aqui no Rio, ele saiu do carro reclamando "trés unconfortable, trés unconfortable, trés unconfortable", daí o pessoal da Ferrari abriu um furos na carenagem para melhorar a ventilação para o piloto. Tenho estes pedaõs de Ferrari até hoje.
Enfim um cara que era bastante acessível e simpático.
Abraço
Barba
Simplesmente um dos textos mais completos que tive oportunidade de ler acerca do fantástico Gilles.
Parabéns!
Marauder
Brasília/DF
Uma das melhores colunas sobre um piloto ou sobre automobilismo que já li.
Realmente o cara impressionava.
Abraço,
Adriano Lubisco
Na próxima vez que nós encontrarmos, vou te dar uns cascudos na moleira.
Não poooode humilhar assim.
Manacchia..!!!!
Maravilhoso texto.
(esse meu comentário tá ficando redundante qdo o assunto são seus textos)
Magnífico texto (como sempre)!
Vc. conta passagens sobre as quais nunca havia lido, e esclarece fatos até então meio nebulosos.
Como disse o Pedro, a época era de "braço" puro. Botar uma barata de F1 de lado (quase o tempo todo) éra só para superdotados mesmo.
No caso do Senna em Mõnaco, debaixo de chuva, ainda existe aquela estória do mecânico da Toleman dizendo que constataram uma peça quebrada na suspensão do carro, e que este difícilmente aguentaria mais umas duas voltas.
Grande abraço,
Hugo
Excelente coluna, a melhor que já li sobre este GRANDE PILOTO.
Magnifico.
Agora, sou mais um dos fas do Villeneuve...
Porque, se talento absoluto ao volante eh uma coisa rara, Hombridade eh ainda mais rara...
Se uma pessoa consegue ter os dois, merece o Olimpo!
Jornalísticamente pesquisado, misturado com um calor que só a sincera admiração poderiam produzir. Verdadeiro poema em forma de homenagem.
Só posso concordar com você. Primeiro por saber de fatos e casos que jamais saberia - sincero obrigado! - e segundo por ter sido testemunha de um show de Gilles em Interlagos para um público ínfimo, coisa de menos de 20 pessoas:
No final de 1978 a Michelin veio ao Brasil para testar compostos para a temporada seguinte.
Equiparia a Renault e a Ferrari. Um box inteiro lotado de pneus de todos os tipos, e a bordo das amarelas turbo JP Jabouille e Arnoux. Nas vermelhas Jody e Gilles.
Sobre os boxes antes da reforma havia um terraço enorme, e de lá de cima assistimos os treinos por um dia inteiro. Eu, Luis Garcia (hoje homem forte da Koni no Brasil) e Tide Dalécio, piloto ainda em início de carreira, mas grande bota e super-mecânico de Divisão 3.
No Templo não deviam ter mais do que uns 10 ou 15 gatos pingados, apaixonados como nós. Outros tempos.
Nos boxes que circulávamos com liberdade total, a mecaiada sem camisa nem uniforme, num calor abrasador de verão.
Jody tomava uma surra na curva da ferradura, pois a cavalaria despejava de uma vez só e não havia meio de segurar aquela traseirinha indócil.
Gilles, já na época nosso ídolo, barbarizava, demolindo os cronômetros.
E olha que a gente trabalhava direto no campeonato brasileiro de Formula VW, convivendo com Piquet (que já estava na Europa), Guaraná, Lameirão et caterva. Sabíamos ver muito bem quem era homem e quem era menino...
Pois essa fera começou a levantar o pé cada vez mais dentro da tomada da curva 1 original - na época dizia-se ser a curva mais rápida do mundo...
A Ferrari não parava no chão, estava com a frente passarinhando e a traseira arisca demais - chegamos a ouvir queixas do Scheckter aos mecânicos, falando principalmente da frente indócil, e a menos de dois metros de distancia... Ô saudades da F1 de verdade...
Pois o canadense afundava cada vez mais, a gente com cronometro na mão, quase hipnotizados, e comentando em cada passagem que o cara ia morrer ali na nossa frente...
Os mecânicos sem camisa, com o tempo vindo e vindo começaram a ir pra mureta dos boxes. Dali a pouco até o cozinheiro acompanhava o temporal baixando, baixando até que numa hora veio cravado.
Nem uma levantadinha, nem uma respiradinha, nada. Aquele motorzão gritando, quase no limite de giros e a frente mexendo e apontando pro lado de fora da curva 2, bem em direção à caixa d'água que ainda tá lá, testemunha fria desse dia inesquecível.
Eu, o Luis e o Tide quase enlouquecemos. Descemos correndo e nos misturamos com a mecaiada que falava uns palavrões ininteligíveis, em meio a uma euforia de gritos e de sorrisos bestificados.
O cara derrubou todo mundo ali naquele dia. Ninguém acreditava no que ele fazia, uma aula de ousadia, coragem, irresponsabilidade total e absoluto controle sobre um carro incontrolável.
Deu mais uma ou duas voltas assim, flat e no limite do impossível. Contornou pelo externo a última e veio para os boxes.
Toda a equipe Ferrari trepou no carro! Tinha uma pilha de malucos alucinados ali, tentando tirar o cinto do cara!
Foi mágico, indescritível, maravilhoso, nunca tinha visto nada igual, e nem essa reação completamente descontrolada até de quem já estava habituado com as estrepolias do rapaz...
Nunca esqueci esse dia.
E lembrei de Bird, do Paulão, de Peterson.
Mas quem me fez chorar de emoção foi Gilles.
Um dia o Tide conta o que fiz para o JP Jaboullie lá no bico de pato, nessa mesma semana. Não vou contar aqui senão ninguém vai acreditar, alguns já ouviram essa história da boca dele.
Lá no Templo eu levo o Tide e o Luis e eles mesmos contam...
É bom que coloque Sampa no roteiro, sim!.
Só tem que avisar pra gente juntar a macacada.
Tá 'ferrado' seu Seabra.
Quanto ao coment do Cerega, ouvi essa história no já longínquo Farnel da praia, meu primeiro encontro com esses desvairados maravilhosos.
A história é de rolar de rir, especialmente se contada a quatro mãos e duas bocas. Cerega&Tide.
Vale a pena; ô se vale.
PARABENSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
ps. venha mesmo pra sampa pois comer umas pizzas ouvindo esses contos historicos vai ser muito bom.
Este foi o texto mais prazeroso que li sobre Gilles .
Tentando responder a algumas questões:
- Barba: eu estava no teste de pneus da Ferrari, no Rio, em 81.
- Edmundo: a estoria similar que eu conheço é da estreia dele na F1. Durante os treinos livres ele rodou em quase todas as curvas de Silvertone, fazendo com que os outros pilotos começassem a reclamar, pelas interrupções no treino e pela falta de seguranaça de ter um cara que rodava tanto, na pista. Gilles foi interpelado e respondeu que se fosse procurar o limite indo um pouco mais rapido a cada volta, demoraria muito, e ele não teria temo de achá-lo, em cada curva. Então fez a experiencia ao contrario... que se tornou um porcesso mais rapido ! Classificou-se em 9° (era estreia !) e chegou a andar em 7°, mas foi aos boxes com baixa pressão de óleo. Descoberto o defeito, que era manometro, voltou a pista com 2 voltas de atraso, imediatamente atras do lideres. Curiosamente, "ficou" com eles até o final da prova, mostrando toda a sua capacidade. E que teria chegado entre os primeiros, se não tivesse parado.
Ceregatti: obrigado pelo auxilio luxuoso !!!! Estoria fantastica, que ajuda a demonstrar a habilidade do pequeno demonio canadense, ilustrada pela tua incrivel habilidade para descrever os fatos e passar toda a emoção do momento. Quero conhecer logo o caso do Jabouille, agora fiquei curioso !!!!
Bom, vivi um momento similar no Rio em 81. Fiquei o dia inteiro no autodromo, para ver o Gilles dar poucas voltas, diante dos pouquissimos fanaticos que lá estavam. Era um calor que parecia que tinham aberto as portas dos fornos do inferno, como o Edmundo descreveu acima. No final do dia, quando a gente pensava que ele não ia andar mais, lá vem a 126C, para mais um set de 3 voltas. Eram 18:00 (horario de verão), o sol tinha baixado no horizonte, o calor diminuira, mas ainda havia bastante claridade. E foram apenas 3 voltas rapidas, mais as voltas de aceleração e desaceleração. Quem viu estas voltas não precisava ver mais nada, um show de extrema habilidade e de ousadia da mais alta estirpe ! Eu, de binoculo e de boca aberta, mal consguia seguir a Ferrari pela pista. Mas dava pra ver da metade da Norte para o fim, aquele carro acelerando e vindo de lado no final da curva, apenas pra surgir perfeitamente alinhado no inicio do retão, a cavalaria se manifestando em carga total por entre as marchas. O retão acabando e cade a freada ??? Ela só vinha no final dos finais, muito pra lá de onde os simples mortais montavam nos alicates, já no trecho em que a reta se transforma em hipotese de curva, antes de virar na Sul. A descarga espocando, no retrocesso infernal do motor turbo sob máxima desaceleração, marchas pra baixo e dá-lhe pé, constante, direto, sem telegrafar, o carro cumprindo a trajetoria exata enquanto as rodas dianteiras apontavam cada hora numa direção diferente. Não tinha
turbo-lag, não tinha chassis deficiente da 126C, não tiha nada que pudesse evitar que ele fosse capaz de fazer com que aquela primeira Ferrari turbo, reconhecidamente cheia das piores manias, não obedecesse ao dono como um cachorrinho de circo. No final da Sul perdia o contato visual e ficava com o barulho. O som oco do V6 turbo não era nada comparado ao grito estridente do V12 aspirado, mas dava bem a ideia de como o mestre dominava a rebelde dama de vermelho, ate surgirde novo, absolutamente sob controle e bem posicionada, na ridicula curva da Vitoria. A freada do final da reta oposta era outra coisa impressionante, ao mesmo tempo suave e potente, até a Ferrari desaparer da nossa vista, ainda meio de lado, em direção a curva Pace. Depois e novamente, só a musica do V¨sob a regencia de uma maestro. Bom foram 3 votas de arrepiar, pra gente sair do autodromo em estado de graça, em extase absoluto. O olhar estava tão pregado na pista, no show do baixinho, que eu esquecera de travar o cronometro. Não importavam os tempos de volta, eu tinha acabado de ver uma obra prima desenhada com uso de volante, acelerador, freio e cambio. Os 6 ou 7 lunaticos que tinham resistido aquela canicula e permaneceram ali na arquibancada olhavam-se e sorriam, sem saber o que dizer. Mas o sorriso e a expressão nos rostos cansados de sol e vento falavam por si: tinhamos assistido, em comunhoão e contritos, a uma incrivel expressão da mais pura genialidade sobre rodas. Não tinha mais sede, calor, fome, ou cansaço, só uma sensação de flutar no espaço. Sai do autodromo tão alterado emocionalmente que só voltei a me entender comigo mesmo depois que arranquei as suspensões do Passat TS semi-novo no meio fio externo da primeira curva...
Imagino que o show no traçado antigo do Templo tenha tido um pouco mais de tempero, dado por aquela pista infernal. Saudade dela.
Quanto a 1 e a 2, eu só as via como uma entidade unica. Mais rapidas que ela, na epoca, só o Curvon de Buenos Aires, formando co a Eau rouge a trinca das curvas mais desafiadoras.
Hugo: perfeita a lembrança, existe o comentário de que a suspensão do
Toleman estava quebrada por um toque no guard rail, e que logo iria ceder de vez. Mas o Belof, mesmo se aproximando rapido dos dois ponteiros, também não iria ganhar , pois acabou sendo desclassificado, só não me lembro porque. Estava escrito: nem Senna nem Bellof, esse GP tinha mesmo de ser do inssosso Prost, .
Ah, Comendattore, como eu já disse antes, modificando uma expressão que ouvi de terceiros, e repito sempre que posso: O Gilles era o Bird da Ferrari ! É ao memso tempo um elogio ao Gilles (que poucos vão entender) e uma homenagem ao Bird !
Saloma: obrigado pelo espaço, e prepare as pizzas. Regi: eu aviso quando for, vai ser um prazer tomar os cascudos, jogando conversa da boa fora.
Antonio
A Ferrari e os ferraristas jamais verão um piloto andar numa "rossa" com a mesma gana, mesma garra, mesma dedicação e principalmente a mesma destreza e competencia do grande Gilles.
Naquele GP da Holanda de 79, quando ao tentar levar o carro aos boxes, com o pneu furado e o carro se deseintegrando, foi criticado por poucos, porque a maioria dos "tifosi" vibrou como nunca e naquele momento Gilles arrebatou a imensa e fanatica torcida da Ferrari e fez os italianos se convencerem de que ali estava um verdadeiro piloto, digno de pilotar os carros de Maranello.
Essa primeira foto, que ilusra o seu maravilhoso artigo, foi transformada em um poster, encartado na revista Autosprint após a sua morte, com o titulo "Gilles, ti ricordiamo cosí".
Reparem o carro, o seu desenho, as rodas (bem largas, aro 15, 16 polegadas?), a paixão em que se pilotavam, carros lindos.
Parabens Seabra.
Jovino
Esse foi um dos maiores gênios do volante, e até hoje arrepia de ver as imagens dele acelerando.
No "VocêTubo" tem cada vídeo dele que é de passar mal com o que esse doido fazia...
Abração
Valeu pelos comentários.
Meu objetivo foi atingido: deixar algo razoalmene completo e com fotos gravado sobre o Gilles, e à mão para consultas.
Abraços
Anotnio
Tive a oportunidade de por pelo menos um dia por ano, de 82 a 89, de acompanhar os testes de pneus que aconteciam aqui no Rio.
A medida que os anos passavam os caras forma ficando cada vez mais babacas, se sentindo deuses, atrapalhando só por atrapalhar e olha que a turma que ia se mantinha a uma distãncia segura e procurava não atrapalhar.
Me lembro de uma vez o Laffitte, que foi solicitado a dar um autógrafo a um menino queo chamou de Laffitche, com sotaque carioca, e ele ficou se divertindo repetindo o Laffitche. Sem dúvida outros tempos, ptodos eram acessíveis.
Abraço
Barba
Então o boteco já chegou em Chicago !!!
Dá-lhe Saloma...
Aberços
Lendo os comentários, lembrei de um Editorial da AutoSprint, de mais de dez anos atrás, cuja manchete era: "Povero Gilles, Povero Ronnie", que emoldurei e pendurei na parede. O texto fala que caras como Villeneuve seria demitidos, na F1, porque não se conformavam com os limites, não corriam por contrato e sim por gosto.
Muito Obrigado!
Pura verdade ! Ronnie e Gilles estavam entre os ultimos reais desportistas que se destacaram na F1. Nenhum dos 2 escolheria correr como 2° piloto de uma grande equipe com salario alto, podendo ser 1° piloto num time de ponta, com salario bem mais baixo! Voce não vê ninguém falando nada contra o carater deles. Esse tipo de piloto acabou, não existe mais.
Essa F1 onde o "pai de piloto" é a "mãe de miss" de antigamente, onde os "managers" passaram a ter um destaque que não merecem, foi consequencia da vinda das grandes fábricas, dos gigantes patrocinadores e dos altissimos salários dos melhores pilotos. Virou um enorme "business". E nós aqui sentindo saudade de Imola, Paul Ricard, Brands Hatch, Buenos Aires, Zandvoort, e quem sabe de Silverstone, enquanto somos obrigados a engolir Bahrein, Abu Dhabi, Malasia, e cia ltda...
Da´vontade de dizer: "Me tira o tubo" !!!!
Antonio
E eu, que sou um palpiteiro e pidão, peço mais uma para o Saloa: uma série sobre autódromos ou sobre trechos de autódromos especiais.
Vejam a lista do Antonio: Imola (trechos rapidíssimos, curvas fortes, frenagens que viabilizavam ultrapassagens), Paul Ricard (só aquela reta, acabando em curvona bem aberta...), Brands Hatch (trancada e desafioadora), Buenos Aires (curvón!), Zandvoort (rápida, com bons pontos de ultrapassaem), Silverstone (velcoíssima, larga, show).
E ainda tem Interlagos, Spa, Nurburgring, a velha e veloz Zeltweg/Osterreichring.
Acho que vale uma série.
Obrigado,
Walter
abs
Eu até podia era contar a estoria de 2 malucos irresponsáveis, que tocaram horror, com muita vontade, nas ruas de Niteroi as 9 e meia da manhã de um dia de semana, indo pro catamarã...mas acho que seria dar mau exemplo, rs, rs, rs,
Grande abraço
Antonio
Sim, amigo, é esta manobra, mas ai está só o final dela. Se voce quiser ver ela inteira, veja em: http://www.youtube.com/watch?v=jaLRdO10UW8&feature=related.
Entretanto, como eu disse no texto, o angulo nao é favorável. Ideal teria sido se ela existisse filmada pela frente, como a do Piquet sobre o Senna na Hungria. Veja que o Gilles fez a curva toda por fora, muito mais rapido que o Jones e saiu na frente sem quase atravessar !
Antonio
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