DANILO JULIO AFORNALI

Segunda, Ago 31, 2009



DANILO JULIO AFORNALI


"O PEQUENO GRANDE PILOTO"

É com prazer que conto a história de meu pai, piloto nos anos 50, 60 e 70 e que conseguiu durante mais de uma década de competições arrebanhar 7 títulos de campeão paranaense, num tempo onde o amadorismo e o amor pelo esporte era tudo.(Texto e pesquisa de Marcelo Eduardo Afornali/Out/2003)

Danilo Julio Afornali nasceu em 28 de setembro de 1935, em Curitiba, Paraná. Começou a trabalhar com mecânica de motocicletas em 1950, e nunca mais parou.
Exerce essa função ainda hoje, e mesmo aposentado, continua trabalhando na área. Sua carreira começou no fim dos anos 50, precisamente em abril de 1959, quando então, preparou um CZ 150 para correr na pista de terra (saibrada) de Joinville, famosa naquela época por sediar corridas de alto nível, nacionais e internacionais.
Na sua primeira participação em corridas oficiais, conseguiu um honroso 3º lugar !

Danilo de CZ 150 experimentando a moto na Rodovia do Café (estrada que liga ao norte do Paraná) - 1959

Dentro de sua carreira como piloto, disputou títulos com vários nomes da época como Ubiratan Rios,(que foi seu funcionário na antiga oficina na rua Presidente Farias - Curitiba), Lucílio Baumer (Joinville), o Touro do Paraná, Nivanor Bernardi, enfim, pilotos que hoje tem seu nome escrito na própria história do motociclismo brasileiro.
As máquinas eram diferentes e as pistas também. Eram máquinas muito potentes para a época, mas que tinham um conjunto que nada facilitava sua tocada, dentre elas, pilotou HRD Vincent 500 e 1000, BSA Goldstar 500, BMW 500, Rumi 125, AJS 500, e CZs, sempre trabalhadas para competição. A falta de importação obrigava até a fabricação de peças para reposição, o que tornava este esporte ainda mais artesanal!
De todas as máquinas que pilotou, a que mais deixou saudades foi a velha HRD 1000, que com a palavra deste senhor hoje beirando os 70 anos subscrevo-me:
Sr. Danilo: "Nada aguentava, todas derretiam, Triumph, AJS, Matchless, Indian. Foi aí que resolvi comprar uma HRD, adquirida no Edgard Soares. Essas não enguiçavam e depois disso, comecei a ganhar corridas e nunca mais parei e nem quebrou a motocicleta!"
Foi esta máquina que o consagrou como "o pequeno grande piloto", dado os seus 1,64 m de altura e seus 54 quilos !

Danilo e sua HRD 1000 - Joinville

A consagração definitiva veio quando venceu em Joinville com a HRD Vincent 1000. Até então os catarinenses eram insuperáveis em sua pista. As corridas eram realizadas e sempre vencidas por pilotos locais. Danilo, com sua HRD 1000 conseguiu derrotar essas máquinas na categoria Fórmula 2 (Força Livre), sendo o único piloto até então que conseguiu pilotar uma máquina deste porte em pista de terra e quebrar a série de vitórias ininterruptas dos catarinenses em sua própria pista!

Danilo vem trazendo sua HRD 1000 para vencer em Joinville - 1962

Jornal da época

Sr. Danilo: "Era uma máquina muito pesada. Eu conseguia fazer as curvas somente no motor. Usava 3 das 4 marchas quase na pista toda, no velocímetro via o ponteiro a quase 160 km/h, quando era a hora de colocar a 4ª marcha, reduzir novamente e preparar para a freada, a reta ainda era curta, mesmo no fim da reta, tinha às vezes que controlar a mão, pois mesmo naquela velocidade ela ainda patinava e queria levantar a frente. Os pneus daquela época?? Eram Avon, ingleses, eram lisos e para asfalto!"

Danilo "domando" a sua HRD Vincent 1000 na pista saibrada, Joinville - 1962

Depois dessa vitória, até propostas para integrar a seleção nacional surgiram mas como esse esporte era amador, era mais importante trabalhar, manter sua família e deixar as corridas somente para os domingos quando aí sim, tudo se encaixara perfeitamente.
Sua carreira acabou no fim dos anos 60 , tendo como resultado 7 títulos paranaenses consecutivos e participação em algumas corridas a nível nacional e internacional.
Participou de uma 500 Milhas Internacionais de Interlagos (1971), fazendo dupla com seu antigo rival Ubiratan Rios, conseguindo a dupla nesta competição um 5º lugar!

Danilo (nº 8) de Ducati 350/500 Milhas de Interlagos - 1971

Dentre sua participações a nível nacional, lembra em Interlagos em 1962, com a famosa Lambretta 111, recordista deste circuito e que fora dos irmãos Tognochi. A mesma havia sido comprada recentemente após uma corrida em Curitiba e ele como piloto oficial daquela equipe, a Cicles Bittecourt, pilotaria nesta prova:
"Fui para Interlagos e nem sabia o traçado da pista, dei 2 voltas e olhamos a vela, mais 2 para acertar a carburação sob os olhos de Gualtiero Tognochi, nas 2 voltas seguintes, igualei o recorde da pista, que era de Paulo Tognochi, durante as 2 horas da prova, liderei 1:45 minutos, no final da reta oposta, com a mão no fundo, furou o pneu, ainda consegui fazer a curva, mas não deu pra segurar e caí! Chorei!! Perdi a chance de ganhar a corrida que valia a Taça Centauro!!"

Danilo e a famosa 111 - A seu lado, Bittencourt, chefe da equipe

A época das Lambrettas tem histórias engraçadas Giovanni Sgrô, proprietário da Italmotoneta participava das corridas como preparador (Equipe Italmotoneta) que disputava diretamente com a Lambretta de Carlo Papagna (Casa das Motonetas), a rivalidade entre estas duas equipes era imensa. Carlo Papagna era um piloto constante mas não tão arrojado quanto deveria e vivia obtendo na maioria das provas apenas o segundo lugar, as Lambrettas de Carlo e Giovanni eram máquinas muito bem feitas e equivaliam-se, sendo a de Carlo Papagna preparada pelos seus amigos Tognochi de São Paulo e a de Giovanni Sgrô por ele próprio. Numa destas corridas, na pista mista de São José dos Pinhais (parte saibro/parte asfalto), Danilo estava sentado no barranco ao lado da reta, desolado, pois sua Rumi 125 havia quebrado na bateria anterior, quando de repente, ouviu chamarem, era Carlo Papagna, que havia largado na bateria anterior e obtido um segundo lugar (a Lambretta de Giovanni havia ganho a primeira bateria) e que acabara de avistar Danilo sentado, assistindo a continuação das provas. Chamou-o para a pista, e não dando-lhe tempo para indagar, colocou-lhe o capacete meio que às pressas e disse-lhe olhando nos seus olhos:
Sr: Papagna: "Chegue na frente daquela lá, só dela!!! Não importa a posição, mas chegue na frente!!!"
Esta foi a sua primeira corrida com Lambrettas, nem ao menos tinha treinado ou dado uma volta com tal máquina. Conseguiu ainda, sob a autorização da direção de prova, dar uma volta na pista e conhecer a máquina.
Danilo largou e assumiu a ponta trazendo no seu encalço a Lambretta de Giovanni Sgrô, na disputa pelo primeiro lugar, as máquinas e os pilotos eram de níveis próximos e a briga pela primeira colocação intensa. A pista acabou ficando estreita para os pilotos que no calor da batalha, acabaram se enroscando.
Sr. Danilo: "As máquinas andavam iguais de reta e não existia diferença, na parte mista do circuito, fomos dividir uma curva e ele ficou por fora. Na ânsia de tentar voltar para dentro da curva, ele acabou perdendo o equilíbrio e caiu por cima de mim. Minha sorte foi que estava acelerando e o motor tinha um torque violento de baixa, na retomada, consegui sair dele, meio avariado, mas saí."
Danilo que teve mais sorte, levou a Lambretta Iso de Carlo Papagna para a Vitória. Ela estava inscrita na categoria Força Livre e arrebatou o prêmio do dia. Desta forma, Danilo assumiu a pilotagem desta máquina naquele ano e trouxe muitas glórias ainda para a Equipe Casa das Motonetas.

Danilo com a Lambretta Iso de Carlos Papagna!! - 1961

Também ganhou a corrida de inauguração do atual Autódromo Internacional de Curitiba (1967) pilotando uma BMW 500 de 1951modificada para a prova.
"A BMW resolvi modificar um pouquinho. Mandei fundir 2 pistões maiores e cabeçudos, trabalhei válvulas e cabeçotes. Foi para quase 650 cc, para complementar, coloquei 2 carburadores maiores e o resultado foi assombroso! Além dela ficar rápida, as marchas eram elásticas e rapidamente o ponteiro do velocímetro engolia os 190 km/h!"
Trabalhou também como mecânico-preparador, pois um piloto aposentado, não consegue viver fora das pistas. Angariou diversos títulos em cada categoria que passou. Vice-Campeão Paulista nas TZ 350 com Adilon Mendes, em 1980 e Vice-Campeão Brasileiro na mesma categoria assessorando Ubiratan Rios, em 1981 e 1982, entre outros!

Adilon Mendes - Vice Campeão Paulista TZ 350 - 1980/Preparada por Danilo

Participou também como preparador nas corridas de velocidade na terra e em diversas cilindradas. Nos anos 70, o motociclismo no Paraná ficou jogado ao ostracismo e o autódromo de Pinhais (Internacional de Curitiba) abandonado. Os campeonatos praticamente inexistiam e o que se fazia para que o motociclismo não desaparecesse eram provas esporádicas.

Danilo na curva da vitória - Autódromo dos Pinhais/HRD Vincent 1000/Prova Cidade de Curitiba - 1970

Dentre essas provas, destacam-se as seguintes participações como preparador:
Prova de aniversário de Curitiba (1969) sob a pilotagem de Ubiratan Rios com uma Ducati Diana 250 de rua. Esta Ducati, no dia anterior, teve problemas no comando de válvulas que desgastou pelo entupimento num caninho de óleo. O comando foi refeito durante a madrugada com solda oxigênio (acredite se quiser!), limado até casar nos graus certos , polido e retemperado com maçarico, óleo e prusciato. No domingo, Ubiratan liderou a corrida deixando para trás a Aermacchi Alla D´oro pilotada por José Ferreira de Carvalho, sendo essa especial de fábrica ! Liderou mais de 2/3 de prova e abandonaram por fatídicos problemas elétricos !
Preparou uma Yamaha RD 250 para uma prova extra-campeonato em 1976, que pilotada por Mauro Bernoldi venceu a categoria Força Livre, sendo que nessa participavam motocicletas até de concessionárias de Curitiba, como a exemplo de uma Honda 750 Four com Kit especial de fábrica 900 cc, que ficou em 2º lugar!

PARTICIPAÇÕES EM DIVERSAS CATEGORIAS, DE VELOCIDADE NO ASFALTO:
VICE-CAMPEÃO PAULISTA CATEGORIA TZ 350 - PILOTO ADILON MENDES - 1980

VICE-CAMPEÃO BRASILEIRO CATEGORIA TZ 350 - PILOTO UBIRATAN RIOS - 1981

VICE-CAMPEÃO BRASILEIRO CATEGORIA TZ 350 - PILOTO UBIRATAN RIOS - 1982

PARTICIPAÇÃO NA ETAPA DO MUNDIAL DA ARGENTINA CATEGORIA 350 - UBIRATAN RIOS - 1982 - (Estava em nono e era o melhor brasileiro colocado, quando quebrou a embreagem)

CAMPEÃO PARANAENSE VELOCIDADE NA TERRA:
CATEGORIA 180 - PILOTO DAVIS GUIMARÃES (DT 180) - 1990

CATEGORIA 350 - PILOTO DAVIS GUIMARÃES (DT 180) - 1990

VICE-CAMPEÃO CATEGORIA FORÇA LIVRE - PILOTO DAVIS GUIMARÃES (DT 180) - 1990
(reprodução/Marcelo Fornali/arq. pessoal)


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Vicente Miranda

Parabéns ao Marcelo pela carreira de seu pai no motociclismo.
Qualquer coisa relativa a HRD-Vincent 1000 é sensacional. Era uma moto velocísima, e ainda é para os dias de hoje. Eu tive uma mas infelizmente fui fatores alheios à minha vontade me forçaram a vender. Por ser muito cara, sua produção foi encerrada em meados dos anos 50, mas durante muitos anos continuaram a vencer corridas, ainda mais com a ajuda do clube de proprietários (Vincent Owners Club) que mantém a chama acesa.
Só para dar uma idéia do seu desempenho, certa vez, lá pelo final dos anos 70, peguei HRD-Vincent 1000 dos irmãos Sergio e Fausto (donos da antiga Relojoaria Paulista - Rua Tutóia 181) para dar umam volta, visto que a minha ainda estava em restauração e, andando em primeira, entrei na Rubem Berta ainda em primeira a uns 80 km/h e só fui engatar a segunda a mais de 90 km/h com giro baixo. Imaginem o que era encher aquele motorzão na terceira e quarta marchas. Agora imaginem o Sr. Danilo "torcendo o punho" naquela pista de terra em Joinville em 1962.
E ratificando o que escrevi no início, a vitória de Sr.Danilo em Curitiba em 1970 confirma a longevidade das HRD-Vincent 1000 como motos de alta performance.
Em tempo, pelo tamanho do velocímetro e pelo motor pintado de preto, provavelmente essa HRD-Vincent 1000 do Sr. Danilo era um modelo Black Shadow, de preparação intermediária, para uso e estradas e pista. Havia um modelo ainda mais brabo, a Black Lightning, que andava a metanol, mas só veio uma para o Brasil, trazida pelo Edgard Soares.

PermalinkPermalink 31.08.09 @ 10:32



Comentário de: Regi Nat Rock

UFA!
Que história.
Legal saber que o protagonista está aí, vivinho da silva pra contar.
Parabéns.
Pra variar, todos doidos de pedra!

PermalinkPermalink 31.08.09 @ 11:11



Comentário de: Marcelo Afornali · http://www.museudokart.com.br

Olá pessoal

Realmente, era por amor ao esporte, sem contar as doideiras mesmo...

Uma História sobre a HRD, que vai mexer com a cabeça de todos:

Em 1976, meu pai vendeu a "famosa" HRD 1000cc... Quem comprou, foi um rapaz que era amigo dele, freguês de sua oficina... A máquina estava guardada, parada, e tinha uma gigantesca folga no comando, ou seja, as engrenagens que trabalhavam uma dependendo da outra (engrenagens loucas), estavam ruins e sendo assim, o ponto de comando já não era mais o mesmo... Resumindo, já não tinha mais o mesmo rendimento de antes!!!

O "gurizão", comprou a máquina, pintou de azul metálico, colocou carenagens, deixou ela bem esporte... Coisas de guri...

Meu pai dizia:
"---- Cuidado Moacir, esta máquina não tem mais os mesmos freios de antes, não é mais a mesma coisa... Está tudo meio gasto, estava aqui para bonito apenas tenha, cuidado!"

Um dia, ele veio com o primo buscar a Honda CB750 1974, a famosa "Motocicleta do Século" que estava na revisão dos 5 mil Km na oficina do meu pai... A Hondona era novíssima, muito bem cuidada e pouco rodada... Apenas 5 mil km para 2 anos de uso...

Saindo de lá, ouvimos roncos, aceleradas e enfim, aconteceu:

Ao chegarem na rua principal, acabaram arrancando e adivinhe quem foi na frente? Pois é, a HRD, ruim do jeito que estava, arrancou na frente da Hondona e foi embora, não dando a esta, a mínima chance...
Vi isso e lembro como hoje, era uma criancinha e lembro como se tivesse acabado de acontecer, tal foi minha paixão por esta máquina quando criança...

Enfim, a HRD foi embora, levou no bico a Honda 750... Os primos, ficaram sem se falar por mais ou menos 6 meses, tamanha foi a gravidade do combate entre as motocicletas, rsss...

Por fim, esta foi vendida a um engenheiro da Volvo, viajando algum tempo depois para a Suécia, onde deve estar até hoje, na mão de algum colecionador destas máquinas...

A famosa viúva-negra, a máquina que gerou o apelido e uma das que mais matou motociclistas em sua época...

PermalinkPermalink 31.08.09 @ 16:36



Comentário de: Ary Leber

Tive uma Vincent HRD 1000(1949) de 1970 a 1974, comprei a motocicleta em estado razoável, como eu tinha uma oficina de motos na época, desmontei a motocicleta inteira e remontei trocando todas peças que estavam desgastadas, o Edgar Soares tinha tudo para ela, era uma máquina fabulosa, certa vez um conhecido que tinha uma Honda 750 não quis encarar uma arrancada, infelizmente. Tenho o site do DANILO JULIO AFORNALI nos meus "Favoritos", parabéns ao Marcelo que nos deu essa história do seu pai.

PermalinkPermalink 31.08.09 @ 20:56



Comentário de: Marcelo Afornali · http://www.museudokart.com.br

Bom dia:

Meu pai sempre conta, que os policiais do DER sempre usaram Harley em seu trabalho e que como o Ernestro Trivelatto (acho que se escreve assim) importava e facilitava os pagamentos destas motocicletas, vários estados acabaram comprando o "foguete", substituindo as pesadíssimas Harley em sua frota... Por fim, ela começou a matar os policiais um a um e foi retirada de uso porque era "demais" para os motociclistas do DER... A maioria se acidentou, alguns morreram e várias "sucatas" ficaram no pátio guardadas, máquinas batidas, muitas delas com 10, 11 mil km... Meu pai arrematou tudo e usava o lote como peças de reposição...
Conta ele, que numa de suas últimas corridas, não ganhou por muito azar:
Era 1971 e organizaram uma corrida em Londrina, no aniversário da cidade... A corrida foi muito bem organizada e tinha muitos prêmios, tanto que paulistas vieram para correr lá... As máquinas dos paulistas, nada mais eram do que as primeiras TR (ou TD, não me lembro com exatidão) 350 refrigeradas a ar...
A pista era mesclada entre asfalto e concreto, com retas longas, freiadas bruscas e curvas de esquina, dando toda a pinta de ser a pista ideal para a máquina com potência demasiada...
Bem, ao largar e na primeira volta, passa "Seu Danilo" no retão acelerando a HRD em 4º lugar e já chegando nos ponteiros para brigar pela ponta, quando a 170 km/h e acelerando, ela começa a chimar e não para mais... Quando deu por si, estava sentado em cima do tanque e quase se matou...
Toda a vez que ele entrava na reta, somente poderia acelerar até 165 km/h e não mais...
O fato é que a pista era feita e blocos de concreto e devido a suspensão dianteira ruim, aqueles blocos de concreto em alta velocidade pegavam a suspensão fechada com suas ondulações e emendas, dando a pancada no garfo fechado...
Diz ele, que na parte de asfalto liso, que era uma reta intermediária e em subida, ele passava as TR que pareciam estar paradas, mas na reta grande de concreto, não podia acelerar...
Ainda sim, ficou em 5º lugar...

Historias de corrida!!!

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 08:07



Comentário de: Vicente

Marcelo,

Esse era o grande problema da frente das HRD-Vincent, tanto a Bramton (mais antiga) quanto a Girdraulic (igual à de seu pai). Podia acontecer dela dar shimmy até em velocidades não muito altas, o que não era solucionado nem com o amortecedor de direçao (a fricção). Daí porque muita gente substituía essas frentes por outras, telescópicas.

Na Europa ficou famoso o suíço Fritz Egli, cujas Egli-Vincent (motos novas construídas sobre antigos motores Vincent 1000) atingiam cifras altíssimas. Acesse imagens de Egli-Vincent

http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&q=egli+vincent&um=1&ie=UTF-8&ei=QyadSpz_IsyolAfD1uS_DA&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=4

Aqui no Rio, os preparadores Claudio "Alemão" e Russinho prepararam para o piloto carioca Vivaldo uma Vincent-Manx, ou seja, um motor de Vincent num quadro de Norton Manx. A Vincent dos irmãos Sergio e Fausto que citei acima era uma cópia paulista de uma Egli-Vincent, assim como a minha, que tinha frente de AJS-7R, um mini-quadro na traseira e balança de tubo de seção retangular com amortecedores e molas convencionais Girling.

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 10:52



Comentário de: Marcelo Afornali · http://www.museudokart.com.br

É Vicente, exatamente isto... Outro problema era a falta do berço do quadro... Como asHRD eram futuristas na fabricação do quadro e suspensões, usavam bi-choque atrás e um sistema de quadro que não existia, sendo apenas um reservatório estampado de óleo na função deste, prendendo o motor pelos cabeçotes... Imagina na hora do schimmy, o balanço do motor para as laterais, pois não tinha nada abaixo para centralizar este... Meu pai chegou a conclusão que além das forqilhas girdráulicas, o problema era a falta do berço para o motor... Com uma suspensão dianteira, muito já se resolveria... Com um berço de fixação no quadro, quase tudo seria resolvido...

Ainda tenho os pistões e algumas peças dela guardadas de lembrança, pistões da especial feitas para álcool que foram torneados na cabeça para trabalhar com gasolina azul, bem como biela e tampas de váuvulas... Coisa fina as tampas, que belo acabamento...

Abraço

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 13:32



Comentário de: Vicente

Marcelo,

Com todo respeito, permito-me discordar de seu pai. A Vincent-HRD estava muito adiante do seu tempo e, por vezes, uma boa solução mecânica não obtem o desenvolvimento que poderia ter por questões de tempo e investimento.

O tanque de óleo da Vincent "amarrava" os dois cabeçotes e fazia com que o conjunto motor-câmbio fizesse parte da estrutura, como nos carros de Formula 1 em que o conjunto motor-câmbio é estrutural, sobre o qual ancoram elementos de suspensão traseira.

Veja a Egli-Vincent que também não têm berço e mantém o sistema original da Vincent na traseira em que a balança bi-shock é apoiada diretamente em duas chapas junto ao câmbio. Claro que Fritz Egli estendeu tubos horizontais, desvinculando a massa do conjunto banco-piloto da balança.
Navegue no Google e veja os quadros de Fritz Egli, Colin Seeley, Metisse, etc...

Envio um link do piloto George Brown, que muito sucesso obteve com as Vincent-HRD 1000, mesmo depois da fábrica ter fechado as portas. Observe que Brown modificou o quadro, instalou frente telescópica e balança convencional, como Egli também fez mais tarde, mas manteve o conceito do motor pendurado, sem berço. Suas Vincent-HRD 1000 mais famosas foram a "Nero" (aspirada) e a "Super Nero" (superalimentada), com cilindrada elevada para 1500 cm3 e ..... comandos de válvulas standard, do modelo Rapide. Acesse o site abaixo e divirta-se:

http://www.myvincent.co.uk/people/george_brown.php

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 15:20



Comentário de: Júlio

Olá
Mto bacana a história do seu Danilo. Me pareceu que pra ele não tinha tempo ruim...pilotava qualquer tipo de moto em qualquer tipo de pista. Infelizmente nunca vi uma HRD ao vivo. Eu tenho uma revista Autoesporte, com a reportagem dos 500km de Interlagos, no qual ele chegou em 8°, inclusive com foto dele. Se interessar, avise e dê um e-mail.
Abç
Júlio

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 16:08



Comentário de: Marcelo Afornali · http://www.museudokart.com.br

Olá Julio

Sou grato se puder escannear e me enviar para o email: afornali@bicicletasantigas.com.br
A reportagem saiu errada, é 5º, mas ficará impressa e guardada no álbum da família... Agradeço...

Vicente:

A opinião do quadro é minha, desculpe se fui mau interpretado ou coloquei errado, apenas um conceito de quem nunca andou na máquina... Mas tenho certeza que se tivesse um amarramento melhor na parte do quadro/motor, ajudaria muito... Talvez a mudança da frente e da balança traseira realmente solucionasse o problema... Bem, coisas se pensar...
O que vale dizer, é que a motocicleta era show eaté hoje, é uma das mais cultuadas na Inglaterra, atingindo preços exorbitantes... No eBay da Inglaterra, vi uma ser vendida em pedaços po "módicos" 15.000 GBP... Impressionante o valor desta motocicleta...

Volto a dizer, a opinião foi minha e se cometi um equívoco no tocante ao quadro, peço desculpas... Sou a ovelha negra dos esportistas da família, gosto de 4 rodas pra tocar, meu pai não me entende nese ponto, hahaha...

Abraço...

PermalinkPermalink 01.09.09 @ 16:44



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