PAPO DE BOX - BRASÍLIA #71
Terça, Ago 04, 2009
PAPO DE BOX - BRASÍLIA #71
8ª. Corrida – Interlagos 25-01-2009
Preliminar da Mil Quilômetros da Cidade de São Paulo (extra-campeonato)
Em dezembro de 2008 os pilotos receberam um e-mail do Toninho de Souza que, além de proprietário da Escola de Pilotagem Interlagos, era quem organizava as provas de endurance no Brasil. Ele nos convidava a participar da preliminar do GP Cidade de São Paulo de 2009, uma tradicional prova de 1.000 quilômetros, e um dos eventos que fazem parte das comemorações oficiais do aniversário de 455 anos da cidade.
A prova foi marcada para o dia 25 de janeiro, quase um mês antes do início do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, no qual está inserida a nossa categoria, a antiga Superclassic, depois Históricos de Competição, e hoje, por fim, Classic Cup.
Geralmente quando fazemos uma preliminar, corremos no sábado, um dia antes do evento principal. O bacana dessas corridas preliminares é que acontecem no domingo, pouco antes da largada dos eventos principais. Com isso, as arquibancadas estavam cheias, e o autódromo repleto de cores, ruídos, e de vida.
Em comparação com nossos grids habituais de 30, e de até mais de 40 carros, este com só 18 carros foi meio magrinho, o menor até então. Muitos dos pilotos que disputam o campeonato, visando o título, não correm em provas extras como esta. Outros, não tinham ainda seus carros prontos, pois final de ano, é tempo de se mexer neles, revisar, abrir motor, pintar, etc...
Cheguei em São Paulo na sexta lá pela hora do almoço, e fui direto para Interlagos. A estrada estava boa, apesar de alguns trechos com chuva, e um peguinha com um Toyota Camry, desde o topo da Serra das Araras até a entrada da Ayrton Senna, ajudou a passar o tempo.
Bem disposto e animado, sentei no Brasília para o primeiro treino de sexta feira, as 16:30 horas. Estava com saudades.

O Nenê pouco a pouco, a cada corrida, vai tirando a cambagem negativa da traseira para poupar a caixa de câmbio enquanto não fazemos uma mudança mais drástica no conjunto. O carrinho estava por isso meio difícil de guiar desta vez. Muito arisco nas curvas. Não apertei demais, e marquei 2:08.644, tempo bastante razoável dadas as circunstâncias, mas nada de especial. No treino livre de sábado pela manhã virei novamente 2:08, e achei que tinha um barulhinho esquisito vindo lá de trás. Não dava para identificar direito. Parecia algo raspando, metálico. Apertaram a tampa que cobre o motor, mas não melhorou muito. Pedi ao Nenê que aproveitasse os minutos finais do treino, e desse umas voltas com a Brasinha para sentir melhor a coisa. Ele é de longe, o melhor piloto da categoria, guia muito mesmo. Como já disse antes, foi campeão em 2004, duas vezes vice, e treina regularmente com todos os carros da equipe. Marcou 2:06.434. Fiquei muito satisfeito de ter ficado só 2 segundos atrás dele. Também achou o carro nervoso demais, e difícil, e mandou alinhar as rodas traseiras. Apesar de não estar nas condições ideais, além desse alinhamento que corrigiu uma ligeira instabilidade nas retas, não fizemos qualquer outra modificação para a classificação e a corrida.
No treino de classificação às 14:30 marquei 2:08.479, e fiquei com a 5ª. posição para a largada. Caso tivesse virado no mesmo tempo obtido pelo Nenê, ficaria em 4º.
Fui para o hotel, comi um sanduíche e me meti na cama cedo, pois a essa altura do campeonato, estava todo moído e bastante cansado. Choveu à noite, mas o tempo amanheceu bonito.
Descansado, fui tomar café da manhã no salão do hotel, sentando numa mesa ao lado dos simpáticos irmãos Sermann, da equipe Poliservice, campeões lá do sul. Não os conhecia pessoalmente, mas como entreouvi que o assunto era gasolina, começamos logo a papear. Um iria participar da prova de endurance com um protótipo Spyder, e o outro, o Algacir, disputaria conosco de Fusca. Gente boa, e que se prontificou a arranjar uma prova da Classic Cup em Curitiba, em setembro ou outubro, quando Interlagos fechar para as obras anuais de preparação para a F1. Vamos ver.
No caminho para a pista parei na Sparco para comprar uma balaclava nova, pois a velha, apesar de bem lavadinha, estava um horror de encardida. As luvas, coitadas, já estão também pela bola sete, mas ainda vão ter que aguentar um pouquinho mais...
No portão 7, coisa raríssima, estava o maior trânsito para entrar! Com as provas de regularidade que iam acontecer, tinha carro pra chuchu. Bem na entrada do portão, fiquei atrás de uma pick-up Ford 350, daquelas levantadas, e com uns rodões enormes tipo “big-foot”. Na frente dela, um fusquinha anos 60, lindinho. No anda e para da fila indiana, o camarada da pick-up monstruosa não viu o Fusquinha parar, e subiu nele até o vidro traseiro! A parte de trás do carrinho ficou parecendo com uma barata pisada. Completamente achatada. A cara do dono dava dó...
Chegando no box 21, reparei que o pessoal da Motores Velozes já havia prendido a câmera de vídeo nas ferragens do Sto. Antônio, nome carinhoso da gaiola de proteção.
O querido amigo-comparsa Luiz Salomão, me presenteou com o recém lançado livro do mestre Bird Clemente, “Entre Ases e Reis”, contendo uma carinhosa dedicatória desse ícone dos anos dourados do automobilismo brasileiro. O Saloma já havia anteriormente, quando colheu a preciosa assinatura do autor no livro, me ligado de São Paulo, e colocado o Bird ao telefone. Me emocionei ao poder trocar algumas palavras com o meu ídolo de infância. Nunca poderia imaginar que isso um dia isso ocorreria!
Fui um dos primeiros a ir para a pista quando abriram os boxes, e dei duas voltas antes de alinhar. O barulho esquisito, e intermitente, continuava a incomodar. Fazia um calor infernal.
Demorou um bocado para levantarem a placa dos 5 minutos, e fiquei bem quietinho, pois o calor dentro do carro parado no sol estava quase insuportável. O Rodrigo da empresa de filmagens apareceu, e ligou a câmera “on board”. O público lotava as arquibancadas e fazia a maior algazarra. Bacana.
Finalmente começam os procedimentos de largada. Fizemos nossa volta de apresentação, e bem alinhadinhos como havíamos prometido ao diretor da prova no briefing, largamos.
Largada normal onde cheguei na última curva fechada do traçado, a da Junção, sem ultrapassar ninguém, e sem ser ultrapassado.
Aí começou o drama!
Na saída da Junção, não sei por que, o motor deu uma afogada! Demorei uma fração de segundo para entender que aquela falta de potência não era a “normal de sempre”. Coloquei uma segunda marcha, e segui pela subida afora, enquanto três carros passaram por mim voando. O primeiro foi o Ricardo Magnussen com seu Puma preto de bico laranja. Logo em seguida, o Tranjan no seu Passat “Trovão Azul”, e em seguida, na Curva do Café, o Du Lauand no seu Fusca azul e amarelo também passaram. Sempre ouvira falar da importância de se fazer a Junção bem feita, para poder sair com potência reta acima. Mas sinceramente nunca imaginei que fosse assim “tão” importante! O que se perde ali vai refletir por toda a reta, até chegar na freada do S do Senna. Impressionante! Tanto é que, pela altura da entrada dos boxes o piloto-maluquinho do Passat branco número 50 também me ultrapassou por fora, e logo a seguir, o Passat # 21 do Bráz, fez o mesmo por dentro. A Brasinha parecia um táxi procurando freguês!
Confesso que subi a reta murcho, na maior desanimação. Cheguei a colocar as duas mãos na alma do volante, como se estivesse passeando...
Contornei xôxo o S do Senna, mas no Sol, tive a impressão de que o carrinho começara a andar mais rápido novamente. Será? Vamos então tentar seguir o Bráz. Desci a Reta Oposta uns cinco carros de distância atrás dele. Na Curva do Lago cheguei um pouquinho mais perto. No Laranjinha ele abriu demais a curva, e cheguei de vez. Contornei o Pinheirinho colado, e ele se distanciou um pouquinho no Mergulho. O Passat estava melhor de motor do que o Brasília, mas pior de chão. Muito ruim mesmo. Na Junção cheguei a botar por dentro, mas ele abriu subindo o morro. Na Curva do Café ele esparramou tanto que chegou até a sair com as rodas da direita na terra, bem juntinho ao muro da arquibancada, levantando poeira e assustando tanto a platéia, quanto a mim. Por muito pouco não dá de lado no muro a plena velocidade. Sem dúvida estava com sérios problemas de estabilidade. Por conta disso colei nele na Reta dos Boxes, e na freada do Senna emparelhei por dentro, saindo do S na frente.

Tenho certeza de que o Bráz, sabendo das suas dificuldades, não tentou com muito ênfase dificultar a ultrapassagem. Um perfeito “gentleman”. Mais animado desci embalado pela Reta Oposta, e já avistava, na distância, o Passat # 50, e o Fusca do Lauand embolados. Na volta seguinte colei neles na Curva do Lago, e na freada do S do miolo, botei por dentro e ganhei a posição do Fusca.
Mais uma vez, contei com a correção do piloto que ia á frente. Afinal somos de categorias diferentes, e ele não tinha como saber que meu carro estava tão “capenga” de saída de curva. No Bico de Pato encostei no piloto-maluquinho. Não tive muito problema para ultrapassá-lo, pois na saída da Junção ele se perdeu sozinho, e saiu da pista. Oba! As coisas estavam melhorando. Mais uma volta, a quarta, e feita no capricho, reduzo mais uma vez para fazer a Curva do Lago e dou gás na saída. Nesse exato instante, o tal barulhinho que vinha incomodando desde a véspera, virou um barulhão. Lá se foi a caixa de câmbio mais uma vez...! Podia sentir as engrenagens triturando. Dava pena. Aos trancos e barrancos, bem devagarzinho, fui tentando levar até o box. No laranjinha o Lauand me passou novamente por fora. No Bico de Pato, não sei o que o piloto-maluquinho arrumou, mas cruzou bem na minha frente, subiu na zebra de fora, e saiu da pista dançando pela grama! Enquanto contornava lentamente o Mergulho, pude ver que ele seguia pela grama, paralelo a mim, até que parou. Comecei a subir a reta de olho no retrovisor e procurando fazer um traçado que não atrapalhasse ninguém, mas só consegui chegar até um recuo a esquerda, e encostei atrás de uma pilha de pneus, bem abrigado. Fim de prova. Uma pena, pois já avistava o Passat azul do Rogério, e dali a pouco, provavelmente, também o ultrapassaria.
Como só tinham sete carros inscritos na Divisão 3, e um deles havia quebrado na primeira volta, mesmo não tendo chegado, me deram um troféu, uma garrafa de suco de frutas gaseificado, e o direito de subir no pódio.

O locutor do evento se esguelava, incentivando o povo que, aplaudia e gritava. Mesmo quando passei rebocado, após o término da prova em direção aos boxes, a galera aplaudia de pé. Acenei de volta em agradecimento. Uma beleza de festa, apesar do desânimo que sentia.
No final das contas, para efeito de colocação, não faria muita diferença se não tivesse quebrado, pois chegaria no máximo em quinto, à frente do Braz, que com o carro ruim a beça, assim mesmo acabou terminando.
As imagens das ultrapassagens feitas pela câmera on board ficaram bem legais.
Conversei longamente com o Nenê, e com o Jorge Jr., a respeito das quebras constantes do câmbio. O Jorge foi o responsável pela construção do chassis do Óbvio, o carro urbano desenhado pelo Anísio Campos que tanto sucesso fez nos EUA há alguns anos, e conhece tudo sobre o assunto. Chegaram a conclusão que deverá ser feito um novo berço para o conjunto motor e caixa, mais alto. Isso permitirá abaixar mais ainda o carro como um todo, sem forçar a caixa. O Jorge está também finalizando a feitura da barra estabilizadora dianteira, aquela sugerida pelo Bob Sharp, e que será instalada em breve. Um disco de cerâmica será providenciado para a embreagem, assim como um par adicional de amortecedores traseiros. Vamos aproveitar que não poderei correr na próxima prova por motivos de trabalho, para fazer essas modificações.
Hugo Borghi
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Comentários:
Do seu texto:
"O Nenê pouco a pouco, a cada corrida, vai tirando a cambagem negativa da traseira para poupar a caixa de câmbio enquanto não fazemos uma mudança mais drástica no conjunto. O carrinho estava por isso meio difícil de guiar desta vez."
Tente uma traseira de Variant II (Independent Rear Suspension) - conceitualmente semelhante à do Porsche 914 - OU fixar o grupo motor-câmbio em posição mais alta (o carro abaixa em relação ao gropo motor-caixa-semi-eixos), muito comum nos VWs da extinta Divisão 3.
Um abraço,
Vicente
Esse cambio virou um novelão .
Aguardemos os próximos capítulos...
tcham tcham!!!!
Até lá.
Um abraço.
Pedro "Baleiro"
Obrigado pela dica. Mas como vc. pode verificar essa corrida aconteceu em janeiro.
De lá para cá já fizemos as "modificaçôes mais drásticas" a que me referia.
Fizemos um novo berço para o motor, mais alto, colocamos mais um par de amportecedores traseiros e, finalmente, o toque que acho que fez toda a diferença: A tal barra estabilizadora dianteira que o Bob Sharp havia sugerido. Domingo passado estreei a treta toda e o carrinho estava realmente espetacular de chão. Completamente neutro, é só apontar e dar gás que o bichinho sai retinho, sem abanar, inclinar ou destracionar. Parece que esta parte está definitivamente acertada. O cãmbio se comportou bem tb. Agora parece que começou o calvário dos motores!
LUBISOMEM 01
PEDRO HENRIQUE CARVALHO
Obrigado.
Já estava mesmo com saudades dos comentários simpáticos dos amigos!
Grande abraço a todos.
Um abraço!
Oi André!
Infelizmente não vou poder correr, mas irei visitá-los na pista no dia da corrida. Estarei participando de uma feira de negócios em Sampa. Quebrei meu motor no treino livre de sexta, não classifiquei e larguei nas últimas posiçãoes na preliminar dos 500 KM com um motor mais uma vez gentilmemnte emprestado pelo Tranjan. Resultado? Quebrou também na penúltima volta!!! Estou a pé, mas vou lá torcer por vc.
Abração,
Hugo
Obrigado pelo seu regresso com maravilhoso comentarios.
Quero estar neste cafe em Itaipava.
Forte abç e continue escrevendo
Eduardo Castro
E Londrina, esta nos seus planos?
Um abraço!
Subi e desci hoje, mas foi uma correria. Nem estive com o Pedro Henrique. Que tal um café na próxima terça lá no Itaipava Shopping?
Abração,
Hugo
Hmmm... Acho que tb. não vai rolar... Tenho que refazer 2 motores!
Que coisa incrível Cesar! Que coincidência!
Vc. mora lá por cima?
Pretendo estar no Itaipava Shopping na terça, por volta da hora do almoço.
Será um enorme prazer tomar o tal do cafezinho com vc.!
Caso vc. more aqui por baixo, marcamos um almoço com mais calma, pois lá, estou sempre na correria com hora marcada para descer.
Grande abraço.
Hugo
Abraços virtuais!
Cerveja então! E depois, um cafezinho...
Lá pelo meio-dia? Minha loja é a Olfateria, no fundo do corredor dos carros, na descida para o estacionamento, bem na cara do gol.
Abraço,
Hugo
Falou!!!
PA QUEM TA FERRADO
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