2010 A ODISSÉIA DA PISTA...
Sábado, Jun 20, 2009
2010 A ODISSÉIA DA PISTA...

O fim da Fórmula 1, como a conhecemos.
Por Jorge Alexandre Lopes/RTP-Portugal
Estava-se mesmo a ver. Para os que têm acompanhado as notícias das últimas semanas, tal se avizinhava. Fomos antecipando que este era o fim mais lógico, muito embora alguns tenham interpretado a cartinha de 5ª feira de Max Mosley como uma cedência.
Na hora, anteontem, escrevi que a FOTA ou rompia de vez ou ficaria nas mãos de Mosley para o que desse e viesse. Como a FIA colocou a fasquia do tipo "é como eu quero, quem não quiser pode sair", a FOTA só tinha um caminho: "Sair" ou ficaria condicionada.
Esta é a história de um duelo pelo poder, com muito orgulho à mistura e personalidades com egos do tamanho do mundo. A Associação de Escuderias da Fórmula 1 (FOTA) anunciou 5ª feira à noite, que abandona a Fórmula 1 e que criará o seu próprio campeonato em 2010. A FOTA largou a bomba atómica que lhe restava. Em Enstone, Ferrari, McLaren, Renault, BMW-Sauber, Brawn, Red Bull, Toyota e Toro Rosso, lamentam a posição da FIA mas dizem adeus.
No comunicado lê-se: "Não há alternativa a não ser preparar um novo campeonato com os valores correctos para quem participa e para quem promove. Será uma fórmula com gestão transparente, um regulamento que respeitará os fãs encorajará a sua participação, até porque os ingressos serão mais baratos. Um campeonato com os melhores pilotos, marcas e patrocinadores."
A FOTA sabe que não poderá chamar-se Fórmula 1. Mas será, promete, esta a futura Fórmula 1. Mosley ofereceu-se para ceder mas esticou a corda demais. Agora levou com a porta na cara. Diz ainda a FOTA, que a FIA e a FOM fizeram de tudo para dividir os construtores e que entre várias tácticas baixas, está a da retençao de dinheiro de 2006, devido às actuais equipas. As próximas horas em Silverstone vão ser de uma tensão terrível. A pista despede-se este fim-de-semana da F1, mas agora sabe-se que a McLaren, Renault, Ferrari, Red Bull, Toyota, Toro Rosso, Brawn e BMW vão atrás.
Há 29 anos, Ecclestone e Max Mosley estiveram do mesmo lado, defendendo os construtores. E a Federação na época foi vencida. Desta vez, Mosley e Ecclestone juntaram-se, como presidentes da FIA e da FOM. Desta vez o resultado não terá sido o mesmo. Agora podem dizer, "...mãos à obra, reconstruiremos isto do zero!"
Mas ambos sabem que sem Ferrari, McLaren e outros, vai ser difícil. O objectivo deles (e de Ecclestone em particular) era manter toda a gente consigo na F1. Os patrocinadores vão começar a mandar cartas de rescisão. As televisões vão renegociar os direitos. Ecclestone vai ficar com fortuna delapidada. Mosley, ou muito me engano, ou tem em risco a reeleição como Presidente da FIA no fim do ano.
Em abono da verdade, deve dizer-se que a FIA não é a única culpada. A FOTA também exerceu as suas condições de modo a ganhar mais poder. Quando aqui defendo que Mosley acabou com um brand que ele próprio ajudou a construir, tem a ver com o registo em que ("não") negociou. A intransigência. A inflexibilidade. A sede pelo domínio não partilhado das coisas. No fundo, mais parece que não é o conteúdo do acordo que é impossível. É a forma de lá chegar. É o meio para lá chegar. Normalmente as coisas acabam mal quando nos deixamos de focar no problema e em vez disso começamos a reagir às personalidades. Ora,foi isso mesmo que se passou ou está a passar.
Mas esta noite ainda não acaba com o espectáculo. Adivinha-se o início das jornadas de tribunal. Ecclestone e a FIA vão começar por dizer que a Ferrari está obrigada a fazer o campeonato, tal como Red Bull e Toro Rosso. E a seguir Ecclestone vai pedir indemnizações por perdas e danos. E a seguir...
Em verdade, costuma dizer-se que a Òpera só termina quando a gorda canta. Em Portugal dizemos também que até ao lavar dos cestos é vindíma. Resta saber se este anúncio significa que a gorda cantou e o último dos cestos foi lavado.
Já agora uma pergunta. Porque será que a Lola retirou candidatura no início da semana da F1? Já a estou a ver ao lado das "grandes" no novo campeonato. E David Richards por orgulho, se foi preterido à primeira pela FIA agora mais facilmente deverá negociar com a nova estrutura e associar-se a ela, dizendo não obrigado a Mosley. Que não é escolha secundária.
São apenas hipóteses.
No fundo, no fundo, acho que isto ainda não acabou. É talvez, uma esperança apenas. Mas esperemos umas horas para saber o que Mosley e Ecclestone vão dizer.
Honestamente, agora acho mesmo que...se existir reviravolta, eu juro que passo a acreditar outra vez no Papai Noel :)
PS: Este post é uma coluna de opinião de Jorge Alexandre Lopes a partir dos dados reportados na noite de 5ªfeira, não deve ser interpretado na leitura como pura notícia
Jorge Alexandre Lopes/Reprodução/RTP-Portugal
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