BRASÍLIA #71 DA SUPER CLASSIC...
Terça, Abr 14, 2009
BRASÍLIA #71 DA SUPER CLASSIC...
Estava resolvido! Ia de Brasília!
Por Hugo Borghi
Sempre gostei do Brasília. Tive dois, lá pelos meados dos anos 70.
Ambos pretos, comprados na Dacon, com teto solar, rodas aro 13, faróis amarelos, e outra gracinhas. Eram os mais bonitos e cobiçados do Rio de Janeiro. O primeiro vendi para uma loja de automóveis, na Rua Francisco Otaviano, da qual o Amauri Mesquita, que tocava como ninguém um Mini-Cooper, era sócio do Jaílton.
O segundo, meu grande amigo, e padrinho da minha filha, Guilherme “Farol Baixo” Noronha, e eu, fomos buscar juntos em São Paulo.
O Ingo Hoffmann também havia sido, naquela época, campeão da Divisão 3 com um. Até hoje o Brasília possui um desenho simpático de caixinha, com muito espaço interno, e boa área envidraçada. A frente é bonitinha, com aqueles 4 farolzinhos redondos, e a traseira lembra ligeiramente um Mini bombado. Além do mais, não havia nenhum ainda correndo regularmente na Superclassic.
Estava resolvido! Ia de Brasília!
Pedi ao Nenê que procurasse um, bom e barato, e uns dias depois ele me disse que o vizinho estava vendendo um, meio ruim de mecânica, pneus carecas, mas muito inteiro, liso, e alinhadinho de carroceria. Preço? R$ 3.500,00. Dava!
Mandei o dinheiro pra conta dele sem nem ver o carro. Até hoje o Sr. Luiz, pai do Nenê, conta pra todo mundo que bacana a confiança do carioca neles. Daí pra frente, foi um tal de junta daqui e dali, usa o cartão de crédito, o cheque especial, pega uma graninha no banco, economiza dum lado, estica do outro, e foi indo...
Os Finotti devem ser as pessoas mais pacientes e compreensivas do mundo. Era um pinga-pinga danado. Demorou 9 meses para ficar pronto. Uma gestação completa!
Os dois carburadores Weber 40 DCOE e o conta giros Auto Meter, meu cunhado comprou nos EUA, e quando minha mulher foi lá visita-lo com a minha sogra, trouxeram para mim. Como a minha sogra usa uma cadeira de rodas para se locomover nos aeroportos por causa das grandes distâncias, não teve que passar pelo raio-x do embarque. Fico só imaginando a sombra que dois Weber duplos de ferro e aço, devem fazer num aparelho daqueles...
As 3 outras coisas que vieram de fora (desta vez, importadas pelos representantes), foram: O volante Momo, o cinto de 4 pontos, e o banco concha Evo 3 da Sparco, na medida certinha para acomodar meu traseiro. Por razões de custo, e também porque a LF já possuía uma receita vencedora para o conjunto, optamos por instalar um motor Volkswagem AP 2.0 com bloco de Passat ,e cabeçote de Golf de fluxo cruzado. A preparação do motor ficou a cargo do Fábio Coelho que, já havia feito com sucesso, um motor igual para o Karmann-Ghia número 77 do Henry Shimura, também da Equipe LF.
A obra de reconstrução do carro foi uma beleza
Primeiramente, a carroceria foi separada da plataforma e trocou-se o assoalho por um zero bala, ainda na embalagem de plástico bolha. Preço do assoalho? R$ 180,00. Só mesmo em São Paulo.

Em seguida, a carroceria foi aliviada de tudo o que era supérfluo, recortada uma boca na frente para entrada do ar para o radiador de água dianteiro, construída a gaiola de proteção e o berço tubular para acomodar o motorzão na traseira. Coube justinho!
Foi também recortada a parte central da traseira, que agora é removível para mais fácil acesso ao motor.
Enquanto isso, arrumou-se uma carcaça de câmbio de Kombi que foi levada para o Sapinho montar as engrenagens de acordo com a relação de caixa que se queria para a pista de Interlagos. Instalamos o sistema anti-incêndio obrigatório, freios de Santana, amortecedores da pick-up D-20, e a suspensão foi re-trabalhada. Colocamos caixa de direção, radiador de água, ventoinha, radiador de óleo com tubulação Aeroquip, tanque, dosador, tudo novinho. Rodas de aro 15, tala 7” na frente e 8” atrás e pneus Pirelli Dragon 205-50-15. Substituímos os paralamas e o capô originais, por peças iguais em fibra, assim como, os vidros das janelas por policarbonato, bem mais leves. Como havíamos arrancado o painel todo, o eletricista Germano, fez um outro, bem pequeno e sob medida para acomodar os reloginhos e a botoeira. Ficou tudo ótimo. Na segunda vez em que fui ver o carro em São Paulo, já estava no chão, baixinha, baixinha, com menos de 1,40 m de altura até o teto. Linda!

Nesse meio tempo, tinha pedido ao Marcel Marchesi, craque em design automotivo, que desenhasse a decoração do carro, segundo umas idéias que eu tinha. Cristina, minha mulher que é designer, escolheu lá mesmo na oficina, os tons das cores, e o carrinho foi para pintura. Na viagem seguinte, agora na companhia da minha filha Manoela, acompanhamos o trabalho do Tanaka que confeccionou, e colocou os adesivos promocionais, e o numeral 71 nas portas, capô, e teto. Retiramos as películas protetoras das janelas de policarbonato, ajustamos o banco, cinto e a pedaleira e,...
Tava pronto!



Que sensação! Meu próprio carro de corridas! Inimaginável há pouco mais de um ano antes. Estávamos entrando em dezembro de 2007, e a primeira prova que disputaria seria em meados de fevereiro 2008.
Aproveitei esse tempo e pedi ao Thiago Amorim, aqui do Rio, que pintasse o capacete num vermelho e branco quadriculado tremulante.
O menino é um artista.
Ficou ótimo!

(reprodução/arq. pessoal)
Categorias: Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Diário do Hugo Borghi
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Tão de Sacanagem né, ontem 09 foi Aniversário do Finotti!
Será que este fds. ele paga alguma coisa?
O melhor é ouvir (lendo) a saga da construção.
Imagino qtos sonhos oníricos ela provocou enquanto estava em gestação.
E o resultado ficou simplesmente lindo.
Parabéns!
E anda a capetinha...
Gostei do relato da construção da máquina, mas não entendi como é feita a refrigeração do motor,já que aparentemente não tem nenhuma entrada de ar e você diz que foi recortada uma boca na frente para entrada do ar para o radiador de água dianteiro.
Essas histórias são a marca da "super classic", a transformação do que para muitos é apenas "um carro velho" na realização de um sonho.
Abraço,
A.Lubisco Chevette #8
E o Hugo é uma figura do bem, mais um apaixonado que finalmente dá vazão ao seu sonho. Corre pra se divertir, pra curtir, pra ser feliz. E não interessa a idade nem distancia - voces hão de convir que não é prático nem cômodo morar no Rio de Janeiro e correr em Sampa... E que seus cabelos brancos apontam para algo mais do que 25 anos...
Quantos mais existem por aí, doidinhos pra fazer a mesma coisa?
Pois então apareçam, malucos: Nessa turma não falta cabelo branco, idade, barriga e pé pesado. Tem até pseudo-piloto-jornalista de carro russo, então...
Um dos carros mais bonito da categoria, muito bem feito nos mínimos detalhes...
Concordo plenamente com o que o Adriano#8 disse, não são apenas carros velhos não...
É isso aí Saloma vamos fazer essa pilotada nos contar tudo...
Abs...
Ficou bala. Parabéns pelo desafio. Seria mais legal se ele corresse com o motor original a ar.
Um abraço e parabéns.
LINDALINDALINDALINDALINDALINDALINDALINDALINDALINDA.
Parabéns
Edward
Se este aqui passar, tento novamente...
Hugo
As histórias são semelhantes.
Encontram um carro "baleado" e transformam nessas belezuras da categoria.
Outra marca registrada da SuperClassic é simpatia dos pilotos, sempre passando informações, contando como construiram os carros, prepararam motores, cambios, suspensões, etc.
Quem são os preparadores, eletricistas e colaboradores em geral.
Compartilham as histórias, e até "segredinhos".
Por isso a categoria tem todo esse charme e carisma, e fica próxima do seu publico que só tende a aumentar.
Com certeza outros virão aqui, contar suas histórias para alegria geral dos malucos por automobilismo.
Estamos esperando.
Abração
Hugo
Parabéns!!!
Os W 40 ficaram otimos. Parabens tambem a quem fez as regulagens destes.
Sds Edu Castro
Parabéns Hugo, Saloma, Luiz Finotti e equipe !!!
O carro ficou realmente soberbo, lindo de morrer, e até hoje eu lembro das primeiras voltas que deu no Templo...
Seu Hugo, você sabe, você é meu herói. Obrigado pela confiança, e por sentar a bota na bixinha!
(ps: só ve se não amassa-a como fez na panca com a 914...)
Abraços
Milton/LF
O cara tem peito e braço, disputa freada é foda.
A Brasilia, no chão, tem aerodinamica, mais que o meu Zé34.
Tá na mão dele.
Gosto desta dupla !
Abraço e parabéns!
Gildo
O cara tem peito e braço, disputa freada é foda.
A Brasilia, no chão, tem aerodinamica, mais que o meu Zé34.
Tá na mão dele.
Gosto desta dupla !
Abraço e parabéns!
Gildo
Quando comecei a ler, achei que daria pra ter uma base de custo pra colocar um carro desses pra correr...
Será que é interessante fazer uma espécie de "balanço", informando quanto gastou pra isso, pra aquilo...e o custo final, até pra incentivar quem pensa que vai custar uma fortuna, e para os que acham que é muuuuiiiittttooooo barato, cairem na real?
Vc, Magrão, Marconi, Rafael, Nenê, Luis e todos os demais da família LF, é que tornaram possível este velho sonho virar realidade...
Obrigado!
PS. Agora vejam se cuidam bem dela pô!
Foda mesmo, é encostar no teu Zé do Caixão #34...
Obrigado pelas palavras carinhosas!
Abração,
Hugo
Linda história e como meu KG#77 tbém está lá na LF, acompanhei de perto a montagem da bela BRASÍLIA #71.
Parabéns também ao Saloma, pela oportunidade e qualquer dia coloco a história do K Ghia 77.
Abraços a todos
Henry
abs
Teu KG e tua simpatia foram grandes motivações para que eu entrasse na brincadeira. Desde o primeiro dia que pisei no box 21, fiquei encantado com a dupla do #77. O KG me fez voltar 40 anos no tempo, quando me encontrei com os da Dacon, aqui no Rio...
Abração,
Hugo
Seu Hugo, podexá que o senhor sabe que o Brinquedo está em boas mãos... e que venha 2009 com tempos ainda mais baixos!
Abraços!
Afinal, foi vc que melhorou a cara dele...
Já agradeci lá, agradeço aqui de novo:
Obrigado pelo visual.
assim que conseguir velocidade de cruzeiro satisfatória,
vou dar um rasante por lá, me aguarde!
Obrigado! Deu um trabalhão, mas valeu a pena, ô..., se valeu...!
Grande abraço.
Saudações,
Edmundo Gonzaga
PS: poderia colocar também o regulamento da Superclassic? Quem sabe não conseguimos instituir a categoria aqui em Brasília. Nâo custa nada sonhar!
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