DIÁRIOS DO HUGO #7
Quinta, Mar 26, 2009
DIÁRIOS DO HUGO #7
MARROCOS
Por Hugo Borghi
No início dos anos 1970, nos associamos a uma pessoa, no mínimo, bastante interessante. André Guelfi é o seu nome, e hoje aos 90 anos, mora em total reclusão, no requintado bairro de Madliena na ilha de Malta. Cidadão francês nascido no Marrocos, filho de um oficial militar corso, tem o apelido de “Dédé la Sardine” em função da fortuna que fez com a pesca industrial de sardinhas, ainda muito moço, nos anos 30. Em 1939, engajado como motorista num regimento marroquino destacado na Itália, torna-se um apaixonado por corridas de automóveis. Em 1943 serviu como paraquedista na Legião Estrangeira, e lutou em 1945 na Indochina. Após o término da guerra, voltou ao Marrocos, e começou a competir em corridas de automóveis com um Delahaye. Em 1953 obteve algum sucesso correndo com os Gordini de fábrica, onde foi colega de equipe de Maurice Trintignant, Harry Schell, Jean Behra, Robert Manzon, Paul Frére, e do príncipe Bira, entre outros. Os Gordini chegaram a vencer algumas provas, mas não eram páreo para as potentes Ferrari e Maserati, cujas escuderias acabaram contratando a maioria dos seus pilotos. Com a ida de Amedée Gordini para a Renault, como engenheiro consultor em 1957, desmanchou-se a equipe dos carrinhos azuis de F1. O André chegou ainda a participar, em 1958, do GP do Marrocos de Fórmula 1...

Grand Prix de Marrocos,1958...realizado em 19 dee outubro, teve como base no traçado, as estradas e a infra estrutura local, com 7,618 km ou 4,734 milhas
...pilotando um Cooper Clímax no circuito de Ain-Diab, em Casablanca. O grid desta prova foi fantástico, histórico! Vejam só a turminha que alinhou: Mike Hawthorn, Stirling Moss, Tony Brooks, Harry Schell, Stuart Lewis-Evans, Jo Bonnier, Jean Behra, Maurice Trintignant, Roy Salvadori, Jack Fairman, Hans Hermann, Graham Hill, Jack Brabham, Bruce McLaren, Phil Hill, Wolfgang Seidel, Olivier Gendebien, Cliff Allison, Ron Flockhart, Gerino Gerini, Tommy Bridger, Francois Picard, Robert de la Caze, e o André Guelfi.
A vitória de Moss nesta prova, com Vanwall, garantiu a Hawthorn que chegou em segundo lugar com Ferrari, o campeonato mundial daquele ano. Phill Hill, também de Ferrari, completou o pódio.
Nesta prova Stuart Lewis-Evans viria a perder a vida após um acidente que o transformou numa tocha humana. Levado às pressas no avião do proprietário da Vanwall para um hospital na Inglaterra, viria a morrer três dias depois. Tony Vandervell jamais se recuperou inteiramente da morte do seu piloto de 28 anos, e a Vanwall retirou-se definitivamente das corridas ao final do ano.
Conheci o André em meados de 1970. Ele tinha 51 anos, um porte atlético, excelente forma física, e pilotava seu próprio avião, um Cessna 421 bi-motor, pressurizado. Do seu primeiro casamento, havia tido uma bonita filha, Michèle, nascida em Agadir.
O André se casou pela segunda vez com uma influente sobrinha do presidente francês George Pompidou. Possuía uma enorme penetração política não só no alto escalão do governo francês, como também no marroquino, e também, junto à sua monarquia. Ele era especialmente chegado ao general Oufkir, a quem costumava levar em seu avião para Paris, pousando em algum pequeno aeroporto próximo da capital. O general não podia entrar oficialmente na França. Havia sido declarado suspeito de ter sido o mandante do assassinato do líder oposicionista Ben Barka que, num belo dia, desaparecera misteriosamente em Paris. Até hoje, este caso permanece sem solução. O André então nos apresentou ao todo poderoso General Mohamed Oufkir, Ministro do Interior, Ministro da Defesa, Chefe das Forças Armadas, da Inteligência, da Polícia Secreta, e tutor do príncipe regente. Inquestionavelmente, o homem mais poderoso e influente depois do rei. Alto, esguio, e de rosto aquilino, usava permanentemente grandes óculos escuros de forma quadrada. No convívio social era de uma delicadeza e gentileza ímpares. Nas mesas de poker, e na defesa dos interesses políticos do país, implacável. Numa tentativa de revolta de alguns oficiais, meses antes, havia mandado fuzilar sumariamente, onze insurgentes. Logo foram feitos alguns negócios de exportação de café do Brasil, provenientes dos estoques do IBC parados na Europa. Surgiu então a idéia de se distribuir grande quantidade de máquinas de café expresso pelo país, fazendo-se o permanente abastecimento delas, com café brasileiro. Foi quando o “primo-mecânico” Romano Borghi, que ainda dominava bem o idioma pátrio, entrou novamente em cena. De Macaé, partiu para a Itália a fim de receber treinamento na Faema, tradicional fabricante de máquinas de café expresso. Após alguns meses de aprendizado, seguiu para o Marrocos onde montou, e treinou, as equipes de assistência técnica. Nossas viagens ao Marrocos se tornaram comuns. Apesar de Rabat ser a capital, a base de operações foi montada no Hotel Mamounia em Marrakech, uma cidade mais bonita, mais alegre, com muito turismo e mais vida. É uma “medina”, ou cidade fortificada, situada no sudoeste do Marrocos, e próxima ao sopé da cordilheira dos montes Atlas. É conhecida como a "cidade vermelha", ou a "porta do sul". A menos de 100 quilometros de todo esse areão vermelho, existe lá no alto das montanhas, uma belíssima e bem montada estação de esquí na neve! Marrakech possui o maior “souk”, mercado tradicional, do país. Na entrada do souk, fica uma das praças mais movimentadas de toda a África, a Djemaa el Fna que abriga acrobatas, vendedores de água, de camelos, de cabritos, dançarinos, músicos, barracas de comida, e uma coisa que me chamou particularmente a atenção: Os contadores de histórias. São geralmente senhores idosos, com longas barbas brancas, sentados em pequenos tapetes sobre o chão de terra, tendo à sua volta dezenas de pessoas acocoradas, absolutamente atentas às suas palavras. A plateia não desvia o olhar do contador de histórias nem por um segundo, e parece beber o que lhes é dito, em total concentração. Trata-se da história, dos costumes, das lendas, e das experiências de vida sendo repassadas verbalmente. Uma linda tradição viva, num país pobre que carece de radio, televisão, e ainda com muitos analfabetos.
Éramos tratados com uma gentileza e fidalguia que, só mesmo os muçulmanos, pelos preceitos de hospitalidade do Alcorão, sabem prestar aos seus hóspedes e amigos. A cozinha marroquina, uma mescla da árabe com a francesa, é de um requinte extraordinário. Na falta de algo mais estimulante, bebe-se “thé à la menthe”- adocicado chá de menta, aos litros, durante o dia todo. Os banquetes e as festas eram dignas das histórias das Mil e Uma Noites. Aviões da Royal Air Maroc traziam beldades louras dos paises nórdicos para a “decoração” das festas. Imaginem só as festas! Difícil de acreditar, mesmo estando lá.
Numa dessas festas, conheci o Sheik de Agadir. O verdadeiro. No estado etílico em que me encontrava acho que não fui muito feliz na tentativa de lhe explicar, em francês, que já o conhecia muito de nome pela novela homônima de grande sucesso da TV Globo... Apesar das bebidas alcoólicas serem terminantemente proibidas para os muçulmanos, seu consumo pelos turistas é tolerado. Dentro das casas, palácios, e salões de festas, porém, nem turista bebe! Para estes, são montados pequenos e discretos bares, porém bastante bem fornidos, nos jardins, e em outras áreas externas. Após os jantares e ocasiões mais formais, a princesa Lalla Aichá, uma das cinco irmãs do rei, desembaraçava-se das suas vestimentas árabes, e de seus véus, e voltava “ocidentalizada”, metida numas calças “jeans” apertadas, para dançar conosco até o sol raiar.
Numa outra festa maluca, um poderoso sheik presente enviou um mensageiro para me oferecer alguns camelos, umas cabras e mais uns quebrados, na forma de galinhas, em troca pela minha namorada. A princípio, fiquei preocupado com a resposta que deveria dar. Se mando o sheik à merda, sabe-se lá o que poderia me acontecer. Se aceito, onde é que ia guardar aquela bicharada toda no hotel? O emissário vendo meu dilema me explicou baixinho que, na verdade, não precisava aceitar. Ufa! Que alívio. Mas significava que o sheik me cumprimentava pela beleza da namorada, e que aquela generosa (para ele!) oferta, demonstrava o quanto a apreciava. “Humm, sei não...” - Por via das dúvidas mudamos de salão. Para mim tava mais parecendo que o sheik tinha mandado um “se colar, colou”... Uma versão árabe mixuruca do filme “Proposta Indecente” com Robert Redford e Demi Moore!
Mas houve uma festa que merece menção especial por ter sido tão diferente de tudo que estávamos acostumados a ver, até mesmo por lá. Uma vez por ano as tribos nômades, e rivais do deserto, fazem uma noite de trégua para a comemoração do aniversário do rei. Essa trégua dura somente do por do sol de um dia, até ao amanhecer do próximo. Dezenas de caravanas seguem para um ponto pré-determinado do deserto, próximos da vila de TanTan, o último posto habitado à beira do Saara. Lá são montadas enormes e confortáveis tendas, forradas com tapetes e almofadas, iluminadas por tochas, onde um representante do rei recebe, em seu nome, os diversos presentes oferecidos. Fomos numa dessas ocasiões, acompanhando o general Oufkir que representava o rei naquela oportunidade. Voamos de Marrakech para TanTan, em dois antigos Douglas DC-3 da força aérea marroquina, pois eram os únicos que tinham condições de pousar na péssima pista de terra, areia e pedrisco. Seguimos o restante do caminho em Land Rovers. Chegamos ao acampamento, no meio das dunas do deserto, no final da tarde. Logo, ao cair da noite, quando começa a esfriar bastante, as caravanas vão chegando. Cada uma vinda de um quadrante da bússola. As mulheres Tuareg, com suas roupas azuis, cantavam ininterruptamente, batendo com a língua, e produzindo aquele som característico, impossível de imitar. Foram disputados jogos, e corridas de camelos e dromedários, vencidas pelos Mehari, a mais veloz raça de dromedário. Os Mehari são, por essa característica, usados nos serviços que exigem velocidade, como o de correios, e pela polícia! Mais tarde foi servido um banquete colossal. O Michuí, carneiro assado lentamente na brasa por sete horas, desfiava entre os dedos de tão tenro. Faziamos um bolinho com a semolina do Cuzcuz, onde se colocava a carne dentro, e então, colocava-se tudo na boca. A Pastilla, um delicado mil folhas de pombos e ervas, era de chorar de tão bom. Enquanto comíamos, guerreiros faziam fila para depositar seus presentes. Portavam longas espingardas entalhadas, finamente decoradas com madrepérola, e magníficos trabalhos de marqueteria. Ofereciam colares de contas coloridas, jóias de prata, bandejas douradas, tapetes, tecidos, cestos, caixas, e enfeites diversos. Os tambores, na forma de uns pandeiros grandões, e os instrumentos de corda, tocavam sem parar num compasso repetitivo. Mulheres dançavam a Dança do Ventre. Apesar da propaganda, essa tal dança do ventre, é uma bela bomba! Pelo menos no Marrocos, e quando executada por boas dançarinas. Explico: Quanto melhor e experiente a dançarina, mais ouro ela porta no cinto. Como para as apresentações oficiais como esta, somente as melhores eram selecionadas, só víamos senhoras já meio passadas, com banhas saltitantes, e com tanto ouro na cintura que quase não podiam se mexer. Quem sabe deveríamos assistir somente às novatas?
Após uma noite dessas, onde se terminava completamente “chapado”, acordava-se como se saindo de um sonho! Todas as tendas armadas pelas tribos tinham desaparecido, como num passe de mágica, assim como seus ocupantes. Com o fim da trégua, ao raiar do dia, todos haviam sumido. Inacreditável! Você chega a duvidar que tudo aquilo, aconteceu mesmo... Uma experiência única.
O André dirigia um Lamborghini Miura P400 verde periquito que volta e meia emprestava aqui pro “genro”. Era uma carro fantástico! Um verdadeiro carro de corridas em versão “street”.

Muito baixo, era complicado de se entrar e sair, mas uma vez instalados, era perfeito! À sua frente, um volante de três raios, e só dois enormes relógios: Velocímetro e conta-giros. Os restantes ficavam no console central. A botoeira ficava no teto, o que completava o charme, e dava ares de avião. Quase não utilizava materiais fono-absorventes, e o motorzão V-12 de 4.000 cm3, e 350 cv., berrava livremente colado aos bancos e aos nossos ouvidos. Atrás, ao invés de vidro, possuía umas aletas tipo persiana que ajudavam a extrair o calor do motor, mas deixavam entrar sujeira. Com aquela poeira toda do deserto, os 4 carburadores Weber triplos entupiam à toda hora. Mas quando andava, como andava...!
Por essa época, eu namorava a filha do André, e quem eu fizera bem em não trocar com o sheik tarado. Morávamos no pequeno “studio” dela na Avenue Paul Daumer, em Paris. Michèle tinha estado comigo no Brasil, conhecido os meus amigos, ido a Búzios, comido feijoada, e bebido caipirinha.
Em Paris, que fica a menos de duas horas de vôo do Marrocos, a vidinha era simples, e boa para descansar de tanta zorra. Levava Michèle para a faculdade de manhã cedo, num Mini 850 vermelho desbotado, caindo aos pedaços, que não tinha janela do lado do motorista, e ligava girando-se um moeda 25 centavos no lugar da chave. E o carro dormia na rua! Também, quem é que ia querer...
Nossa presença no Marrocos - lugarzinho agitado - não durou muito, somente dois anos, pois felizmente (na época achávamos assim), tínhamos desenvolvido novos negócios em Portugal. O André havia adquirido a grife Le Coq Sportif, e por isso, andava de namoros com o Comitê Olímpico Internacional. Associado a Horst Dassler, filho do fundador da Adidas, Adi Dassler, inventariam o “patrocínio olímpico”, financiariam as olimpíadas de Moscou de 1980, e elegeriam o Juan Antonio Samaranch como presidente do COI. Desse relacionamento do André com os russos, viriam a ser construídos os oleodutos para a petrolífera francesa Elf-Aquitane, mas isso, já é outra estória...
Ainda bem, pois a coisa no Marrocos virou de vez!
Em agosto de 1972 um grupo de militares descontentes tramou o assassinato do rei Hassan II, e junto com oficiais da força aérea, metralharam o avião do monarca em pleno vôo, quando este se preparava para pousar em Rabat. Por sorte do rei, ou incompetência dos atacantes, os revoltosos usaram balas perfurantes, e não explosivas, e atiraram de uma altura na qual o avião não necessitava mais de pressurização. O piloto, com o avião todo furado que nem peneira gritou no rádio que o rei havia morrido, e que não matassem a tripulação, pois eram também colegas da força aérea.
Resultado: Pousaram, e o rei não tinha morrido coisa nenhuma. Não estava nem ferido. Desconfiado de que o general Oufkir, tutor do herdeiro que ainda era uma criança, estivesse por trás do atentado, convocou-o ao palácio onde foi fuzilado ao entrar. Fatimá, a bonita mulher do Oufkir, foi mandada para uma fortaleza prisão no interior do país, juntamente com os cinco filhos do general.
Sua filha Malika Oufkir escreveu um famoso livro relatando o cativeiro, chamado: “Stolen Lives - Twenty Years in a Desert Jail”.
Hugo Borghi

Categorias: Carros, Esportes, Fórmula 1, Diário do Hugo Borghi
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Nada a ver com seu periodo mil e uma noites.
Visões distintas da mesma região.
Lugar que tenho vontade de conhecer é Valetta em Malta. Imagino que seja por conta de minhas pesquisas a respeito da 2ª guerra mundial e a importancia de Malta nessa época. Não sei. Um dia ainda passo por lá.
Mas não se pode negar. Enquanto deu, divertiu-se a larga hein? Conta mais...
Vamos ver o que o Belair fala disso.
-É a história diante os olhos...que maravilha.
(Morei em Macaé por 5 anos...conheci algumas fazendas...e como aquilo me impressionou, confesso que gostaria de ter visto a cidadezinha antes do 'boom' do petróleo).
Marrakech no ínicio dos anos 70 era bem diferente do que é hoje. Estava começando a ser descoberta como local turístico. Pobre, dentro dos padrões africanos, porém cheia de charme. O mercado era uma delícia de ser explorado em suas vielas repletas de comerciantes. Pechinchar era obrigatório e quase um ritual. A praça realmente tinha muitos pedintes, mas nada agressivos.
Tenho plena consciencia de que a Marrakech que conhecí, não estava á vista do turista normal.
Varios amigos que lá estiveram depois de mim, infelizmente, tiveram a mesma impressão que sua mulher. Um lugar talvez para cortar da lista de destinos turísticos a serem visitados hoje em dia.
Também gostaria de conhecer Valetta. Tenho um material animado muito interessante sobre a evolução da 2a. WW que posso te passar, caso vc. o desconheça, e queira.
Um grande abraço.
Macaé nos anos 50 tinha um hotel grande em frenta á praça, uma baulustrada tipo da praia de Botafogo da época, com aqueles pilarzinhos gordinhos de concreto que davam para uma praia que se perdia na distância, algumas casas, e um pequeno comércio... Fora ter sido o berço do maestro Eliazar de Carvalho, e do meu avô Ruy, acho que nada mais oferecia... hahahaha...
A fazenda ficava na estrada de Glicério onde hoje existe uma vila (cidade?)chamada Córrego do Ouro.
Obrigado pela força!
Grande abraço.
qualquer coisa da II WW me interessa, sou ligado nisso desde meus 20 anos, já perdi a conta de quantos livros lí, revistas filmes de época e por aí vai. Só lamento não dominar nada do alemão para acessar os arquivos disponibilizados para consulta. Não foi falta de tentar, mas não dá. Embaralha tudo e aí não sai mais nada. Pode mandar via sindico ou pegar meu mail com ele. Agradeço antecipadamente.
E só pra esclarecer. Minha mulher sempre comentou que, apesar da curiosidade do pessoal sobre as duas (jeans e camiseta) falta de respeito jamais ocorreu.
Como vc mesmo diz, a miséria aliada a sujeira era muito grande até para nossos padrões paulistas, imagine então pra quem estava morando na Suiça.
A novela da globo só mostrou o lado politicamente correto e festeiro (alias como tem feito com a atual na India), filmando de longe por exemplo, o local de tratamento de couros e peles naquelas tinas imensas a céu aberto.
Quem conheceu afirma que nunca mais se esqueceu do "perfume".
Abração
Agradecido
Francisco
Também sou aficcionado por tudo que trate sobre a II Guerra Mundial.
Abraços.
Vou dizer Regi: P Q P...Carai,já estou mudando de idéia sobre o livro do Hugo; tem que ser um filme, uma SUPERPRODUÇÃO HOLYWOODIANA !!!! O ómi bota até o Bond no chinelo...Aliás Hugo,algo com o MI6 também?
A única história que tenho no Marrocos,que não conheço,é de 72 também(coincidências!!!).
Passei meus dois meses de férias no Brasil(Jul/Ago) e voltava com escala em Casablanca,coisa rápida,sala de transito.Não sei por que cargas d'água,nos fizeram passar pelo controle de passaportes,mesmo estando em transito.O "otoridade" do guichê encasquetou com os nomes de origem árabe meu e do meu primo,que como eu,portava passaporte brasileiro.Como assim,nome árabe com doc. brasileiro??
E lá foi ele falar com seu oficial superior com aquele ar de quem tinha flagrado dois perigosíssimos agentes que tentavam se infiltrar com passaportes falsos.E nós observando à distancia,lá do guichê,assustadíssimos.O oficial nos olhou lá de sua sala e mandou seu brilhante sub-alterno nos chamar.Entramos quase tremendo,dois moleques que não imaginavam o que iria lhes acontecer.
O oficial gentilmente nos perguntou se éramos de origem libanesa,já tendo visto que nosso destino era Beirut.Depois me perguntou há quanto tempo meus antepassados tinham chegado ao Brasil.Respondí que meu pai,chegara em 1947 e que eu nascí no Brasil,mas estudava no Líbano,e blá,blá..um papinho rolou...
Quando se deu por satisfeito e viu que já estávamos menos temerosos,virou-se para o caçador de espiões e disse: como você pode ver,seu cretino imbecil,o Brasil é um grande país que acolheu muitos imigrantes de origem árabe,e você não deveria ter deixado seu posto para me incomodar com sua brilhante dedução de que esses dois meninos representavam um risco,seu isso,seu aquilo, pápápá...
O coitado não sabia onde enfiar o rosto de tanta vergonha,e para culminar,ainda sofreu a humilhação de ter que nos servir chá enquanto ainda conversávamos com seu chefe,antes de voltar a seu guichê.
Lembro que depois,a caminho do portão de embarque,ainda alertei meu primo para que não olhasse na direção do infeliz,para que não se sentisse ainda mais humilhado.
Muitos anos depois ainda ouví meus colegas de trabalho descreverem festas semelhantes a essas do Hugo,porém promovidas por pessoas mais abaixo na... digamos, escala social que o Hugo frequentava;mas aí já é outra história...
Se dos diários você fizer um livro, este vai ser uma ótima companhia para outros igualmente deliciosos de serem lidos, como os de outros cronistas maravilhosos, como Fernando Sabino e Rubem Braga. Todo esse discorrer suave de uma vivência rica, entremeado aqui e ali com muito pitadas de muito glamour, não poderia resultar em outra coisa que não o sucesso que seus textos estão fazendo.
Parabéns a você pelo que nos presenteia e obrigado ao Sahib que abriu um espaço literário no boteco.
Também me interesso muito por história e a Segunda Guerra Mundial tem eventos fascinantes e ainda desconhecidos da grande maioria das pessoas. Certa vez convivi com um iugoslavo (ainda havia o país) que me dizia que a versão deles da Guerra era bem diferente das versões dos ingleses e americanos. A conferir.
Pensei que era dos poucos que se interessam pela IIWW. Qdo calho de tropeçar com outro maluco pelo mesmo assunto, o papo rola que é uma alegria (apesar da desgraceira que foi a guerra) O que não faltam são tópicos especificos de um ou outro evento.O assunto fascina mesmo e o encadeamento dos acontecimentos politicos que resultam no quebra quebra, talvez sejam os mais interessantes para analise histórica objetiva.
Disso tudo resulta que o povinho que o Boss colocou por aqui, tem mais a caracteristica de virus que qualquer outra coisa. Acho bom o Hugo colocar o material num link e a gente acessa e troca figurinhas, já que tem mais gente por aqui querendo também. Dificil será conversar com ele no Templo pois estará curtindo sua Brasinha lindona e de cambio novo.
Belair: teu biotipo te entrega. Se enquadra em qualquer descrição Bondiana, seja Fleming, Leon Uris e outros que tais.
Vai ver o carinha da aduana já era leitor ávido de romances de espionagem e ficava sonhando em descobrir um...
ahahahahah
Na minha primeira entrada nos EUA, em Atlanta, 1998, não sei por que minha irmã, veterana de idas e vindas a Nova Iorque, encasquetou que eu deveria embarcar como mandava o figurino. Assim fui todo fanmtasiado: terno de lã fria, camisa social e gravata de seda, sapatos de cromo. Prá completar, uma capa de gabardine a la Humphrey Bogart em "Casablanca", só faltou o chapéu de feltro.Na chegada, seis da manhã, um frio de doer, e o oficial da imigração me pergunta o que vou fazer nos EUA. Prá encurtar, digo "Férias", e o cara me olha atravessado. Chama uma mocinha brasileira que trabalhava para o serviço de imigração americano e pede que ela me leve até seu oficial superior. "Ih, deu merda," pensei. Horas antes, ainda no vôo, eu pegara uma revista de bordo e lá dentro havia um convite e ingresso grátis para uma feira de negócios que estava rolando em Atlanta naqueles dias. Lá no escritório do tal oficial fui obrigado a me explicar direitinho. Usei então o convite, o ingresso e a minha reserva de hotel, como argumentos para estar ali em Atlanta, e etc. e tal.
"Ah, então está explicado!", disse ele e carimbou a entrada em meu passaporte.
Sem entender blicas, perguntei à mocinha que me acompanhava o que havia ocorrido, pois eu não entendera nada.
Ela me disse que o único problema é que eu declarara que estava no país de férias e estava vestindo terno completo e capa de gabardine e esta imagem não corresponde para o americano médio, uma pessoa em férias e sim a negócios! Para eles, quem está "on vacations" deve estar vestindo bermudas, chinelos e aquelas camisas multicoloridas e floridas pelo jeito!
A situação só se resolveu por que eu mostrara o convite e ingresso para a suposta feira de negócios.
Foi a minha primeira lição em solo americano: para eles a linguagem verbal deve corresponder ao visual, senão...
Coisas da América...
Tks. again...
A "turma" que vc. menciona são de escritores nível F1.
Sou só um "escrevinhador" nível Classic Cup, contando "causos" vivenciados! Fico sinceramente impressionado, e agradecido, com o interesse demostrado por todos voces! Passei os slides da evolução da WW2 para o síndico, pedindo que fizesse chegar a todos. Tb. sofri na alfândega inglesa, ficando pelado numa salinha ao chegar do Marrocos, de jeans e cabelão pelos ombros, tentando explicar (exatamente ao contrário do Jóca!) que estava indo a trabalho! A vestimenta faz o monge...
Enfim, para não aborrece-los ainda mais, o sujeito me perguntou se eu tinha dinheiro, o que respondi com um leve aceno de cabeça (na verdade eu tinha exatamente 265 libras esterlinas, suficientes, quando muito para umas duas semanas em Londres). Algumas perguntas depois, ele se irritou e me pediu para que abrisse as malas, sempre através de gestos nada britânicos. Quando eu tirei aquele monte de roupas bregas, um pacote de café, amendoim, etc, ele olhou muito irritado.
Eu estava mesmo prestes a ser ejetado da Ilha sem ao menos ter o gostinho de sentir o fog de lá. O milagre se deu, quando um tosco macacão, feito por uma costureira do interior, surgiu, logo acompanhado de um capacete de motos, cortesia de um amigo, aliás falecido, o único que acreditou em mim. Sobrenome Fittipaldi, capacete e macacão, o cara no mínimo pensou que eu fosse um aspirante a Formula 1 e sem mais delongas carimbou 6 meses de estadia no meu passaporte - que aliás, na minha inocência caipira, eu achei muito pouco!
peguei meu rented machine e atravessamos ate os junk yard que de junk yard tinha pouca coisa parecia um armazem paralelo onde se comprava sem recolher ao fisco
comprei um conta giros de 6 cil e me puz em retorno,meu amigo foi embora no seu carro e eu latino americano,num carro americano visto brasileiro com entrada no dia anterior.fui parar numa sala onde esperei apos de tocar 5 sirenes umas 2 horas a chegada do diretor do posto de tijuana que me sabatinou mais de uma hora querendo saber porque eu visitava os usa a cada 2 meses
infelizmente nos somos vistos com muito descredito e desconfianca em todo portao de entrada deste mundo afora
consegui entrar apos 2 ligacoes apessoas que eu indiquei em chicago e springfield mo
jc sete lagoas
Essa Miura verde é de matar.Lindíssima.
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