BIMOTOR, A FERA PARANAENSE
Quarta, Mar 25, 2009
BIMOTOR, A FERA PARANAENSE
...e seu domador!
Por Vicente Miranda
Em 1967, antes mesmo dos irmãos Fittipaldi terem construído um Fusca com carroceria de fibra de vidro equipado com 2 motores 1600 cm3 acoplados entre-eixos, o inventivo mecânico Deoclides Carpenedo construiu um exótico protótipo Bimotor para corridas na cidade paranaense de Cascavel, o qual possuía 2 motores DKW, um à frente, outro atrás na posição entre-eixos, independentes, assim sendo o carro tinha 2 pedais de acelerador, 1 de embreagem para acionamento hidráulico simultâneo dos 2 sistemas e 1 de freio, sendo que a transmissão ficava a cargo de 2 caixas de câmbio VW. O chassi era basicamente de DKW com as devidas modificações para abrigar o motor traseiro. Como os motores DKW não propiciaram a performance esperada, o traseiro foi substituído por um VW 1600 cm3, e a parte traseira do chassi modificada para abrigar a nova mecânica. Amante de automobilismo, Carpenedo convidava pilotos para participar de competições no Paraná e no Paraguai conduzindo seu carro.
No início dos anos 70 a publicação de uma foto numa revista especializada, em que aparecia o Bimotor numa corrida no Paraná, deixou todo mundo de queixo caído. Causava espanto o fato do carro ter 4 pedais. As pessoas ficavam boquiabertas pensando como alguém poderia ter destreza suficiente para, além de frear e debrear, acelerar e trocar marcha em dobro.

Motor DKW na dianteira e VW na traseira.
Diversos pilotos passaram pelo cockpit do bólido paranaense, alguns se acidentaram na tentativa de buscar tempo com a estranha máquina, tanto que diversas versões do carro existiram, até que em 1971 o bravo piloto cascavelense, Valdir Favarin, foi convidado e domou a fera que, nessa época, apresentava uma configuração bem diferente, o motor dianteiro era um VW 1600 cm3, e o traseiro um Simca V8 de 2600 cm3...

Motor VW na dianteira e Simca V8 na traseira.
Certa vez, conversando com Valdir, perguntei-lhe sobre a questão da sincronização de giro nas rodas. Ele me respondeu: “Não tem problema nenhum, se as dianteiras girarem um pouquinho mais que as traseiras ou vice-versa, tudo acaba se acertando ... É como se você estivesse empurrando um carro para pegar no tranco, se vem alguém até mais fraco ou mais forte que você, é sempre uma ajuda, que é sempre bem-vinda, e o carro acaba embalando mais”.
Fiquei mudo com a resposta de simplicidade franciscana para uma complexidade mecânica. Continuando, o bate-papo ao telefone, ele disse: “era um carro perigoso de dirigir, era muito passarinheiro, e em 1971 fui convidado para correr com o Bimotor, o que era o sonho dos pilotos paranaenses da época, mas muitos tinham medo .... e foi só pegar o jeito de pisar nos 2 aceleradores ao mesmo tempo e passar as marchas das 2 caixas junto, pegando as 2 alavancas, que ficavam bem juntinhas, ao mesmo tempo e engatar as marchas”.

Favarin ao final de uma prova com o Bimotor VW- Simca V8.
Valdir Favarin correu com o Bimotor até 1974 e durante esse período, mais uma versão surgiu, em que o motor VW dianteiro foi substituído por um Corcel de Fórmula Ford, porque o regime de velocidade imposto pelo conjunto motor fazia com que o VW passasse de giro. Colheu ótimos resultados, disputando palmo-a-palmo com carros velocíssimos como os protótipos Avallone, na verdade carros Lola fabricados no Brasil, modernos, providos do que de melhor havia de tecnologia na época, motores V8 como Chrysler 318 e Ford 302 e 6 cilindros de Opala, nas mãos da elite do automobilismo da época, gente como Antonio Carlos Avallone, Nilson Clemente, Pedro Victor DeLamare, Jan Balder, Pedro Muffato, Francisco Lameirão, EltonRohnelt, etc. E muitos desses monstros sagrados foram batidos por Favarin a bordo do Bimotor.

Motor Corcel de Formula Ford na dianteira e Simca V8 na traseira.
Diferentemente do que acontece com a maioria dos carros de corrida brasileiros que terminam seus dias nos ferros-velhos, o Bimotor paranaense está sendo reconstruído, numa nova versão provida de 2 motores VW, sendo que agora o motor traseiro está posicionado atrás do eixo traseiro, como pode ser visto na foto abaixo, em que também aparece Deoclides Carpenedo, orgulhoso ao lado da sua criação.

Dois motores VW – em construção.
Anotem as diversas versões do carro:
1) DKW na dianteira e DKW na traseira (entre-eixos)
2) DKW na dianteira e VW na traseira (entre-eixos)
3) VW na dianteira e VW na traseira (entre-eixos)
4) VW na dianteira e Simca V8 na traseira (entre-eixos)
5) Ford Corcel na dianteira e Simca V8 na traseira (entre-eixos)
6)VW na dianteira e VW na traseira (em construção)
Valdir, o piloto que mais sucesso obteve com o carro em destaque nessa matéria, pilotou o Bimotor até 1974, e depois continuou participando de provas de esporte-protótipos com um Manta-Chrysler construído obtendo ótimas colocações, e carros de Turismo. Participou de 266 corridas desde 1969 a 2001, conquistou um bicampeonato na Argentina em 1978 e 1979, foi 2 vezes Vice-Campeão Brasileiro de Esporte-Protótipo (Divisão 4 – classe acima de 2000 cm3) em 1974 e 1975, e Pentacampeão Paranaense, colecionando 166 troféus.

Luiz Vicente Miranda - É Engenheiro. Mecânico, antigomobilista, dono de dois carros esportivos europeus, um MGB Roadster 1967 e um Porsche 914 1974, entusiasta de esportes a motor, ex-kartista e motociclista por quase três décadas, sempre com máquinas inglesas, como Triumph, HRD-Vincent, Norton e BSA.
(Agradeço a Valdir Favarin o fornecimento do material que me permitiu escrever essa matéria, as inúmeras conversas ao telefone, colaborando assim na preservação da história do nosso automobilismo. A ele, minha amizade, respeito e admiração pela sua história no automobilismo brasileiro.)
Categorias: A, Carros, Esportes, Automobilísmo Regional, Vicente Miranda
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Comentários:
Ótima lembrança essa, pois quando eu contava muita gente não acreditava nisso. Acho que eu tenho até alguma foto, vou procurar.
Saudações,
Edmundo Gonzaga
Eu vi este carro correndo em Curitiba com o Muffato como piloto.Era uma porcaria .teve que desligar o motor de dkw para andar ..em ultimo
Dizer que andava com Avallone ,Heve ...é bricadeira.
Ouvi o fabricante dizer +cada motor da 150 km/h portanto chega a 300 por hora.oO cara nunca estudou nada
desculpe colocar desta maneira mas....
Favarin correu de Manta Dodge etc num campeonato fraco aqui do Paraná
Tem que ter mais pesquisa
abraço
Edison
ate agora eu nao entendi porque de 2 motores
carro de seis rodas,duas caixas eu consigo captar a mensagem mas 2 motores
na vespera da f1 passada fui a sp na garagem do marcos da kremer e vi um prototipo com 2 v8 mas nao acredito em solucoes fantasticas
mas nao podemos desprezar as experiencias pois elas fazem parte do nosso prazer
e vamos sujar a mao,estou comecando a colocar um 4100 a gasolina em um unimog 404
o que vc acha
jc sete lagoas
Muffato pilotou o carro depois foi a vez de Favarin que me forneceu farta documentação, inclusive de uma prova no Paraná que o carro embolou com outros mais evoluídos, por assim dizer. A partir de 1974 Favarin correu de Manta-Chrysler.
Acho que não disseram pra ele que não dava certo, ele foi lá e fez!...
Parece a mesma história do besouro. Nenhum especialista em aerodinâmica diz que aquele inseto pode voar, mas ele voa, uai.....
Toda e qualquer experiência automobilística, bizarra ou não, deve ser registrada para tentarmos resgatar um pouco da nossa história em 4 rodas.
Imagine o quanto de interessante deve ser a história do Caçador de Estrelas, o motor DKW de 4 cilindros (1 motor + 1/3) testado por Newton Alves num Malzoni que acabou sendo preterido por um "normal" de 3 cilindros.
Cá entre nós, utilizar 2 motores com algum esforço entendo, mas 2 motores diferentes, é dose para elefante. Mas os caras fizeram e a coisa andou.
Sensacional você ter fotos do DKW 4 cilindros. Se puder, envie-me por e-mail.
Imagine que o Newtinho ainda tem o coletor para 2 Webers horizontais e me disse que foi complicadíssimo conseguir estanqueidade nas câmaras de água com a tecnologia de soldagem disponível na época. Disse também que o motor tinha muito torque, tanto que, em testes no Alto da Boa Vista, as curvas que ele fazia em segunda com o Malzoni equipado com motor 3 cilindros, com o de 4 cilindros fazia em terceira.
Se eu fosse um dekamaníaco até que me aventuraria a fazer um brinquedo desses.
sera que ainda tem espaco no grupo do jpagua endurance do dia 4
se tiver vaga to pensando em por a 944 na estrada
caso positivo me chame 31 99861166
se puder me ajudar me informe pois nao tenho fone do dinho amaral
tenho que comprar um capacete e ajustar o lobo tedesco pra encarar a br3
jc sete lagoas
abs
vou la e vamos ver no que vai dar
jc sete lagoas
abraço
Li o seu comentário sobre a Relojaria na Rua Tutoia. Sergio e Fausto são os meus amigos há mais de 30 anos, desde 1976, quando comprei uma Triumph 650 em S.Paulo. Sergio & Fausto estavam fabricando a HRD. O falecido Ronnie Kopenhagen, era um grande amigo também e tinha várias motos, BSA, HRD etc e o Rolls Silver Ghost. Paulo Kopenhagen tinha um Jaguar XJ6 (não conhecia) era primo de Ronnie. Hoje só tenho uma BSA 500, Landau Performance de 350 hp e o Dodge de 650 hp, todos fabricados por mim. Estou no FaceBook, o melhor lugar para comunicarmos. Espero notícias suas.
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