JOÃO VARANDA FILHO, o "JIQUICA"...
Quarta, Mar 04, 2009
JOÃO VARANDA FILHO, o "JIQUICA"...
Quando a gente é moleque, tudo vale, é ser chato, curioso e sempre ter uma palavra pronta no vocabulário, "PORQUE”... isso e aquilo...
Bom a vida é assim, PORQUE acho que têm que ser. A gente cresce, deixa a cidade natal, deixa os conhecidos e amigos e também parceiros de bagunças, para se aventurar pelo mundo.
Mas PORQUE a gente não esquece os momentos, deixados para trás?
As lembranças de um "enfant terrible" no meio de tantos matuzas, xeretando o que não deve, mas nunca rejeitado. Parece mascote, sei lá...
Da minha geração, participaram alguns Varandas, que volta e meia estávamos metidos em pegas na Serra de Petrópolis ou em corridas de carrinhos de rolimãs, na Serra de Teresópolis... muitas noitadas nos saudosos "point" do D'Angelo ou Café Rio Branco.
Dos matuzas, só acompanhava de longe, mas acompanhava. Da Filpan, galpão de onde saiu muita barata "envenenada", DKW, Fucas, Simcas, Renault... e dos Irmãos Varanda. Turma de velozes, sempre metidos em corridas e preparação de motores. Conhecidos nacionalmente e levava o nome da terrinha "Petrópolis" a autódromos por esse Brasil a fora.
"Jiquica" era pelo que me lembro o mais espetivado, sempre agitado e um tremendo bota, e quando passava do limite, sorria com cara de quero mais! E junto com seus primos Aylton e Álvaro Varanda faziam à cabeça dos fãs da terrinha. Seu pai foi contemporâneo do "Leão de Petrópolis" Irineu Correia... daí seu gosto por corridas desde cedo.
Gosto de uma competição, aliás, é a que mais me dá prazer de comentar, do "X Circuito Automobilístico Cidade de Petrópolis", prova em que se não estou enganado, estrearam os KG-Porsche 1600cc recém adquiridos, oriundos da Equipe Dacon.

A turma dos Varandas e Paulo Cezar Newlands, vencedor da prova com uma Ferrari 250 GTO # 11. Vide o escudo da Ferrari no capacete, acerto de legenda do brother Hugo de Moraes Júnior!.
Aylton #2 e Jiquica #7 com os KG, partiram nessa ordem, o #2 desde o começo entre os quatro primeiros colocados e o #7, que atrasado vinha subindo de posição a cada volta. E as vezes no limite, como era seu costume de tocada.
Com o número total de 50 voltas da prova, Jiquica, começava a ver um horizonte melhor na prova, PORQUE em menos de dez voltas já se preparava para ir para cima de Marivaldo #45, com o R-8 de Grecco, e ultrapassá-lo.

Um a menos, e agora na alça de mira era o Malzoni #9 do Giovani Bianchi, outro piloto petropolitano que foi para o andar de cima, que tambem passa.

O próximo, era a Berlineta de Sérgio Carvalho #22...

...mas quando estava em segundo, já tendo ultrapassado Casari com o Malzoni #96 e seu primo com o outro KG #2, e empurrado pela torcida local (gente pelo ladrão)...

...encontrou um poste pela frente, já no finalzinho da prova, na descida da Rua Alberto Torres. Arrastou a frente na freada e bommmmmmm...

- Jiquica no detalhe em amarelo, ao sair do KG -
...populares o ajudaram a colocar a barata na pista novamente, parecia prova de rally, e saiu lascando e ainda pegou o terceiro lugar do pódio e bateu as 50 voltas da prova...porreta esse Jiquica!
Mas isso tudo fica na saudade. Jiquica nos alegrou por muito tempo com seu jeitão meio loucão de ser. Não tinha tempo ruim para o cabra, e se mudou de mala e cuia para o andar de cima. Aos 69 anos, deixa mais uma vez a terrinha orfã de seus ídolos.
Mas PORQUE a gente não esqueçe, os momentos, deixados para trás? PORQUE as lembranças, mesmo que VELOZES, como diz o compadre Hugo, são os registros que frontalmente guardamos na nossa cachola, e me sinto feliz por ter podido viver esses momentos...
Obrigado Jiquica, obrigado Clã Varanda, obrigado Petrópolis e obrigado Edu Castro!
Saloma
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Comentários:
abs
Parabéns pelo texto.
Saudações!
Abç Edu Castro
Parabéns Saloma!
Mas voltando ao tema de quando a gente era moleque, lembro que quando meu pai (que era funcionário do Banco do Brasil) chegou em casa e disse que iríamos mudar para Brasília, isso em 1967, adorei a notícia, só por causa dos famosos 1000 KM de Brasília. Meu pai já tinha me levado para assistir uma corrida na Ilha do Fundão (se não me engano foi a estréia do Emerson Fittipaldi) e ali fui, definitivamente, mordido pelo vírus das competições automobilísticas. Depois um tio me levou para ver uma corrida na Barra da Tijuca, na curva inclinada da Rua Olegário Maciel, em frente ao Bob´s. Eu morava na Tijuca na Rua José Higino esquina com a Rua Maria Amália, onde tinha uma turma de rapazes bem mais velhos do que eu (que tinha 13 anos) da Escuderia Pluft, que tinham carros preparados para os pegas do Alto da Boa Vista. Uma semana antes de me mudar para Brasília, um amigo de rua e de escola, o Fred, me apresentou um garoto da sua Rua (no final da José Higino) que estava morando em Brasília. Ele estava com o braço quebrado porque sua mãe tinha deixado ele dirigir na estrada para o Rio e ele capotou o carro. Era o Nelson Piquet Souto Mayor. Depois de mudar para Brasília, ele estava na minha turma do 3º ano no Ginásio Moderno. Eu morava na SQS 114 (quadra do Banco do Brasil) e lá tinha uma turma de caras mais velhos que corriam de carro e nos pegas. Então vivia no meio deles e de tanto fazer perguntas me colocaram o apelido de "Perguntinha". Eram: Carlos Alberto Toscano, José Marcio Toscano, Carlos Alberto Sabbá (já no andar de cima), José Carlos Cantanhede (o Catanha), Wilmo Jr., e outros que não me lembro agora. Eu estava que nem pinto no lixo! Depois, virei "rato" da Camber, que se transformou num "point" de Brasília, na época. Isso fora as escapulidas com a Variant 1970, do meu pai, nos pegas do Hotel Nacional. "Roubei" tanto a Variant do meu pai que quando eu fiz 17 anos ele me deu de presente de aniversário um Fusca 1200, 1963, azulzinho, com o aviso de que se a polícia me pegasse ele não iria tirar o carro do depósito do Detran. Fiquei louco de alegria. Eu estudava no CIEM, colégio modêlo, de Ensino Médio, da Universidade de Brasília, que tinha cursos profissionalizantes. Como o convênio com a Disbrave, concessionária Volkswagem tinha acabado, não teve mais o curso de mecânica quando fui estudar lá. Então entrei em contato com o Alex Dias Ribeiro, piloto e dono da Camber e recriei o Clube de Mecânica do Ciem. Eram 2 ou 3 dias por semana, à tarde, oficialmente na Camber. Assim, herdei diversas peças do Patinho Feio e fui colocando no meu Fusca 1200. Distribuidor de avanço centrífugo (da kombi 1200), dupla carburação, rodas aro 13, escapamento Kadron, e por aí vai. Resultado: o meu Fusquinha 1200 dava côro no recém lançado Fuscão 1500. Era a glória. Uma semana antes de eu fazer 18 anos, meu pai teve um derrame celebral fulminate e faleceu. Como o Fusca estava em nome dele, entrou no inventário. Mas, meu falecido avô, tinha deixado uma caderneta de poupança para cada neto, para ser resgatada quando tivessem 18 anos. Não deu outra, saquei meu dinheiro e comprei minha primeira moto: uma possante Honda CB-100, a primeira com guidon "manks" de Brasília. Logo ela foi apelidada de "Pururuca", apelido que acabou passando para mim, além do gosto pelas motocicletas que tenho até hoje. Nunca mais deixei de ter uma motocicleta.
Tempos bons...
Saudações!
Jovino
Lembro-me bem dessa corrida que foi muito bem descrita por voce,pois meu irmão ,o João José "Gaguinho" Hingel fez sua estréia em corridas nessa prova. Ele correu com o Gordini #16.
PS
Como está a situação da paternidade das fotos enviadas po mim?Abraços.
abs
Luiz Carlos
Que bom ouvir notícias suas, ainda mais com essas histórias da primeira geração de malucos de nossa Brasília.
Show Saloma, mais uma vez.
Abs.
Em tempo: "Pururuca" sou eu.
Nos vemos em goiania no sabado no encontro de antigos.
Jovino
Estive visitando o Jiquica, fazem uns 3 anos. Infelizmente, já estava bastante combalido, mas sem perder a majestade. Convivi (pouco) com a Jiquica, mais como admirador do ícone que ele sempre foi. Nos auros tempos, um verdadeiro play boy que soube como ninguém aproveitar a vida. Sujeito alegre, simpático de prosa fácil e agradável.
A lembrança verdadeira que guardarei do Jiquica, é a do herói das corridas. Coração aberto aos amigos. Era de emprestar a "baratinha" a algum parceiro piloto, que por qualquer motivo estava sem carro!
Tenho certeza que, neste momento, deva estar contando suas peripécias ao Criador. E garantidamente o Criador está imóvel ouvindo atentamente ao Jiquica.
Descanse em paz!
Tullio Mendonça Mario
Serginho Hingel: Irmão de "Gago" Hingel, que infelizmente já nos deixou, era uama "bota".
E Tullio Mario, propriettário de um Jeep 1942, um dos mais originais do Brasil.
É uma alegria ver o crescente número de petropolitanos frequentando essas páginas.
Vamos divulgar.
Um abraço a todos.
Obrigada.
E quanto as fotos das corridas da terrinha, tenho muita curiosidade de vê-las. Será que poderia disponobilizar para colocar-mos no blog. Estava pensando em fazer uma galeria de imagens com historia do Clã Varanda, se vcs me ajudarem. Fico no aguardo...
abs
LS
Sou da família Varanda, pois minha mãe era irmã do João Varanda. Logo, sou primo do Jiquica, de Ailton, do Álvaro, do Wilson e também Samuel Dunley que foi casado com a irmã do Jiquica, a Alda. Também curti muito aquelas CORRIDAS pelas ruas de nossa Petrópolis. Como Volta Redonda foi citada, me casei com uma voltaredondense, mas moro em São Paulo há 40 anos. Abraços e parabéns pelos textos e fotos.
sr joao obrigado por ter existido, hoje sou grata a vc pois foi por vc que
conheci seu filho, joao varanda neto hoje sou casada com ele moro em natal onde seu filho tb trabalha com carro, fazendo passeio turistico. adorei este texto saloma. um grande abraço karine, pedro e joao varanda neto
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