A PAIXÃO PELAS CANELAS FINAS...
Quinta, Fev 12, 2009
A PAIXÃO PELAS CANELAS FINAS...
Mundo muito, mas muito pequeno... Ou apenas obra do destino. Digo, porque a Rua Teodoro da Silva , comentado pelo amigo Ricardo Achcar em um post relacionado a ele, aonde eu pequeno ia para a casa de meus avôs e passava em frente a uma porta de garagem, onde saia umas coisas malucas e tinha um tal de Vadinho, mas que Vadinho nada, era "Pau Queimado", e aí me veio lembranças, como numa tarde de sexta, matando as aulas do período da tarde, na PUC (RJ) nos idos anos 80, recebi meu brevê de piloto. E foi suado, porque a exigência era muita, ou batia o tempo no cronômetro ou ficava para a próxima turma... E não tinha boa vida! Os formuletas iam ao limite e o compadre aqui deixou nosso querido Miltinho Amaral, já fazendo as contas para montar outra barata, a ponto dele pular na frente e sinalizar que terminará a seção de tempos. Quando isso aconteceu, ele já acenou para a saída dos boxes, e fazendo sinal para entrar por ali mesmo, sem perdão.
Daí veio à clássica frase operacional e que já sai por osmose... F@##@, me danei!
Parado a formuleta, o Mané (mecânico/ajudante de ordens/secretário e por aí vai...) pede o capacete e o jeito é aguardar a bomba!
Mas que nada, passamos todos e fui parado na pista, porque já tinha feito o tempo e se continuasse a conta seria grande e o jeito foi passar a régua e mandar o turquinho para o chuveiro!
E no dia 7 de maio de 1980, licença na mão e sonho realizado!


Mas vou confessar aos comparsas, sempre que entrava nas formuletas, viajava no tempo em que um moleque de dez ou onze anos, ficava escondido nos boxes, para não sobrar e ser colocado para fora. E ficava observando aquelas "baratinhas" fazendo seu ballet sobre rodas no antigo Autódromo de Jacarepaguá.

A primeira largada de Fórmula Vê na América do Sul...a barata a ser batida o Fitti-V, (que o brother aqui pilotou em Guaporé)na posição de honra no grid com Emerson #7, ao lado outro Fitt-Vê do Pace #2, Totó Porto com Aranae #12, na segunda fila Marivaldo com outro Fitti-Vê #45, Amary Mesquita com Aranae #6...
Foi em 1967, que a Fórmula Vê estreou na terrinha e para sorte dos cariocas foi lá (depois conto em outro post a primeira prova). Logo que bati os olhos no Fórmula vermelho-laranja (alguns anos mais tarde que a história se desvendou para mim) vi a coisa mais linda do mundo. Todo laranjão, rodas cromadas, as faixas no bico chamavam atenção, um arco de santoantonio cromado, era muito chic, e o piloto também com o capacete escuro com detalhes em vermelho (não precisa dizer que daí saiu o layout para o meu primeiro capacete). Largava na frente e disparou... teve duas baterias e venceu as duas. E não tirava os olhos do danado, e só sosseguei quando cheguei perto, e comecei admirá-lo bem de perto. Colocaram-me dentro, e foi o máximo! Agora, que foi não me lembro, mas mq pediram para sair rapidinho, porque vinha o "xerife Girão" e o portuga era bravo e já tinha dado trabalho para ele.
Daí para frente, sempre me identifiquei com as "canelas finas". Foi fucas de eixo estreito, rodas invertidas e por aí vai...
Mas nunca iria imaginar que um dia pilotaria a mesma barata que me fascinou nos anos 60. E é uma delícia pilotar a barata. Acredito que são 36 a 45 HP de emoção! É um conjunto impressionante de bom e deixa a gente com a confiança de querer andar cada vez mais rápido.
E foi isso que fiz no pitoresco Autódromo de Guaporé, no dia 10 de janeiro (data guardada com carinho), e concordo com o comparsa Caíque, em meio à natureza e oferecendo um clima inglês ao autódromo, de ter a oportunidade de pilotar o autêntico Fitti-Vê.
Sabia que tudo seria controlado logisticamente com nosso benfeitor Paulo Trevisan e sua equipe. Teríamos que respeitar a risca todos os mandamentos do dia. A quantidade de voltas dadas e os carros a serem pilotados.

Paulo foi para pista primeiro com todos os carros, para verificar o setup e acertos e dar o OK para a galera, e o primeiro foi o Fitti-Vê.
Via os nos olhos da galera uma luz especial, ansiosos e doidos para andar nas baratas. Comparsas de nossos encontros, Mestre Joca, Eric, Belair, Dr. Paulo Aidar e meu amigo Caíque, com seus papos de box, estavam a mil...
Chegando a vez, desse arteiro dublê de piloto, fui para o Fitti-Vê, para sair ainda com pista molhada e muita poça no trajeto. Começando a senti as reações da criança e cada vez mais soltando à barata e deixando-aela rolar mais. Aí veio mais água, fui para a pista, de teimoso, e voltei um pinto molhado depois de duas voltas. Descanso para tarde e esperança de secar e ficar mais interessante. "E aí S. Pedro dá uma trégua, vim de longe, capricha"...

Não sei se merecia tanta atenção do andar de cima, mas saiu um sol tímido e secou o suficiente. Sentei novamente e agora vai.

Saindo dos boxes, desviando de umas teimosas poças que se recusavam a secar, fui para a primeira curva à esquerda, entrei belisquei o freio e mandei Vê. Já sai apontando para a segunda, que para minha surpresa tinha uma poça na rolagem da barata, por isso teria que segurar e matar um pouco a saída. Seguindo reto, vem uma curva para a esquerda, em que foi cenário das rodadas de dois Comparsas, e segui para uma curva de alta, pé cravado. Curva à esquerda, pinga o freio e entra, jogando a barata como kart. Pé cravado, curva a direita e a curva de entrada da reta. E espeta a quarta na estrada dos boxes... mas isso foi no início, já para o meio ao final das voltas, dando uma tocada semelhante ao kart, e alongando as trocas de marchas. Chegando aos boxes, procurei soltar à barata e fui parando devagar... e fiquei alguns segundos ainda sentado no cockpit, relembrando a muitos anos atrás as cenas.

Foi quando chegou perto, um pai com seu filho, e os olhinhos do guri não piscavam e foi muito rápido...

...pedi ao pai que trouxesse ele para perto e o peguei. O guri pegou o volante, apontou para os instrumentos e com olhar voltado para o horizonte parecia estático. Que cena!
E posso dizer com todas as letras dessa nossa reforma ortográfica, "FOI UM SONHO QUE JAMAIS PODERIA PREVER QUE SE TORNASSE REAL". Posso dizer que, o vi na sua estréia; acompanhei as provas; tirei licença de piloto num e depois de muito tempo, sentei novamente ao cockpit, para renovar meu brevê... isso é o máximo! Trevisan, assim, vou fazer checkup todo ano, para não ser pego de surpresa...
Abraço a todos e até a próxima...
Saloma#Sahib
Categorias: Esportes, Colunas, Automobilísmo histórico, Classic Events
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Comentários:
Lá em Guaporé,deu para sentir bem o quanto de chão tem o carrinho....FANTÁSTICO.
Como disse no testemunhal do Caíque, cada experiência com estes carrinhso é individual, não dá pra repartir suas emoções e lembranças com os outros.
É como uma celebração particular, uma reviravolta de sentimentos, lembranças e desejos reprimidos que naquele dia abençoado em Guaporé tivemos a dádiva de tê-los resgatados.
O que cada vez mais me recompesna é saber que somos uns poucos de nossa geração que tiveram a glória e oportunidade de sentar nesses carrinhos e, de certa maneira, realizar seus sonhos de adolescente.
É uma dádiva ou não ?
É nessa hora que, descobrimos quando o cidadão foi infectado pelo virus do autococus.
Felizmente não tem cura pra isso.
E por isso não passo perto nem do butantan e muito menos de qualquer laboratório de analisas.
Parabens Salome e o resto da turma que tiveram a felicidade de andar nessa joia.
E um grande parabens ao Trevisan por promover tudo isso.
Lembro de que comecei a chamá-lo assim faz tempo ...
Parabéns pelo belo relato. "Mutatis mutandis", o monoposto de Amauri Mesquita na segunda fila do grid de largada era o (único) Feirense Vê.
Lindo relato. E foi como o Fabio disse... Um virus que não tem cura...
Parabéns Saloma!
Viajei no tempo e imaginei a tua emoção!
Abraços
Renato Pastro
O Eric deve ter razão, em Interlagos deve andar o tempo todo flat, mas seria melhor colocar um motor 1600 para a subida do box, de 1200 deve demorar muito.
Vicente Miranda, na primeira prova, em 14/maio/67, largaram 3 Fitti, 5 Aranae, 1 Spadacchini e um Jajá.
O Amauri Mesquita correu com o Spadachini, que participou apenas das duas primeiras provas da Formula-Ve, em ambas pilotado pelo Amauri Mesquita. O Feirense estreou apenas em 26/maio/1968, e nas 14 provas de que participou foi sempre pilotado pelo Manuel Ferreira Neto.
O que empurra o 1200 nesse formulinha(370 kg) é brincadeira....claro,devidas as proporções.
Só quem tem esse vírus no sangue, ou gasolina correndo nas veias sabe o valor e o prazer de uma experiencia dessas!
E reproduzir décadas depois esse instante, com o menino no colo sendo irremediavelmente contaminado, como todos nós.
Talvez a idade tenha essa serventia tambem: A de multiplicar o prazer da lembrança, fazendo com que o peso dos anos nos faça enxergar o real valor de nossas (tão raras e fugazes) alegrias.
Aproveitei o relato do Saloma para dar tratos à bola na categoria de Formula Ve que poderíamos fazer.
Com um motorzinho 1600 de um carburador e mais umas poucas besteiras, apenas para enquadrar as sucatas dos speeds, acho que chegaríamos nuns 70 a 80 HPs. Um motor desses duraria a temporada inteira.
O meu spyder era muito mais preparado e o motor durou 22 corridas e só reformei porque os macais estavam com folga.
Baseando pelo meu carro, que embora seja mais potente deve ser uns 100 kilos mais pesado no mínimo, acho que os fromulinhas chegam a uns 190 na freada do S que é mais ou menos a velocidade do meu carro que era lida nos radares de várias equipes. Not bad.
Conforme podemos ver nos relatos do Saloma, do Caique e das suas observações, inaceitavelmente lacônicas diga-se de passagem, pois mereceriam um relato, não é necessária uma enorme cavalaria para se divertir. Não devemos nos esquecer que cavalaria custa dinheiro, pois carro de corrida não anda com gasolina, anda com grana.
Parabens Saloma.
Jovino
abs
Obrigue aos demais a relatarem as suas experiências, a exemplo do que você e Caíque fizeram.
Deixem de egoísmo, nos brindem com seus ralatos.
Saloma, o que fizeste por este piá foi fantástico, para ele será inesquecível. Ele se lembrará deste dia até ofinal dos tempos.
Grande Abraço,
Barba
Joca, parceiro das incontáveis aventuras gasodutas por esse Brasil afora, realmente é uma dádiva o que tivemos...
Fábio, quando vc pega esse danado de virus do autococus, não há remédio que dê jeito...
Vicente, obrigado pelo carinho...
Felipe, CLAP CLAP CLAP CLAP pra ôce tb...
Renato, foi uma viagem fantástica...
Zullino, pelos anos que nos conhecemos, até parece verdade, fiquei honrado...
Mario, sem inveja, eu que sou presenteado com as presenças de vcs por aqui...
Cerega, fez falta...
Belair, com certeza...
Jovino, vc não imagina como brilhavam os olhinhos do "piá"...
Lubisomem01, boa lembrança, já corrigido, tks...
Barba, estou cobrando, será que os cabras se animam?
abs a todos
Saloma#Sahib
Canela fina sempre foi uma coisa "racé", o que prova seu bom gosto.
Quanto sol na moleira apanhei assistindo a essas provas...
Mas que cabeleira, hein?!
Parabéns a vc. e ao Trevisan por manter a história sempre viva.
Abração,
Hugo
Quem viu esses carrinhos andarem (e nós tivemos essa sorte grande), não tem possibilidade de escrever um texto só por escrever, a emoção vem de volta e quase uma vida passa na nossa cabeça, como bem escreveu o Ceregatti. Belo texto,
abração,
Caíque.
Hugo, é muito mais divertido as canelas finas...
Dú, manda vê no estoque...
Caíque, obrigado pelo texto que nos enviou...vc teve uma experiência ímpar, de tocar todos...
abs a todos
Saloma#Sahib
abs
Vcs deixaram todo mundo por aqui com agua na boca.
Parabéns!
abraços
Luiz Carlos
Foi o primeira tentativa que se fez para melhorar a estabilidade, e tentar vencer em maior velocidade, o "calombo" da curva do mesmo nome na Lagôa.
Era preciso quebrar as presilhas da calota senão não dava para montar a roda ao inverso, que tinha mais tala para dentro do que para fora.
Logo em seguida vieram os "espaçadores" que jogavam as rodas traseiras mais para fora ainda.
Bons e ingênuos tempos...
Voltando ao Fórmula-Vê... Tem que usar pneus finos e rodas aro 15, mesmo que fosse uma cilindrada de 1600cc, a emoção é maior e depois o câmbio, que já com a 8:31 para Interlagos, já que o danado é leve, acredito que vá bem...mas e o chassis, taí uma incógnita que o Zullino, M e outros oriundos do conhecimento de "Vê" podem nos dizer.
Jovino
Também acho que a formula V tem que usar pneus finos e de biscoito e sem lixar, assim os pneus durarão vários anos de corrida. Aro 15, 175 na frente e 195 atrás e rodas de aço bara baratear. Evidentemente, as medidas teriam que ser comprovadas em testes.
Quanto ao chassis, o M e eu estamos conversando e trocando idéias. Basicamente, serão chassis um pouco mais modernos e bem mais seguros, mas no fundo não muda muita coisa.
A dificuldade é calcular a distribuição do carro visto que optamos por usar um célula de combustível entre o piloto e o motor, além de ter que estudar a ergonomia para atender os rotundos comedores de pizza e os moleques também, uma tarefa hercúlea sem dúvida. Geralmente fórmulas são feitos para anõezinhos magrinhos e não dão muita condição para pessoas diferentes se sentirem confortáveis e sequer sair direito do carro. Falo por experiência própria quando lá pelos meus 40 anos tentei sair de um F3, tive que ser tirado com alguém me pegando pelos suvacos, hahahahah.
Eu gostaria de pilotar algo mais forte do que karts, mesmo sendo piloto amador, sem nunca ter tirado uma licença igula a essa.
Como fazer para tirar a licença e praticar esse tipo de sonho?
Nós que tivemos a felicidade de ver esses carros iniciando uma categoria, só podemos nos emocionar ao ve-los novamente em ação.
Pilotá-los então, deve ser uma gratificante viagem "de volta para o passado".
A sua atitude de colocar o garotinho ao volante da barata, retrata muito bem a sua passagem pelos tempos do inicio da Formula V.
Já contaminou o moleque.
Ah! E que bela peruca aquela de l980, hein? Fala sério...
Alem das rodas a "barata" do Comino tinha algumas soluções aerodinamicas exclusivas e bizarras.
A moda das rodas invertidas foi parar nas ruas, em eras pré alargadores e talas-largas...
Ricardo Martin
A categoria de formula Ve é apenas mais uma categoria de automobilismo, teria que ser homologada pela Fasp e pela CBA, portanto poderia ser organizada no Rio sem o menor problema.
Os trâmites são os mesmos, o piloto tem que fazer uma escolinha, conseguir a carteira de piloto, comprar o carro e correr, nada muda.
A única diferença é que como tem um regulamento rígido, baseado no da SCCA, o custo do carro é baixo e sua manutenção mais fácil e barata. Isso permitiria mais pessoas se divertindo com um carro que, embora tenha pouca cavalaria, permite um excelente desempenho.
"SALOMA
VAI DIRETO NA SUBIDA PARA OS BOXES- QUE A PORTARIA VAI ESTAR AUTORIZADO PARA VCS ENTRAREM NO PADDOCK A ESQUERDA ATRÁS DA LANCHONETE. SÓ FALAR QUE VAI PARTICIPAR DO TORNEIO DE REGULARIDADE. ESTAREMOS NO BOX DE NUMERO 1 A PARTIR DE 9 DA MATINA.
ABS"
JAN
obrigado pela resposta ,mas fiquie realmente empolgado; poderia dar mais detalhes?
qual endereço da CBA RJ? o que precisa pra tirar a carteira? como organizar uma prova? existe algum site que tenha esses detalhes? Alguém gostaria de participar?
Acredito que você tenha que se dirigir para a Federação do Estado do Rio de Janeiro e se informar como tirar a carteira. A CBA é a confederação e não interage com pilotos, isso é feito pelas federações estaduais.
FAERJ - Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro
Presidente: Djalma de Faria Neves
faerj@faerj.org.br
(21)22403416
(21)22201547
Rua Alcindo Guanabara, 25 - grupos 1401 e 1402 - Centro
CEP: 20031130
RIO DE JANEIRO - RJ
www.faerj.org.br
A idéia ainda é embrionária, mas estamos trabalhando na definição de pelo menos um chassis para ser apresentado. Evidentemente, a fabricação será livre, desde que se siga as definições dimensionais do regulamento que estamos preparando (basicamente o mesmo do Sport Car Club of America que foi o clube que inventou a Formula Ve há décadas atrás e que tem zelado pela categoria até hoje)
Posteriormente ao desenho do chassis iremos submeter a categoria à Fasp. Nada impede que a categoria seja organizada no Rio de Janeiro no futuro.
A suspensão traseira sempre é coil over shocks, molas sobre amortecedores. Optamos pelo uso de par ao invés de monoschock por acharmos que Interlagos requer molas diferentes de cada lado atrás.
O uso de barra de torção original da VW é difícil. O chassis é bem mais estreito do que a plataforma VW e ficaria muito largo atrás e haveria problema de travamento dos tubos. A solução coil over shocks é maos barata e também e bem mais simples.
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