CAÍQUE E O SONHO QUE SE TORNOU REAL...
Quarta, Fev 04, 2009
CAÍQUE E O SONHO QUE SE TORNOU REAL...
"Por Henri "Caíque" Pescarolo"

Caíque e o capacete que pertenceu a Norman Casari...
Poucas vezes nas vidas de pessoas comuns, daqueles tipos que têm sonhos bem definidos, porém quase inatingíveis; os sonhos se realizam. Em alguns casos, uma conjunção de fatores precisa estar encadeada para que tal realização aconteça. Pois é, creio que no caso de seis homens já adultos, esse encadeamento de coisas aconteceu no último dia 10 de janeiro e eu sou um deles, que naquela data teve a chance de por poucos, mas felizes minutos, realizar sonhos antigos e sentir a sensação de fazer o tempo voltar, experimentar e pilotar, mesmo que a título de apenas saber como eram aquelas sensações. Alguns carros de competição que povoaram e, porque não, ainda povoam o imaginário dessa turma, hoje com idades na faixa dos 50 anos, exceção feita ao nosso mascote, o Eric. Uma alegria contagiante que nos fez, mesmo que apenas em nossa imaginação, perdermos alguns (na realidade muitos) quilos e nos sentirmos de volta aos nossos 20 anos, quando íamos aos autódromos e pensávamos em como deveria ser bom sentar naquelas baratas e acelerar e disputar freadas em cada curva. Junte-se a isso o fato de conviver com velhos e novos amigos, como o Juca e o Saloma, os quais já são amigos de longa data; o Eric, nosso mascote, um conhecedor e apaixonado por carros de competição; Dr. Paulo Aidar, o mais experiente e realmente o único piloto do grupo e o meu novo amigo Belair, que nos permite conversas sobre os mais variados assuntos e que ainda me acha parecido com o Walter Matthaw. Aí eu choro...
Dia 10 passado, graças a outro apaixonado, talvez o mais apaixonado de todos, Paulo Trevisan, esses sonhos foram realizados, quando pudemos sentar e pilotar 5 carros históricos dos anos 60, 70, 80 e 90 em Guaporé, um autódromo simples, com um traçado delicioso, com seu entorno e áreas internas belamente conservadas e que com o tempo chuvoso que apareceu pela manhã, nos fazia imaginar que os autódromos ingleses (tipo Thruxton, Snneterton, Caldwell Park, etc), fossem exatamente como estava Guaporé, com a chuva e um pouco de neblina a hora em que chegamos.
Os carros que o Paulo Trevisan colocou à nossa disposição para darmos cerca de 5 voltas em média, em cada um foram o Fitti-Vê, o Fórmula Marazzi VW 1600, o Kaimann F- Fiat, o Heve P5 – Divisão 4 e o Espron-BMW. Então vamos por partes:
•Marazzi 1600:

Esse foi o primeiro em que andei. Não me senti desconfortável, mas me senti muito alto para o tamanho da criança. Além disso, a pista estava muito molhada e eu usei capacete aberto. Na primeira volta o carrinho andou legal, mas a partir da 2ª volta o motor começou a engazopar, creio que algum entupimento nos carburadores (o bichinho tava bem devagar) e acredito que a gente dando uma olhada nos vídeos que estão nos Blogs do Saloma e do Juca (Mestre Joca), pode-se notar que tanto eu quanto o Saloma passamos bem devagar, mas deu para sentir que como esse carro era da Escola de Pilotagem do Expedito Marazzi, sua proposta era bem honesta e qualquer um poderia se sentir num Fórmula da época e deveria sair dali prontinho para sentar num Kaimann, Pateco, Govesa, Bino, etc, sem maiores problemas. No Marazzi dei 5 voltas bem devagar, só tirando o pé nas retas.
•Fitti-Vê:

Esse talvez seja o mais histórico dos 5 carros que pilotei, além disso, tem a pintura e o nome do Emerson na carenagem e eu mesmo vi esse carro andar várias vezes no antigo Jacarepaguá, com Emerson, Wilson, Achcar, Giu Ferreira, Marivaldo, etc. O carrinho é um pouco estranho com seus pneus fininhos e uma altura do chão enorme, se comparado ao Marazzi e ao Kaimann. O curso do pedal de embreagem é grande e a gente fica com os braços esticados, mesmo eu com meus 1,83m de altura. Apesar disso o carrinho é muito gostoso de andar e o chão do menino está bem legal, pois anda sem problemas e pode-se andar o tempo todo em 4ª marcha (é claro que se fosse uma competição, em algumas curvas se utilizaria a 3ª para não se perder giros) com o equipamento nas mãos. No Fitti dei 5 voltas, devagar e apenas na 4ª volta usei a 3ª marcha para andar um pouco mais rápido. Gostei do Formulinha. Bem legal e simpático. O único problema que tive e creio que a maioria que andou teve, foi engatar a 1ª marcha para sair, já que arranhei a 1ª e a 2ª.
•Heve P5:

Esse foi o carro em que eu mais queria andar e aproveitei para pegar o menino tão logo o Aidar chegou aos boxes. Estava me sentindo o Maurício Chulam. Quando sentei e antes de sair o Paulo Aidar me disse para ter cuidado que o carro estava instável em linha reta, já que o pneu dianteiro apresentava instabilidade por provavelmente ter ficado muito tempo parado e isso faz o pneu ser chamado de "pneu quadrado". Saí com o Protótipo e da saída até a freada da curva do retão me passaram pela cabeça várias recordações, desde o Herculano Ferreira rebitando folhas de alumínio nos chassis, até o Chulam treinando com o P6 em Jacarepaguá testando giglês, quando o álcool foi adotado como combustível de competição no Brasil. Realmente o carro era instável em linha reta pelo problema no pneu, mas o conforto que senti em relação aos fórmulas que já tinha andado foi enorme. Dei apenas 4 voltas no carro em que queria ter dado umas 10 e apenas na terceira volta acelerei mais, mas a partir daí a chuva aumentou muito e a única coisa que eu ouvia eram os pingos batendo na viseira do capacete. Como quem tem juízo não faz bobagem, levei o Heve para os boxes. O que gostei foi que o carrinho faz curva bem legal e o motor VW a ar, depois que enche, empurra muito direitinho.
•ESPRON – BMW:
O mais moderno dos carros testados, também era a princípio, aquele em que mais queria andar após o HEVE P5. Após o Shakedown feito pelo Trevisan e pelo Aidar, o Eric pegou o protótipo e deu suas voltas, e no seu retorno aos boxes informou que todos deveríamos ter cuidados com a pedaleira, pois o pedal do freio era muito distante do pedal do acelerador e poderíamos pisar de volta no acelerador pensando que era o de freio. Entrei e todo pimpão saí para andar atrás do HEVE que estava com o Juca para que ambos fossem filmados (são os filmes que estão nos Blogs). Com o cuidado que o Eric pediu, fiquei andando cerca de 3 voltas bem tranqüilo atrás do HEVE e depois só para que o Rafael pudesse filmar. Ao final dessas voltas o Trevisan entrou para os boxes e eu pude acelerar. Não muito, porque estava meio com receio de pisar errado e, além disso, meu tênis era muito grande para fazer isso. Dei mais 3 voltas e apenas na penúltima dei uma acelerada forte e troquei as marchas. Se comparado com os carros anteriores, o ESPRON tem uma relação caixa/ motor muito legal e da penúltima para a última marcha, sente-se um coice do motor. O cockpit para um sujeito do meu tamanho também é bem confortável em se tratando de um carro de competição. Gostei de tudo, exceto dos pedais freio/acelerador, que realmente são distantes e requerem se treinar mais no Carro.
•Kaimann F- FIAT:

Eu tinha sentado no dia 8 nesse carro, quando visitei o Museu do Automobilismo Brasileiro. Logo, sabia que estaria bem acomodado e além disso, quando isso aconteceu, me veio à cabeça uma reportagem do falecido Expedito Marazzi sobre o Kaimann 1600 VW, feita para a Auto Esporte, testando o carro que tinha sido do J. Pedro Chateaubriand e era o 3º carro da Equipe Brahma. Nessa reportagem ele falava que o carro tinha um cockpit espaçoso e ele se sentia confortável (naquela época ele tinha um diâmetro muito maior que o meu atual, que nem é grande) e eu, malandro após andar no ESPRON, tirei o tênis (vejam as fotos minhas nos blogs e vejam o par de tênis colocado ao lado do carro) e pilotei de meia com palmilha. Antes também é necessário dizer que acho que apenas eu andei no carro com a alimentação acertada, pois todos os outros encontraram problemas na alimentação de um dos carburadores e eu, quando ia me sentar, tive a sorte de ter esse entupimento corrigido pelo mecânico que o Trevisan tinha quando corria. Ele aparece nas fotos fuçando os carburadores (não era o Marcos, chefe dos mecânicos). Quando saí, me pediram para acelerar mesmo, pois do contrário o carro apagaria. Apagou. Na segunda vez saí acelerando e já na saída dos boxes, GAMEI pelo fórmula e meio que querendo burlar o combinado dei 7 voltas, pois esse foi o melhor carro que pilotei, o único em que realmente andei forte, principalmente na ultima volta, onde até o Juca notou que eu estava andando mais, e também o único em que usei a 3ª marcha mais vezes. Guaporé tem um "S" que antecede a curva de entrada da reta e segundo o Paulo Trevisan, é onde pode residir o segredo de uma volta rápida. Essa parte do circuito foi a que mais gostei em TODAS as voltas e com o Kaimann foi onde mais fui rápido. Por mim teria dado mais umas 40 voltas seguidas. Adorei sentar no carro e pilotá-lo.
O Heve foi a maior alegria em andar e o Kaimann o que mais gostei de pilotar.
Basicamente essas são minhas ridículas e humildes opiniões sobre os carros em que nos foram permitidos passeios "rápidos".
Para terminar, mais uma vez, gostaria de deixar novamente um agradecimento especial ao Paulo Trevisan pela permissão de realizar um sonho que jamais pensei, pudesse vir a ser realizado.
Da próxima vez, levarei meu capacete verde e deixarei minha barba crescer,
Au revoir,
Henri "Caíque" Pescarolo
Categorias: Carros, Colunas, Classic Events, Museu do Automobilísmo Brasileiro
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Comentários:
Abraço
Ducassête a tua descrição.Vocês estiveram na Disney dos Coroas.
E eu que ao dar 3 voltas, devagar, com uma Trail Blazer no Circuito Ilê de Notre Dame me senti nas nuvens, imagino o que vocês sentiram.
Valeu pela descrição, me senti lá.
Parabéns ao Paulo Trevisan, esse Museu não é de 1º Mundo, é de 1º Universo.
Grande Abraço,
Barba
Tenho ido sempre a Sp, mas estou em Campinas. Provavelemente dia17/18 estarei por aí e poderemos nos encontrar, junto a outros amigos para um bom papoo e muita cerva.
Trevisan,
Obrigado!!!
Barba,
Precisamos nos encontrar e bater um grande papo sobre carros e sobre os encontros dos "Old Vultures" que o pessoal da Worthington está fazendo e dos quais somos integrantes.
Abraços,
Caíque Pescarolo.
Lendo esse seu texto fiz a ponte com um outro seu, publicado já faz tempo, sobre aquele Formula Ve do Milton Amaral que seguiu a Vemaguete de seu pai, contigo lá atrás no "chiqueirinho", chacoalhando e dando tchau.
Essa ligação do menino com a cara grudada no vidro e essa experiencia maravilhosa mais de 40 anos depois emociona demais a gente, apaixonado desde criancinha.
Não interessa o tempo que passou, a água que rolou, o sonho que acabou. Muito tempo depois, quem estava sentado no carro de corrida desta vez era o menino. Aquele mesmo da cara grudada no vidro. O menino cresceu, os sonhos não.
Creio que voce não poderia ter tido alegria mais intensa, experiencia mais deliciosa.
E cercado de amigos que partilham dessa mesma paixão, num lugar mágico que damos voltas e voltas para chegar a lugar nenhum, só pra ficar pertinho de nós mesmos.
Grande alegria, Caíque. O menino merece.
E nesse final de semana,junto com o caique,saloma,mestre joca,belair e paulo aidar voltei a sentir o gosto das pistas,em um Fitti-Vê....sim aquele que meu pai me falava que emerson e Wilsinho começaram e aterrorizavam.
Mas agora sou eu que ligo o motor!!!!!E estou pronto a desvendar o circuito de Guapore com a mesma emoção do meu primeiro beijo,da primeira bicicleta,do nascimento da Giulia,minha filha.....indescritivel,fantástico.
Andei também nos 5 bólidos aí....e não tenho palavras para descrever o meu eterno obrigado ao Paulo trevisan,por deixar eu andar e deixar me proporcionar um prazer que não consigo mensurar aqui em simples palavras....só saudades de voltar.
Muito obrigado de novo Paulo Trevisan,nunca esquecerei esse dia.
E tudo o que eu puder fazer para ajuda-lo,fique a vontade para pedir.
Forte abraço a todos que lá estiveram esse dia magnifico.
Tres metas minhas ainda.
Fazer meu formula-v, montar uma replica da carretera do Camillo pra corre na classid e visitar o Trevisan.
senão Caique ia morrer de infarto....feliz ...óbvio...
Você não imagina o quanto me senti feliz por você ao ler seu emocionante relato.
Sei que é sincero, pois há uns três anos atrás quando não nos conhecíamos ainda, você veio em minha casa à procura do Lorena que foi de nossa equipe.
Naquele dia pude constatar a imensa paixão que você tem pelo automobilismo.
Só estou podendo dar esse depoimento hoje porque foi você que me apresentou a essa blogosfera do automobilismo que eu desconhecia.
Grato por trazer-me de volta para o mundo que amo e, tenha certeza, lendo seu relato também voltei anos no tempo, sentindo contigo aquela emoção tão forte e comum nos jovens.
Paulo Trevisan
Meus parabéns!
Emoções como essas que você proporciona ao aficionados pelo automobilismo não tem preço.
Continue sua obra, amigo, podes crer que ela ficará imortalizada.
Abraços a todos.
Cerega, vc não foi mesmo???
Não pude ir, não teve jeito.
Mas meu equipamento foi... De quem voce acha que é esse macacão azul (da cor do mar) e amarelo (do Tazio Nuvolari) que o Caique veste?
E aquela sapatilha azul-viadinho (presente de dias dos pais) com listras brancas em seus pés?
E com que capacete o BelAir comprou terreno em Guaporé?
Só pra saber, ainda tem terrinha do sul nele, não vou nem lavar...
Dinho, se o Trevisan tivesse aquele carro francês que começa com a letra M, com certeza, eu ainda estaria lá sentado no bicho...rsrsrsrss...
Valeu!!!
Por isso deixo aqui meus agradecimentos à todos que deixaram um post com palavras amáveis, especialmente Sidney; que me permitiu pular o muro e passar das arquibancadas para os boxes e me tornar seu amigo; ao Comenddadore Geregatti, pelas palavras e sentimento verdadeiro do que senti (além de me permitir uma indumentária digna do James Garner...rsrsrsrs..), ao Gustavo e ao Dinho, aos quais informo que o Brasileiro de Rally - Clássicos deste ano terá 4 provas e eu estarei nelas como piloto, ao Eric, nosso mascote, Cerri,Fabio Poppi enfim, à todos, Valeu!!!
Em tempo: Dinho, se o Trevisan tivesse uma Matra lá em Passo Fundo, eu estaria lá até agora tomando conta da menina...rsrsrsrss...
Você bem que poderia "fazer" um Heve e um ESPRON...ia ficar o fino.
É emocionante ler um texto assim ,cheio de paixão ,coisa que não tem preço !
Quando vi as primeiras fotos em outro post desconfiava que o Kaiman caiu na tua graça.Hehe..
Grande abraço !
Entre em contato comigo.
abraços, Gennaro
Ja estou desenhando o danadinho do heve, e mais alguns modelos da equipe hollywood.
Jovino
O fato e você gostar mais do Kaimann e ele ser azul é mera conincidência, né?
Mas o Caíque conseguiu traduzir isto muito bem no seu depoimento, um misto de paixão e objetividade. Eu não mudaria uma vírgula...
Bebo cada coment dos que foram.
Eu, na undécima hora, tive que abdicar.
Paciencia.
Haverão outras oportunidades (espero!!), assim, eu e o Cerega, poderemos brincar de carrinho também.
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