"UMAS & OUTRAS"...#32
Quinta, Dez 04, 2008
"UMAS & OUTRAS"...#32
DIVISÃO TRÊS – Apogeu e glória de uma categoria...
Joaquim Lopes Filho
Várias vezes já abordamos aqui o fato de o ano de 1970 ser considerado como um divisor de águas no automobilismo brasileiro e alguns fatores apontam para tal.
Sob a gestão do publicitário Mauro Salles na presidência da CBA, iniciam-se em 1971 os primeiros movimentos rumo à tão sonhada profissionalização e o primeiro passo é a divisão do campeonato nacional em três certames diferentes: o Campeonato Brasileiro de Velocidade (Fórmula Ford), o Campeonato Brasileiro de Viaturas Esporte (Divisões 4, 5 e 6, GT e Turismo Importado) e o Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo, este dedicado a veículos de turismo de série com preparação especial.
Dos três certames o que parecia mais promissor era mesmo o CBVT, dado o interesse do brasileiro por corridas com carros de turismo, ainda mais alicerçado por um regulamento que permitia uma liberalidade maior no tocante a motores, câmbios e pneus.
Dentro das pistas a realidade já era outra.
Os saudosos DKWs, Simcas, berlinetas Willys e Gordinis não passavam de meros coadjuvantes nas corridas brasileiras, mas considerando a experiência anterior e os novos carros no mercado, foram criadas três sub-divisões: Classe A (até 1600 cc), Classe B (1601 cc a 3000 cc) e Classe C (de 3001 a 6000 cc).

Vw Zé do Caixão, um dos poucos a dividir freadas com os fuscas...
Na prática, somente os VW 1600 cc (Sedan e quatro portas) e alguns Ford Corcel 1300 cc aventuraram-se na Classe A, com algumas incursões esporádicas de um ou outro DKW, enquanto a Classe B viu o embate entre os Opalas 2500 cc quatro cilindros e alguns ainda competitivos FNM 2150, além das participações pouco significativas de poucos Simcas remanescentes.
Na Classe C, o domínio inicial foi do Opala, uma vez que nem Ford Galaxie muito menos Dodge Dart apareceram para fazer as honras da casa....
Novos tempos, velhos vícios...
Mesmo assim, naquele primeiro ano – um ano de transição, diga-se – os dirigentes não se furtaram a alguns velhos vícios.
Primeiro, por ainda manter provas longas para carros com preparação mais elaborada, portanto mais frágeis do ponto de vista mecânico. Segundo pelo velho hábito de manter no calendário provas com poucas possibilidades de realização como Salvador, Curitiba e Recife, que logicamente acabaram canceladas.
Por fim, somente três provas de longa duração – as 12 Horas, os 500 Km e as Quatro Horas de Tarumã – todas realizadas no circuito gaúcho, garantiram a...

...Pedro Victor de Lamare e seu Opala 3900 cc azul (acima), seu primeiro título nacional, após enfrentar a séria concorrência dos gaúchos João Roberto Schmidt/Júlio Tedesco, Pedro Carneiro Pereira/Ismael Barcelos e JuvenalMartini/Walter Dal Zotto. Na Classe B, sagraram-se campeões César Pegoraro e Ari Panatto a bordo de um FNM 2150.
A destacar ainda neste ano a realização dos primeiros festivais universitários para estreantes, o que se transformaria no principal celeiro de pilotos para a Divisão 3.
A consolidação da Divisão Três...
Em 1972, o segundo ano da categoria, os organizadores caíram na real, programando quatro provas, distribuídas entre Interlagos e Tarumã, todas de curta duração e normalmente disputadas em duas baterias. A Classe A firma-se como a de maior número de participantes e o Fusca começa a criar a fama de “pinico atômico” que o acompanharia até o final da categoria.
É de se ressaltar o salto de qualidade dos preparadores de motores VW e a enorme variedade de equipamentos disponibilizados para nomes como Robertinho Simões (Autozoom)...

Um dos ícones da Classe A, o #13 de Fábio Souto Mayor...
...Amador Pedro (Gledson Amador), Gilberto Magalhães (Giba), Anésio Hernandez, Rainer Reuther, só para citarmos alguns.
Também na Classe C melhora sensivelmente o nível de preparação e aumenta a concorrência, com o campeão Pedro Victor de Lamare e seu fiel escudeiro Carlos Quartim de Moraes tendo de lidar com novos concorrentes.
A equipe Hollywood alinha um bem preparado Opala para Luis Pereira Bueno, Ciro Cayres se apresenta com um Opala de quatro portas (Valvoline), o dublê de piloto e construtor Antonio Carlos Avallone faz algumas aparições a bordo de outro Opala.
Do Rio Grande do Sul, a ameaça é sempre o bem preparado e pilotado Opala de Pedro Carneiro Pereira (ex-Bird Clemente), além de Voltaire de Castilhos e Júlio Tedesco.
A intermediária Classe B continua sua sina de mal conseguir alinhar seis carros, com o FNM 2150 de J. P. Chateuabriand dominando facilmente os Opalas 2500 cc de José Asmuz e Afonso Iglesias.
Após as quatro etapas regulamentares, Pedro Victor de Lamare torna-se bi-campeão na Classe C, José Pedro Chateubriand leva o caneco na Classe B e na disputadíssima Classe A o gaúcho Leonel Friedrich vence a forte concorrência.
A afirmação da categoria...
Se a temporada de 72 serviu para consolidar a categoria, em 1973 ocorre uma verdadeira explosão nos grids da Divisão 3.
Na Classe A (até 1600 cc) é notória a preferência pelos “pinicos atômicos” com um nível de preparação até então nunca visto: enormes pneus slick Blue Streak, caixas de câmbio Hewland, enormes pára-lamas de fibra de vidro além de receitas exclusivíssimas de cada preparador dão o tom na classe, que chega a alinhar mais de 40 carros por etapa.
A geração de ouro dos festivais do Ronco e Universitário consagra-se na categoria: Ingo Hoffman, Alfredo Guaraná Menezes, Alfredo Menezes de Matos, Roberto Fanuchi, Cláudio Cavallini, Ricardo Mansur, Ney Faustini, Amadeo Campos, Edson Yoshikuma, Júlio Caio de Azevedo Marques, Ricardo Mogames e Amândio Ferreira são alguns nomes. Outros destaques do Sul são Antonio “Janjão” Freire, Lino Reginatto, Emilio Pederneiras, Luis Brasolim, José Chemim e Nelson Slaviero, entre outros...

Na competitiva Classe A os grids mais numerosos...
Também na Classe C aumenta o número de concorrentes ao longo do ano, a maioria em bem preparados Opalas: Luis Landi, Antonio Castro Prado, Júlio Tedesco, Reinaldo Campelo, Nivaldo Trama, Celso Frare, Luis Pereira Bueno, Roberto Alves, Carlos Eduardo Andrade, Nelson Silva e José Pedro Chateaubriand são os nomes principais.

O Opala #46, uma das atrações da Classe C
Quebrando a regra geral, o carioca Newton Pereira faz a estréia...

...do recém lançado Chevette (acima) nas pistas e o mesmo faz Camilo Christófaro ao participar com um Ford Maverick V-8.
Mas no final, Pedro Victor de Lamare vence o campeonato pela terceira vez consecutiva ao volante de seu fiel Opala, extensamente modificado por Ricardo Divila.
Ingo Hoffman e seu famoso Fusca-Creditum é o campeão da disputadíssima Classe A enquanto Evaldo Vitta leva o título da fraca Classe B.
A crise do petróleo...
Quase no final da temporada vem a bomba; estoura a Guerra do Yom Kippur entre árabes e judeus, início da primeira crise energética ocidental no ano seguinte. Através da OPEP, o mundo conhece uma série de aumentos no preço do petróleo, inviabilizando desta maneira várias categorias automobilísticas a nível mundial.
No Brasil não foi diferente.
Chegava ao fim o período do “milagre econômico”, com sérias conseqüências nos anos vindouros, uma vez que o país, a exemplo de outros, não tinha ainda uma matriz energética alternativa, o que só viria com o álcool hidratado em 1979.
A Divisão 3, um dos berços do profissionalismo em nossas pistas, ainda não acusa muito o golpe.
A poderosa equipe Hollywood traz um potente Maverick preparado pelo mago argentino Orestes Berta para Tite Catapani enquanto Raul Natividade Jr. defende as cores da equipe na Classe A.
Também a equipe Greco comparece com outro bem preparado Maverick para Paulo Gomes; outro a utilizar o V-8 da Ford foi o já veterano Camilo Christófaro em algumas provas do campeonato paulista, a exemplo de Luis Landi.
Nos defensores de Opalas a principal força reside agora nos carros da Itacolomy Safra de Edgar de Mello Filho, Reinaldo Campelo e Norberto Januzzi, no gaúcho Júlio Tedesco, Nivaldo Trama, Plínio Riva Giosa, Paulo Prata e Edson Yoshikuma, este com o antigo carro de Pedro Victor de Lamare.
Na Classe A, alguns novos nomes dão as cartas junto aos veteranos Ingo Hoffmann e Alfredo Guaraná Menezes: Luigi Giobbi, Roberto Wypich Jr., Fábio Sotto Maior, Arturo Fernandes, Voltaire Moog, Ronaldo Ely, Vitor Mottin e Ney Faustini, somente lembrando alguns...
Como prova ainda do prestígio da Divisão 3, foram disputados certames estaduais no Ceará, vencido por Roberto Fiuza e no Paraná, este último motivado pela inauguração da pista asfaltada de Cascavel, além dos tradicionais 500 Km de Interlagos.

500 Km de Interlagos,momento máximo da Divisão 3...
A Divisão Três amplia também horizontes, disputando uma etapa em Fortaleza.
No final do ano, Ingo Hoffmann sagra-se bi-campeão da Classe A...

...ao volante de sua famosa Brasília; o emergente Edgar de Mello Filho levanta o título na Classe C á frente do Maverick-Berta de Tite Catapani. A moribunda Classe B havia sido banida por falta de concorrentes.
Ameaça doméstica...
Apesar da crise externa as maiores ameaças à hegemonia da Divisão Três vieram mesmo do lançamento da Divisão Um e da Fórmula Super Vê. A primeira, com regulamento próximo do Grupo Um da FIA e o direto envolvimento da Ford e GM, passou a disputar a preferência de torcedores e imprensa no tocante a carros de turismo, enquanto a segunda com forte patrocínio da VW do Brasil provocou a debandada de pilotos e equipes rumo aos monopostos, esvaziando um pouco a Divisão Três.
Em 1975, com os fortes apoios das montadoras Ford, GM e VW distribuídos entre F-Ford, Super Vê e Divisão Um, a outrora vistosa Divisão Três viu-se obrigada a disputar o calendário junto à F-Ford, um arranjo providencial que permitiu à categoria pelo menos um honesto certame de seis etapas.
Esvaziada de seus principais nomes, Paulo Gomes não teve dificuldades de vencer quatro etapas, derrotando o favoritíssimo Maverick-Berta da Hollywood, desta vez nas mãos de Luis Pereira Bueno.

O único Opala realmente de peso neste ano foi o do gaúcho Júlio Tedesco (acima) que chegou á última etapa ainda com chances reais de vitória.
Na Classe A, ausente de seus principais nomes agora alocados na Super Vê, Amadeo campos levanta seu primeiro título tendo por princiapis oponentes Vital machado, Francisco Gondim, Ney Faustini, José Fusetti, Luis André Ferreira e Paulo Della Volpi. A destacar a presença de dois competitivos Chevettes, o do gaúcho Ronaldo Ely e o do paranaense Edson Graczyk.
O começo do fim...
A temporada de 1976 foi amplamente dominada pelos dois Maverick V-8 da equipe Mercantil-Finasa...

...pilotados por Bob Sharp (acima) e Paulo Prata, com o título indo para o primeiro. Na Classe A, que ainda demonstrava algum vigor, o título foi para Vital Machado. Premida pelos altos custos e crescente desinteresse pela categoria, foi também o último ano da Classe C. A partir daí a Divisão Três foi somente disputadas por Fuscas, Brasilias e eventuais Chevettes, todos limitados a 1600 cc.
Em 1977 Amadeo Campos bisa seu título e em 1978 aparecem os primeiros Passat de Divisão Um dividindo os grids com os até então hegemônicos VW. Também marca presença o Chevette da GM, com Edgard de Mello Filho ao volante. Outras duas participações dignas de nota são os Passat Divisão Três de Edson Yoshikuma e Afonso Giaffone Jr.
Neste ano por desentendimentos dos pilotos com a federação paulista, a Divisão Três passa a ser disputada no autódromo do Rio de Janeiro, local onde não tinha muita visibilidade e causou muito sucesso.

Por fim, os campeonatos de 1979 e 1980 são vencidos por Arturo Fernandes (acima) mas ao final da temporada desaparece a Divisão Três, que dá lugar à categoria conhecida como Hot Car.
Foi o fim melancólico de uma das melhores categorias que já correram em nossas pistas.

Joaquim, Joca, ou "Anexo J" do Boteco do Saloma, ex-comissário desportivo da FIA, foi fundador, presidente e diretor técnico de kart clube, rali, arrancada e dirigente de federação de automobilismo.Titular da coluna “Umas&Outras”, escreve regularmente neste espaço às segundas feiras.
(reprodução/Rogério da Luz/Veloz HP)
Categorias: Carros, Esportes, Colunas, Automobilísmo Regional
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DIVISÃO 3...OU SIMPLESMENTE D3
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abs
Show de bola a materia ! meu pai correo na D3, ele tinha um Dart preto fosco com patrocinio da FIESTA !
valeu...Fernando
Texto maravilhoso. Quando fizer outra matéria a respeito da Divisão 3, não se esqueça do Fiat 147 Turbo do Marcos Troncon, que tinha um ronco lindo mas eu vi levar pau de 5 fuscas de pelotão intermediário no retão do antigo circuito de Jacarepaguá.
Abs.
Tem também aquela história do Opala 2 portas do Pedro Victor de Lamare vendido ao Edson Yoshikuma (Nissei Pioneer Team Dacnar). Conta-se que o Yoshikuma não teve conseguiu obter o super cabeçote argentino e aí o carro ficou bem mais lento.
Quanto às caixas Hewland nos Fuscas, que eu saiba, somente os carros da equipe do Gigante (o #54 do próprio Amandio "Gigante" Ferreira e o #2 do Mario Patti Jr.) utilizaram porém sem resultados significativos em relação à caixa de 4 marchas com relações 3 da Puma (caixa 3). Também vale registro o VW do Luis Lara Campos Jr que, em certa época, utilizou uma suspensão traseira de Variant II (IRS - Independent Rear Suspension), também sem resultados significativos em relação ao tradicional par de semi-eixos oscilantes, visto que os carros da D3 eram muito duros de suspensão, praticamente karts de grandes dimensões.
E tem mais histórias ......
Grande Joaquim!
Parabens pelo texto! Estava demorando, mas valeu
a pena esperar. Até semana que vem. Um grande
abraço.
E Joa foi uma maravilha de texto, parabens!!!!!
Paralamas e quaisquer outras peças de carroceria eram totalmente de chapa. Não era permitido uso de fibra de vidro na Divisão 3.
Só o carro 54 do Gigante andou de Hewland.
O do Keko usava cx VW 4m. O pulo-do-gato deste carro estava na baixo peso, e no uso dos Goodyear Blue Streak mais estreitos e mais leves, enquanto o resto da moçada insistia no emprego dos Firestone Indy de até 15" da largura na traseira.
Mas acho que a Brasília do Ingo tb andou com a Mk8.
E, de fato, nada de fiber nas carrocerias !
Joaquim,
O Brazolin era de SP. Participamos da primeira 25horas, junto com o Dede Gomes.
Abraços !
A Divisão 3 dá um material tão rico de informações que seria preciso uma coluna para cada marca que ali participou. Mas para isso servem os comentários, para complementar e corrigir com informações pertinentes aquilo que o texto não conseguiu alcançar ou omitiu, por incompetência ou desconhecimento do autor.
Grande abraço e grato a todos.
Sinceramente, não sei.
O do Silvinho Montenegro era #5, corria com motor 1900 cc, preparação Marinho, como você sabe tão bem.
Pelo numeral, #68, quem corria tradicionalmente com este número era o Jacinto Tognato, mas não me recordo dele na Divisão 3.
Quem sabe a turma aqui mata a charada...
Grande abraço,
O Mavecão do Camillo também andava uma barbaridade mas só nas retas. Não tinha a elaboração de suspensão do Mecantil-Finasa nem do branco-e-vermelho da Hollywood.
O regulamento da Divisão 3 impedia que o conceito da suspensão fosse alterado, mas outros sistemas poderiam ser adicionados. Por isso, tanto o carro do Greco quanto o da Hollywood tinham 2 amortecedores e molas em cada balança dianteira. E mais, lendo o regulamento com olhos de advogado, Berta substituiu as lâminas dos feixes de molas traseiros do Maverick por um ÚNICA lâmina de acrílico de cada lado e adicionou um sistema de molas helicoidais, semelhante às utilizadas nos Opalas.
1) Do exótico radiador de óleo redondo instalado no VW do Edson Yoshikuma, naqueles tempos em que a Equipe Gledson-Amador era composta por Yoshikuma e Fabio Sotto Mayor?
2) De como era bem feito o VW do Julio Caio (Hollywood)?
3) E do aerofólio altíssimo que Julio Tedesco certa vez instalou em seu belo Opala?
Resgate dos melhores tempos do automobilismo tupiniquim. Foi bem nessa época que me enfiei de vez em Interlagos, início dos anos 70 e de minha adolescencia.
Quando o Arturo "Torito" Fernandes estreou com um Fusca D3 Estreantes e Novatos numero 26, preparado pelo Zé Galinha de SB do Campo, entrei escondido no carro, puxado na carretinha. Daí pra frente... Não saía mais daí, enfiado em oficinas e de mãos sujas de graxa com a turma do Arturo, depois a Motorgirus e ainda depois Auto Run.
E aquela fase maravilhosa do Grande Ciro Cayres e o Opala 44, carro de cinema, piloto de sonho, dos Campeonatos Paulistas de 1973, 1974...
Maravilhosa fase romantica, cheia de pilotos diferenciados que iniciaram nos torneios de Estreantes e Novatos, que tambem não voltam mais...
Os grids eram lotados de carros, as arquibancadas sempre ocupadas, tentamos até uma corrida de noite, sucesso de público e de densa neblina...
Divisão 3 pra mim é sinonimo da minha juventude tresloucada, dos meus melhores sonhos, das minhas grandes e gratuitas alegrias.
Obrigado a voce por trazer isso de volta.
Texto manero e fotos lindissimas.
Post histórico...
Valeu Saloma e comparsas!
Sem dúvida que a suspensão dianteira do Opalão era composta de ball-joints, pois isso cheguei também a ver. Quanto à amarração da seção traseira, pensei no início tratar-se de uma variação da barra Panhard, mas o Vicente sugeriu tratar-se do tal Paralelogramo de Watts. Aí, não sei, fica o caso com os especialistas de plantão.
Existem fotos do carro do Julio Caio andando atrás do carro do Yoshikuma (procure no Google Imagens - Edson Yoshikumka), além da foto do grid de largada acima, onde o carro do Edson (#99) aparece na primeira fila ao lado do carro do Julio Caio (Hollywood).
Joaquim,
Com relação aos preparadores, o carioca Rainer Reuther, que eu saiba, não preparou carros para a Divisão 3, apenas, e com muito sucesso, os motores do Mauricio Chulam para seus Heve na Divisão 4. Não podemos nos esquecer do preparador Cosmo, de SP, que foi sócio do Giba antes da era Ingo, que preparava os VW do Paulo Della Volpe, Jean Dufaux, Aloisio Andrade F. e do carioca Henrique Camara.
Saloma e Joaquim,
A memória me falha, por acaso alguém se lembra do nome do piloto gaúcho que corria com o VW preto patrocinado pela Taurus (Forjas Taurus), talvez o mais belo VW da categoria, que tinha o capô do motor feito em tela, exibindo um motor sempre forte e caprichadíssimo no visual? O carro também tinha um tratamento aerodinâmico na dianteira, com paralamas parecidos com os do carro do Arturo Fernandes.
O primeiro Chevette D3 no Brasil foi do Ronaldo Ely em 1973 e que no ano seguinte já estava com preparaçãop Argentina.E ainda antes que o da equipe Vicsa foi o do paranaense Wipich.
O fusca D3 preto era do Antonio João Freire. Não esqueçam dos demais conjuntos fusca/pilotos gauchos que estavam no mesmo patamar dos paulistas tais como Leonel Fiedrich,Voltaire Moog,Bruno D'Almeida, Mauricio Rosemberg,Claudio Mello,Schmitz,Kokemper, Motin,Bauermann e outros...A guerra dos preparadores também foi violenta por aqui.
O Maverick Berta Hollywood nunca usou 4 amortecedores na frente(apenas na traseira).A complexa suspensão com braços triangulares da frente era oriunda da F1 Argentina que corriam em Rafaela e outros pistas de alta. Os Maverick Mercantil Finasa usavam a torre da suspensão dianteira do original apenas adaptações de ball joins.As barras em paralelograma que já vieram no Maverick Berta foram imitadas mas na verdade não eram novidade,é concepção antiga e eficiente.A grande novidade na suspensão traseira do Maverick Berta foi a adição de um braço oscilante fixado sobre a carcaça do diferencial no monobloco e que tem funcionamento não totalmente conhecido mas que seguramente melhoraria a aderência na tração. Os feixes de mola instalados pelo Anisio Campos no Maverick Berta só aconteceram após protestos,não tinham qualquer efeito é obvio, e visavam apenas atender o regulamento que estavva sendo exigido 100% sobre o Maverick.Falem com o Luizinho também e ele vai confirmar que a encheção de saco foio tão grande e mais a dificuldade com pneus, que o bólido só correu praticamente em 74 e 75.
O que era bom na oficina da equipe do Newton, muitas vezes um ponto de encontro de cariocas em SP, era o pão de queijo que rolava todas as tardes. Lá, naquela oficina que ficava pertinho de Congonhas, muitas vezes baixava o "alma negra do automobilismo", o impagável Cardoso "Escuro", já citado aqui em matérias de autoria do Sidney GT40 Cardoso.
Um dia eu conto aqui uma história sobre um bate-boca que me contaram que rolou entre o Herculano Ferreirinha (fabricante dos Heves) e o Newton Pereira.
Tenho a mesma opinião que você em relação ao Opalão do Ciro . Em 82 , tive a oportunidade de ver esse carro na casa dele em SBC , impecavelmente guardado na garagem , coberto com uma capa de flanéla . Ele cuidava daquele carro como um troféu . Que fim terá levado esse Foguete ? Esse tambèm merecia estar com o Trevisan . Teve vida curta e vitoriósa .
Imagina o orgulho e a satisfação que ele teve com esse carro . O cara trabalhava na engenharia da GM , dito por ele proprio , esse carro começou a ser feito , antes da montarem da carroceria , tem algumas centenas a mais de pontos de solda em todo monobloco , pra diminuir a torção . Quer dizer , ele fez o carro todo , começou do zéro , imagina o capricho , termina , vai pra pista , põe a bunda lá e ainda ganha a corrida . Que mais qué ? Só correr pro abraço .
Dá gosto ver carro de corrida bem cuidado , embóra a grande maioria não ligasse muito pra coisa . Guardo a lembrança de alguns carros que primavam pelo esmero . O F.3 e o F.2 do Wilsinho , pareciam carros de exposição , tudo brilhava . Os Stock Cars do Sidney Alves do Turismo Santa Rita , o carro do carra éra perfeito , tinha um detalhe que me chamou a atenção , dizíam que o assoalho esquerdo esquentavam demais por causa do escapamento , aquele difusor onde junta os seis canos e saem dois , ficava bem na altura da pedaleira e aquilo fritava o pé do piloto e éra muito desconfortável . O Sidney , fez um tapete de alumínio anti-derrapante e prendeu no assoalho com amianto no meio , resolveu o problema , eu achei aquilo legal , de bom gosto , hoje vejo a mesma coisa nesses Tunning da molecada e acho horrível . O do Zézo Greguricinc com patro Cinzano éra lindo o carro , os dois Basf , do Luizinho e do Mike éram impecáveis e o que tinham de bonitos , tinham de lerdos coitados , pagaram pecado aqueles dois , o do Mike tinha até banco de couro . Os carros do Troncon tambèm éram caprichados . Mas igual o do Ciro ... Tô pra vê...
Abs
Com a palavra nosso guru...
Canta Mestre, canta...
Lembro do Ciro chegando em Intarlagos com o Opala 2p 44 impecável, rodas brilhando, lindo, limpo e ... no chão. Quando abriam o capô, via-se aqueles Webers impecáveis, como se tivessem saído da caixa, o cofre e motor sem suijeira. O interior, nem parecia com a maioria dos carros que se via (e se vê
Trevisan,
Obrigado por me avivar a memória. Sempre o VW preto do Antonio João Freire aparecia em Jacarepaguá, eu ficava babando no esmero com que aquele carro (carro de ponta) era feito, aquelas paralamas dianteiros que lembravam o "shape" dos Porsches de endurance da época, aquele capô de tela que deixava à mostra o belo e forte motor. Simplesmente maravilhoso.
Lembro sim. O Opalão 44 tinha até forração de porta, máquinas de elevação de vidro e Ciro chegava no autódromo com o cotovelo do lado de fora, na maior pose, como se estivesse se exibindo na frente da Brunella.
Luca,
O Opalão do Ciro foi vendido para um rapaz de Belém do Pará, aí por volta de 1990. O Ciro já se encontrava bem doente e vendeu por um dinheirão.
No dia da entrega do carro, claro que foi fazer um test-drive ou despedir-se do carro tão querido.
O comprador foi junto e o Cirão desceu a lenha na Anchieta, mas não chegou a descer a serra pois o cidadão ao lado havia literalmente se borrado nas calças...
Sem brincadeira, foi preciso um vizinho (que me confirmou a história..)emprestar um jeans pro rapaz ir embora.
Pois bem, em 91 eu trabalhava como comissário desportivo numa prova de Arrancada em Belém do Pará e vi o Opala disputando uma das baterias.
Ainda mostrava todo seu garbo e esplendor e, mesmo muito mal pilotado, foi levando todo mundo até a bateria final.
Daí, o carro não pôde mais participar pois, segundo seu piloto "havia colado a embreagem..." (sic).
No final da prova fui orientado a remover o carro para o parque fechado.
Pura cascata, o Opala funcionou direitinho e o dirigi por uns 2.800 metros (como afirmei acima...).
Claro que deu vontade de dar uma acelerada no bicho. O que aconteceu é que o tal piloto não sabia mudar as marchas com caixa seca (caixa Saenz, cinco marchas, lembra ?}e acabou apanhando do carro.
Ainda mantinha o famoso numeral 44 na porta. Depois disto não o vi mais, dizem que ficou anos encostado num fundo de oficina.
Ano passado estive em Belém e procurei pelo Opalão mas parece que virou Conceição, ninguém sabe, ninguém viu (pô, essa é velha...)!
Grande abraço,
É isso aí , conta mais , e pode ter certeza que a turma gosta . Vou ver se acho alguma foto desse carro .
Um forte abraço
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