UMARAS E VEMAG, UMA HISTÓRIA...
Sábado, Ago 30, 2008
UMARAS E VEMAG, UMA HISTÓRIA...
Por Umaras...
Amigos, sou um vemaníaco e como tal escrevi o livro DO "AMANHECER AO CREPUSCULO DE UMA CARREIRA PROFISSIONAL" pois queria que as pessoas conhecessem o outro lado do DKW - a fábrica!
Abordo como era viver e trabalhar naquela colossal fábrica a Vemag, com seus 4 mil operarios, dando um duro danado, trabalhando a duras penas para produzir DKWs que até agora as pessoas prezam como reliquias de um tempo vindo e findo.

O livro na verdade é uma autobiografia minha do que ali passei mas na verdade a protagonista é a fabrica Vemag e narro os horrores do que era ali trabalhar, todavia, eu e outros milhares disputavam as tapas essas poucas vagas pq. trabalhar ali era como viver no céu, um paraiso (do ponto de vista dos que estavam de fora, claro) e poderá ler no livro que meu casamento foi condicionado pela namorada (a noiva seria conduzida num DKW) e os pais dela disseram que levar ela para casa, somente seria factivel se ali ingressasse como inspetor de qualidade, teria meu diploma de técnico industrial, um empregão, um mulherão, casa para morar (sogrão iria providenciar a edicula) um carrão (Fissore) dos sonhos da Vania (minha ex futura esposinha), e um salário de dar água na boca.

Vejam o envelope de pagto. do Luiz Braidato (acima), um inspetor , envelope recheado em dinheiro que exibiria à sogrinha para provar que eu merecia tirar ela daquela casa de pais chatos) portanto nao haveria sonho maior para um mortal - aos 18 anos de idade!!!! Durante minhas idas para fazer os testes, (eu morava proximo à fabrica) ficava admirando aquele mundo de DKWs zerinho passando diante do meu nariz com seu motor pipocante e eu sonhava que brevemente tb. estaria pilotando essa maquina de dois tempos com direito então a usufruir uma dondoquinha novinha em folha, com pele alva como leite fresco... que iria alegrar minha mocidade...
Conto com os relatos dos amigos que ali trabalhavam e me contavam suas peripecias, um do terror que eram as enchentes que inundavam a fábrica (foto abaixo).

O operario saia as 10 da noite (puxava horas extras quase obrigatorias) e em dias de chuva pesada ficava retido na fabrica e a mulher do sujeito pensava que estava com alguma amante (nao havia celular nem computador, nada, telefonar da empresa era proibido nada de facilidades)...

Domingo jogo de futebol do Gremio Vemag era quase obrigatorio (domingo a tarde as 13 hs depois das horas extras até o meio-dia num campo de terra batida atras da fábrica próximo à favela de Vila Prudente) e depois comemorar a vitoria ou amargar a derrota na barraca-favela ao lado da fabrica com pinga, cerveja, lingüiça toscana gordurenta com pão amanhecido, sob batucada de sambistas-operarios-jogadores-cantores com voz pastosa.....até o anoitecer..um dia pleno - trabalho e lazer!!!!
No final do livro conto os ultimos dias da Vemag quando o doente estava a beira da morte....em 1967 e a VW tomou conta de tudo e desmantelou a linha DKW sepultando até o nome VEMAG pintado na caixa d'agua. Verá fotos das ruinas da fábrica atualmente que mais parecem cenas de um terremoto devastador...bem, não quero contar o filme!!!
Aguardem os próximos capítulos...
Abraços e um cafezinho Vemag a todos,

Umaras
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Comentários:
É isso...
LS
Jovino
Infelizmente meu pai foi demitido em 1964 e faleceu em 1966. Mas mesmo assim ainda lembro muito bem deste local, porque trabalhei na Ford por 28 anos e nos anos 80 a Ford estocava material em um dos prédios onde hoje é o Walt Mart, e nos finais de semana estavamos verificando os estoques.
Ainda tenho saudades daquele tempo.
abs a todos,
LS
abraços
Luiz Carlos
O Grupo Novo Mundo foi o maior acionista da Vemag e quando a Auto Union foi vendida para a Daimler-Benz que, consequentemente, a repassou para a Volkswagem e que não teve interesse em continuar a desenvolver um motor 2T V6 por causa da questão da emissão de poluentes que cada vez mais estava sendo controlada em todo o mundo, passaram a investir num motor 4 T, e também, o governo militar não tinha interesse em seguir uma política implantada pelos governos anteriores (Getulio/JK) que poderia ter resultado na nacionalização da Vemag, por isto, o grupo Novo Mundo (banco novo mundo que já estava capanga) não teve opção a não ser vender a Vemag para a Volkswagem.
Não fosse isto, poderíamos ter um carro genuinamente brasileiro.
Jovino
Como é bom saber que existem pessoas querendo preservar a memória da Vemag.Estive nas ruínas,antes de eles fecharem tudo com blocos.Por favor,vamos publicar este maravilhoso livro!Abraços
Gosto tanto q sou mecãnico minha vida toda foi
Vemag.
Meu pai comprou a 66 via Caixa Edonomica em 36 X via um programa do governo na época, é o maximo...
Mande noticias,um abraço LUIZ FERNANDO.
Havia uma observação que os produtos VEMAG carciam de um acabamento mais esmerado, seria consequencia do tratamento sofrido pelos operários?
Por fim gostarai de saber qual editora publicou olivro para solicitar um volume.
Eduardo.
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