ROBERTO ARANHA E O ALPINE...
Quarta, Mai 14, 2008
ROBERTO ARANHA E O ALPINE...

Papo de boteco é isso, pipocou virou entrevista...
Roberto, conte para nós do seu encontro com Jean Rédélé?
Roberto Aranha: Poxa como você soube da história do Jean Rédélé? Foi uma oportunidade muito especial e definitivamente me marcou até hoje. Após o lançamento do Interlagos, que teve um sucesso inesperado, o Jean Rédélé foi convidado pela Willys através do Max Pearce e de meu pai para conhecer o Brasil e a sua criação...
LS: Qual foi o modelo inicial...
RA: Do Modelo A 108, foram produzidas somente 200 unidades na França de 1959 a 1962. No Brasil, em 2 anos, já produziram 400 carros! A permissão da fabricação da marca Alpine no Brasil era paga pela Willys com Royalities e gerou um lucro para a Alpine o que viabilisou todo o projeto do A110 e sua vitoriosa trajetória na Europa.
LS: Em 1964, surge a revista AE, e logo na primeira edição um teste com o amarelinho 22 da Equipe Willys em Interlagos e observado por Rédélé...
RA: Janeiro de 1964, eu tinha 10 anos e o casal Rédélé veio passar o fim de semana na fazenda, perto de Volta Redonda, de nossa família.
Eu pesquei entre as conversas dos adultos, que viria um francês , piloto de corridas, que havia participado de Le Mans com um Interlagos fabricado por ele. Resumindo: foi oferecido pelo meu pai que Rédélé experimentasse nosso carro, uma Berlinete 64 vermelha motor 1000 de competição com descarga sem silencioso, preparada pela fábrica e que estava em nossa casa como "company car".
LS: E vc perdeu essa chance de tirar uma lasquinha?
RA: Eu nem sei como mas me vi sentado no carro, meio que por instinto, com um seguro objetivo de saber como um piloto dirige um carro de corridas.
LS: E aonde foi o passeio?
RA: Saímos por um estrada de terra, por uns 5 km devagar, ele tentando se comunicar comigo e eu, que aos dez anos mal falava português, me fiz entender que gostaria de ver o ponteiro nos 140 km e para isso apontava para o painel.
LS: Bom até agora estava esquentando a barata e daí...
RA: Ao chegarmos no asfalto, na estrada que liga Volta Redonda à Barra do Piraí, assisti e ouvi se fazer musica com o câmbio e com o motor.
LS: E a tocada com a barata?
RA: Os seus movimentos com volante eram como se ele estivesse regendo uma orquestra, precisos e suaves, que faziam a Berlinete voar entre as tangentes daquela estrada. Outra coisa inesquecível eram as ultrapasagens e as freadas de aproximação aos lerdos e enormes Fenemes. Note que nosso ponto de vista estava abaixo dos seus diferenciais!
LS: O trajeto foi longo?
RA: Foram uns 40 km de passeio inesquecíveis que me marcaram muito.
LS: E que lembranças ficaram desse encontro?
RA: Estas lembranças, que estão muito presentes e vivas até hoje, com a notícia de sua morte adquiriram uma conotação de saudade e do privilégio de poder ter assistido Jean Redelè pilotar uma Berlinete.
Tenho certeza que a minha paixão por automobilismo se formou e se consolidou neste dia.
LS: E vc não disse quanto chegou a velô no passeio?
RA: O velocímetro marcou 160!!
(reprodução/conteúdo Roberto Aranha)
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Comentários:
abs a todos
LS
Vale ressaltar que o meu Porsche 914 laranja que vocês viram em Águas de Lindóia foi comprado da Família Aranha.
Parabéns Roberto, pelo relato e pela carreira.
Um abraço,
Vicente
PS: Roberto, estou aguardando a tal foto em que eu apareço te dando um "tótó" na entrada do miolo
Dois anos depois,em 1962, é apresentado o modelo Alpine A-110, desta vez montado sobre a mecânica do Renault R-8. Aqui no Brasil, a equipe Willys correu com estes carros nas temporadas de 1965 e 1966, dando estes origem aos afamados Willys Mark I.
A gente continua depois com os comentários dos amigos...
Essa sensação de ver a estrada por baixo dos chassis de caminhões eu tenho quando ponho o MGB na estrada. E ver uma roda de ônibus ou caminhão mais alta que a capota do carro não é nada agradável. Interlagos dá uma sensação ainda pior pela posição de pilotagem quase deitada. São carros lindos mas ainda bem que não comprei uma Berlineta em São Paulo e optei pelo 914 prata, hoje laranja, de seu irmão Eduardo.
abs
LS
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