17.02.09
Mickey Rourke e a luta livre
Segundo Franklin Ruão, autor do artigo abaixo e colaborador bissexto deste blog, o filme O Lutador não trouxe de volta a luta livre, uma vez que ela não tinha ido para lugar nenhum. Nós é que não estávamos prestando a devida atenção.
Comentários sobre o texto também podem ser encaminhados diretamente para o Franklin: frank_ruao@yahoo.com.br
Boa leitura!
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Para a maioria das pessoas no Brasil, falar em luta livre é citar o programa de televisão de 1967 “Telecatch”, que contava com figuras como Ted Boy Marino ou, mais recentemente, o trabalho realizado por Michel Serdan no programa “Gigantes do Ringue”.
Agora, com o filme O Lutador (The Wrestler), dirigido por Darren Aronofsky, e com Mickey Rourke no papel principal, provavelmente os cadernos culturais dos jornais e revistas devem voltar a falar do assunto.
Interessante notar que a luta livre sempre esteve presente ao vivo ou na televisão, mas é preciso que um filme seja aclamado internacionalmente para que a crítica dita especializada inicie seu ritual de prostração (aliás, posição em que adora ficar) e que anos de desrespeito e esquecimento pela luta livre sejam apagados.

Mickey Rourke detonado
em O Lutador
Acompanho a luta livre desde os anos 70, quando assistia na televisão ao programa “Astros do Ringue”. Na época, os principais lutadores eram Fantomas, King Kong, A Múmia, El Gato e outros. Me recordo que o programa era um sucesso, foi até lançado um álbum de figurinhas (ainda tenho um pacote original da época) e, durante as transmissões, era possível ver o ginásio lotado de fãs. Os apresentadores intercalavam a narração das lutas com pedidos insistentes para que as crianças não repetissem em casa a pancadaria que viam pela TV. Impossível esquecer a imagem de um homem que rondava o ringue carregando uma barra de gelo no ombro; logo ele seria batizado de “O homem da barra de gelo”, e um programa nunca estava completo se ele não fosse focalizado pelas câmeras.
Nos Estados Unidos, a luta livre também sofreu preconceitos e perseguições daqueles que não a aceitavam como um esporte. Aos poucos, ela foi derrotando seus detratores, e a ideia de encarar os lutadores como performers ganhou força, de modo que logo a luta livre profissional se transformaria em um dos maiores espetáculos da mídia, antecipando estratégias de marketing que só viriam a se tornar conhecidas muitas décadas depois.
Um dos responsáveis por essa popularização foi o lutador e campeão Terry “Hulk” Hogan, que pôde ser visto pela primeira vez pelo público leigo no filme Rocky III (1982), no papel de Thunder Lips.
Ainda nos Estados Unidos, a luta livre sempre contou com organizações distintas que reuniam seus próprios lutadores. Essas organizações tinham seus próprios programas e eram fortemente inspiradas nas histórias em quadrinhos (que também foram descobertas recentemente pela indústria do cinema), apresentando uma gama variada de lutadores, alguns como heróis, outros como vilões, vivendo aventuras cheias de drama, vinganças, alianças e até mesmo intercalando lutas com adversários de outras agremiações.
Por volta de 1985/86, o SBT começou a exibir o programa norte-americano “WCW” (World Championship Wrestling), aqui chamado de Campeonato Internacional de Luta Livre. Esse programa mostrou, pela primeira vez no Brasil, em cores e com uma dublagem bastante fiel ao original, o que havia de melhor sendo produzido em matéria de luta livre nos Estados Unidos. Essa fase hoje é considerada clássica e serviu de base para todo o filme O Lutador.
O programa tinha como ponto alto um quadro comandando pelo polêmico lutador “Rowdy” Roddy Piper (aqui: O Gaiteiro) que, junto com seu empresário “Ace” Cowboy Bob Orton (Guarda-Costas Ás), apresentava uma espécie de talk-show chamado “Pipers Pit” (“O Covil do Gaiteiro”), entrevistando apenas lutadores considerados vilões, ao mesmo tempo em que esculhambava todos os queridinhos do público. Era a luta livre fazendo sua auto-crítica. Não faltavam acusações racistas e politicamente incorretas e, no auge da Guerra Fria, os principais vilões eram o Iron Sheik (Sheik do Irã) e Nikolai Volkoff (Nicolai “O Russo”). Até mesmo os empresários faziam parte do show e não se envergonhavam em compactuar com o “eixo do mal” em busca de lucros, entre eles “Classy” Freddie Blassie (Freddie “O Elegante”) e Bobby “The Brain” Heenan (Bob “O Gênio”).
No auge da popularidade, Roddy Piper formou uma dupla com Paul “Mr. Wonderful” Orndorff (Senhor Maravilha) e Ace Cowboy para enfrentar Hulk Hogan, Mr.T (o vilão de Rocky III) e Jimmy “Superfly” Snuka, que foi vítima de uma agressão do Gaiteiro, que quebrou um coco na sua cabeça durante o programa de entrevistas.
Na fase preparatória da luta, um dos colunistas e apresentadores oficiais do programa, o hoje legendário “Mean” Gene Okerlund (repórter Mike), foi acompanhar o treinamento do Gaiteiro e sua equipe nos porões do Madison Square Garden, em Nova Iorque, e acabou sendo violentamente expulso e atirado para fora no meio da rua; um transeunte que tentou ajudá-lo foi covardemente espancado pelo bando de lutadores. O público nos Estados Unidos (e aqui no Brasil também) jamais havia visto coisa semelhante em um programa de luta livre.
No dia 31 de março de 1985, a tão aguardada luta foi realizada no Madison Square Garden, o público ao vivo e pela televisão assistiu, além das lutas, a apresentações de músicos como Liberace, e viu ainda a cantora pop Cyndi Lauper se envolver em um dos combates femininos, naquela que seria conhecida como a primeira parceria entre a luta livre profissional e o mundo das celebridades.
Essa luta depois viria a ser batizada como Wrestlemania I e desde então passou a ser um evento tão popular nos Estados Unidos quanto o Superbowl.
Empenho pessoal por amor à luta livre
Embora o SBT exibisse a série normal de lutas, esta não fazia parte do pacote e não foi exibida. Tempos depois, o programa foi tirado do ar e esquecido para sempre no arquivo de fitas da emissora. Nenhum veículo de comunicação comentou nada na época.
No dia 8 de dezembro de 1998, o senhor Silvio Santos se dirigia para o estúdio 03 do complexo Anhanguera, para gravar o programa “Tentação” número 217, que seria exibido no dia 17 de janeiro de 1999.
O primeiro vídeo de curiosidades abordava a eleição do ex-lutador Jesse “O Corpo” Ventura para governador do estado de Minnesota. Este vídeo só foi realizado porque eu me empenhei pessoalmente em falar sobre o assunto. Apesar da peçonhenta equipe que fazia parte do programa na época, chamamos o grupo de lutadores do Bob Junior, montamos um ringue e gravamos as cenas; contudo a matéria só estaria completa com as imagens de Jesse Ventura que não existiam em nenhum arquivo jornalístico da época. Determinado a conseguir as imagens, fui até o gigantesco arquivo e, de maneira instintiva, localizei a antiga fita de rolo que continha as imagens de Jesse Ventura sendo entrevistado pelo Gaiteiro.
Enquanto isso, a revista Veja, na sua edição de novembro de 1998, humilhava Jesse Ventura e, não satisfeita, tornou a desacatar o atleta em nova matéria da edição de 10 de maio de 2000.
Imagino que agora, com toda a atenção dada ao filme O Lutador, o tratamento para com a luta livre seja muito mais cordial, assim como em relação ao ator Mickey Rourke.
Os melhores filmes de Mickey Rourke, na minha opinião, são: Rumble Fish (O Selvagem da Motocicleta, 1983), Year of the Dragon (O Ano do Dragão, 1985) e Angel Heart (Coração Satânico, 1987).
Um homem tem de pagar suas contas, e Mickey Rourke infelizmente participou de muitos filmes execráveis, chegando ele próprio a iniciar uma carreira como lutador de boxe profissional. Entretanto, tudo isso será esquecido, e vão apenas lembrar que o filme O Lutador (ou seria a própria luta livre?) aparece e ressuscita Mickey Rourke diante do público.
A volta
Comovido pelo vídeo que eu produzi em 1998, Silvio Santos tornou a comprar programas de luta livre. No dia 29 de novembro de 2007, The Great Khali (o Grande Khali, um ex-policial indiano de mais de dois metros de altura), Batista “O Animal” e Melina (da nova geração de lutadoras chamadas de Divas que, além de lutar, costumam posar nuas para a revista Playboy) estiveram em um hotel de São Paulo para divulgar os programas RAW e Smackdown, que seriam exibidos.
Hoje, esses lutadores fazem parte da “WWE” (World Wrestling Entertainment), comandada por Vince Mcmahon, que concentra a luta livre nos Estados Unidos, formando um império de comunicação que vende todo tipo de produto licenciado com a imagem de seus lutadores. Os programas da WWE são exibidos em mais de 130 países, em 22 idiomas diferentes, para 47 milhões de pessoas. São 350 programas ao vivo e 75 internacionais, movimentando milhões de dólares.
Mesmo assim, no hotel, apenas eu e mais uns vinte adolescentes esperavam para recepcionar os astros atuais. Acredito que isso não tenha tirado o ânimo deles que, em seguida, partiram para uma apresentação exclusiva para as tropas norte-americanas no Iraque.
Dessa forma, espero ter deixado claro que a luta livre sobrevive muito bem apesar de seus detratores e regularmente empresta seus astros para o cinema: Jesse Ventura pode ser visto no filme Predador, por exemplo, sem falar no ator/lutador The Rocky. Se quiser ver o pessoal da antiga citado neste artigo, assista ao videoclipe “Goonies´r´Good Enough”, de Cyndi Lauper, para o filme Os Goonies. Lá estão O Gaiteiro, Freddi O Elegante, Sheik do Irã e Nicolai O Russo, sendo que no final ainda aparece o legendário Andre The Giant, além do Capitão Lou Albano, que já aparecia em “Girls Just Wanna Have Fun”, tema da lutadora Wendi Richter.
Atualmente, os amantes da luta e da pancadaria podem curtir os campeonatos de vale-tudo e MMA, lembrando que toda a linguagem visual usada nestes programas é inspirada diretamente na luta livre profissional e procura conferir para esses espetáculos a mesma popularidade experimentada pelo pessoal da WWE, incluindo merchandising e licenciamento de produtos.
Para os sensíveis mancebos e suas amiguinhas que acreditam que a luta livre não está relacionada com os méritos do filme O Lutador, e que, se fosse outro esporte, tudo daria no mesmo, lembro que, no dia 5 de abril de 2009, durante as comemorações da Wrestlemania XXV, Mickey Rourke deve se apresentar como Randy “The Ram” Robinson, consagrando definitivamente sua performance como lutador e como ator.
Pois é disso que trata a luta livre: uma performance ao vivo que mistura interpretação, coreografia, sonoplastia e artes marciais, tudo muito bem conduzido por um excelente roteiro, sem efeitos especiais e sem frescuras, para um público exigente e fiel.
A luta livre resgatou Mickey Rourke, ele não precisa mais do cinema porque a luta livre já ofereceu a ele a redenção que tanto buscava como homem, lutador e ator. E isso não me parece pouca coisa.
23.08.08
O vôlei brilha, mas a Globo é, no máximo, bronze
O sábado começa lindo, com o ouro da seleção de meninas do vôlei.
Eu acho que o Galvão dá a dose certa de emoção a uma final olímpica que envolve tensão, sorrisos, decepções. Às vezes exagera, como na disputa pelo bronze no vôlei de praia. Parecia que Ricardo e Emanuel são os melhores esportistas que já pisaram neste continente; nem eles estavam tão entusiasmados quanto o Galvão.
Difícil mesmo de agüentar são essas cenas das famílias das jogadoras em suas casas no Brasil, com o Galvão parecendo locutor de programa brega em rádio AM, mandando beijo para a mãe de uma, um abraço para o marido de outra... Como se isso interessasse de alguma forma a todos os outros espectadores.
E o tema do Ayrton Senna entrando sorrateiramente entre as vinhetas de glória do vôlei? O que o Senna tem a ver com a eficiência da Mari nas cortadas, a criatividade da Fofão na elaboração das jogadas, a perfeição que foi o jogo da Sheila?
Num jogo desses, a Globo quer ser transmissão esportiva e, ao mesmo tempo, programa da Ana Maria Braga e do Faustão.
Mas as meninas do vôlei, de quem pouco se falou antes da olimpíada (vivemos, supostamente, no país do futebol - ainda que de bronze), superaram todo exagero e breguice da transmissão na TV, emocionando, embelezando a tela com sua vibração, e nos fazendo crer que, de vez em quando, os Estados Unidos não é páreo para nós.
07.07.08
Comerciais intermináveis no Warner Channel

"Melhor a gente conversar em outro canal"
Há duas semanas, prostrado em casa em plena noite de sábado por conta de uma dessas novas viroses imbatíveis, descobri que a TV passaria Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater, um dos melhores filmes dos anos 2000, com um dos melhores finais de todos os tempos. O desfecho do filme é daqueles em que você torce, “tomara que seja agora, seria um final perfeito”, e no caso a torcida é compensada com a perfeição. A perfeição de um fim que não é um fim, que se abre a todas as possibilidades, que deixa o minuto seguinte dos personagens à imaginação do espectador.
Mas toda a emoção do filme foi sabotada por uma escolha ruim de canal de exibição. Vi o filme pelo canal de TV paga Warner Channel, que demonstrou o maior desrespeito e descompromisso com seus espectadores (pagantes, ainda por cima).
Por quê? Por causa de seus três intervalos comerciais. Quanto à existência das interrupções, nada demais, a tradição da TV aberta já nos preparou para esses incômodos passageiros. O absurdo, no caso do Warner Channel, é a extensão desses intervalos. Cada um deles durou, em média, 11 minutos! Repito: 11 minutos! Decidi cronometrar na segunda vez, depois que me amolei com o exagero do primeiro intervalo. 11 minutos! Dava para eu sair de casa, ir à banca comprar um jornal e voltar antes que o filme seguisse. Dava para preparar três miojos, um em seguida ao outro. Dava para assistir a três clipes de música, ou a boa parte de um jogo de futebol. Dava para ouvir a quilométrica “The End”, dos Doors, de cabo a rabo... Só não dava para me lembrar sobre o que o casal do filme conversava antes da interrupção. E, no caso de um filme que se baseia em um único e longo diálogo, como a obra em questão, esquecer o assunto do papo era perder o fio da meada, o rumo da trama; perder o interesse, enfim.
Aos anunciantes que torram milhares em verba publicitária nos intervalos do Warner Channel, um aviso: assim como aconteceu comigo, outros tantos devem ter se impacientado com a repetição de seus reclames, e com a prolongada demora da volta do filme. Terminadas as sessões de intervalo, minhas decisões eram as seguintes: 1 - escrever em algum lugar denunciando o desrespeito (faço-o aqui); 2 – não adquirir nenhum daqueles produtos que tanto me irritaram numa noite de sábado que prometia ser um alívio, mas que foi um estorvo.
E o macaquinho de um anúncio da Fiat repetia e repetia, infindáveis vezes: “Don’t worry / about a thing / Every little thing / is gonna be alright”...
Não naquele sábado. Não no Warner Channel.
19.02.08
O verdadeiro baú do futebol
Descobri, faz pouco mais de um mês, o site do Globo Esporte. Cheguei lá procurando novidades sobre contratações do Palmeiras, este meu bem e mal incuráveis, mas constatei que os sites do Lance, da Gazeta Esportiva e do Globo Esporte dão sempre as mesmas notícias, freqüentemente com os mesmos títulos. O jornalismo esportivo, como já apontou um blog vizinho, é de uma mediocridade que o nosso futebol, tão rico de histórias e fatos novos, todos os dias, não merecia. Denílson, ponta esquerda à antiga, recém contratado pelo Verdão, chegou dizendo que não comemoraria se fizesse gol contra seu ex-clube, depois mudou de idéia, e isso rendeu centenas de notas, e às vezes manchetes, em nossos mornos periódicos peladeiros. Mas isso é assunto para outra conversa.
O que me agradou no site do Globo Esporte foi a disponibilidade de vídeos. Como a TV aberta agora só quer saber da audiência dos corintianos, o site é uma opção para conferir os compactos dos jogos do seu time. E na hora que você quiser.
Mas o melhor de tudo é a seção Recordar é viver. Nela, o site reproduz vídeos de fatos do esporte acontecidos no dia da visita, mas há muitos anos. Dia desses, assisti aos melhores momentos de um jogo da Seleção Brasileira em 1981, sob o comando de mestre Telê Santana, nos preparativos para a inesquecível Copa de 82. Brasil 6 a 0 no Equador, com dois gols de Reinaldo (lembra? atacante do Atlético, elegante e implacável ao mesmo tempo), dois de Sócrates, um de Éder e um de Zico. Imagens oníricas daquele time que não era um bando de superatletas milionários e desentrosados, mas uma orquestra de muitos maestros (o galinho, o doutor, Falcão, Júnior...) e outros bambas. Como disse bem meu sogro, gente do “Brasil que ganhava de goleada”. E dava show.
Hoje, tempos tão mais tristes, juntamos Robinho, Fenômeno, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, os melhores do mundo, e passamos sufoco para ganhar dos pernas-de-pau da Irlanda e de outros países que não nasceram para isso.
Outro dia, outra pérola: um magrelo Romário dando entrevista no dia de sua estréia como titular pelo Vasco, imagem de um tempo em que The Cure e Smiths lotavam as danceterias de darks e neo-românticos.
Quer mais? Como os arquivos são do Globo Esporte, cada reportagem vem apresentada por um Léo Batista ou um Fernando Vanucci de uma época diferente. E dá-lhe camisa de gola dos anos 70, estampas black-power e demais excessos tão incomuns nos programas esportivos dos dias de hoje. Léo era mais discreto, mas o Vanucci... Parecia figurante da novela Dancing Days.
Ah, ia esquecendo. Um dos vídeos a que assisti mostrava uma entrevista com Casagrande após um empate do alvi-negro, na época da Democracia Corintiana. Ele estava fumando no vestiário enquanto falava com o repórter. Quando a gente vê isso hoje em dia?
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Para os palmeirenses, recomendo o “Blog do torcedor”, na página do time, no site do Globo Esporte. Textos muito bons do publicitário Roberto Galluzzi Jr., combinando na medida certa o entusiasmo com o time com uma visão lúcida do que vê em campo.
E ele está jurando que 2008 é nosso ano.


Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.