13.03.09

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Watchmen: 5 gostos e 5 desgostos

rorscahch

Do que mais gostei:
1 - Acima de tudo: de ver em reconstituição respeitosa os personagens preferidos da minha pós-adolescência (junto com Sal Paradise e Dean Moriarty de On The Road, e Holden Caulfield de O Apanhador no Campo de Centeio). Não foi sem emoção que vi Rorschach aparecer na tela pela primeira vez, o Comediante acender seu charuto, Dr. Manhattan finalmente perturbado entre os jornalistas... Que me perdoem o clichê, mas foram duas horas e tanto de uma vívida sensação de túnel do tempo, direto para meus 18 anos: Watchmen na cabeceira, lado a lado com A Educação Sentimental, do Flaubert. Morrison Hotel e Unknown Pleasures na vitrola (cd? imagina…).

2 - Da relatividade do tempo nas lembranças do Dr. Manhattan, tão próximo da morte de amigos e amores quanto do dia em que os viu pela primeira vez. “O tempo passa como um rato na sala”, diria um filme de Domingos Oliveira.

3 - Jeffrey Dean Morgan, perfeito na amoralidade do Comediante.

4 - Jackie Earle Haley, soberbo como Rorschach, o principal personagem de Watchmen. Nada me assustava mais, antes de ver a adaptação, do que imaginar como me decepcionaria com um Rorschach frouxo ou exagerado, ainda que o restante do filme estivesse bom. Sorte que o projeto de levar Watchmen às telas nos anos 90 não deu certo, pois os rumores apontavam para Robin Williams no papel... Ave, Maria!...

5 - De ter visto o filme antes de ficar velho demais para dar bola às minhas paixões juvenis.

comediante
O Comediante assedia Sally Jupiter

Do que não gostei:
1 - O pior defeito está em não dar a ênfase devida ao diálogo de Rorschach com o psicólogo da prisão, quando o vigilante conta como o problemático Walter Kovacs se tornaria o terror do submundo, o herói menos heróico e exemplar dos quadrinhos. Esta passagem é o clímax da série, mas é apresentada no filme de forma apressada, com buracos na narrativa que enfraquecem o personagem e, principalmente, broxam a expectativa dos fãs da HQ (sem dúvida, o público-alvo desta produção).

2 - Das lutas em câmera lenta, à la 300 (o outro filme de Zack Snyder), que provocam bocejos. Com a exceção da primeira, entre Ozymandias e o Comediante envelhecido.

3 - Da irregularidade do filme. Passagens muito bem construídas se alternam com seqüências que não se encaixam na narrativa, o que prova a dificuldade de adaptar uma obra tão complexa e cheia de detalhes, como a escrita por Alan Moore (gênio!).

4 - Do final, um erro feio do roteiro: jornalistas discutem o que serão suas próximas manchetes, enquanto o diário de Rorschach está logo entre as correspondências que lerão. A cena ficou totalmente sem sentido, porque, até então, em nenhum momento houve menção ao jornal para quem Rorschach enviaria suas anotações. Na HQ sabemos que se trata de uma publicação de ultradireita, afim com o pensamento político e comportamental do vigilante conservador.

5 - Ozymandias, gay? Ah, não...

Do que gostei mais ou menos:
De Malin Akerman, no papel de Silk Spectre. Não conheço outros trabalhos dessa atriz, nascida na Suécia, mas me pareceu de uma interpretação que faz o Murilo Benício parecer o Paulo Autran. Ela é ruim demais. Além de fazer o estilo “gatinha”, que não combina nada com a personagem amarga e cheia de questionamentos existenciais, que é Silk Spectre.
Por que gostei “mais ou menos”? Porque Malin é tão bonita que, mesmo sem nenhuma aptidão para a arte de Fernanda Montenegro, ela nos deixa torcendo para que participe de todas as cenas do filme. E ela participa bastante.

malin_akerman_as_silk_spectre_watchmen_movie_image
Malin Akerman: Silk Spectre estilo gatinha

Enfim:
Fui assistir ao filme com meu amigo Paulo César, como uma espécie de comemoração aos nossos vinte anos de amizade e a um fato histórico também: foi ele quem me apresentou à graphic novel. Paulo é desenhista premiado no Anima Mundi, professor de desenho voltado para HQs e um cara absolutamente aficionado pela obra-prima de Alan Moore (gênio!, gênio!) e Dave Gibbons. Ele sabe quantos cacos de vidro voam prédio abaixo no assassinato do Comediante, ele sabe as medidas de busto da Silk Spectre e recita cada fala do Rorschach (“Somebody knows. Down there, somebody knows") como quem repete uma reza.
E o Paulo gostou da adaptação para o cinema, chegou a se emocionar em certas passagens, de modo que só pude concluir que Zack Snyder fez a coisa certa... Ainda que tenha errado para caramba.

por Alexandre Carvalho dos Santos 3 comentários - Permalink

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