18.05.09

Permalink Categorias: Egotrip   Portuguese (BR)

Da fé, ou da falta dela

Beleza de texto, o do Luiz Felipe Pondé, na Ilustrada de hoje. Sobre a fé, ou a falta de fé, dele e dos outros. Um tema que sempre chama a minha atenção; para mim, é fascinante a forma como as pessoas dedicam tantas reflexões e submetem seus juízos e comportamentos às interpretações de narrativas antiqüíssimas, de tempos em que um relâmpago era temido como expressão de ira divina.
Mas o texto do Pondé não é o de um ateu militante, mas o de um observador, principalmente de si próprio.

Diz coisas como isto aqui:

“Às vezes, para mim, um sorriso de uma mulher bonita numa manhã qualquer determina minha aceitação do mundo, enquanto que uma alma azeda me torna um cético contumaz. Minhas ideias são como que escravas de um gesto doce ou de um corpo belo.
Por temperamento sou um descrente, por sorte não sou um niilista: o mundo sempre me salva de mim mesmo. A fé (em qualquer coisa) não é uma experiência comum em minha vida. Muitas pessoas julgam a vida impossível sem a fé. Acho que elas se enganam: a coragem e a gratidão são muito mais importantes do que a fé.“

E isto:

“A beleza que nos cabe, penso, é a que caminha sobre ossos.”

Eu já fui um militante do ateísmo, quando tinha mais ímpeto e menos miolo. Hoje me emociono com a fé dos outros – desde que não sirva de amparo à estupidez. Não é possível assistir à fé ressuscitando os mortos em A Palavra, do Carl Dreyer, e não ser tomado pela emoção. Ainda que o Camus de O Estrangeiro fale mais à minha percepção das coisas e da natureza dos homens.

por Alexandre Carvalho dos Santos 2 comentários - Permalink

31.03.09

Permalink Categorias: Cinema, Egotrip, Tecnologia   Portuguese (BR)

Steve Jobs na Superinteressante

super

Mais textinhos meus chegando às bancas. Na Superinteressante de abril, uma matéria de quatro páginas sobre o chefe demoníaco que é Steve Jobs, o presidente da Apple (“O Império do Mal de Steve Jobs”). Se você acha que trabalhar nas empresas do Vale do Silício é um mar de rosas, é porque não tem de agüentar mr. Jobs te chamando de anta para baixo sempre que lhe dá na telha, assumindo a autoria por projetos que você inventou ou exigindo que você não fale sobre seu trabalho nem com a sua mulher.

jobs
Jobs Vader

Leia na Super o perfil completo do Darth Vader que criou o iPod e o iPhone.

Já na nova edição da revista de cinema Plano B, escrevo sobre o ótimo documentário A Casa de Sandro, de Gustavo Beck, que recebeu menção honrosa na última mostra de cinema de Tiradentes.

E vamos levando...

planob

por Alexandre Carvalho dos Santos 6 comentários - Permalink

17.01.09

Permalink Categorias: Cinema, Cotidiano, Egotrip   Portuguese (BR)

Matérias na Superinteressante e na Plano B

Muitos textos meus nas últimas edições da Superinteressante.

Em dezembro, a revista publicou duas edições e contou com três matérias minhas. Na primeira do mês, a que teve uma matéria sobre a Bíblia como destaque de capa, entrei com uma página (“Um dia qualquer no inferno”) sobre livros baseados em diários de mulheres que comeram o pão que o diabo amassou na 2ª Guerra Mundial. Na segunda de dezembro, uma edição “verde” da Superinteressante, repleta de matérias sobre meio ambiente, assinei um texto de sete páginas sobre como as cidades estão se preparando para lidar com as conseqüências do aquecimento global. A matéria se chama “Arquitetura da Destruição”.

Nessa mesma edição, dividi com o editor Alexandre Versignassi a autoria de um artigo para a seção "Essencial", sobre como o acúmulo de experiência pode não valer muita coisa para o seu desempenho em alguma função.

super janeiro

Já na edição de janeiro da Super, que está nas bancas com uma matéria sobre Che Guevara como destaque de capa, assinei sozinho outro artigo para a seção "Essencial", sobre como o baixinho sofre discriminação, ainda que inconsciente, na hora de concorrer a um emprego.

Apesar da variedade de temas, o cinema ainda é prioridade deste escriba. A Superinteressante sempre traz alguma resenha minha sobre um lançamento do mês (as últimas foram sobre Rebobine, Por Favor, Queime Antes de Ler e O Roqueiro), e a revista Plano B deste mês publicou uma entrevista minha com o diretor de fotografia Walter Carvalho, que assumiu a direção geral de Budapeste, baseado no romance do Chico Buarque.

O Walter é um sujeito de um papo tão bacana que não vejo a hora do filme dele chegar às telas.

E vamos que vamos.

por Alexandre Carvalho dos Santos 1 comentário - Permalink

07.02.08

Permalink Categorias: Comportamento, Egotrip   Portuguese (BR)

Ressaca de Carnaval

massagem

Sabe por que deram o nome de quarta-feira de cinzas para a data de encerramento do Carnaval? Porque é o dia em que você está só o pó.

Esse gosto na boca não é o de cabo de guarda-chuva. Experimentei e percebi que a peça não tem gosto nenhum, algo semelhante ao chuchu (e nossas mães teimam em nos convencer a comer a coisa com o argumento de que “não é ruim, não tem gosto de nada”; como se algo que não tem gosto de nada pudesse ser bom). Esse gosto do dia seguinte é um azedo de uma combinação fermentada demais, com periódicos refluxos de cerveja choca, uísque ruim, acarajé espumando óleo, e tudo mais que, na noite anterior, parecia irresistível, e agora só provoca a firme decisão de nunca mais beber.

pé

Sabe o que é bom no dia seguinte? Nada. Pois nada parece bom no dia da ressaca. Seu time goleia o rival mais encardido, e você apenas sorri amarelo. Alguém lhe oferece o emprego dos sonhos, e você deixa para analisar no dia seguinte. Sua avó resolve preparar sua receita preferida, e você não quer nem ver; você não quer saber de comer nada.

Faz sol, mas seria melhor que estivesse nublado, com uma garoa fina. São Paulo tem domingos e quartas-feiras de cinzas justamente apropriados para as ressacas mais intoleráveis.

nublado

Mas um carinho ajuda. Ficar na cama o dia inteiro, recebendo carinho e massagem, passando os olhos pelo jornal de vez em quando, torna o dia da ressaca mais aceitável.

Não veja e-mails e desligue os telefones. Você não quer ninguém lembrando-o das coisas que você disse ou fez, e de que você lembra um pouquinho, mas prefere deixar num canto escuro da memória. A camiseta cheira cigarro e perfume, e fumaça de churrasco, e você a afunda no fundo mais fundo da pilha de roupas sujas, junto com o arrependimento.

Passe o dia na cama, peça carinho, massagem e uma água de coco. Parece que não, mas passa.

tênis

por Alexandre Carvalho dos Santos 1 comentário - Permalink

03.07.07

Permalink Categorias: Cotidiano, Egotrip, Turismo   Portuguese (BR)

Nesta noite de terça (Itaúnas - Porto Seguro)

Itaúnas0003

Nesta noite de terça-feira, quero a brisa gostosa das tardes de Itaúnas, cerveja gelada aos meus pés, quase brancos de areia; cochilar nas redes dos quiosques simpáticos em que contemplei, em minha timidez, pós-adolescentes lindas e ainda deslumbradas com as maravilhas e as porcarias da vida adulta; quero o saboroso pastel de camarão, as fartas delícias dos restaurantes da Teresa e da tia Fina de Costa Dourada, quero aprender a dançar o forró incessante da madrugada; quero caminhar sob o sol ao lado das dunas que ainda se movem perigosas na direção da vila; quero estar na Praia dos Coqueiros, nadar nas águas carinhosas da Praia dos Coqueiros, preciso novamente do cheiro do capim molhado, das canções brasileiras no luau do Jade, das visões de céus estrelados na noite, céus como nunca vi, polvilhados de purpurina prateada, a lua cheia nascendo no mar.

Nesta noite de terça, quero voltar à Passarela do Álcool, em Porto Seguro, tomar caldinho de siri para poder enfrentar os capetas do Galego, Roberto, gente fina, pai de um menininho de seus três anos que, com os olhos verdes da mistura baiana de raças, pedia que eu tirasse sua foto puxando-me pela bermuda. Capetas tomados, a mente se abria e a Passarela, na verdade uma avenida, tornava-se um mundo exótico, mas muito natural para os encapetados, repleto de luzes e danças e sons originais de berimbaus tocados por malandros que logo sacavam a menina que estava comigo, e eu nem aí.

Mas dias e noites passam e se tornam semanas, e mesmo esta noite de terça há de passar, e talvez também se torne nostalgia, ainda que, sozinho num quarto, febril e tossindo, em meio ao barulho das motos e gritaria dos cortiços, eu respire a doença da poluição paulistana e engula os comprimidos e antibióticos de minhas próprias misérias.

19 de agosto de 1997.

* * *

Escrevi há dez anos, numa noite de terça como esta, semanas após minha primeira viagem para Itaúnas/ES, com direito a esticada para Porto Seguro. Não estava no melhor dos espíritos, como se pode notar, mas tive a clareza de concluir que Itaúnas seria, é, inesquecível.

Itaúnas0001

por Alexandre Carvalho dos Santos 5 comentários - Permalink

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