13.11.09
Na Superinteressante, na Beta, no bar
Não falei nada disso nos últimos tempos, mas meus textos continuam pipocando por aí. Na Superinteressante de outubro, uma matéria grande sobre Eduardo Saverin, o brasileiro que ajudou a criar o Facebook (mas que não levou a fama). Na Super de novembro, esta que está nas bancas, um artigo sobre como o esporte pode deformar o caráter, em vez do que se pensa normalmente a respeito.
E a revista Plano B virou Revista Beta. Também cresceu de tamanho, não só no número de páginas, mas no próprio formato da publicação.
A presente edição (dá para comprar na livraria do Espaço Unibanco) tem uma entrevista minha com Sérgio Rezende, o diretor de Salve Geral, a indicação brasileira para o Oscar.
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Mudando de assunto, eis que a Uniban expulsou a menina do vestido curto, depois se arrependeu e cancelou a expulsão (alguém do marketing deve ter voltado das férias e apontado o absurdo da decisão anterior).
E os dois juízes dos últimos dois jogos do Palmeiras foram afastados do Campeonato Brasileiro por erros que seriam mais bem descritos como estrepolias.
E eu estava no bem-bom de um bar aprazível da Pompéia, degustando cervejas especiais, com a brisa no rosto, quando as luzes foram apagadas. E para achar o banheiro depois?
Um país que é um circo...
04.11.09
Na Mostra: Roman Polanski, de Alê Primo
Criado a partir de uma longa entrevista com o diretor de O Pianista, o documentário de Alê Primo é a prova da abrangência e diversidade dessa Mostra de Cinema de São Paulo. Em qualquer outra circunstância, renderia, quiçá, um programa razoável para a TV Cultura. E só. Nesta Mostra cheia de boa vontade e um coração de mãe, ganhou espaço em salas de cinema.
Polanski faz comentários breves sobre todos os seus filmes - sobre O Bebê de Rosemary, quase nada. Há ainda uns quatro depoimentos ligeiros de cineastas brasileiros, e um de Caetano Veloso, mais interessante, falando sobre a visita que o polaco fez com Jack Nicholson à sua casa na Bahia.
De resto, se a obra de Roman Polanski caísse numa prova de vestibular, esse filme poderia ser um “resumão” para quem nunca ouviu falar dele. Para quem conhece, vale apenas por uma ou outra cena de filmes mais raros do diretor. A linguagem televisiva também não ajuda a despertar outro interesse que não seja o didático, para neófitos.
03.11.09
Na Mostra: Cinzas e Sangue, de Fanny Ardant
Cinzas e Sangue, primeiro filme dirigido pela atriz Fanny Ardant, tem um resultado bem desigual. Do que mais gostei: dos enquadramentos belíssimos, em composições de três, quatro e cinco personagens, distantes entre si, destacando a oposição entre os membros de famílias inimigas, sem que o diálogo precisasse dar conta disso. E os planos abertos, muito bem trabalhados no uso da cor, mas principalmente na disposição pictórica. Contradiz o estereótipo de que atores, quando vão para trás das câmeras, se limitam a fazer filmes com ênfase na interpretação (não que a atuação fique em segundo plano neste trabalho).
O que me incomodou: o tratamento teatral, em algumas passagens, não funciona na tela grande. Os rituais das famílias talvez impressionassem mais sobre um palco. No filme, parece forçado. Tudo é solene demais, e esse peso coloca a perder uma história que, em si, já parece enredo de novela das seis.
O resultado me deu a impressão de um simbolismo capenga sobrecarregando uma história já marcada pelas hipérboles. A cena final, em que lobos rodeiam a mãe que ousou ser uma mulher forte num mundo de homens violentos, ilustra bem esse exagero.
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A sinopse
Exilada da Romênia desde que seu marido foi assassinado há dez anos, Judith vive em Marselha com seus três filhos. Após se recusar a ver sua família durante anos, e apesar dos seus medos e segredos, ela se deixa convencer pelos filhos e aceita um convite para o casamento do sobrinho. Eles vão passar o verão no país natal, descobrindo suas raízes e seu passado. Mas a volta de Judith revive velhos ódios entre clãs rivais e desencadeia uma espiral de violência.
26.10.09
Freqüentadores da Mostra de Cinema
No começo da década de 90, comecei a freqüentar a Mostra de São Paulo, e num dos primeiros filmes a encontrei na fila. Era amiga de uma amiga, tínhamos nos visto em uma ou outra festa, e aquela era a primeira vez que a encontrava no cinema. Cumprimentamo-nos, improvisamos comentários sobre esse ou aquele filme assistido, até que nos desembaraçamos com um suspiro de alívio. Umas quatro sessões depois, na mesma semana, revi-a na fila: meia três-quartos (era moda na época), óculos pretos, de armação grossa, camiseta de uma banda punk. Era alta, muito branca, bem nascida, estava na agenda de gente da TV e da moda. E, vim a descobrir depois, era assídua nas sessões mais badaladas da Mostra. Criava assunto conforme acumulava horas diante da tela.
Encontrei na mesma Mostra um ex-colega de cursinho, o único com quem eu dividia a intenção de cursar cinema na faculdade. Ele queria fazer filmes pela Embrafilme, eu queria filmar no exterior e achava a Embrafilme uma merda. Divergíamos em nossas ilusões, mas pós-adolescentes são receptivos e procuram coisas em comum; mesmo os estudantes de cinema demoram um tanto até acharem que a vida murcha quando as luzes se acendem.
O que tenho observado nesses anos de Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e confesso que há edições e que vou muito, outras a que vou pouco, é que, como grande evento cultural que é, o festival tem um quê de exposição do Rodin.
Explico para quem não é de São Paulo: Houve aqui, na pinacoteca desta cidade, uma exposição do artista com divulgação sem precedentes na mídia. Resultado: os gatos pingados que realmente apreciam arte, e escultura em particular, tiveram de enfrentar filas assustadoras, repletas de pessoas que mal haviam posto os pés num museu, e pouco suspeitavam de quem fosse Rodin. Mas a exposição era o “must” do momento, e ninguém queria ficar de fora.
Na Mostra de Cinema é a mesma coisa. A cada outubro, gente que vê um ou outro filme por mês, quando vê algum, entope os corredores e saguões de entrada para conferir um filme macedônio com legenda em espanhol. Não entendem patavina, falam mal no final, mas, assim que terminam o café na saída, já estão na correria para a próxima sessão que o jornal da manhã encheu de elogios. Gente de todo tipo, como a amiga da minha amiga, com a qual nunca cruzei no cinema, senão em sessões da Mostra.
Os motivos que a levam à maratona de filmes em tudo diferem dos de meu colega de cursinho. Este, embora também esteja em todas as Mostras, evita os filmes mais badalados, pois sabe que logo entrarão em cartaz. Seu impulso é mais o do explorador, que não pode deixar que uma pérola da Turquia seja descoberta antes por seus pares. Ambiciona um conhecimento enciclopédico a respeito do cinema, ainda que, dependendo do sujeito, não saiba muito bem o que fazer com a memória acumulada; assim como o colecionador, em dado momento da vida, não sabe bem por que tem tantos livros, recortes de jornal ou borboletas raras.
É comum que o cinéfilo bem treinado torça o nariz para a companhia da culturete, do casalzinho, do grupo de amigos falando alto na fila, combinando o restaurante para depois da preliminar no cinema. São os bárbaros invadindo seu pequeno feudo, querendo brincar com o seu brinquedo.
Mas o que não vê é que o cinema não tem dono; é feito para mim, para você, para encher a culturete de assunto na próxima festa, para que o casal se lembre do seu primeiro encontro, para que os amigos se dividam entre os que gostaram e os que dormiram durante o filme, enquanto formam grupos diferentes na separação entre os que vão de vinho e os que vão de cerveja. Se parte das pessoas vai à Mostra como quem vai a uma festa ou participa de uma gincana (vamos ver quem assiste a mais filmes de línguas diferentes!), é direito delas.
Desde que não coloquem o pé nas costas da minha poltrona, fico com a impressão sorridente de que é a magia do cinema atraindo as multidões, e que, se tantos se mobilizam, investem seus trocados, gastam horas no espelho porque há uma mostra de filmes diferentes na cidade, dá para ter esperança de que a estupidez, um dia, deixará de prevalecer.
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Artigo publicado na Revista Paisà, para a Mostra de 2006.
A ilustração é do PC.
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Mais um post que eu quis tirar do limbo dos textos esquecidos, agora por ocasião da Mostra.
07.10.09
O Diário Proibido, de Christian Molina
O melhor filme em cartaz é Deixa Ela Entrar.
O pior é O Diário Proibido.
Vi os dois, com uma semana de diferença, no Espaço Unibanco Augusta (agora tem também o da Pompéia). Impressiona que um lugar com o padrão do Unibanco gaste tela e horário com um softcore do nível desse O Diário... Faz Emmanuelle parecer filme do Buñuel.
Não pelo sexo exposto, que não me choco com isso, até me alegro – e suspeito de reprimidos escandalizados –, mas pelo conjunto desconjuntado: a pobreza das soluções do roteiro, as reviravoltas mal feitas, a montagem amadora e as interpretações desmedidas, fora de lugar.
O Espaço Unibanco já tirou o filme de cartaz, o que não é comum por lá. O normal é o filme sair da sala 1 para a 2 ou 3, pegar uma repescagem na 4 ou na 5, e nisso se vão umas três semanas, pelo menos. Devem ter ficado com vergonha ou ouvido muita reclamação de assíduos como eu.
A história da ninfomaníaca à procura do sentido da existência em O Diário Proibido parece uma trama da "Sala Especial", aquela sessão clássica da Record. Em comum, uma história mal contada, só para justificar bundas e peitos aqui e acolá. Mas, se minhas lembranças da infância não me puxam o tapete, qualquer pornochanchada com a Helena Ramos e o Nuno Leal Maia goleava essa podreira espanhola.
Eu disse lá em cima que é o pior filme em cartaz (e olha que esse Terror na Antártida deve ser um abacaxi sem tamanho). Mas, me corrijo: é o pior filme do ano. Pelo menos dos que eu vi, e não foram poucos.
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Sei que deveria conferir, para poder falar a respeito. Mas achei o primeiro Che, do Soderbergh, uma lenga-lenga tão anestesiante, que só vou ver esse Che 2 – A Guerrilha se ganhar muito bem para isso.
Está todo mundo dizendo que é pior que o primeiro. Então, imagine...






Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.